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Bernie Sanders
Era apenas uma diversão adolescente. Dois amigos entediados, um deles leva o outro, de penetra e disfarçado, para a última festa em que poderia estar no mundo: um baile na casa da família que há anos estava em guerra com a sua. O jovem intruso tira uma linda moça para dançar e a paixão é imediata, fulminante. No final da festa, descobrem que se apaixonaram por um membro da família errada, mas já era tarde. A festa termina, ela vai para a varanda de casa sozinha desabafar, sem saber que ele estava escondido no jardim.

Julieta CaRomeu e Julieta - Sacadapuleto não aceita a idéia de que não possa se casar com Romeu Montéquio por conta de um nome. Falando para o jardim, desabafa: “é só seu nome que é meu inimigo; mas você é você” e depois implora “chame-se de outra coisa! Que é que há num nome? O que chamamos rosa teria o mesmo cheiro com outro nome”. Se o impeditivo é o nome, por que não trocar simplesmente? “Mude-o”, diz Julieta, “e em troca deste nome, que não é você, fique comigo”. Romeu surge de repente do jardim e diz: “se me chamar de amor, me rebatizo”. Sem saber quem dizia estas palavras, ela pergunta: “quem é que, assim, oculto pela noite, descobre o meu segredo?”, quando ele prontamente responde “pelo nome, não sei como dizer-lhe quem eu sou.” O que há num nome?

O caso do amor proibido entre o socialismo e parte da elite americana também enfrentou uma luta semelhante. Diversos partidos socialistas surgiram nos EUA no início do séc. XX, mas dividiam votos com o Partido Progressista de Teddy Roosevelt e seus candidatos tinham votações tímidas. Democratas e republicanos continuavam vencendo as disputas e se revezando no poder.

Eugene V. Debs

Eugene V. Debs, sindicalista e ex-deputado pelo Partido Democrata, tentou a presidência cinco vezes pelo Partido Socialista da América e conquistou sua melhor votação na eleição de 1912, com 5,99% dos votos populares. O Partido Socialista conseguiu sua melhor votação na eleição presidencial de 1924 ao se unir ao Partido Progressista, com Robert La Follette conquistando quase 5 milhões de votos (16,6%). Esta foi a melhor colocação de um terceiro candidato depois de Teddy Roosevelt em 1912, que dividiu os votos dos republicanos e ajudou a eleger Woodrow Wilson, e Ross Perot em 1992, que também rachou a direita americana, conquistou 20 milhões de votos (18,9%) e colocou Bill Clinton, um desconhecido governador do Arkansas, na Casa Branca.

Após a eleição de 1924, o Partido Progressista e o Partido Socialista da América foram perdendo espaço na política americana até o aparecimento de Franklin Delano Roosevelt, que revitalizou o Partido Democrata, venceu quatro eleições presidenciais seguidas, liderou o país na Segunda Guerra Mundial e absorveu progressistas e socialistas em suas fileiras. A América se tornou bipartidária e as diversas forças e correntes políticas do país hoje se acomodam dentro das duas grandes legendas.

Enquanto os partidos assumidamente socialistas e progressistas definhavam, o apoio dos intelectuais americanos aos regimes antiliberais de outros países só aumentava, especialmente aos bolcheviques. Os revolucionários russos eram vistos com admiração e entusiasmo por muitos jornalistas, intelectuais e acadêmicos, alguns deles participantes de viagens à União Soviética patrocinadas por Stálin para ver o comunismo de perto.

Em 1927, um destes cruzeiros levou alguns dos mais importantes intelectuais americanos e sindicalistas de primeira classe com tudo pago para a URSS a convite do governo soviético. Participaram da excursão Stuart Chase, Rexford Tugwell, Roger Baldwin, John Brophy, Paul Douglas, entre outros que foram recebidos por Josef Stálin em pessoa. Na volta da viagem, Stuart Chase escreve um livro chamado “A New Deal” que elogia efusivamente o regime soviético e termina com a pergunta: “por que só os russos devem ficar com toda a diversão de recriar o mundo?”

Walter DurantyJornalistas importantes como John Reed e E.A. Ross escreviam colunas e livros para justificar ou suavizar a violência da revolução russa, mas ninguém se comparou em imposturas ao vencedor do Pulitzer e correspondente do New York Times na URSS, Walter Duranty. Ele tinha excelentes relações com Stálin e era a voz mais importante cobrindo a URSS para os americanos de 1922 a 1936, mentindo criminosamente em suas reportagens para esconder as monstruosidades do regime soviético como o Holodomor, o genocídio que matou 7 milhões de ucranianos. Enquanto ocorria o “Holocausto Ucraniano”, Duranty dizia que havia fartura de comida na região.

