macaquinhos-cultura

O Ministério da Cultura brasileiro foi criado em 15 de março de 1985 por José Sarney. Aqui se encerram nossos argumentos a favor de sua extinção. Repetindo: criado. por. José. Sarney.

Segundo a Wikipedia, “foi responsável pelas letras, artes, folclore e outras formas de expressão da cultura nacional e pelo patrimônio histórico, arqueológico, artístico e cultural do Brasil.” Pergunte-se a si mesmo sobre o que você conhece de letras, arte, folclore e (perca um bom tempo nessa daqui) “outras formas de expressão da cultura nacional” antes de 1985 e o que conhece depois de 1985.

Os grandes escritores da nação (contando com José Sarney, é claro). Os grandes artistas. As expressões do folclore (pode ser num gráfico ou Power Point comparando Saci Pererê com Bonde do Tigrão). As “outras formas de expressão da cultura”. Bom, aqui temos um adendo após a decisiva argumentação profunda sobre o destino do Ministério da Cultura. Não tem Gleisi Hoffmann ou Lindbergh Farias para dizer que não há argumentos.

A decisão do presidente Michel Temer de extingui-lo, amalgamando-o ao Ministério da Educação, causou fuzarca, sobretudo, óbvio, entre aqueles que recebiam dinheiro do Ministério. Não é exatamente uma notícia: qualquer coisa feita por Michel Temer será criticada por petistas (indicar ministros, falar de programas sociais, falar de Lava Jato, falar, respirar etc).

Jose sarneyA confusão é que os endinheirados em questão confundem Ministério da Cultura com Cultura, crendo que a supressão do primeiro causará a extinção da segunda. Sobretudo: confundem o seu próprio trabalho com “a cultura nacional”. Com “arte”. Com algo necessário ao país, sem o qual estaremos todos fazendo uga-uga, não entendendo de nada (ainda mais de política, ao qual ficou reduzida a cultura brasileira com o ministério).

Vide declarações de “artistas e produtores” que O Globo entrevistou sobre a fusão. Digno de nota: todos os entrevistados são petistas. Alguém está surpreso? Será que vai demorar muito para acabar com o Ministério do Jornalismo que dá verbas a quem lhes puxa o saco? É a chamada rouanetosfera. Artistas que, sem o poder do Estado de arrancar o dinheiro de qualquer um para transferir para seus bolsos, já teriam virado empacotadores de supermercado.

Augusto de Campos: “É puro retrocesso. Mas não esperava outra coisa de um governo (…) resultante de um impeachment sem fundamento jurídico, e orientado por mentalidades conservadoras e retrógradas.”

É, portanto, mandatório para receber verbas do Ministério da Cultura ter um posicionamento político esquerdista, revolucionário e stalinóide.

José de Abreu mostrou suas preocupações culturais, este grande artista: “Solicitei ao governo francês um visto. Me deram um especial de residência chamado Competência e Talento com direito a trabalhar lá. Talvez por isso a Cultura na França movimente sete vezes mais dinheiro que a indústria automobilística.” Como o Brasil vai sobreviver sem isso?

Um tal de Sérgio de Carvalho, diretor teatral e “pesquisador” (nunca se entende bem o que essas pessoas fazem para justificar nosso dinheiro sendo transferido para suas contas bancárias) é hardcore em rouanetês e saca o manual de palavrório oco da Escola de Frankfurt:

“A extinção do Ministério é a confirmação simbólica do próprio golpe: uma manipulação da letra da constituição para reforçar o mando do capital sobre a vida dos que trabalham. Signfica a imposição de critérios econômicos, lógica do evento, eficácia de fluxo financeiros, anulação da história, e combate policial ao direito a imaginar um mundo além da forma-mercadoria.”

