dawkins religion cure

Nas últimas semanas, declarações públicas de Richard Dawkins a respeito do cristianismo voltaram à baila graças ao recente fenômeno da islamização da Europa através das ondas migratórias – o que os muçulmanos conhecem como hégira (hijrah), a conquista pela imigração.

O ateu mais famoso do mundo, principal advogado do chamado neo-ateísmo, Dawkins ganhou proeminência como intelectual público. Sendo assim, desde o lançamento de sua tese revolucionária no livro O Gene Egoísta, sua atuação pública foca-se muito mais em sua atuação como polemista do que no Dawkins cientista.

Declarações públicas, ainda que numa entrevista ou num momento informal, acabam sendo tratadas com grande atenção, como se cada sílaba, interjeição, hesitação e pausa de um intelectual fosse a continuidade de sua produção acadêmica. Dawkins, recentemente, sofreu uma carrada de gozações por ter esquecido justamente o nome da “Bíblia da evolução”, o livro Origem das Espécies, de Charles Darwin – e ter soltado um belíssimo “oh, God” tentando lembrar seu subtítulo.

dawkins sustoUma frase sua na mídia ficou em voga novamente: a de que o cristianismo é um baluarte contra algo pior. Considerado um militante pelo ateísmo bem mais agressivo que seus pares Christopher Hitchens e Daniel Dennett, a frase funcionou como uma espécie de sopro de proporções sobre a onda cientificista moderna, que se acostumou a aglutinar sob a palavra “religião” uma multitude de fenômenos. Algo como a obviedade ululante que intelectuais costumam ignorar mais do que o vulgo.

Se a arte do chá de um monge budista parece ter pouco a ver com um vídeo de decapitação à faca do Estado Islâmico, os dois fatos parecem próximos pela capacidade mágica do batismo nominador em aglutiná-los sob auspícios do conceito abstrato “religião”.

Com efeito, a frase de Richard Dawkins sobre uma certa defesa do cristianismo, recentemente republicada em sites como Reddit, Breitbart, Free Republic e WND, é, na verdade, de 2010, embora tenha sido tão citada em 2016 que é preciso um trabalho de pinça no Google para encontrar referências anteriores.

Dawkins disse: “Não há cristãos, até onde eu sei, explodindo prédios. Eu não conheço nenhum ataque suicida cristão. Eu não tenho conhecimento de qualquer denominação cristã majoritária que acredite que a pena para a apostasia é a morte.”

Mas o mais revelador veio a seguir: “Eu tenho sentimentos confusos sobre o declínio do Cristianismo, na medida em que o Cristianismo pode ser um baluarte contra algo pior.”

Para o geneticista e polemista, o Cristianismo é ruim por ser uma religião com uma narrativa “mágica” a respeito do mundo físico – o que era chamado, até o século XIX, de “História Natural” -, mas seus substitutos são invariavelmente piores para o Ocidente. Sobretudo o substituto que está tomando a Europa de assalto.

jesus-stabat-mater-baciccioDesconhecedor de teorias antropológicas, sociológicas, mitológicas mais profundas (de Mircea Eliade a René Girard), o que já foi criticado em um livro dedicado a Dawkins e Hitchens vindo de outro ateu, o marxista Terry Eagleton (O debate sobre Deus), Richard Dawkins parece confuso e pouco capaz de tirar conclusões das premissas ao analisar o resultado do declínio do cristianismo, a religião que, por proximidade geográfica e cultural, mais atacou na vida (seu mais famoso livro, Deus, um Delírio, é um mistifório contra a idéia da transcendência, da necessidade de uma explicação não-material para o fenômeno da matéria – mas, ocidental como é, o inimigo que conhece melhor são os escritos cristãos).

