hora do povo louca impostos

Cara presidente Dilma Rousseff,*

Nesta sexta-feira (15), a senhora falou “em ampliar impostos”, contrapondo a tal fala uma suposta “demagogia” (o conceito universal de demagogia é dar coisas ao povão cobrando-lhe em impostos, para que os tontos não percebam e cubram de encômios quem está lhes tomando dinheiro). E arrematou: “Acho que é fundamental para o país sair mais rápido da crise aprovar a CPMF”, coroando o bolo cerejosamente com suas frases em típico dilmês, como:

“Acho que é fundamental para o país sair mais rápido da crise aprovar a CPMF, que é um imposto que se dissolve, se espalha por todos, de baixa intensidade, ao mesmo tempo que permite controle de evasão fiscal e ao mesmo tempo faz outra coisa, que é muito importante: tem um impacto pequeno na inflação, porque ele é dissolvido se você considerar os demais impactos.”

Crise, cara presidente Dilma, vem do grego κρίσις, que pode ser traduzido também como separação. Entrar em crise econômica (deixemos sua crise política, sua crise moral, sua crise de representatividade, sua crise de traduzibilidade entre outras crises dilmistas de lado por um momento) significa estar dividido entre o que se quer e o que se pode pagar.

carga tributariaPensemos numa família (isto também afeta o que a senhora chama de “família não tradicional”, não precisa chamar o Jean Wyllys para nos acusar de fascismo). Quando uma família entra em crise?, para fazer uma típica pergunta em dilmês. Quando ela está devendo mais do que produzindo (ou “ganhando”, como se diz no péssimo hábito em português de considerar que dinheiro de trabalho é “ganho”, e não produzido; ou, em linguagem de governo, “arrecadando”, no ainda pior hábito em português de considerar que dinheiro imposto é uma “arrecadação” ou “contribuição”).

Ou seja, uma família gastou demais, geralmente a prestações, e agora está devendo mais do que tem dinheiro garantido para pagar. Isto é uma família em crise.

jantar coxa frangoQuando uma família entra em crise, ela terá de mudar seus hábitos de gastança. Por exemplo, parar de comer filé mignon e comer o universitário roscovo todo dia. Isto, presidente, é claro, faz com que os seus caudatários digam na internet que não há crise, porque as famílias brasileiras compraram mais ovo em 2015. Presidente, sério… vamos deixar isso pra lá para não entrarmos no mérito da sua crise marqueteira tão cedo…

O que estávamos dizendo é que uma família tem de gastar menos se quiser sair de uma crise. Trocando o confit de pato ao sugo por uma banana ou trocando as férias na Disney por turismo na Chapada Diamantina, a família paga as contas e sai da crise.

Isto, é claro, com uma família. Não são as famílias brasileiras que estão em crise, por terem gastado mais do que criam riqueza. Foi o governo. Não apenas a senhora, cara presidente, mas todo o modelo de Estado e governo que o seu partido criou.

E o que a senhora está fazendo? Cortando gastos? Não, o governo tem possibilidade de agir através de uma mecânica diferente – imoral, escandalosa, ultrajante, incompetente e tenebrosa para o trabalhador, mas que é tratada como “normal” neste país, incluindo aí 99,999% da mídia (sim, inclusive parte da Veja, que a senhora tanto detesta). Esta forma é… aumentar impostos.

Ou seja: uma família ou um ser humano normal precisa gastar menos. O governo… precisa tomar mais dos outros. É como se uma família, assim que entrasse em crise, começasse a roubar e subtrair propriedade alheia. Aliás, exatamente como a esquerda e seu partido garantem que é como o mundo funciona.

lavajato-collor_ueslei_marcelino_reutersÉ este o chamado “ajuste fiscal” que precisaria ser feito. Cargos comissionados? Gastos com propaganda? Fundo partidário? Jantares chiques? Viagens feitas apenas para “inaugurar obras”, o que só faz sentido eleitoral para a senhora, e é tão inútil para o país quanto estas mal traçadas? Ministério da Pesca? Lei Rouanet? Corta tudo. Agora é focar no essencial. Only this, and nothing more, já dizia o poeta.

Vai causar desemprego? Bem, vai tirar de quem está tirando e dando para quem está dando. Pode usar isso como seu novo programa, o Brasil Robin Hood ou o Mais Dinheiro no Bolso, ao gosto do João Santana (se ele não for preso na Lava Jato, claro).

