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Cultura são os símbolos que o homem cria para tentar traduzir para si próprio o caráter multifacetado da sua realidade circundante. Os símbolos culturais incluem cores, gestos e imagens, até a alta literatura ou tecnologia avançada, que mantêm o comportamento humano dentro de certos padrões.

É o que o crítico cultural Philip Rieff chamava de “ordem sacra”: são símbolos anteriores à moderna divisão dos saberes, buscando precisão, mas prescindindo de universalidade. Se o pensamento moderno possui uma física quântica, uma historiografia prosopográfica ou uma álgebra abstrata, é por ter criado tais símbolos capazes de representar aspectos cada vez mais especializados da universalidade do real.

O preconceito típico do Ocidente, quase universalizado na civilização, é o dogma de que a história caminha apenas para frente, apenas acumulando saberes e progredindo, sem nunca retroagir ou perder algo pelo caminho. Desta forma, viveremos sempre no melhor dos mundos, apenas suplantado pelo futuro que deve ser remodelado por progressistas. Um saudosismo por um ontem melhor é sempre uma traição retrógrada e reacionária.

O pensamento mítico, a filosofia antiga e o simbolismo religioso teriam sido completamente suplantados pelo saber científico – palavra que, ao invés de indicar saber, é usada como substituta a “positivismo” e a redução da realidade ao dado numérico auferível. A complexidade infinita do saber mítico e mesmo filosófico do passado é tratada como mera fantasia, sempre e necessariamente ultrapassada.

three-gracesHomero e Sófocles não podem conter uma verdade maior do que Freud, Lacan, Piaget e Vladimir Safatle. A história de Pôncio Pilatos e Barrabás é incapaz de ensinar algo sobre a multidão na democracia, devendo ser substituída por Norberto Bobbio, Manuel Castells, Dias Toffoli e Marina Silva. O mito da caverna é lido como se o próprio Platão estivesse agrilhoado no escuro, enquanto nós já temos a bênção de termos saído à luz apenas pela nossa data de nascimento, só precisando obedecer a Richard Dawkins, Noam Chomsky, Thomas Piketty, Jürgen Habermas e os nomes progressistas selecionados na lista da Prospect Magazine.

Além da predominância do intelectual público e da dogmática hegeliana da história como corretora do passado, a era da opinião pública nos brinda com a obediência geral e imediata a quem conseguir mais seguidores na Academia, com a premissa medular de que o pensador solitário é um pária a ser silenciado.

A verdade ganha equivalência ao convencimento das massas. Abandonado o princípio E pluribus unum para unir a sociedade, qualquer um que fale sem os trejeitos da Academia não é nem considerado adversário inferior – é simplesmente tratado como não-existente e não merecedor de ouvidos.

Os símbolos míticos, entretanto, são fortes não pela fantasia, por uma forma de pensamento ultrapassada e fanática, mas por concentrarem muitas verdades sobre o mundo, o homem, o espírito, o convívio social, as causas e conseqüências de nossas ações que nunca foram nem mesmo arranhados pela crítica moderna.

oedipusA narrativa de Édipo, contada por Sófocles, mostra um homem honesto e bondoso tentando resolver o enigma da peste em sua cidade através de seu talento político – apenas virtudes, mas sem nunca se perguntar o que uma calamidade cósmica (ou seja, algo da esfera religiosa) tem a ver consigo próprio, sem saber quem é ele. Algo absolutamente mais complexo do que Freud, o “mestre do reducionismo” (nas palavras de Mircea Eliade), crendo que a arrogância, o infortúnio do destino e a quebra de ordem cósmica de Édipo é apenas um “desejo” do próprio de matar o pai e dormir com a própria mãe (ver “Édipo sem complexo”, brilhante ensaio de Jean Pierre Vernant em Mito e Tragédia na Grécia Antiga).

Se a história de Édipo em Sófocles é capaz de explicar desde as conseqüências imprevistas da tentativa de adivinhar o futuro até a inutilidade de intentar usufruir do prestígio popular e da força política para manipular a lei natural de causas e conseqüências (ou seja, capaz de servir como guia para evitar o totalitarismo nazista e soviético, a crise de 2008 ou Dilma Rousseff debatendo-se estabanada contra a inflação, o desemprego, a falência de instituições, o desamparo de deputados opositores que seu partido tentara comprar e a crise final que ela própria e seu partido causaram), o Édipo de Freud apenas serve para uma moral bizarra crente em eternos triângulos amorosos incestuosos.