Não se trata de uma mera dúvida de Richard Dawkins: trata-se, afinal, da própria crise fundamental do Ocidente, tão fundamentado em pilares como a religião cristã, o Direito romano e a filosofia grega. Se o resultado histórico do Ocidente ainda está razoavelmente parado no Iluminismo, uma reação com enleios de racionalismo esquemático (ver o artigo Liberté, égalité, fraternité, Allahu akbar!), ainda sofremos o mesmo conflito das luzes e “pós-luzes” francesas ao pensar em como organizar a sociedade, dissociando-se desta tradição.

romanticism(O Romantismo, reação ao Iluminismo que resgatou e revisou o passado, produziu tanto o socialismo quanto expandiu o liberalismo, foi semente tanto do nacional-socialismo quanto da moderna democracia, marcando o pensamento tanto de Edmund Burke quanto de Martin Heidegger, tanto de Leo Strauss e Thomas Mann quanto Theodor Adorno e Adam Müller; além de muito mais complexo e profundo do que seu rival mais velho, foi um movimento de cidadãos urbanos voltando-se à solidão do campo, contrário ao caipirismo tentando ser cosmopolita do Iluminismo; para entender as conseqüências românticas ao mundo contemporâneo, ver Romantismo: uma questão alemã, de Rüdiger Safranski, e sobretudo um dos livros mais importantes para o século XXI, A sagração da primavera, de Modris Eksteins.)

O Cristianismo, como as grandes religiões e o pensamento antigo, não se trata apenas de uma “teoria” a respeito do post mortem, mas de um código moral, de um método de organização social, de normas para a multiplicidade das possibilidades de ordenamento civil (não é uma tradição poligâmica, por exemplo). Como organizar todas estas questões, dissociando-se do seu legado?

O próprio Richard Dawkins prefere um método mais “racionalista”, como quando declara:

É importante incentivar a cooperação e o altruísmo, mas creio que a melhor maneira de fazer isso é por meio do ensino de princípios morais, e não pela religião. As partes boas da religião podem ser justificadas por outros meios, enquanto as partes ruins (mais numerosas) têm de ser rejeitadas.

O problema do Ocidente, com seu conhecimento fragmentado, é reunir todos os pedaços do que conseguiu saber, intuir e presumir,em um todo coerente que não permita o esfacelamento social.

Se avançamos com a genética para a teoria de que os genes, por si, agem pela pura vontade de se reproduzir, sem formar um corpo rigorosamente único com um único objetivo, ainda falta ao Ocidente entender como isto dialoga com o conceito médio de moralidade que sempre possuímos, e do qual nem mesmo os pastiches revolucionários abdicaram.

dawkins wagner clemente soto

Se a visão moderna da sociedade obtém certo progresso com a separação entre Igreja e Estado, não parece ser apenas o Estado e a Declaração Universal dos Direitos Humanos que serão capazes de formar um corpo social contínuo e coeso (o que forma um curioso paralelo com a própria teoria científica de Richard Dawkins sobre o corpo humano).

coexistSe o Estado precisa lidar com diversas moralidades públicas em nítido conflito e em ataques, mútuos ou não, umas às outras, parece ter se formado no Ocidente uma espécie de culto ao Estado para manter o corpo social coeso e harmônico com suas diferenças, em contraste com o corpus mysticum do Estado confessional anterior. Substituída a fé oficial, urge a ascensão de uma obrigação formal de todos os cidadãos em acreditar na Constituição oficial, o que nem sempre é possível – tendo como exemplos tanto os revolucionários quanto, por exemplo, as religiões minoritárias, se tornando minorias mais vultuosas com o mundo globalizado.

Basta se analisar notícias recentes, que vão da Itália cobrindo suas estátuas nuas para não “ofender” o presidente iraniano Rouhani em visita (o que se tentou negar sem convencimento) até o cancelamento do almoço com o presidente francês, que se recusou a retirar o vinho do cardápio para o mesmo fito, provocando o cancelamento do encontro.

Esta coesão social, provavelmente, não surtirá grandes efeitos se utilizarmos apenas “princípios morais” genéricos, como sugere Dawkins, sem um simbolismo forte que una os desunidos. Há excelentes documentos seculares desta coesão, como a Constituição americana e seu moto “E pluribus unum”.