Os anos 20 nos EUA foram de uma transformação radical (e liberal) na face do país, que passou de uma nação basicamente rural para uma potência industrial com a luz elétrica, o saneamento básico, o automóvel, a geladeira, o rádio, o aspirador de pó, entre outras novidades revolucionárias, ficando acessíveis a quase todos. Os EUA conheceram um crescimento sem precedentes e havia pouco espaço para a proliferação de idéias socialistas. É neste momento que os entusiastas das idéias de Marx, Lênin e Stálin na academia, nos sindicatos, na política, no jornalismo e nas artes começam a perceber que os rótulos “comunista” e “socialista” mais atrapalhavam que ajudavam no avanço da agenda ideológica da esquerda. As idéias continuariam as mesmas, mas os nomes que usariam começariam a mudar.

O crash da bolsa e o desastroso governo Herbert Hoover (1929-1933), um intervencionista e progressista histórico, abriu espaço para que o capitalismo americano e o liberalismo fossem taxados de um sistema com falhas incorrigíveis e que sempre levariam a crises. Para os antiliberais, só uma economia “planificada” por intelectuais e especialistas poderia evitar que a economia sofresse com recessões e depressões. A frase do jornalista Lincoln Steffens, dita em 1921 ao voltar de uma visita à URSS, era constantemente lembrada: “eu vi o futuro e ele funciona”.

Great Depression

Os anos 30, os da Grande Depressão, foram também aqueles em que o capitalismo e o livre mercado foram mais demonizados pelos intelectuais americanos, especialmente ao comparar a situação calamitosa do país com a aparente pujança do fascismo italiano, do nazismo alemão e do comunismo soviético, todos exibindo números impressionantes de crescimento econômico, atividade industrial e emprego. O capitalismo americano parecia ter dado errado e a solução estaria do outro lado do mundo.

Durante os mandatos de Franklin Roosevelt, diversos agentes soviéticos chegaram aos mais altos postos da administração dos EUA, o que está hoje fartamente documentado. Uma das mais importantes autoridades monetárias do governo, Harry Dexter White, representante americano na histórica Conferência de Bretton Woods (1944) que definiu o sistema financeiro internacional como é hoje, incluindo a criação do FMI e do Banco Mundial, era um ativo colaborador da União Soviética, o que incluía o repasse de segredos militares dos EUA para Stálin. Harry Hopkins, o mais próximo conselheiro de FDR e um dos principais arquitetos do New Deal, era um agente soviético, assim como Alger Hiss, um dos mais destacados membros do Departamento de Estado.

O próprio nome do mais importante programa de governo de FDR é inspirado no livro “A New Deal” de Stuart Chase, que também se tornou um colaborador próximo do governo. Os três membros-fundadores e mais influentes do Brain Trust, Adolf Berle, Raymond Moley e Rexford Tugwell, o board de intelectuais que desenharam o New Deal, eram simpatizantes do comunismo e da União Soviética.

O New Deal foi o maior estupro já feito por um governo americano na economia do país. Mesmo não tendo criado a crise, o New Deal aprofundou a situação econômica do país ao ponto de transformar o quadro numa Grande Depressão com 11 anos de duração, cujos efeitos só foram mitigados pelo início da Segunda Guerra. Durante os anos 30, o capitalismo não foi apenas desmoralizado dos EUA, ele foi criminalizado.

Foram muitas as influências ideológicas dos formuladores e gestores do New Deal, desde os socialistas fabianos da Inglaterra até os social-democratas da Alemanha, mas o governo soviético forneceu diretamente muitas das idéias implementadas. Outra inspiração importante foi a política do “corporativismo” da Itália Fascista e sua visão de um capitalismo de Estado, com intervenção direta do governo na economia. Rexford Tugwell esteve na Itália com o próprio Mussolini e voltou dizendo que nunca tinha visto um experimento social tão organizado e eficiente: “eu fiquei com inveja”, declarou.

Tugwell era o mais esquerdista do núcleo duro de colaboradores de FDR, mas não queria ser identificado como “comunista” e, por sua influência direta, a esquerda americana passou a adotar o termo “liberal” para se definir, deixando aos seus opositores à direita o rótulo de “conservadores”. Desde então, o termo “liberal” assumiu nos EUA um sentido próprio e particular no país, sendo usado para identificar anticapitalistas, progressistas e socialistas.

A tática da camuflagem ideológica se mostrou extremamente bem sucedida e causa confusão até hoje, especialmente em tradutores que insistem em não entender que “liberal” em inglês americano deve ser traduzido por “esquerdista” ou “progressista” em português. O termo se tornou um falso cognato e hoje traduzir “liberal” em inglês dos EUA pela mesma palavra em português é tão errado quanto traduzir “push” por “puxar”.