Não viver pelo capital é viver pela subsistência, usando todo o dinheiro sem poupá-lo para formar um capital. Sem capital, não haverá o que tomar das pessoas para financiar o Ministério da Cultura. Mas apenas com esse tipo de verborréia se ganha aplausos “culturais” no Brasil.

macaquinhos-peApenas alguém divorciado da realidade pode acreditar que o Estado é capaz de anular critérios econômicos e “lógica do evento” em produções culturais, ou ir contra a “eficácia de fluxos financeiros” (pedaladas da Dilma à parte, ou o ministério tem isso, ou vira um buraco negro de dinheiro, o que parece ser o desejo real do tal diretor).

O melhor é a “anulação da história” (risos) e o “combate policial ao direito a imaginar um mundo além da forma-mercadoria” (gargalhadas), logorréia que não significa absolutamente nada, mas o fez parecer absolutamente profundo para quem fica embasbacado diante de qualquer Jean Paul Sartre, Judith Butler ou István Mészáros falando sobre nada com palavras tudo por aí.

Já Cacá Diegues, cineasta cuja maior obra é Tieta do Agreste, dá uma viajada mais light no reino da rouanetosfera:

“Simplificando, a educação prepara as pessoas para o mundo real, enquanto a cultura estimula a inventar outros mundos. Botar as duas coisas juntas, como se fossem uma coisa só, é um retrocesso acadêmico, uma incompreensão do mundo moderno e do futuro. Um retrocesso.”

A educação clássica prepara para o mundo real, mas trabalha justamente o imaginário. Uma das maiores obras de crítica literária que é crítica ao modo esquerdista de reduzir a cultura a uma “imaginação” ou alguma irrealidade é, justamente, A Imaginação Liberal (em sentido americano, ou seja: esquerdista), de Lionel Trilling.

São ensaios justamente sobre a falta de “imaginação moral”, ou seja, de uma imaginação em roteiros, livros, peças etc capaz de criar situações em que o maniqueísmo bobo da política, das tribos, clubes e agremiações fáceis não seja a tônica dominante. Nem sempre o certo e o errado são tão claramente discerníveis – pense-se na Antígona, lutando entre uma justiça terrena civil e a justiça universal dos deuses. Pense-se em Hamlet, ou na solidez de justiça, mas manca de realidade de um Dom Quixote.

É de se perguntar se Cacá Diegues e outros aboletados no Ministério da Cultura de fato expandiram nossa imaginação desde 1985 ou se, pelo contrário, nos fizeram crer que algo fora do Ministério da Cultura seja “uma incompreensão do mundo moderno e do futuro”.

performance coloresUma dica: quase todos disseram se tratar de um “retrocesso”. Os “artistas e produtores” não parecem muito criativos com seu vocabulário. Antes fosse: estávamos muito melhor antes de 1985. Não se tem notícia de ter um Machado de Assis, um Graciliano Ramos, um Guimarães Rosa graças ao Ministério da Cultura. Tivemos, é claro, uma tentativa de Cláudia Leitte de lançar seu livro, mas desistiu após ser “humilhada”. Chico Buarque já traduziu o seu para o coreano via Lei Rouanet sem humilhação alguma.

De fato, a definição de Cacá Diegues está “simplificando”. Bastante. O que chamamos de “cultura” são, na verdade, elementos culturais, tradutores da cultura de um povo para ele próprio e o mundo. A cultura verdadeira sempre tem algo de universal. Shakespeare ou Goethe, São Tomás de Aquino ou Yasunari Kawabata não exigem a participação e filiação em seus grupos para nos tocarem em algo.

Ministério da Cultura, Cultura de Ministério

Cultura vem do latim cultus, indicando a idéia de cultivo, de terra (como em “cultura de uvas”). Algo local, próprio de um determinado povo, mas cujo valor transcende fronteiras. A cultura da solicitude inglesa, da hospitalidade árabe, do ordenamento alemão, da oralidade judaica, do tradicionalismo japonês ou do jeitinho brasileiro são traduzidas em obras de arte, na língua, na literatura, em bens culturais de valor transcendente.