Mas são raras as tentativas que conseguem isto apenas pela “lógica”. Mesmo a Constituição americana fala de Deus, e basta se perguntar, como se fez a Ben Carson, se um muçulmano pode ser presidente americano, para ver como a situação é bem mais delicada e complicada do que nossa vã filosofia permitiu-nos enxergar antes dos novos fenômenos.

A unidade de princípios de convivência exige, via de regra, símbolos anteriores ao discurso racional. Se há palavras de obediência imediata, que determinam uma reação específica tão logo sejam proferidas (pense-se em “nazismo” ou “liberdade”), elas já trabalham num nível anterior à sua estrutura frasal.

BLAKE, William 'The Soldiers casting lots for Christ's Garments' C.1800

O trabalho intelectual do conhecimento fragmentado do avanço científico, portanto, já é contaminado por sentimentalismo e tomadas de posições antes de completarmos algum silogismo, que dirá um longo tratado. São o que Mircea Eliade chama de elementos do sagrado permanentes e sobreviventes na moderna visão materialista da sociedade – basta-se refletir sobre a diferença de gestual, comportamento, vocabulário, vestimenta, tom e assuntos permitidos em um tribunal ou um velório de outros ambientes.

É óbvio que rotineiramente religião e o conhecimento secular, muitas vezes científico, entram em choque. Contudo, a tentativa de secularização extrema pós-Revolução Francesa criou símbolos de sintonia que só funcionam sob obediência ao Estado. Individualmente, uma moral razoavelmente adequada pode ser encontrada entre pessoas de culturas as mais diversas. Socialmente, o entendimento mútuo consegue ser encontrado muito mais facilmente numa sociedade com a prevalência cultural cristã do que, por exemplo, se pode esperar de uma sociedade com uma maioria muçulmana “respeitando” outras religiões, o que nunca aconteceu na história do islamismo.

De fato, a religião cristã possui já os esboços do pensamento científico, ainda que em uma linguagem parabólica e de difícil compreensão para o pensamento moderno (tal como a Odisséia ou boa parte dos filósofos gregos, dos versos de Empédocles aos Analíticos Posteriores aristotélicos, são de difícil compreensão). Como o princípio de Deus criar e apenas depois verificar se é bom. Se numa sociedade cristã é possível nascer um Newton ou um Darwin, é difícil presumir o mesmo numa sociedade muçulmana, em que Deus não é familiar, é obscuro, não possui relação de causa e conseqüência e é vontade pura, ao invés de logos (“No princípio era o Verbo”).

Dali-Christ-of-saint-john-of-the-crossIndependentemente das crenças ou descrenças contemporâneas, com suas possíveis explicações sobre o surgimento do Universo ou da vida que podem prescindir da transcendência, é de suma importância saber de onde surgem nossa visão. Ela não é feita de “verdades” que prescindem da linguagem, da cultura, da história e de noções que tratamos como naturais. Tais noções dependeram de uma cultura específica para serem criadas (até a noção de um tempo histórico, que vai para a frente ao invés de ser circular, é uma construção cultural específica, tal como não precisarmos sacrificar humanos para saciar os deuses e, assim, evitarmos tormentas).

Richard Dawkins, apesar de não compreender estas questões bem mais complexas, intui suas implicações instintivamente (o que não se coaduna bem com sua própria “filosofia” de vida). É o que Dawkins quer dizer ao afirmar: “Eu sou um cristão secular”. Ou seja: ele sabe de qual cultura faz parte, e que seu próprio método científico depende de uma cultura específica entre outras. Pode ser um ateu aguerrido contra Deus, mas sabe que a cultura que acredita neste Deus rendeu a vida, os conceitos, o método e a possibilidade de pensar o que Dawkins pensa.

O grande imbróglio para o Ocidente é o que está resumido nesta aparente confusão dawkiniana. Os conceitos da modernidade (ainda acreditamos piamente em todo o vocabulário da Revolução Francesa) são fracos para manter o mundo como sabemos que o Ocidente quer se manter. Pode ter funcionado por uns dois séculos com alguns genocídios que mataram milhões, o que nunca ocorrera antes. Mas nem mesmo este arremedo de civilização convence mais.