Norman Thomas - TimesAtribui-se ao líder dos socialistas americanos da primeira metade do séc. XX, Norman Thomas, a profecia: “o povo americano nunca vai adotar o socialismo conscientemente. Pelo nome ‘liberalismo’, ele vai adotar cada ponto do programa socialista até o dia em que os EUA se tornem uma nação socialista sem nem perceber o que aconteceu. Eu não preciso mais me candidatar a presidente, o Partido Democrata adotou a minha plataforma”.

Não se tem registro formal desta declaração, mas é verdade que Norman Thomas escreveu: “o povo americano vai adotar o socialismo mas não com esse nome. Eu disputei uma eleição pelo Partido Socialista e tive 60 mil votos, mas quando mudei meu discurso para “acabar com a pobreza” consegui 879 mil. Temos que reconhecer que o inimigo foi bem sucedido ao espalhar grandes mentiras sobre o socialismo. Não há porque atacar de frente, vamos atacar o inimigo pelos flancos”. O socialismo americano não mudava suas idéias, mas mudou de nome.

Nos anos 60, a estratégia de dissimulação e despiste da esquerda americana “liberal” chegou ao seu apogeu, o que causou um racha no movimento. Enquanto os puristas ainda insistiam em usar bandeiras vermelhas, foices e martelos, imagens de Mao e Che, a “New Left” surge com slogans como “faça amor, não faça guerra” e passa a buscar a infiltração em todas esferas da cultura, um processo que começa quando os intelectuais da Escola de Frankfurt se mudaram para Nova Iorque, mais especificamente para a Universidade de Columbia, em 1935.

Com o pretexto de fazer “críticas” ao capitalismo e à sociedade judaico-cristã ocidental, os intelectuais frankfurtianos deram a guinada marxista nos estudos das áreas de humanas nos EUA que, aliados aos pós-modernistas franceses dos anos 60/70, dá o tom até hoje. A “New Left” abraçou a contracultura e todas as causas que atacavam frontalmente o que era visto como os pilares da tradicional cultura americana (família, religião e patriotismo), mudando a face de toda uma geração do país. Eles são os baby-boomers, os nascidos entre 1946 e 1964 que hoje estão no poder.

Saul-Alinsky-006Os sexagenários e septuagenários da “New Left” hoje controlam todas as esferas da cultura, do jornalismo e da academia, o que tem jogado uma parte crescente do país para a esquerda. Durante este período, a esquerda americana produziu Barack Obama, o senador com o histórico de votações mais à esquerda que se tem notícia mas que nunca assumiu abertamente o rótulo de esquerdista. Obama sempre foi extremamente habilidoso em avançar sua agenda ideológica de forma dissimulada e insidiosa como mandam os manuais revolucionários de gente como Saul Alinsky, ídolo de Hillary Clinton. A tática deu mais certo do que o mais delirante otimista poderia imaginar.

Depois de tantas décadas de um competente trabalho de engenharia social e doutrinação cultural, a atual geração de jovens americanos é considerada a primeira assumidamente socialista do país. Segundo uma matéria publicada na semana passada no jornal The Washington Post, 43% dos jovens americanos pesquisados (30 anos de idade ou menos) dizem ter uma visão favorável do socialismo e apenas 32% declaram ter uma avaliação positiva do capitalismo. Se você ainda não está assustado o suficiente, saiba que na mesma pesquisa 69% dos jovens disseram que votariam num candidato abertamente socialista (entre os que têm 65 anos ou mais, apenas 34%).

SANDERS OBAMAÉ neste ambiente que surge como um furacão a candidatura de Bernie Sanders, 74 anos, o primeiro candidato a presidente relevante em quase 100 anos que se apresenta abertamente como socialista. Não há uma única diferença ideológica entre Barack Obama, Hillary Clinton e Bernie Sanders, mas este último, uma espécie de Eduardo Suplicy americano, não tem qualquer receio em dar o nome correto para as idéias que seu partido há décadas representa.

A atual eleição americana não é uma disputa, no lado democrata, entre um socialista e uma “liberal”, mas entre um socialista assumido e uma socialista dissimulada. Hillary Clinton, 68 anos, uma típica representante da New Left, tem uma paixão proibida pelo socialismo desde a juventude, assim como Julieta tinha por Romeu, e preferiu abandonar o nome do seu amado para poder viver seu caso de amor ideológico sem ser incomodada.

É a geração de Hillary Clinton que, aos poucos, foi preparando o ambiente cultural e político para que hoje Bernie Sanders possa ser um candidato viável e que não choque a população. Pelo contrário, o principal “charme” de Sanders, que faz com que seja amado pelos jovens e pelas celebridades da cultura pop, é exatamente se assumir socialista.