Nenhuma delas foi criada por um “ministério”. O máximo que estes podem fazer é patrocinar algum artista que possa transmitir tal cultura em sua arte. É a figura do mecenas, freqüente desde a Antigüidade – Mecenas era um conselheiro do imperador Augusto. Em diversos momentos da humanidade, várias figuras fizeram as vezes do mecenato, do financiamento de artistas, da burguesia aos tiranos.

E é onde reside o problema: nunca um financiador de arte irá cuidar da “cultura” de maneira geral e irrestrita, qualquer produção cultural, e sobretudo as de qualidade, conceito subjetivo por definição. Os liberais chamam isto de “conhecimento difuso”, que não está e não pode estar nunca em um único agente; não é, portanto, por birra ou cabeça-durice, mas por pessimismo que liberais desacreditam no Estado como melhor agente.

Se o Estado e os governantes que o controlam não irão patrocinar todas as artes, irão naturalmente tirar da livre competição do mercado e alçar à proteção da verba garantida aquelas com quais eles concordam. O Ministério da Cultura de Dilma Rousseff iria patrocinar um show de death metal ou de Chico Buarque? O Ministério da Cultura de José Sarney iria patrocinar um livro de Millôr Fernandes, que o chamava por Sir Ney, ou uma tradução para o caldeu de seu Maribondos de Fogo?

tomar no cu performanceA mera existência de um financiador com poder de monopólio implica uma forma de censura. Não se trata de proibição, mas de financiamento massivo a qualquer concorrente. Alguém pode ficar feliz com Lula e Dilma patrocinando livros de Chico Buarque, filmes de José de Abreu, peças de teatro de petistas enfiando o dedo no ás-de-copas de outros petistas. E se o próximo presidente for um “homofóbico” de direita, e estas pessoas, ao invés de buscar o financiamento difuso de empresas que concorrem entre si, dependerem da aprovação de seus acólitos para uma peça com beijo gay? Quer censura mais fácil do que esta, que é aplaudida pelos censurados?

Não à toa, de Nero a Adolf Hitler, a coisa mais comum do poder político é se cercar de artistas bajuladores (a grande diferença é que outrora eram talentosos, como o poeta Konstantin Simonov, protegido por Stalin, como conta Orlando Figes em Sussuros: A vida privada na Rússia de Stalin).

chinese-vaginal-calligraphy-6Se ao invés de financiarem projetos segundo seus interesses, permitindo que artistas em busca de recursos procurem empresas diversas (tecnologia semelhante à maravilha que é a Bolsa de Valores, que permite que pessoas inventivas sem dinheiro lucrem com endinheirados sem idéias empreendedoras), a produção cultural estiver no Estado tomando impostos, desestimulando empresas a financiar o que já financiam por obrigação (a Lei Rouanet e sua renúncia fiscal não permite, senão, uma renúncia de impostos, já por si obrigatórios), quem controla a produção cultural é quem controla o Estado. O resultado se vê ao nosso redor.

Somos o único país do mundo sem uma literatura que espelhe a realidade. Sem músicos de nota, senão aqueles que ignoram completamente a jogatina política. Nossa maior arte plástica hoje são os desenhinhos de Romero Britto. E os artistas, claro, são todos favoráveis ao partido no governo até há pouco. Sem ele, parece que morrerão de fome.

Para piorar, a arte estatal via Ministério da Cultura só pode, por natureza, copiar a produção artística vigente – não há como financiar um Homero, Mahler, Victor Hugo ou M. C. Escher se não se vê nenhum deles por aí. Só se pode financiar a bandinha emo, o axézeiro que toca na festa da filha do governador da Bahia, o grafiteiro preferido do Fernando Haddad, a peça de teatro com mérito de ter algum ator da Globo xingando o Bolsonaro e o capitalismo para ser hype.