Richard-Dawkins-redA democracia, entendida erroneamente como voto universal e uma certa divisão formal de poderes, é incapaz de sobreviver sozinha, por exemplo, se tivermos 50% + 1 votos em nazistas. A Declaração Universal dos Direitos Humanos está preocupada com os direitos de homens que não estão preocupados com os direitos de outros homens. O Estado secular precisa de algo mais do que a mera aceitação do secularismo pela maioria dos seus cidadãos se quiser sobreviver, com as ondas migratórias islâmicas na Europa, que logo pode criar maiorias muçulmanas que não querem este mesmo Estado secular – como no distópico romance Submissão, de Michel Houellebecq. And so on.

A crise de Richard Dawkins é a crise intelectual do Ocidente, dos símbolos que criou para traduzir o mundo para si. Tais elementos culturais puderam ser úteis para um mundo ainda não globalizado, ainda protegido do contato com a expansão islâmica, com problemas maiores e mais complexos do que a Europa recortada do restante do mundo e protegida em sua civilização.

william-blake-behemoth-and-leviathanSe até a década de 90 ou 2000 o Cristianismo ainda conseguia aparecer como ultrapassado, e uma nova intelectualidade e uma nova geração já formada em tecnologia puderam usufruir de símbolos seculares em profusão, até mesmo os símbolos da Europa pré-cristã (basta ver o revival neo-pagão da estética popular destas décadas), ao menos como contra-cultura e provocação periférica, tal discussão pacífica de religião e política em fóruns de internet e letras de música popular se torna fraquíssima, inoperante, atrasada e microscópica perto de um efeito como a imigração muçulmana, o terrorismo jihadista, as burcas e a shari’ah sendo imposta com naturalidade na Europa.

Dawkins anda percebendo que sua cruzada, muitas vezes monotemática e obsessiva, recaiu no maior dos pecados para um pensador contemporâneo: se tornou brega. Cafona e fora de moda como uma pochete. E apenas a percebe por instinto, sem chegar a concluir algo pela sua lógica científica (criada antes do ateísmo).

Infelizmente para alguém tão positivistamente cientificista, a discussão sobre o futuro do Ocidente (e mesmo a garantia do ateísmo não ser punido como a apostasia entre muçulmanos), os símbolos de coesão social que garantiram até o futuro dos pescoços ateus está em um nível bastante anterior de linguagem do que sua ciência materialista pode trabalhar.

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  • Realmente, toda a liberdade que os cientistas pensadores das diversas áreas do conhecimento humano possuem está sob a égide do Cristianismo tão mal falado e mal interpretado. Fui ateu, agnóstico, cético, e, isso, depois que já houvera lido bastante livros fundamentalistas europeus e norte americanos sobre a existência do “mito” ou da “invenção de deuses ou de Deus”. Passei pelo Curso de Letras, depois Fiz História Filosofia e hoje vivo a Teologia, por que me apaixonei pela área. Ao estudar o Cristianismo e ver que houve um Ser Perfeito que se sacrificou por todos os que querem ter salvação, descobri que até os que não querem ser salvos ou que O rejeitam, possuem liberdade de expressão e vivem em países cuja origem é cristã, não importa se católicos ou protestantes. Até os demais movimentos religiosos se sentem mais à vontade entre nós. Há críticas, é claro, contudo, Dawkins é correto em seu posicionamento quando demonstra que o contrário – o Islamismo -, não permitiria tal. Afinal de contas, eu tenho o Alcorão e não tenho visto essa tal moderação ou liberdade como aqui entre nós existe. Mas, a islamização ocidental acontece por causa da pregação escrita e aberta contra o cristianismo. Logo, se isso continuar a ocorrer, veremos o que escreverão europeus, norte americanos pensadores sobre a sua “nova sensação de liberdade”. Com todos os erros apresentados pelos seus representantes, ainda prefiro o Cristianismo e nele me acho em O Cristo, Jesus o Salvador.