O final de Romeu e Julieta é trágico. No clássico de William Shakespeare, é o Príncipe de Verona quem descobre os jovens apaixonados mortos. Ele encerra o drama com as seguintes palavras: “Uma paz triste a manhã traz consigo. O sol, de luto, nem quer levantar. Alguns terão perdão; outros, castigo. De tudo isso há muito o que falar. Mais triste história nunca aconteceu que esta, de Julieta e Romeu.”

romeo_and_juliet_death_scene

Ainda é cedo para saber como se desenrolará a eleição deste ano, mas o caso de amor entre o povo americano e o socialismo está cada vez mais próximo. Se isso realmente acontecer, é impossível ser otimista em relação ao século XXI e só nos resta torcer para que o destino nos poupe de uma América assumidamente socialista depois de oito anos do dissimulado Barack Obama. Como dizia Ronald Reagan, “a liberdade está sempre a uma geração da extinção”.

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  • Felipe

    Excelente texto! Obrigado!

  • Leonardo Assis

    O EUA nos últimos 60 anos se tornou um dos maiores genocidas mundiais. Inclui-se no mesmo patamar de URSS, sem perder em nada. Mas sua tática cada vez mais velada e eficiente, fez com que qualquer regime que destoasse de sua política supostamente democrática, fosse demonizado. Vira uma certa piada temer o avanço do socialismo no EUA, por receio do “novo” regime. Pois o regime atual americano tem perpetuado a décadas cruzadas financeiras pelo mundo, subjugando povos e ideologias. Para mim, a história só mostra que grandes regimes só querem deter o poder dos ricos pelo pobres… nada mais do que isso.

    • Arthur Dias

      Sério? Obrigado por nos informar! Pode postar referências de como os EUA são diretamente responsáveis por 100 milhões de mortes, incluindo por fuzilamento e inanição?

  • Parabéns! Texto muito bom!

    • Obrigado!

      • Daniel Batista

        Tu é fogo hein! ( não falo palavrao rs). Só de pensar que a imprensa dá ouvidos a figuras como Gregório Duvivier me dá sono!

  • Hoover não foi um progressista de maneira algum… leiam as manchetes da época… estuda a história e virá que as intervenções que Hoover fez foi para favorecer o capital circulante sem regulação… algo com ocorre hoje em dia. Distorcer os fatos é demonstração da miserabilidade deste jornalista.

    • “As intervenções foi”. O resto segue o mesmo nível de ignorância.

  • Alexandre Borges:
    Seu escrito está supimpa! Nota 10 com muito louvor. Creio que este site já reúne um material excelente para compor um livro. Está aí a ideia para você e o Flavio.

  • Alisson Silva

    Eu aposto um whiskey Ballantines que o tal Pedro Lopes é um daqueles “isentões” de centro que criticam o PT e o PSDB com uma superioridade moral e espiritual digna de um Dalai Lama ou Jesus Cristo,mas quando chega a época de eleições #lacra muito na urna pra algum candidato do PSOL,PCdoB,PSTU ou PCO e em breve estará paradoxalmente votando no Partido Novo também.
    Quando eu leio textos bastante informativos como esse do Alexandre Borges,em que o autor cita vários autores,livros e suas estratégias políticas,por mais desconhecidos e intelectualmente inalcançáveis que possam ser para mim,eu fico quieto e vou correndo pesquisar e estudar sobre o assunto.
    O símbolo maior da brejeirice “intelectual” do Bananão,é tão logo ler algum texto que fere minha retaguarda simbólica (mais conhecido por “butt hurt”),eu saia palpitando freneticamente como se eu já soubesse e tivesse lido desde o meus 14 anos tudo aquilo que foi dito texto.É o tipo de gente com uma sagacidade intelectual precoce,digna realmente de quem aprendeu tudo o que tinha de saber na pré adolescência e depois parou por aí mesmo,sem precisar de uma “reciclagem” ou revisão.
    Eu sei que pode parecer absurdo e menos “fashion” ainda acreditar em dicotomias como esquerdaXdireita,bemXmal etc…
    Bem,se o seu melhor argumento de que essa dicotomia está ultrapassada é justamente desconhecer aquilo que o movimento comunista vêm fazendo desde os anos 20 e que os planos de poder não foram alterados desde então(apenas o método para tal) e que a direita e os conservadores vêm igualmente tentando combater esse avanço do comunismo na sociedade ocidental desde a mesma época praticamente,demosntra que quem deveria fugir um pouco do SENSO COMUM é você,meu amigo. A sua irionia seria ótima se o custo/benefício pela sua própria ignorância e petulância não fosse muitopior pra você mesmo!
    Quem não sabe nada e nem sequer buscou saber sobre marxismo cultural,guerra política e de narrações,através das teorias de Antonio Gramsci,Escola de Frankfurt (Herbert Marcuse,Theodor Adorno etc…),Saul Alinsky (Estratégia Cloward-Pivens),Socialismo Fabiano,Foro de SP,Teologia da Libertação,Movimento Globalista entre outros… Esse tipo de gente nem deveria ser levada à sério em qualquer debate sobre política.
    Ademais,quando tentam parecer um John Lennon virtual achando que política global é como um imenso “We Are the World”,dizendo:
    – Pô Bicho!! Essa parada de esquerdaXdireita não tá com nada,bicho.
    – O barato agora é todo liberal ser um pouco socialista e todo socialista ser meio liberal,morô?!
    – Essa parada de ficar nos “extremos” já era! Temos que todos nos unir e formar um mundo onde “the world will live as one”.
    Na boa cara,vai ouvir Imagine e deixa em paz esses coxinhas reacionários aqui com suas rusgas contra os comunas que só querem o “bem” para o mundo.
    Se comunas realmente acreditassem que as dicotomias acabaram,eles não estariam tentando acertar as pessoas do “lado de cá” com os escombros do muro de Berlim!! Quem perdeu o maior país do mundo e todo o leste da Europa,agora está com as mãos livres para agarrar a porção do mundo que quiser!