Mas o que a senhora fez disso? Nada. Jurou que o ajuste cortaria “direitos trabalhistas” (ou, agora, que seria “demagogia”, o exato oposto), e que manter parasitas é mais importante do que deixar as famílias trabalhadoras com o dinheiro delas.

Não são os brasileiros que estão crise, senhora presidente. É o seu governo. Não adianta falar “o Brasil está em crise”, como se 190 milhões de seres humanos confinados a uma linha imaginária de repente tivessem gastado mais do que deveriam. Foi apenas o seu partido e este modelo desgraçado de gestão.

Não adianta dizer que, para sair da crise, precisamos de mais impostos. Não, não precisamos. Você precisa. É bem diferente. Na verdade, é o exato oposto: manter os brasileiros pobres para que você, o Marcelo Odebrecht, o Lula, o Collor, a CUT, o MST, a UNE e a rouanetosfera continuem ricos. E logo vocês é que inventam de tratar a todos os seres humanos como “opressores” ou “oprimidos”…

Nas biografias da senhora, descobrimos que sua experiência como gestora antes da política inclui falir duas lojinhas de R$ 1,99. As explicações variam de “falta de troco” (sic) até (ou seja, a da “falta de troco” é a mais… crível) até… ser tudo culpa do FHC, como a senhora mesma afirma.

Ao se notar como a senhora administra este país, não nos surpreende nem um pouco. Quando a senhora comprou mais mercadoria do que conseguiu vender, a senhora também tentou aumentar compras impostas para ver se a loja se sustentava, obrigando quem passa na rua a deixar uns trocados com a senhora? Funcionou? Não passou nem por um átimo de segundo na cabeça da senhora equilibrar as contas do que tentar tomar dinheiro alheio?

looters-and-moochersMargaret Thatcher, a dama de ferro britânica, é odiada pela esquerda não graças à Guerra das Falklands (culpa de um dos ditadores militares argentinos mais assassinos da trágica histórica do século XX daquele país) e nem devido à sua gestão econômica, que fez a Inglaterra ser o paraíso de qualidade de vida infinitamente superior ao Brasil que é hoje. Foi por ter demitido uns grevistas para que o dinheiro fosse para os trabalhadores ingleses. Producers, not looters, como no lema de Ayn Rand. O que a senhora deveria fazer, para ser uma “dama de ferro”, e não um joguete na mão do destino (cuidado, presidente, a frase é de Shakespeare) e do Lula.

Thatcher era filha de um quitandeiro. Ela nunca faliria uma loja de R$ 1,99 – não precisou de um sindicalista semi-analfabeto, mas carismático, para torná-la presidente. Como se diz, ela foi lá e fez. É a glória do capitalismo.

Quitandeiros possuem o que os ingleses, desde antes de Thomas Paine, chamam de “senso comum”. As verdades óbvias da vida – por exemplo, que não se deve gastar mais do que se tem para gastar. Já intelectuais modelo “passe livre” ou “direitos trabalhistas” são os campeões de negar tais verdades sob camadas de obscurantismo acadêmico para fazer seus eleitores de tontos com promessas de enriquecimento artificial – basta ver as notícias sobre a suposta vitória sobre a pobreza das últimas décadas evaporando-se (ou seja, voltando à realidade). Por isso hoje precisamos de uma espécie de Senso Incomum contra o discurso da mentira. Sua forma de ler tabelas e falar dos seus falsos mestrados e doutorados em Economia na Unicamp, por exemplo.

Um quitandeiro, uma costureira, um pedreiro, uma vendedora de tapioca, um encanador, uma manicure eficientes não entram em crise, ainda que não enriqueçam. Se gerissem o gigantesco orçamento estatal brasileiro, com sua economia tão estatal e com tantos impostos, estatais, cargos, ministérios e empresas “privadas” em concessões e licitações com o governo, certamente teriam senso comum o suficiente para não pensarem que o que nos tiraria da crise é obrigar a população a ser ainda mais punida para que o Estado, a senhora, o Lula, o Collor, o Cerveró, o Cunha, o Delcídio, o Ricardo Pessoa et caterva tenham mais dinheiro.

dilma aerolulaDiga-se, ademais, que não é só sua péssima gestão, sua eleição absolutamente discutível (que está sendo investigada pelo TSE, e mesmo aparelhado pela turma que a própria senhora colocou no tribunal, é incapaz de dar uma notícia positiva a respeito da idoneidade do pleito – o que é golpe), sua desastrosa gestão econômica e política, as investigações que não se resumem a Lava Jato e Zelotes e tudo o mais que deve garantir seu impeachment, a senhora também foi considerada culpada por unanimidade pelo Tribunal de Contas da União, o que inclusive fez com que o parecer do TCU fosse anexado ao pedido de impeachment.