A especialização das ciências modernas permite algo como o detalhismo sub-atômico dos colisores de partículas (quando acerta), mas pagando tributo à fragmentação de saber – quando não recai na mentira, fofocaria e destruição da verdade puras e simples com a incapacidade de interpretação de símbolos, como no caso da psicanálise iniciada por Freud.

Por isto, se a questão do século XX foi a desconstrução da matéria em suas filigranas, o problema a ser resolvido no século XXI, além do conhecimento biológico, é um novo paradigma para a questão mente-cérebro, e como entender corretamente as formas de pensamento científico e mítico, a correlação entre linguagem e consciência e como criar um novo simbolismo político para o convívio social e, agora, global – questões estas com as quais raríssimos pensadores estão lidando.

sharia 4 franceSe a Nova Ciência da Política de Eric Voegelin (o maior filósofo político do mundo, ainda quase desconhecido do Brasil fora de um círculo restritíssimo) lida substancialmente com a definição de cultura política de forma inédita (dialogando mito, símbolo, ciência, política e a forma moderna e contemporânea de fazer política: o gnosticismo), o mundo atual ainda estrebucha-se para coadunar fenômenos absolutamente díspares culturalmente, religiosamente, moralmente e politicamente, como a liberdade de expressão e a pregação da jihad islâmica, o Estado laico e as burcas, o feminismo e o casamento gay com a poligamia e os casamentos comprados com crianças – as implicações civis de uniões religiosas e vice-versa.

Tudo num oásis de civilização tentando despir-se da religião, abraçando teorias de tolerância e diálogo, com discussões acadêmicas e crescentes direitos civis, ilhado num mar de barbarismo invadindo seus muros através do terrorismo extremista muçulmano – abraçado justamente em nome da superioridade de tolerância do Ocidente e sua nova religião oficial, o multiculturalismo.

As diversas formas de arranjo social do passado foram consideradas ultrapassadas, das monarquias européias (esfaceladas após a Primeira Guerra Mundial) ao Estado mínimo (inclusive o da Constituição americana). Com o falhanço genocida da União Soviética e da Cortina de Ferro, restou aferrar-se ao Estado de Bem-Estar Social ou social-democracia, como prêmio de consolação após a Guerra Fria.

Ela, crê-se, é inatacável e garantirá a todos um convívio pacífico e a prosperidade universal, e ainda sustada na igualdade. Basta apenas continuar convencendo a todos os retrógrafos e reacionários a apoiarem seu projeto comum de permitir que burocratas, funcionários públicos e intelectuais (categorias cada vez mais indiscerníveis) tomem seus bens e valores em prol do grande Estado que guiará a todos na tolerância e saber científico.

Inclui-se aí os refugiados e imigrantes não fugitivos, que trazem uma cultura odiadora do Ocidente, mas que amarão o projeto ainda mais do que os conservadores desconfiados de planificações estatais progressistas. Basta “integrá-los” tão logo lhes dermos dinheiro e lhes entupamos de direitos e benesses, com grandes discursos a favor de minorias e culturas diferentes. Qualquer crítica é acachatada em conceitos abstratos e assustadores, e aí basca se atacar o racismo, a xenofobia e o tradicionalismo ultrapassado da direita ocidental.

Este foi o pensamento sintetizado no lema Liberté, égalité, fraternité da Revolução Francesa. É a este projeto de uma sociedade planejada pela razão (na verdade, por um esquematismo, censurando a razão a qualquer pensar em qualquer crítica ao esquema pronto) que o Iluminismo legou ao mundo.

Destituído de símbolos que falem à vida, crendo cega e fanaticamente em um esquematismo que substitui a razão, mas atribuindo o valor emotivo “racional” a tudo, não surpreende que a França das “luzes” e do “racionalismo” seja a mesma que hoje é palco primário do terrorismo islâmico na Europa.

A mesma França crédula na Declaração Universal dos Direitos do Homem perde seu direito básico de ter um passado e uma continuidade universal com seus direitos de ser herdeira de uma cultura e tradição, tendo de substituir seus símbolos de unidade social pela palpitaria abstrata e esquemática de algum angariador de multidões que fale academês.

A França caudatária da liberdade degola a sua própria em prol da liberdade da burca, da hégira islâmica de dominação pela maioria, da liberdade de proibir o bacon, expulsar judeus, se ofender com caricaturas, pregar fatwah’s e obrigar mulheres a não exibirem nada de seus corpos, sob risco de serem estupradas, já que o entendimento do símbolo “corpo exibido” pode significar “carne livre” para quem nunca ouviu falar em sua Declaração Universal de Direitos.