Pior: tem a obrigação de financiar o pior deles, do contrário sua existência também é posta em xeque – por que “promoveria” a cultura, se fora das monarquias, tem apenas a opinião pública medindo tudo por quantidade de público, e não qualidade da obra, para servir de régua? Como estaria “promovendo” algo já promovido?

detonautasBasta ver os projetos mais bizarros aprovados pela Lei Rouanet, como elencou o site Spotniks: vai do DVD de MC Guimê (meio milhão) aos R$ 4 milhões para uma turnê de Luan Santana e R$ 1 milhão para turnê de Detonautas, além do imperdível Brizola: tempos de luta, com exposição (!) “Um brasileiro chamado Brizola”. Será que permitiriam uma contrária ao governo? Nossa cultura foi salva pelo ministério?

É muito bonitinho confundir a si próprio com a própria “cultura nacional” só por ter um trabalho economicamente improdutivo (nem fale de escrever na internet) e falar que, sem Ministério da Cultura, não haverá cultura. O fato é que não haverá mamata. Só isso. A cultura sempre respirou melhor com mecenas difusos e só denegriu com um partido que confunde a si próprio com o Estado, pedalada com justiça social, fazer cocô em público com manifestação, enfiar o dedo no oritimbó com performance, Tico Santa Cruz com música e por aí vai.

Perguntar para que serve o ministério da Cultura para os incultos que dele recebiam verba e obter 1% da profundidade acima é esperar que um ganso aprenda a rosnar enquanto chupa cana plantando bananeira. O que seria uma peça cultural de muito mais valor do que eles produzem.

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  • Pena que a foto do post é tão obscena, se n eu compartilhava no meu face =/

  • Pingback: Precisamos do Ministério da Cultura? Quanto ele custa? | Blog do Rogerinho()

  • Foi Filipe da Macedônia que transferiu os recursos do teatro para a guerra?

  • Fulano

    Certíssimo ser a favor da extinção do MinC, afinal sem investimento cultural pessoas medíocres como o autor vão deitar e rolar manipulando e reafirmando o pensamento “cancervador” brasileiro.

    • Flavio Morgenstern

      Então é para isso que serve o Minc: fazer propaganda esquerdista!

  • JULIO CESAR

    POR QUE ESSE CARAS NÃO SE REÚNEM CONTRA O ASSUNTO DO AUMENTO NO TEMPO DA IDADE DA PREVIDÊNCIA SOCIAL!

  • Concordo com tudo. PS: infelizmente algo na forma como você “diz” falta humildade, talvez um pouco de imparcialidade possa trazer mais sensibilidade na que passa à frente.

  • Bruno

    O começo desse texto é um excelente indicador para o porque é necessário manter e, se possível, ampliar o incentivo a cultura.
    Enquanto países como França, Itália, EUA etc, se não usam a produção artística como produto de exportação e arma ideológica, eles possuem rígidas leis e regras de reserva cultural interna (se tiverem a oportunidade de ir a Paris, tente assistir a um filme estrangeiro, ou só ligue a tv, se reclamam da Globo, é pq nunca assistiram a TF1), que estimula a geração de conteúdo, a difusão da cultura do país e emprega mais pessoas dentro, em vez de fora.
    O texto é excelente em exemplificar como é importante estimular e investir na cultura.