  • luiz gaulia

    Complementando. Os socialistas vão transformar todos nós em formigas obedientes e doutrinadas. Eles se fartarão em privilégios, benesses e opulência. Socializar com dinheiro dos outros é uma tremenda facilidade. Gerar riqueza e emprego a partir do próprio esforço pessoal, competência e mérito fica muito mais difícil.

  • luiz gaulia

    Excelente o texto. Parabéns pela clareza dos fatos.

  • Luis V

    Excelente texto!
    A cada dia o site se torna obrigatório. Que venham mais textos do Alexandre!

  • Rodrigo Vaz

    Alexandre, qual seria a diferença entre o socialismo fabiano da Inglaterra e o social democrata da Alemanha? Eu achava que fosse a mesma coisa. Abraço!

  • Muito bom o artigo Alexandre. Infelizmente como previram os socialistas de ontem, o negócio era dominar a sociedade, comendo pelas bordas. Essa situação é exatamente a mesma que vivemos aqui no Bananão. Mídia, Academia, Mundo do Showbiz, foram completamente dominados pelos socialistas da “old left” característica da esquerda Latino Americana.

  • Pedro Lopes

    Meu comentário não será aprovado pela moderação? Eu não ofendi ninguém, só fiz uma crítica construtiva ao texto, esperando uma resposta do autor rebatendo meus argumentos, quem sabe me ensinando um pouco mais sobre algo que meu conhecimento talvez seja tão profundo quanto um pires. Gosto muito do site, sempre acompanho os artigos, não sabia que se a visão do leitor fosse diferente do autor, o comentário seria ceifado. Não costumam dizer que isso é característica da esquerda? hahaha.

    Enfim, esse comentário de agora não tem a necessidade de aprovação.

    • Flavio Morgenstern

      Pedro, estou de férias e o Alexandre ainda não tem acesso ao painel, só isso. My bad.

  • João

    Nunca tinha visto essa página nem ouvido falar do autor do artigo. E, pelo jeito, vou continuar assim. Quanta bobagem e quanto senso comum. Premissas falsas, conclusões tortas. Eu queria mesmo que o sujeito demonstrasse em que lugar do mundo o liberalismo, à maneira que defende, realizou a promessa de prosperidade. Só para alguns não vale. Tem de ser para uma sociedade. Não há um só exemplo que possa ser citado sem incorrer em algum falseamento ou mistificação. Afora a malandragem barata de tentar colocar no mesmo lado do espectro o nazi-fascismo e o comunismo. Sem essa; Alemanha, Itália, Espanha e Portugal foram experiências situadas à direita. Ademais, essa defesa cega, por aqui, é puro vira-latismo. A experiência socialista teve e tem muitos problemas a resolver, mas o capitalismo liberal não tem apresentado solução alguma para nossos problemas reais, muito pelo contrário. Sou de esquerda e nunca fui antiamericano; anti-imperialista, sim. E um crítico das experiências socialistas, inclusive. Mas toda crítica deveria pressupor honestidade intelectual. E isso faltou no texto.