  • olá Flavio.

    não pude encontrar nenhum fonte segura mostrando que o Dawkings realmente disse isso.
    ja passei pelo seu link no texto. Também não tem fonte no artigo.
    eu estava tão certo dessa afirmação, que achei que tinha visto em video entretanto não encontro nada.

    poderia passar uma fonte?

    abraços

    • Flavio Morgenstern

      Diego, o que afirmei está citado, nem tudo em português. Abraço.

      • obrigado Flavio,

        mas na verdade, minha primeira pesquisa foi em ingles. e nada!

        estou buscando pois eu afirmei esse posicionamento do dawkings, e fui contrariado, e que na verdade o memso não teria dito isto.
        De fato, não estou encontrando nada que confirme. apenas citações de que ele haveria mencionado isso no face e no twiter e ainda de modo informal.
        desse modo não me restará mais nada a não ser me retratar.
        as páginas originais que mencionam são de 2010.
        ainda estou buscando.
        a única coisa que encontro é seu posicionamento recente mais enérgico contra o islamismo do que o cristianismo.

        se eu encontrar algo posto aqui.

        obrigado pela sua atenção.

        • Flavio Morgenstern

          Diego, nos links se comenta muito. E não é e qualquer publicação: é de Time pra frente. Sim, várias comentam seus tweets, mas as frases são reais. Não entendo essa mania “cética” de fã de Dawkins de exigir fonte como se fosse a Bíblia. Aliás, veja se não é uma situação idêntica à que o Andrew Brown comenta sobre o culto (literal) a Richard Dawkins na Inglaterra: http://www.spectator.co.uk/2014/08/the-bizarre-and-costly-cult-of-richard-dawkins/

  • Rômulo

    Hégira não é conquista pela imigração, é uma peregrinação sagrada de Meca até Medina, assim entende boa parte dos muçulmanos, se você faz uma interpretação diferente, seria útil citar a fonte. Terroristas não são apenas muçulmanos, costumam ter origem em países específicos e não em outros, o fanatismo e a interpretação particular que fazem do Corão se apoia em contextos políticos e sociais que aumentam a eficácia do proselitismo desse tipo de ideia. Não é apenas o elemento religioso que faz uma pessoa amarrar uma bomba em si mesma ou cometer um massacre, seria simplificar uma questão mais complexa. Há tantas diferenças de práticas e interpretações dentro do islã quanto no cristianismo, provavelmente mais. O discurso dos terroristas e fanáticos não pode ser tomado como o único discurso ou o discurso oficial daqueles que possuem a fé islâmica.

    “Não façais violência aos homens por causa de sua fé. A estrada da
    salvação é bem distinta do caminho do erro. Aquele que abjurar o culto dos ídolos pela religião santa terá agarrado uma coluna inabalável. O senhor sabe e ouve tudo.” (Alcorão, Surata II, v. 257).

    “Não disputeis com os judeus e os cristãos senão em termos
    honestos e moderados. Entre eles confundi os ímpios. Dizei: Nós cremos no livro que nos foi revelado e em vossas escrituras. Nosso Deus e o vosso são apenas um. Somos muçulmanos.” (Alcorão, Surata XXIX, v. 45).

    • Flavio Morgenstern

      Só para começar, num bê-a-bá, recomenda-se Herege, de Ayaan Hirsi Ali: http://www.amazon.com.br/gp/product/8535925872/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=8535925872&linkCode=as2&tag=flavmorgpag02-20&linkId=AUFIAZIOBDBLTCDV

      Ali vai ver que estes versos edulcorados e bondosos do Corão são anteriores a hégira de Maomé (que representa muito mais do que você pensa, ou não seria o início de um calendário), e até os estudiosos islâmicos do mundo todo os reinterpretam como momentos anteriores de Maomé, antes de conquistar sua primeira cidade (onde começa a importância da hégira). Hoje, os versos violentos, pregando decapitação de infiéis, mandam nestes, que são anteriores – e não o contrário. Urge estudo, e não frases soltas.

