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“Sua geração não sabe o que é procurar emprego e não achar. Vocês vão sofrer.”

Essas foram as palavras que ouvi de um CEO de uma consultoria política em Brasília, há cerca de dois anos. Aquela não foi a primeira vez que ouvi presságios de uma crise profunda na economia brasileira. Meu amigo, o renomado economista Adolfo Sachsida, também vinha alertando para isso há vários anos, inclusive explicando caminhos para que nos preparássemos para tirar proveito da crise. Ainda assim, não importa o quanto ouvimos falar sobre crise, nada preparou minha geração para viver uma.

Crescemos em uma economia relativamente estável, aprendendo que conseguir um diploma nos garantiria uma boa colocação no mercado. Agora, no entanto, estamos aprendendo, na marra, a lidar com portas que se fecham e com o desemprego. Vagas de estágio e programas trainee têm uma concorrência absurda, ao ponto em que pessoas com mestrado se candidatam a essas posições. Vá lá, sabemos que diploma não atesta a qualidade do funcionário, mas é estranho que alguém com mestrado contente-se em ganhar dois salários mínimos.

É bem verdade que o interessado dá um jeito, e que não vejo nenhum amigo qualificado morrendo de fome, mas vejo, sim, pessoas altamente capacitadas se candidatando a vagas abaixo de suas habilidades para não ficarem desempregadas.

Como alguém que está prestes a sair da faculdade, os relatos dos colegas formados são preocupantes. Alguns dos alunos mais dedicados de minha turma resolveram atrasar sua formatura, ficar na faculdade por mais um ou dois semestres, na esperança de que o cenário melhore. Perguntei a um colega muito dedicado porque ele não se formaria agora, e a resposta foi categórica: “porque não tem emprego”.

Paradoxalmente, ao mesmo tempo, ouço discursos da base governista sobre um Brasil tão lindo, e me pergunto: será que vivemos no mesmo país? A juventude está amedrontada, e deprimida, diante de uma realidade inesperada. Nos prometeram um Brasil de primeiro mundo, onde estaríamos sempre amparados pelo governo, e onde nosso diploma significaria sucesso garantido. Caminhamos rumo à bonança, mas o destino nos reservou um cenário lamentável de desemprego, e que nos leva a questionar muita coisa.

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Sei que, felizmente, o desemprego ainda não é a realidade da maioria da população, e por isso mesmo é tão importante que nos lembremos daqueles que não possuem a felicidade de poder sustentar suas famílias através de seu trabalho. A crise não é uma invenção da mídia, e os dados de desemprego não são apenas números. Ouvir “10 milhões de desempregados” pode soar como apenas um dado, mas não podemos deixar que as estatísticas retirem a face dos que sofrem.

De fato, minha geração não sabia o que era procurar emprego e não achar. E sim, estamos sofrendo.

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  • Adrielle Tomaz

    Excelente estréia Bruna! Parabéns! Você é ótima, te admiro!

  • o Duro de não ter emprego é ao que isso leva! Pois muitos empresários se aproveitam disso e baixam mais ainda os salários em falar em negociata de direitos. Podemos sim dizer muitos são escravos e não trabalhadores. Pois o trabalho não tem dignificado mas escravizado. E ai se você for contra! Nos últimos anos participei de muitas entrevista e vi de absurdos a incoerências. Estive em uma em que me deram uma prova onde na epoca sem o material adequado para tanto e sem consultas que eram necessárias me pediram para desenvolver um sistema. Olhei para a pessoa e falei: Você os está brincando ou me achando com cara de palhaço. Depois de muita discussão e já sabendo do que se tratava. Lhe disse: E então a vaga está reservada para quem? A pessoa ficou sem resposta me despedi educadamente e me retirei.
    Alem de não ter emprego o maldito jeitinho brasileiro do QI vale muito, mas infinitamente mais que a qualificação.

    cito outro caso um professor de faculdade dava risada e falava que por ele ser o gerente ele pagava pouco pois sabia que sua empresa era importante e todos queriam aquela vaga então por isso ele pagava pouco mesmo!

    vemos que a coisa é ainda pior, chegando ao nível da ética e da perda de direitos!