    • Flavio Morgenstern

      Suíça. Pra ficar só em UM exemplo (basta pesquisar os países nas primeiras posições do Index of Economic Freedom da Heritage Foundation, ou seja, os mais capitalistas do mundo, e ver se tem algum país pobre ali). Isto já é o sobejante para nunca ser de esquerda e duvidar de professores mongos que dizem que fascismo e nacional-socialismo são anti-socialismo e “de direita”, o que eles próprios sempre disseram o oposto. Já cogitou inverter a pergunta e tentar encontrar um país socialista que não tenha matado sua população de fome ou no paredão aos milhões? E quer apostar quanto que você é a favor do fim do embargo econômico a Cuba para que ela possa enriquecer com… mercado? Esse senso comum de esquerda é muito adolescente, o cúmulo da previsibilidade e incoerência.

      • Marcos

        Do jeito que falou, parece até que você não consegue reconciliar em ser de esquerda e ser a favor de certos sistemas de mercado.
        A Islândia tem um presidente que poderia muito bem ser considerado socialista desde o milênio passado, ganhando eleição e eleição, e até agora, bom, tão sobrevivendo bem.

        • Flavio Morgenstern

          …e num dos primeiros lugares em liberdade econômica – ou seja, um dos países mais capitalistas do mundo. Ler Deep Freeze, de Philip Bagus.

          • Vitor

            De novo, financiar políticas ditas de esquerda, como uma rede de proteção social, não é incompatível com liberdade econômica e ser “mais” ou “menos” capitalista – termo bem abstrato, aliás, que nada significa na discussão. Assim como, dependendo do governo, ele pode atuar em desregular e privatizar certos setores da economia, sem acabar com essa política de bem-estar social.

            O próprio livro que você cita diz isso.

          • Flavio Morgenstern

            Não disse que concordo com o livro. E se você acha que não é possível medir a diferença entre liberdade de mercado e Estado, você está completamente despreparados e sem meios de análise para ter qualquer opinião sobre qualquer assunto político, econômico ou social.

          • Vitor

            Quando eu disse que não é possível medir?

      • João

        Hahahahahahahaha! Peço um exemplo bem sucedido do liberalismo econômico puro, mal defendido pelo autor do texto e você me vem com um exemplo de estado de bem-estar social. O problema de vocês é essa desonestidade intelectual (impossível debater dez minutos sem que recorram a alguma falsificação) e também essa necessidade de se apoiar em arquétipos que só existem na visão distorcida que tentam impôr aos incautos. Dizer que o capitalismo, por si, trará prosperidade às sociedades é, no mínimo, leviano, quando não burrice mesmo. É desconsiderar toda a geopolítica mundial e o domínio imperialistas que países centrais impõem ao mundo. São ricos não por serem capitalistas, mas justamente por praticar dentro de suas fronteiras receituários econômicos absolutamente distintos do que pregam para o resto do mundo. Não houve uma só experiência bem sucedida – do ponto de vista econômico – em que o Estado não tenha cumprido um papel central. Ademais, a Nigéria, o Senegal, o Haiti não são menos capitalistas que os EUA ou a Inglaterra. Senso comum, hoje, é a falácia de que todos os nossos problemas serão resolvidos com a redução do estado à uma dimensão microscópica. Senso comum, hoje, é o pensamento indigente que chama de “meritocracia” o que é somente justificativa ideológica para manutenção e profundamento de desigualdades. O senso comum hoje é ser a “seção mirim direitista”. E, sim, sempre defendi o fim do embargo a Cuba; não pelos motivos que o senhor supõe conhecer, mas porque se trata de uma violência descabida contra a soberania de um povo. Aliás, Cuba é um exemplo de regime socialista que não matou seu povo de fome ou em paredões. O senhor seria honesto o bastante para avaliar quem matou mais gente de fome (ou de bala) até hoje, se as revoluções socialistas ou os interesses de mercado imperialistas? Sobre o nazi-fascismo, os senhores brigarão com a história por muito tempo até poderem apagar o seguinte fato: o problema da Alemanha, Japão é Itália com França e Inglaterra era disputa de mercados coloniais, ou seja, circunscrevia-se a uma disputa dentro do modelo capitalista; já com os soviéticos esses mesmos regimes tinham problemas estritamente ideológicos: foram doutrinados no ódio à visão de mundo socialista.

        Como eu disse, tenho muitas críticas às experiências de socialismo implantadas até hoje; no entanto, elas (as minhas críticas) não partem de premissas mentirosas mas de uma enorme expectativa e esperança no futuro da humanidade. Se aquele modelo não trouxe todas as respostas, significou uma evolução em termos humanísticos. O mercado sem regulação não foi responsável pela criação, até hoje, por nenhum – nenhum! – dos direitos reconhecidos da pessoa humana.

        Espero que tenha a dignidade de publicar a tréplica.