      • Rômulo

        “Hoje, os versos violentos, pregando decapitação de infiéis, mandam nestes, que são anteriores – e não o contrário.”

        Para quem? Para o Estado Islâmico e seus partidários talvez, mas não para o frequentador médio de uma mesquita brasileira, ou turca, ou americana, ou francesa. Como disse, o islã é variado, não acontece da mesma forma em todos os países e comunidades, e não há uma única passagem do Alcorão que esteja imune a interpretações diferentes, tal como a Bíblia.

        A própria poligamia é questionada por muçulmanos baseados em versos corânicos.

        • Flavio Morgenstern

          É melhor ler o livro e estudar o assunto antes de tentar prosseguir numa discussão sem informação.

  • Carlos Madeira

    1) Não é necessario ser religioso para ser moral. Essa falacia esta mais do que batida.

    2) A escravidão também foi um dos “pilares fundamentais” da civilização ocidental e da filosofia grega. Essa defesa por “ascendencia” é ridicula, é como defender a sangria e a teoria dos 4 fluidos corporais por elas terem sido(e foram realmente) os “pilares fundamentais” da medicina.

    3) Al-gebra, Al-quimia(quimica), Al-garimos, se até numa sociedade cristã se fez Galileu, não entendo essa sua “impossibilidade” de esperar que se possa, como ocorreu no passado e ainda ocorre no presente, ciencia num país islamico.
    Não sou a favor do islamismo, mas essa falsa dicotomia entre islamismo e cristianismo, (ou entre ser feminista comunista ou um reacionario cristão como você) é ridicula. Se parasse de olhar para o proprio umbigo veria que há paises sem nenhum dos dois e se desenvolvendo mais e mais pacificos que a terra Brasilis, o vergonhoso “país mais catolico do mundo”, futuro vergonhoso “país mais evangelico do mundo”.

    E parei de ler nesse ponto, defender religião falando mal de outra seria engraçado se não fosse desonesto e tosco, iria recomendar ler sobre as Cruzadas ou sobre o grupo IRA(Dawkins errou ai, cristão explode predios sim) ou sobre o LRA, mas sei que já leu e apenas ignora essas “bençãos” da religião cristã por desonestidade e bitolação.

    • Flavio Morgenstern

      1) não é uma falácia, sugerimos pesquisar o que é uma falácia – num manual de filosofia clássica, não num artiguinho de internet; mas pode começar por este: http://papodehomem.com.br/manual-compacto-de-como-foder-por-completo-uma-discussao-na-internet/

      2) O fim da escravidão surgiu de uma discussão que só pode acontecer no Ocidente, graças à filosofia grega e ao Cristianismo. Você pode dizer que o ar é um pilar da civilização ocidental, mas tem de ver o que há de intrínseco a tal civilização para delimitá-la, ao invés de brincar com conceitos jogados sem ordenação.

      3) Nenhuma dessas doutrinas surgiu no Oriente. Nem sequer os números “arábicos”. Sugerimos a leitura de “The closing of the muslim mind”, só de introdução, de Robert R. Reilly.

      As Cruzadas foram feitas contra o que o ISIS faz hoje. Portanto, talvez fosse o caso de você ler sobre as Cruzadas. Sugerimos (agora vai uma leitura leve) “The Politically Incorrect Guide to Islam (And the Crusades)”, de Robert Spencer.

      Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=nC6IzAU5AG8

      O IRA tem uma diferença: quer se separar, e não dominar um território. De resto, é igualmente terrorista, e não é apoiado pela própria Igreja, sendo praticamente uma espécie de “heresia” moderna. Aí você prefere que a Igreja volte a fazer uma Inquisição? Pois foi para grupos como os IRA’s da Idade Média que a Inquisição foi feita.

      Ou seja, não ignoro: entendo. Talvez fosse o caso de você começar a fazer o mesmo. Pode começar por aqui, tem um guia fácil para entender: http://sensoincomum.org/2015/11/15/islamismo-religiao-paz/

  • Pingback: Richard Dawkins e a crise existencial do Ociden...()

  • Lucas Braga

    Não fazer o mal por medo de uma punição pós morte não é uma qualidade.