    • Feike do luiz

      ”Enquanto países como França, Itália, EUA etc, se não usam a produção artística como produto de exportação e arma ideológica,”

      HAHAHAHAHAHAHA

  • clelio rodrigues

    Isenção fiscal é renúncia fiscal; não venham querer me dizer que o dinheiro provem da iniciativa privada. Somos nós que estamos pagando todos os projetos “culturais”.
    O Minc deveria ser muito, mas muito mais criterioso nas aprovações dos projetos.
    Tem uma outra turma muito interessada na captação dos recursos junto às empresas e pessoas físicas, que são os agentes que recebem comissões altíssimas, e, que, devem estar muito preocupados.
    Não muda absolutamente nada com a fusão dos dois Ministérios; a Lei Rouanet deveria ser revista e a aplicação dos recursos serem efetivamente fiscalizadas

  • Silvio

    Banca de especialista, fala merda pra caralho, se acha intelectual

  • LUIZ MENEZES

    a todos quantos possa interessar:

    “Depois que o vídeo do artista Chico Buarque sendo alvo de ofensas no Leblon viralizou pela internet, milhares de pessoas passaram a compartilhar imagens afirmando que ele teria se vendido para o PT por ter recebido dinheiro pela Lei Rouanet. Entretanto, estas postagens não explicam que este dinheiro não veio diretamente do governo, nem da presidenta Dilma. A verdade é que a maioria dos brasileiros desconhece o funcionamento da Lei Rouanet.

    O que é a Lei Rouanet?

    É uma lei federal de incentivo à cultura que objetiva aumentar a produção artística e cultural no país através de isenção fiscal. Pessoas físicas ou jurídicas investem em um projeto cultural e o valor investido é abatido do imposto de renda, sendo que não pode ultrapassar 6% e 4%, respectivamente, do imposto devido.

    Esta lei foi criada em 23 de dezembro de 1991, durante o governo de Fernando Collor de Mello (PRN).

    Como funciona a Lei Rouanet?

    Um projeto é enviado para o Ministério da Cultura que julgará e aprovará, ou não, o projeto de acordo com o edital publicado. Tendo sido o projeto aprovado, dá início à fase de captação. A produtora responsável pelo projeto irá entrar em contato com empresas e indivíduos que desejem investir e relacionar seu nome/marca com o projeto.

    Sendo assim, a quantia que o projeto foi permitido captar vem da iniciativa privada e não do governo. Há casos em que projetos aprovados não conseguiram a quantia necessária para serem realizados.

    Quem já recebeu investimentos através da Lei Rouanet?

    Além do cantor, compositor e escritor Chico Buarque, vários outros artistas já foram beneficiados através da Lei Rouanet. A cantora Claudia Leite realizou 12 shows em cidades das regiões norte e centro-oeste em 2013, captando mais de R$1 milhão.

    A banda Detonautas também teve projeto de turnê aprovado, mas não chegou a captar o valor. O vocalista da banda, Tico Santa Cruz, é outro artista também acusado de se vender ao PT. Luan Santana e Mc Guimê também entram na lista.

    Fora do mundo da música, Fernando Henrique Cardoso também foi beneficiado através da Lei Rouanet. O Instituto FHC captou mais de R$6 milhões para a digitalização de seu acervo.

    Há muitos espetáculos teatrais que se beneficiam desta lei.

    Os problemas da Lei Rouanet

    Entre jornalistas, produtores e artistas há os que criticam o atual funcionamento da Lei Rouanet. Para muitas empresas, ela tem sido usada como uma estratégia de marketing e assim apenas nomes conhecidos realmente conseguem receber investimentos.”

    Projetos de menor exposição ou de companhias sem reconhecimento nacional acabam não acontecendo. Há também a questão de maior parte dos projetos serem destinados para a região sudeste.

  • Luz

    Só faltou dizer que na Lei Rouanet só são capitalizadas obras através dos interesses privados das empresas. O governo libera a possibilidade de capitalização, mas o dinheiro mesmo só vem se alguma empresa quiser patrocinar a obra.
    E se você não entendeu o que o pesquisador Sérgio de Carvalho disse, você não deveria citá-lo. A gente só cita alguém quando entendeu o que a pessoa disse. Se era “palavrório oco”, pra que citar?

    • Flavio Morgenstern

      Amanda, a primeira vez que mexi com Lei Rouanet foi em 2002. Quer mesmo discutir comigo?

  • sol

    Esclarecedor!