A França cândida da igualdade como meta racional, sem nunca ter percebido que a palavra fala apenas ao sentimentalismo mais vulgar, agora quer igualar seus cidadãos aos jihadistas e aos mulás atômicos voltados para Meca – todos com os mesmos direitos.

sharia pour la franceA França pregadora da tolerância como contrapeso entre liberdade e igualdade só pode vir a tolerar os jogadores da sua própria seleção de futebol que cospem ao ouvir a Marselhesa,  não os defensores de uma ordem espiritual que a Revolução Francesa, em marcha até hoje, quis destruir. Esqueceu-se da lição de Nicolás Gómez Dávila, de que tolerar não significa esquecer que o que toleramos merece tolerância – e nada mais. Esquecida a lição, os tolerados viraram protegidos, e agora privilegiados em relação aos “reacionários”.

Considerando que a modernidade e a dádiva de estar vivo no presente é salvaguarda para estar mais correto do que quem pensou no passado, a modernidade francesa crê que a guilhotina é mais avançada do que Claude-Prosper de Crébillon, desde que se grite fraternité! a cada cabeça cortada. Cegada cartesianamente para discernir que gritar em nome da “razão” é algo sentimental, e não racional, a França do racionalismo humanista rapidamente se tornou a república do pensamento por bordões.

Isto é o que o supracitado Philip Rieff percebe como “ordem sacra”: “palavras de autoridade pública automática”, a “tradução de verdades que não estão aí para ser provadas ou impugnadas”, segundo explicação do filósofo Olavo de Carvalho. A “razão”, sempre defendida por si, torna-se um símbolo imediatamente defendido pelo sentimentalismo, enquanto tudo o que é chancelado por esta divisa é puro irracionalismo, falta de inteligência e divórcio entre raciocínio, moral e empatia. Uma falha que Ernst Cassirer já denunciara na sua Filosofia das Formas Simbólicas e no seu ensaio Linguagem e Mito.

Aliados a estes “símbolos fracos” da modernidade, como podemos chamá-los, está a falta de clareza conceitual do academicismo. Sem uma diferenciação clara do que significa algo como feminismo ou liberdade religiosa em relação a outros fenômenos, sem ter como aplicar uma abstração genérica em cada contexto concreto específico, os símbolos fracos do racionalismo progressista, das questões específicas (e costumeiramente erradas) do modernismo sentem-se cada vez mais necessitados de uma simbologia forte de uma autoridade onipresente para reunir os caquinhos de conceitos em uma filosofia de vida que dê sentido aos dados soltos da realidade.

É este o espaço que o islamismo encontrou para florescer na França, encontrando uma resistência muito maior em países com tradições sólidas, e não a “tradição de revoluções”, como ironicamente espezinhou Ortega y Gasset. A religião do monoteísmo absoluto, do fechamento do religioso ao contato com o mundo real e da submissão integral do homem ao desconhecido só poderia vicejar em um ambiente de símbolos espatifados do racionalismo iluminista.

Se todo o racionalismo da liberdade, igualdade e tolerância trouxe a liberdade da proibição, a igualdade com os desiguais e a tolerância com os intolerantes, tal se deve a todo o simbolismo moderno pós-Revolução ser o do anti-cristianismo. Todas as palavras de obediência imediata, toda a ordem sacra do novo “Estado laico” e pensamento crítico secular são, na prática, voltadas apenas contra uma única religião.

guilhotina-cai-ultima-vez-francaNão é sem razão que a construção da distopia da França tomada pelo islamismo no último livro de Michel Houellebecq, Submissão (o significado de “islamismo”), é focada em um ateu (“François”, ou “francês”, enquanto os outros protagonistas do autor levam seu próprio nome) dissociado e desagregado que, tentando estudar um escritor que passou do satanismo à Igreja Católica (Joris-Karl Huysmans), termina por ver como a França só encontrou sua nova unidade social na obra de René Guénon, o estudioso de doutrinas, tradições e seitas religiosas, místicas e políticas que, vendo a fraqueza simbólica dos símbolos da velha ordem cristã para manter a civilização unida, decidiu-se por fim por simplesmente islamizar a Europa.

Pretendendo o reino da igualdade e da racionalidade, conseguimos apenas a igualdade da burca diante de um deus totalitário e desconhecido, crendo cada vez mais fanaticamente em palavras esvaziadas de sentido.

A França do liberté, égalité, fraternité não se desviou de seu foco, como crêem os crentes na logorréia iluminista. Qualquer romântico e qualquer conservador, sempre desconfiados do Estado e de burocratas, sabe que seu abstracionismo oco apenas pavimentou o caminho para o terrorismo que grita “Allahu akbar!”, enquanto seus jornalistas formando l’opinion publique atestam ao público que aquele símbolo lingüístico dizendo “Meu deus é maior [do que o seu]!” nada tem a ver com o islamismo.