    • Hyuriel Constantino

      Pode ser. Mas a hipocrisia pode dar lugar a uma inclinação genuína. Ninguém nasce naturalmente bom. As virtudes de um indivíduo são adquiridas por meio do aprendizado e da vida em sociedade (do contrário, o que prevalecerá são apenas instintos egoicos que o levarão a ruína). A partir daí, a preocupação com o que virá após a morte sublima. O medo do que pode lhe ocorrer negativamente em vida mesmo é bem maior.

    • Michel Angelo

      Isso é um argumento comumente usado, mas saiba que não é verdadeiro. Isso é uma visão bem rasa da filosofia cristã. O cristão não age por medo de punição após a morte, mas por amor a Deus e ao próximo.

  • Cristiano Ferrari

    Obviamente, o ateísmo que começou com o protestantismo, é a causa maior da islamização do mundo, que vai acabar por dizimar a todos, inclusive os muçulmanos. Parabéns judeus, a ganância de vocês em querer dominar tudo e todos, ao dominarem a maçonaria e terem feito a revolução protestante para quebrar as pernas da Igreja Católica, contribuiu para a desgraça de todos nós, inclusive de vocês.

    • Flavio Morgenstern

      Não há uma certa mistura de conceitos meio esquisita nas suas definições?

    • Hyuriel Constantino

      ???????

      Deu tela azul da morte nessa porra. k

  • Nicole

    Não creio em Deus. Não tenho dúvidas de que o Universo não precisa de uma “causa” para existir, muito menos de uma “razão”. O tempo só existe quando existe espaço, se não existe espaço não existe tempo e se não existe tempo não existe “antes e depois”. Se não existe antes ou depois não é preciso dizer que todo evento tem uma causa. Ainda assim, a questão da moralidade surge. Não tenho dúvidas de que o cristianismo é preferível ao islamismo ou ao judaísmo sionista, assim como tenho certeza de que é melhor comer miojo todo dia do que morrer de fome. A moralidade sem deus é difícil de ser econtrada. Rejeito a ideia de uma moral relativista, porém não consigo encontrar uma base racional para tanto, o que certamente me cria problemas… Adoto uma moral vagamente cristã como verdadeira (embora não integralmente cristã) por conveniência.

    • Hyuriel Constantino

      Para ser ateu, não precisa necessariamente deixar de seguir certos princípios que encontram origem na doutrina cristã. Não importa se a premissa “amar o próximo como a ti mesmo” foi dita por Cristo, Buda, Krishna ou por seu psicólogo. Por meio da lógica, independente de sua crença (ou falta dela) verá que é válida e essencial para a manutenção da espécie humana.

  • Vander Lei

    Não sei se entendi direito, mas pelo que percebi, Dawkins parece ter encontrado aquele muro de pedras invisível que [quase] todos nós costumamos bater a cabeça quando fizemos alguma coisa errada.

    Pelo visto Dawkins parece ter percebido que tudo aquilo que ele próprio ajudou a destruir está sendo substituído pela mesma versão do que ele sempre odiou, mas 10000x pior.

    É cedo para falar em arrependimento? Talvez, mas a singela percepção de que toda a sua “luta” serviu somente para piorar ainda mais as coisas já é uma lição. Eu particularmente conheço dois ex-marxistas que aprenderam a lição do arrependimento da pior maneira possível.

  • Fernando

    Você já viu a última do Ricardo Dawkins?

    http://www.thetimes.co.uk/tto/news/uk/article4678093.ece

    • Rafael Guimarães

      Eu li o gene egoísta e não foi difícil ver que a teoria proposta por Dawkiins é absoluta e inapelavelmente contraditória. A ideia exposta no “gene egoísta” é um dos mais eloquentes exemplos de paralaxe cognitiva que alguém poderia apontar.