E o que a senhora agora faz? Apresenta um Orçamento para 2016 que… já conta com receita da CPMF de R$ 10,15 bilhões, o que só não garante novamente seu impeachment imediato por termos o Legislativo mais bundalhóide do globo.

Ao invés de cortes de gastos, vemos exatamente o oposto: aumento de gastos que justifiquem os gastos (sic). É dinheiro para a rouanetosfera, para os legisladores que podem votar a seu favor em caso de impeachment, para jornalista dizer que vivemos no melhor dos mundos e que o problema do Brasil é o pessimismo, a classe média coxinha e a Lava Jato.

Uma rápida pesquisa por “dilma gastos propaganda” no Google rende como resultado chamadas como Em 4 anos, Dilma gastou R$ 9 bilhões em publicidade, 23% a mais que LulaDilma gasta R$ 2,3 bi com publicidade em 2013 e bate recordeDilma supera Lula nas despesas com propaganda; juntos, gastaram R$ 16 biGoverno Dilma gasta mais em publicidade que a AmbevEm ano eleitoral, Dilma turbina gastos com propaganda paga pelo contribuinte: salto é de 61,84% em relação ao mesmo período do ano passado ou Gastos em publicidade de Dilma poderiam abrir 17 UPAs do RS. Para nos atermos apenas em gastos com propaganda, e apenas nos mais relevantes da primeira página do Google.

A senhora é uma boa presidente? Não, é uma das piores que o Brasil já teve. A senhora tem aprovação de alguns setores da sociedade? Bem, apenas do quadrante “pessoas de baixa instrução, tiranos das boas intenções, acadêmicos da manipulação social e rouanetosfera”. E só os convence quando eles compram… sua propaganda. Até qualquer voto que a senhora tenha é artificial.

Enfim, presidente, o que esperamos é que a senhora caia, não tenha dúvida. Basta ver como a maior parte do povo (inclusive uma parcela crescente dos seus próprios eleitores) quer o impeachment, e o processo só não vai pra frente com força total porque os legisladores podem ser comprados com suas benesses e ameaças – ou com o empacamento do STF, produzido pelo seu próprio partido.

tico santa cruz rouanetMas, enquanto isso, por favor, pense mais em mandar embora os parasitas e economizar nem que seja uns trocados em seus hotéis de luxo (como a suite Tiffany na qual a senhora torrou R$ 22 mil por dia ou ter gastado o que um trabalhador brasileiro que recebe salário mínimo demoraria quarenta anos para conseguir pagar para ver o papa, apenas para aumentar suas chances eleitorais, mesmo tendo a luxuosa embaixada brasileira em Roma para usar “de graça”), em suas viagens com único fito eleitoral, em sua gestão, nos cargos que vende para se manter no seu, nos ministérios que rifa em troca de obediência, na Rouanet que libera conforme possam fazer propaganda – enquanto corta verbas da Polícia Federal que te investiga, só para uns exemplos rápidos.

Por favor, cara presidente Dilma Roousseff, o Brasil é mais complexo do que uma loja de R$ 1,99, sem sombra de dúvida. Mas qualquer um que consiga administrar uma administraria este país infinitamente melhor do que a senhora.

* Com isto espero ter deixado claro por que lhe trato como “cara presidente”. Não se trata, naturalmente, de uma forma pessoal de tratamento por maior respeito a sua pessoa do que à minha carteira (que me perdoe a patrulha do respeito fingido, mas ainda possuo mais respeito à minha carteira), e sim de um mero adjetivo qualificador. A senhora é cara. Custa caro. Não apenas economicamente. Por essas e por outras que tem um processo de impeachment nas costas. Melhor ainda se sua chapa por impugnada pelo TSE. Se a senhora sair do governo, o resultado sairá muito mais barato para nós do que a sua permanência.

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