  • José Oliveira

    Uma coisa que o Minc poderia ter feito é acabado com a pirataria, função que outros ministérios podem fazer muito bem ou até melhor.

  • Otimo artigo! Esclareceu minhas duvidas!

  • Dani

    A produção cultural brasileira é intensa e veio aumentando nos últimos anos graças a muitas políticas públicas criadas. Um simples exemplo são os nossos filmes indicados ao Oscar, que sem o MINC não teriam sido realizados. A indústria cultural gera emprego, gera renda, gera valor pra sociedade, gera transmissão de conhecimento, gera bem estar social e qualidade de vida. Querer destruir isso, é a coisa mais tosca e ignorante que existe! Não tenta justificar o injustificável!

    • Marcello

      Mas foi dito que não seriam mais produzidos filmes ou algo parecido????
      Apenas foi cortado o grana para artistas medíocres e ptistas… Olha quanto lixo produzido sobre o nome de CULTURA…. Nego enfiando o dedo no chu do outro enquanto o outro enfia o nariz no anus à frente…pqp

    • O que eu gosto de algums Brasileiros e o fato de falar sonhando, so pelo fato de defender uma causa.
      O deficit que o ministerio da cultura deixou e de R$ 1,500,000,000,00 .
      Deu pra contar todos os zeros ???

    • Leonardo

      A cultura brasileira não foi extinta, muito menos o Ministério da Cultura, ele foi incorporado ao Ministério da Educação e os projetos continuaram sendo tocados… Sem contar que a maioria dos projetos aprovados, são dos artistas bajuladores e esses projetos, na maioria, são um fracasso como arte e cultura. Ainda dava pra incorporar o Ministério dos Esportes ao Ministério da Educação e Cultura.

    • willians

      As leis de incentivos são anti-democráticas, maior parte da captação se concentra no Rio e em São paulo, representa 78%, pior sou do Rio de janeiro a maioria esmagadora dos projetos”culturais”vinculadas à município ou Estado quase 90% está concetrado na zona norte ou zona sul, onde estão as comunidades mais conhecidas Rocinha, vidigal, Complexo do alemão, maré entre outras, sendo que a zona Oeste não existe política pública Cultural, o que existe são Lonas e arenas Culturais que a Administração são das Ongs, todas com posição ideológica e ligadas à esquerda. Resumo, leis de incentivos a Cultura pra cumprir o Papel de política pública ela tem que levar Cultura à não tem acesso, agora esse sistema nebuloso entre empresas, governo, dinheiro público, isenções, ongs, partidos de esquerda, aprovações de projetos surreal, bandas falidas, só servem pra hoje ficarem de porta voz do Governo, e a verdade é que, se essa mamata acabar com disse o cara artigo, muitos vão virar empacotadores de super mercado.

    • Caermen Lins

      Não diga bobagem “filmes indicados ao Oscar, que sem o MINC não teriam sido realizados.” O MEC não teria realizado se é Educação e cultura”

    • lUIZ mENEZES

      Concordo com você, Dani! O Flávio quis florear demais para tentar se fazer entender e ser aceito como o ilustre revelador dos enganos da Lei Rouanet, mas, visivelmente mostrou uma certa frustração em não ser reconhecido em nada por qualquer trabalho que tenha desenvolvido. Ninguém que eu conheça já ouviu falar dele. Contudo, creio que deva existir melhor saída para esse impasse entre a tentativa de se destruir a política cultural ou se preferir chamar de cultura política dos ideólogos da administração pública que está em transição temporária por um meio legal ilegal, devido à estruturação política caduca que necessita de uma transformação radical urgente, e essa saída se chama Democracia, porém, esta tem recebido ataques fulminantes de quem nem percebe que está trazendo com isso para o nosso país um Estado ditatorial. É simples assim e é triste assim! Lamentável!