(Este texto é uma homenagem a Olavo de Carvalho, pela inspiração com seu artigo “O segredo da invasão islâmica”, no jornal Mídia Sem Máscara, em que, em tendo sido escrito antes dos ataques ao Charlie Hebdo, estampou a capa do jornal com uma chamada sobre a invasão muçulmana e, justamente, a Torre Eiffel ao fundo. Este artigo é uma tentativa de prosseguimento de seu pensamento. Um dos mitos esquecidos do Ocidente é de Cassandra, que enxerga o futuro e, por se confundir com o presente, é tratada como louca por seus conterrâneos.)

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  • Camila

    Parabéns!
    Texto brilhante.
    Esses dias mesmo meu marido me contou o Édipo de Sófocles!
    E também foi ele que me indicou a leitura de Submissão no ano passado.
    As coisas se encaixaram muito bem aqui é o desfecho foi de arrepiar e nos lembrar de rezar pelo mundo.
    Parabéns, de novo e muito sucesso.
    Você merece, é um escritor de muito talento.

  • Pingback: Uma (de muitas) receitas para não entender nada()

  • alessandra

    Seu texto é tão rico que me deixa tonta. Só uma coisa eu queria dizer: parece que as pessoas que tratam deste tema, em geral, esquecem que fatos objetivos, instrumentos, teorias comprovadas empiricamente, tornaram impossível manter a igreja como detentora da palavra final sobre o mundo. Galileu e o Telescópio são, para mim, o símbolo do “fato”. Quem poderia deter a marcha do progresso? Quem poderia calar a voz da razão? Por que não mencionam a tentativa de Kant de resgatar a moral através do conceito de “esclarecimento”? Por que demonizam tanto o liberalismo quando em sua vertente clássica ele foi na verdade uma teoria que tentou conceber o papel de Estado como um moderador em conflitos e guardião do pacto social? Fora isso, obrigada sempre por seus generosos escritos.

  • jonas

    Eles já estão querendo mudar a bandeira suiça, e querem impedir a oktoberferst deste ano na alemanha.

  • Bernardo Teixeira

    Mais um texto sensacional! Obrigado por aceitar a sugestão de colocar algumas referências literárias ao final do texto!
    Fugindo (um pouco do tema), sou aluno de Direito e gostaria de escrever um artigo relacionando o abandono dos valores morais oriundos da tradição judaico-cristã com a crise a que o relativismo progressista levou a civilização ocidental, para depois tentar desvelar as implicações disso para o Direito hoje. O problema é que não consigo em fonte alguma uma boa definição de quais seriam, efetivamente, esses valores. Será que você poderia me indicar algum livro, artigo ou o que quer que fosse que pudesse me ajudar com isso?
    Muito obrigado!

    • Flavio Morgenstern

      Muito obrigado, Bernardo! Infelizmente não entendo nada de Direito, mas se alguém puder ajudar…

    • Alice

      Bernardo, se entendi bem sua dúvida,acho que um bom caminho seria você pesquisar sobre a história dos Estados Unidos, como foi construída aquela civilização, sua constituição, etc. Não sou conhecedora profunda deste tema, mas há alguns artigos do Rodrigo Constantino que tocam nisso e servem de guia. Espero ter ajudado.

  • Marcos Villanova de Castro

    Parabéns, Flavio. Texto impecável.

  • Meu prezado,

    Magnífico texto!

    Não me canso de elogiar seus artigos. Este especialmente porque este me tirou o fôlego.

    Principalmente o comentário final me emocionou pela bela homenagem prestada ao Professor Olavo de Carvalho a quem tanto devemos. Parabéns!

    RV

    P.S.:Uma sugestão: já pensou em colecionar num livro (ou vários livros) todas as suas matérias que andam espalhadas pela internet? Ainda esta semana, tive o prazer de ler uma imperdível, sobre o elogio que é sermos chamados de reacionários.

    • Flavio Morgenstern

      Paulo, muito obrigado pelas palavras! Sempre me pedem isso, mas acho que coleção de artigos é só para quando estiver mais calejado, acho que ter outros livros de verdade, com começo, meio e fim, são mais importantes agora. Quem já me lê por aqui não vai querer muito uma coleção de artigos que já leram, ao menos em sua maioria… Abraço!

  • Hawk

    Uma coisa que não divulgam é que o povo da França não pode ter preconceito e esquecem que os que acolhem tem preconceito contra eles e principalmente na religião. Parece que a história das cruzadas está se repetindo só que agora ao inverso. Eles abrem as fronteiras e acham que os acolhidos vão deixar mais de 1400 anos de Cultura de lado. Parece aquela lenda de Mu e Thule embora os franceses nunca foram muito pacificos.

