marketing politico

Depois de uma semana como a última que vivemos no Brasil é inevitável que tenhamos uma enxurrada de análises políticas, econômicas e jurídicas. Mas, como publicitário, me atento às sutilezas escondidas, sejam nas análises, sejam nas opiniões que lemos pela internet.

Ninguém percebeu melhor do que a esquerda o poder das palavras e dos símbolos na política. Muitas vezes nos pegamos pensando em como ainda pode ter gente que acredita no que é propagado por eles, mas é muito mais fácil convencer alguém de que você está certo usando as palavras que sabemos que vão agradar nosso interlocutor. Uma prática comum na publicidade e muito presente na política, apesar de que na política nem sempre isso fica claro. Mas vamos aos exemplos:

Na tentativa de desqualificar as manifestações populares do dia 13 de março, e as anteriores a elas, a esquerda passou a chamá-las genericamente de “Atos contra a corrupção”. A partir daí, colocam todos os politicos no mesmo balaio, fazendo com que muitas pessoas passem a se declarar “apartidárias” e “contra tudo que está aí”. Marcaram um ponto. Ao desviar o foco do real motivo das manifestações, mostram que ainda tem o controle do que querem que seja dito pela imprensa, ou ainda, confundir corações e mentes dos menos avisados.

Também passaram a chamar as manifestações de sexta feira de “a favor da democracia”, ou o mais clichê, “contra o golpe”. Juntem-se as palavras às imagens das manifestações, ainda que muito menores, e cria-se um símbolo poderoso. O de que a maioria era mentira, uma armação dos privilegiados para tirar do governo o que lutam pelos pobres e pelas instituições, a despeito dos bilhões desviados de empresas públicas no maior escândalo de corrupção que temos notícia.

Outra prática comum é tentar relacionar a imagem da direita a ditadores sanguinários do mundo inteiro. É comum lermos alusões à direita como sendo fascista ou nazista, adjetivos criados para definir regimes de esquerda, que se auto-proclamavam “sociais”.

Só se referem ao regime militar no Brasil como a época da “ditadura de direita”. Mais um gol deles. O regime militar brasileiro tinha como políticas a presença maciça do Estado, controle dos meios de informação, desenvolvimentismo intervencionista, autoritarismo e muitas outras características de governos de esquerda. Ao fazer essa ligação entre direita e ditadura, a esquerda faz com que muita gente tenha vergonha de “se assumir” como direita, por medo de ser taxado por um desses adjetivos nefastos e mentirosos.

Usar esses artifícios de comunicação cria uma barreira entre a verdade e a ficção. Quem esteve nas manifestações do dia 13 sabe quem era o alvo. Quem não foi, vai acreditar em quem? É por isso que temos que dar às coisas o nome que elas tem de verdade. Veja como foram chamadas as manifestações na edição de sábado do Jornal Nacional:

Reprodução TV

Crédito da imagem: Reprodução TV Globo

Não são atos contra “a corrupção”. São atos contra a corrupção desse governo, a maior e mais descarada de todos os tempos. Não são atos “a favor da democracia”. É a construção de um símbolo para confundir e tentar mostrar que eles ainda tem uma relevância que não tem.

Não nos deixemos intimidar. Depois de tudo que já nos roubaram, não podemos deixar que roubem também nossas palavras. Temos que rebater todas as mentiras com a verdade pura e simples: impeachment não é golpe. As gravações não foram ilegais. E mais importante: o que eles fazem pode ser qualquer coisa, mas não é democracia!

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Saiba mais:









  • Vinícius F. de Oliveira

    Sobre isso é preciso lembrar a astúcia de João Santanta que ganhou o jovem “inconformista”, (o “descolado”, o com pretensões artística e intelectuais, o cabeludo, os netos por adoçao voluntária dos baby boomers, os feministas, os pró-casamento gay, os favoráveis a liberação da erva, os rappers e hip hoppers, o jovem de classe média de sexualidade fluida da geracao Y, o que dá likes nos post do Vice, etc., etc.) com só essa imagem aqui:

    http://brasil.elpais.com/brasil/2014/10/27/politica/1414430543_325319.html .

    Ela jogada contra a imagem de Mauricinho de Aécio Never (pudera, ele colaborou ao aceitar apoio de gente que exala mauricice como Luciano Huck, Bernardinho e Ronaldo Fenômeno) destruiu Aécio contra esta parcela do eleitorado.

  • João

    O mais interessante é ver como a Globo mudou de postura depois da delação do Delcídio. É quase um milagre ter alguém da mídia mainstream contra o governo.

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