  • Há uma entrevista na Folha (http://www1.folha.uol.com.br/…/1634071-ocidente-ataca-mais-…) em que Dawkins acusa o ocidente de covardia contra o cristianismo. É uma proposição verdadeira que descreve o pensamento e a atitude de muitos formadores de opinião – principalmente docentes de humanas – que rotulam o cristianismo como uma religião igual ao islamismo, apresentando casos de torturas e assassinatos na inquisição como se fossem corriqueiros naquela época. E pior, como se o cristianismo tivesse ainda a “predisposição” de voltar a cometer tais atos. Mas eles desconhecem ou fingem desconhecer que só há a cultura da tolerância no ocidente porque há o cristianismo.

  • Valdemar Katayama Kjaer

    O ateu crê na não-causa, no nada a priori, no tudo produto do zero. Eu não tenho nada contra isso. Mas, convenhamos, para uma mente racional, armada com os conhecimentos científicos do big bang aos motores moleculares de celulas, da física quântica à complexidade irredutível de certos organismos vivos, é duro, mas duro mesmo, acreditar que não exista uma tremenda inteligência que organizou tudo. Seria muita sorte tanta perfeição, tanto equilíbrio, vir absolutamente do acaso. As leis do universo obviamente existem antes dele surgir, ou ele sequer seria possível – de fato, as leis que foram observadas em “n” cantos do tempo- espaço-matéria são as mesmas (portanto, vieram de uma mesma origem). Por lógica indutiva, é muito razoável inferir uma causa inteligente por trás de tudo (leia sobre teoria geral dos sistemas e teoria do caos, para entender os “atratores”, que dão ordem ao caos). A crença ateísta pressupõe uma fé incrível no matematicamente improvável (e numa matéria e energia frutos do nada). A crença ateísta, com tantos números mostrando uma organização e um equilíbrio fantásticos, com números que se fossem só um pouquinho diferentes não permitiriam a existência do universo e da vida, é como acreditar que se pode achar uma espaçonave pronta pra voar em plutão e que ela está lá por obra do acaso. O “p” da hipótese ateísta é bem mais alto e do que na hipótese contrária, teísta. Portanto, qual seria uma escolha mais “racional” – ou menos irracional, como queiram?

    • Rodrigo

      A natureza não é perfeita, muito longe disso! Ela é cheia de imperfeições, não existe um cristal, um diagrama de fases ou um gás real que seja perfeito, todos apresentam imperfeições das mais diversas. E também não há equilíbrio na natureza, se houvesse nada existiria. Equilíbrio é repouso, ausência. O universo no total e na média está em equilíbrio, mas não há equilíbrio em suas estrututas. Energia nada mais é que uma perturbação!

      Agora, podemos acreditar que essas imperfeições são aleatórias, selecionadas mas sem causa. Podemos acreditar que tais pertubações que eliminam o equilíbrio são ao acaso. Mas podemos acreditar que uma força ou ente sobrenatural causa ou até mesmo é essas imperfeições e pertubações. A ciência não se propõe e nem cabe a ela decudir isso.

      • Analítico e Crítico

        Ué, então por quê utilizar a “Ciência” (espero que tenha entendido a ênfase) como meio a desacreditar tantas possibilidades? Se se é possível acreditar num Universo que tenha surgido por força e obra do acaso, bem como de um Designer Inteligente, por quê só se divulga o lado do acaso. Ah! E não precisa haver perfeição, para que um Designer Inteligente exista, ou tenha existido. Até porque, se formos pegar um proponente a Designer, teremos o DEUS Bíblico, e na narrativa Bíblica, ao terminar sua obra (Criação) viu que tudo era muito bom, e não perfeito.

  • Yuri

    Muita gente diz que precisamos de um Reagan da vida, mas acho mais necessário o mundo islâmico ter um outro Kemal Ataturk da vida; a vida dele me faz duvidar um pouco desse determinismo radical islâmico.

    Infelizmente, a Turquia atualmente, com o maluco do Erdogan, tem seguido o caminho contrário disso….

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