  • Minha filha tem 16 anos e, alem da escola, estuda comunicação visual. Como gosta muito de moda, já começou a fazer free lancer de maquiadora para fazer dindin e pagar uma faculdade de moda. Não adianta esperar por emprego, temos que ensinar nossos filhos a buscar possibilidades exequiveis.

    • Adrielle Tomaz

      Que lindo! Parabéns pela filha empenhada que você tem Lucília e também pela maneira como a educa! Provavelmente terá um futuro brilhante! Abraços 🙂

  • Bruna Luiza, aprecio suas características e criamos, meu marido e eu, nossa linda filhota sob os mesmos padrões. Fico feliz em ver que ela não está sozinha.

  • Vinicius F Oliveira

    A espetacular era de criacao de cargos públicos donde lulopetismo tambem está encerrada.

  • Sou servidor público. Parece que todos querem ser. Basta olhar para os cursinhos preparatórios lotados. É a indústria do concurso público. Me preocupo muito com meus filhos, e não vou negar que procuro incutir neles essa ideia. Esse país tá assim. Pessoas talentosas não querem ser empreendedoras, mas passar num concurso para procurador, auditor, promotor, juíz ou coisa semelhante. Me pergunto qual a carga máxima que a Administração Pública suporta.

    • Lucas Silva

      A administração pública suporta até onde o setor privado aguentar sustentar, é o setor privado e todos que não estão na administração pública que sofrem pra sustentar esse aparato estatal gigantesco, quando as pessoas se derem conta que não vale mais apenas trabalhar pra dar metade dos ganhos para sustentar o setor público, pode ter certeza que o aparato estatal quebra, e o país também!

    • vitor

      Já estourou. A nossa capacidade, e diga-se de passagem a nossa necessidade, de cargos publicos já estoutrou ha uns bilhoes de reais. Enquanto os incentivos (leia-se: falta de desincentivos) não forem suficientes para as pessoas se arriscarem no empreendedorismo ficaremos presos nessa pendenga de cargo público. Mas pra isso precisaríamos de políticos com colhões pra tomar medidas drásticas, o que não veremos nos próximos 18 séculos.

  • Pior é que os petistas que nos colocaram nisso NÃO ESTÃO DESEMPREGADOS. Ou estão estudando pra concurso, ou na faculdade ainda ou trabalhando. FODA!

  • Diego Borges

    Curioso ler, no mesmo dia, dois ótimos textos sobre o mesmo tema:
    http://www.midiasemmascara.org/mediawatch/outros/16495-2016-05-02-21-17-41.html

  • Ana Maganha

    Bruna, parabéns. Adorei o texto de estréia. Todos nós ganhamos com sua aquisição. Parabéns também ao Senso Incomum por essa escolha abençoada.
    Saiba que torço muito por você e sei que será um sucesso. Que Deus te abençoe imensamente!!!

  • Estreou muito bem, Bruna Luiza. Parabéns.
    O governo tem lançado mil e um programas para atrair o maior número de jovens e adultos para a graduação, mas outro fator, além do desemprego, que é incontestável, é a péssima qualidade dessas formações e os inúmeros analfabetos funcionais que estão sendo gerados apenas para dar números às estatísticas e continuarem sendo a massa de manobra esquerdista.

  • Leonardo Gustavo da Silva Santiago

    Muito bom!
    Parabéns Bruna Luiza. Deus abençoe sua caminhada.

  • Parabéns, Bruna. Quase inacreditável tanta maturidade em alguem tão jovem. Que venham mais artigos.

  • Hawk

    Mas isso era visto. O que esperar se uma juventude que demoniza o capitalismo sem saber o real funcionamento do socialismo ? E viva Paulo Freire!

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