        • Flavio Morgenstern

          Tá vendo como você é previsível? Não tem UM caractere digitado que não seja aquela visão de professor de geografia loser da sexta série – e você não leu um livro o contrariando até hoje. Já começa chamando o maior paraíso fiscal do mundo de “Estado de bem-estar social” (sic), pra depois dizer que não praticar comércio com um país é “violação de soberania” (!!!). Pense só nas suas contradições, depois passe anos lendo para chegar no nosso nível e aí verá a verdade.

      • Daniel Batista

        Qto ao à queda do embargo… reparei isso… a esquerda quase tendo orgasmo com a aproximação entre Cuba e os EUA. Dá p entender?

  • Stefan Carrão

    Belíssimo texto. Obrigado, Alexandre e Flavio.

  • Só senti falta de referências bibliográficas para dar fundamento às afirmativas. No mais, texto muito bom como sempre Alexandre!

  • Ricardo

    Não vejo essa saída do armário no partido Democrata, ou uma guinada da população ao socialismo digna de manipulação ideológia. O autor não colocou nenhuma referência ou link no artigo (o que acho importante, para um leitor mais cético), então aqui vai:

    http://voteview.com/Political_Polarization_2014.htm

    Se levarmos em conta que ambos os partidos teoricamente representam o mainstream ideológico do país, o partido Democrata sequer mudou significativamente; o que mudou foi o partido Republicano, que deu uma virada tremenda pra direita. Nos anos noventa, se você fosse republicano votaria no George Bush pai; atualmente, só ver quais são os principais: Donald Trump (preciso nem comentar, digno do partido francês da Marine Le Pen em certos assuntos, cada um de acordo com o contexto do país) e Ted Cruz, da ala mais radical do partido dele, o Tea Party; por isso, mesmo muita gente reclamando, são chamados de ultraconservadores. No Partido Democrata, nos anos 90 você votaria em Bill Clinton. Hoje… Bem, Obama não é muito diferente dele (em alguns gráficos a presidência dele é até menos esquerda) e a própria Hillary.

    Por isso acho que se tem algum movimento influente guinando alguém para um espectro político, não é a New Left, é o Tea Party. Quando você está muito a direita do espectro, alguém centro-esquerda (como um cientista qualquer que fala sobre aquecimento global, etc) pode parecer bastante extrema-esquerda. Outra probabilidade também são os jovens estarem mais atentos ao que acontece no mundo. Sistema de saúde universal, gastos militar não muito absurdo, liberação das drogas, aborto, casamento gay, direitos trabalhistas, existem em diversos países, e são pautas que até certos Democratas temem.

  • Lucas Fernando

    As postagens do Alexandre Borges serão frequentes aqui? Eu parei de acompanhar o SensoIncomum pois, apesar do Flavio ser muito inteligente e erudito, sua forma de expressar suas idéias e seu conhecimento são sofríveis, digo, é uma mistureba de informações com hifens e mais hifens, aspas e mais aspas, tanto que fica difícil acompanhar o raciocínio que ele iniciou no começo do parágrafo. Acredito que tanta encheção de linguiça seja mera força de hábito de um dos poucos intelectuais que ainda existem nas nossas faculdades de humanas. Se for o caso eu vou adicionar o SensoIncomum nos meus Favoritos.

  • Camila Oliveira

    Alexandre, leio sempre seus textos na página do Facebook e fico feliz por ter mais um lugar para acompanhar seus escritos. Parabéns pelo artigo.
    A ascensão do Bernie Sanders a meu ver é muito preocupante. Fico mais temerosa caso ele consiga a indicação do partido para concorrer à presidência do país do que a Hillary, pois esta tem pouco carisma, não inspira as mesmas paixões e possui vários esqueletos no armário.
    Torço muito para que um candidato com ideias conservadoras, de preferência o Ted Cruz, consiga convencer os eleitores a não permitirem que um dos melhores países do mundo passe 12 anos sendo governado por socialistas. Li em algum lugar que o cenário político por lá lembra o da Inglaterra antes da Margaret Thatcher ser eleita.