  • Enxadrista

    O texto daria uma charge genial: Um membro do Estado Islâmico operando uma guilhotina. Separados por mais de cinco séculos, mas feitos um para o outro.

    Parabéns pelo trabalho, Flávio!

  • Mariline

    Onde fica a caridade e a empatia quando olhamos o drama desta gente que foge de guerras e perseguições? O que os cristãos dizem sobre isto?

    • Flavio Morgenstern

      O problema é que caridade nunca significou destruir a própria cultura para aceitar outra. Do contrário, para ser caridoso, bastaria abrir as fronteiras, dar tudo o que a Europa tem e deixar o mundo virar o califado do ISIS em poucos anos.

  • gladsonpendragon

    Perfeita constatação. Sofremos de “Complexo de Cassandra”, tanto por essas bandas aqui como em França Acolá… http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/2011/01/cassandra-e-heleno-os-filhos-de-priamo.html

  • Rodrigo

    Lembrei-me do livro Submissão, que termina com o François dizendo: ”Um pouco da mesma forma como isso se produzira, alguns anos antes, com meu pai, uma nova oportunidade se oferecia a mim; e seria a oportunidade de uma segunda vida, sem grande relação com a anterior. Eu nada teria do que me lamentar”. É possível dizer que a trajetória de François no livro seria de certa forma uma analogia com a Europa atual, especialmente em relação ao Islamismo, Multiculturalismo e a destruição da nossa liberdade?

    • Flavio Morgenstern

      Parece mesmo. O Houellebecq parece que coloca em um personagem o drama do país e quase do continente inteiro.

  • Mário Siqueira Campos

    1- Um certo humor…Marina Silva e Wladimir Safatle …faltou Bansky.
    Muito bom !!!
    2 – A verdade ganha equivalência ao convencimento das massas. Abandonado o princípio E pluribus unum para unir a sociedade, qualquer um que fale sem os trejeitos da Academia não é nem considerado adversário inferior – é simplesmente tratado como não-existente e não merecedor de ouvidos.
    3 – Algo absolutamente mais complexo do que Freud, o “mestre do reducionismo”. Freud propôs ao que século o que este ansiava por ouvir. Sua obra foi magistralmente sintetizada na letra dos Menudos, ” não se reprima “.
    A fraude que é Freud só não é mais desonesta que a obra de Rousseau, autor do maior dos engôdos. Toda a obra de Rousseau se desmontaria se passada fosse pelos parâmetros da nossa ABNT acadêmica …
    Bastava somente pedir para ele contemplar com “evidências científicas ” as suas hipóteses. Não sobraria nada .
    4 – Resumo definitivo, uma obra da arte da síntese :
    “Tudo num oásis de civilização tentando despir-se da religião, abraçando teorias de tolerância e diálogo, com discussões acadêmicas e crescentes direitos civis, ilhado num mar de barbarismo invadindo seus muros através do terrorismo extremista muçulmano – abraçado justamente em nome da superioridade de tolerância do Ocidente e sua nova religião oficial, o multiculturalismo.”
    5 – Fundamento central:
    “Se todo o racionalismo da liberdade, igualdade e tolerância trouxe a liberdade da proibição, a igualdade com os desiguais e a tolerância com os intolerantes, tal se deve a todo o simbolismo moderno pós-Revolução ser o do anti-cristianismo. Todas as palavras de obediência imediata, toda a ordem sacra do novo “Estado laico” e pensamento crítico secular são, na prática, voltadas apenas contra uma única religião.”

    Texto monumental !!!

  • Adorei o artigo e agora sou patrocinadora. Não entendi se o $ 1,- mensal que doarei via Paypal se trata de real ou dólar. Por isso não aumentei o valor. “A tudo” não tem crase (único ‘senão’ em seu artigo). CheerS!

    • Flavio Morgenstern

      Lucia, muito obrigado e honrado! O Patreon só aceita dólar, não existe uma versão brasileira… vou corrigir imediatamente e trancar o responsável pela crase para ser torturado em nossos calabouços… Muito obrigado!

  • Vinícius F. Oliveira

    “O pensamento mítico, a filosofia antiga e o simbolismo religioso teriam sido completamente suplantados pelo saber científico …”

    Outro dia eu assistia a um debato sobre isso, entre o filósofo William Lane Craig e o Físico Lawrence Krauss na forma como é debatido no mundo anglo-saxão: https://www.youtube.com/watch?v=HX6y-N0hF5Q

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