  • Pedro Lopes

    E eu aposto uma tubaína que candidato do autor é o Trump. I’m RIGHT? hahahaha. Opinião de leitor que tem conhecimento da própria ignorância: Primeiro texto que leio no “Senso Incomum” que acho ruim. Penso que foi forçada a analogia com Shakespeare, uma tentativa falha de acrescentar um toque de classe ao artigo, porém sem razão para tal.
    Não concordo com esse maniqueísmo “esquerda vs direita”, acredito que hoje, no século XXI, os candidatos não podem ficar presos somente a um lado da cartilha, precisam entrelaçar ideologias, apresentar ideias ditas socialistas e capitalistas em um mesmo plano de governo, serem liberais em um ponto e conservadores em outro, formando assim sua plataforma política. Sanders se taxa como socialista, sua política pende pra essa bandeira, porém achar que o mesmo quer transformar o tio Sam em uma Rússia Stalinista é outra história (e tenho consciência que o autor não falou isso em nenhum momento, porém, após detonar, e com razão, a União Soviética o texto inteiro, cita no final que torce para a não vitória de Sanders, pois “…se isso realmente acontecer, é impossível ser otimista em relação ao século XXI”. Uma alusão oculta a uma nova tentativa comunista? Ao menos foi a associação que fiz ao ler tais palavras).
    Batem na esquerda de hoje como se ela fosse, sem tirar nem por, a esquerda de antigamente. Como se ela defendesse as mesmas coisas que Stalin, Hitler (Esquerda? Direita?), Mussolini, Mao, dentre outros taxados de esquerdistas, defendiam. O mundo mudou, a política é regida de outra maneira, a forma de lidar com os países não segue as mesmas regras do século passado. A tendência no futuro é se aproximar cada dia mais de uma unificação política, um ideal mundial, um modelo sociopolítico que consiga balancear desigualdade, injustiça, renda, etc. Um modelo que, segundo a visão (superficial e errada) atual não afunde o pobre na lama (Capitalismo) e nem dê uma de Robin Hood com os ricos (Socialismo). Pra isso os líderes mundiais não podem assumir somente uma face da moeda, precisam deixar o orgulho – e vai além disso – de lado e mesclar as teorias, acrescentar novas pautas, testar novos ideais, só assim podemos evoluir como sociedade e nos aproximarmos do modelo perfeito.
    Quando leio um texto fazendo uma breve revisão histórica sobre a infiltração da esquerda soviética no poder americano, e aí pulando para Sanders logo no parágrafo seguinte, penso que a intenção subliminar do autor é que o leitor associe Sanders a figura de Stalin e pense que a pior coisa que poderia acontecer agora pro mundo (“Leitor, veja o que aconteceu com a União Soviética, hein”) é a vitória do dito socialista americano, e isso é no mínimo tendencioso, pra não dizer outra coisa.
    Pra resumir: O texto é, ao contrário do que prega o nome do site, cai no SENSO COMUM.

    • Pablo Dias

      “O mundo mudou” uma ova. De acordo com quem? Com você?
      As evidências empíricas apontam o contrário.
      Há dois tipos de gente no mundo, desde que o homem é homem: os dominadores e os dominados, os parasitas e os parasitados.
      Os coletivistas em geral, independentemente de seu discurso, pertencem ao primeiro grupo, visto seu desejo contínuo de controlar a vida de todos os demais e exigir que os demais sustentem o resto em prol do “bem comum”.

    • Arthur Dias

      Acho que você está devendo uma tubaína então, pois até onde sei o candidato do Alexandre é o Ted Cruz. Além disso, se você acha que o Trump é o oposto polar do Bernie Sanders, já dá pra ver seu nível de conhecimento de ciência política e da política americana.
      O que a esquerda de Mao, Stalin e Hitler defendia? Silenciamento dos opositores, estado no comando de tudo, eugenia. O que a esquerda de hoje defende? Politicamente correto (ou seja, silenciamento dos opositores), estado-babá (ou seja, estado no comando de tudo) e aborto on-demand por qualquer motivo (ou seja, eugenia). Realmente, a esquerda mudou muito.
      Você acha que o capitalismo afundou os pobres na lama? Então porque os países mais economicamente livres (i.e., mais capitalistas) são os que têm o menor número de pobres? É só checar os índices da Heritage Foundation.
      Mas se você foi incapaz de entender a analogia feita com Romeu e Julieta, que é bastante clara, e não entendeu que a revisão histórica só está aí pra mostrar que a esquerda americana SEMPRE esteve alinhada às ideias soviéticas, sem nada de intenções subliminares, provavelmente estou gastando meus dedos à toa com esse palavrório.
      Por fim, até onde sei, o nome Senso Incomum é uma brincadeira exatamente com isso: com o quão estranho se tornou o senso comum, pois pessoas como você acham que só porque algo é “senso comum”, está errado.

  • Marcel

    Pior que pelo estágio de degradação se não for um Bernie Sanders agora, será um outro socialista em um futuro muito próximo, porque essa geração, que é péssima, com valores distorcidos, amoral, vai dando lugar a uma outra pior.

  • Thiago César

    Excelente texto, gostaria de saber se a possibilidade de traduzi-lo para inglês, seria um prazer compartilhar com alguns colegas americano.

  • Beto Figueiredo

    Vi hoje mesmo uma frase do Abraham Lincoln que resume exatamente o que está acontecendo: “America will never be destroyed from the outside. If we falter and lose our freedoms, it will be because we destroyed ourselves.”

    • Reagan já começou o processo de desmantelamento do parque industrial dos USA lá na década de 80…