      • Flavio Morgenstern

        Me acusar de ser recusado por ter buscado Lei Rouanet é crime grave. Não pela recusa, mas pela suposta busca.

  • Pingback: SensoIncomum – Você sabe para que serve o Ministério da Cultura? – Sr.Xarope®()

  • Gil

    “A confusão é que os endinheirados em questão confundem Ministério da Cultura com Cultura, crendo que a supressão do primeiro causará a extinção da segunda.” Argumento meio tosco, pois daí podemos concluir a mesma coisa para o ministério da justiça por exemplo. E sabemos que um país precisa das duas coisas. O argumento que usam pra defender o fim do Minc tem a mesma natureza daquele que visa pelo fim das estatais e do que é público. Citam exemplos do que deu errado, mas se esquecem do que deu certo e que é maioria. É a velha mania de tomar a exceção pela regra. Sem incentivo a cultura par as classes mais baixas, o que prevalece é a vantagem daqueles que tem capital e que podem investir pesado em cultura. Nada muito diferente de outros mercados quando não há incentivo para os pequenos. Criá-se monopólios. É uma inverdade dizer que nas ultimas décadas não houve nada significativo na cultura. Vi muitos shows musicais de bandas autorais incentivadas pelo Minc, sem falar nos pontões de cultura. Mesmo com incentivo do Minc essas bandas não lucram como grandes bandas que já são patrocinadas por empresas, mas a simples existência delas enriquece o cenário musical onde realmente precisa, que é nas camadas mais baixas. Sobre o fato do Minc ser criado pelo José Sarney isso não significa que ele tinha boa intenção ao criá-lo. Os militares tbm criaram várias coisas que na teoria são boas, como o FGTS, o PIS, etc. Porém, sabemos dos muitos casos de corrupção que existiam no regime militar. Quando corruptos controlam o Estado não adianta leis. O Estado é um ente impessoal com seus cargos e funções esperando serem ocupados. Se a qualidade de quem ocupa não é boa, o Estado não conseguirá cumprir suas reais funções. Portanto não se trata de extinguir o Minc, mas sim de ocupá-lo com pessoas que faça valer a função para que foi criado.

    • Caermen Lins

      Você viu muitos shows financiados pela Lei Rouanet e a bilheteria embolsada pelos artistas! Por isto choram a união do MINC! Nem entendem que Cultura não acabou! Sempre existiu junto com o MEC dando muito certo, quando artistas não mamavam. Se você foi a show sem receber “cortesias” sabe quanto custa caro um ingresso.

  • dudu

    Ministério do CU-ltura pra que? Num país onde os “artistas” são mamadores do estado? Quantos filmes, quantas músicas, quantas peças, quantos livros com um mínimo de qualidade foram criados nos últimos 20 e poucos anos de comunistas no poder?? NENHUM!!! e a maior prova disso é que Chico Buarque é o “maior jênio da cuutura naçional”!!!

    • Dani

      Pelo visto você não lê um livro, não assiste bons filmes, não vai ao teatro, não vai a shows há um bom tempo pra dizer que nada de bom foi produzido. Não tenta justificar o injustificável! A produção cultural brasileira é intensa e veio aumentando nos últimos anos graças a muitas políticas públicas criadas. Um simples exemplo são os nossos filmes indicados ao Oscar, que sem o MINC não teriam sido realizados. A indústria cultural gera emprego, gera renda, gera valor pra sociedade, gera transmissão de conhecimento, gera bem estar social e qualidade de vida. Querer destruir isso, é a coisa mais tosca e ignorante que existe!

      • Caermen Lins

        Por que você acha que sem o MINC não teria realizado filmes para concorrer? Ministério da Educação E CULTURA, viu? A cultura foi abolida. Tomara que seja vigiada agora, sem os artistas ganhando Rouanet e ainda embolsando bilheteria.

    • Rafael

      Você diz que em 20 anos não foram criados nenhum material nacional de qualidade? Você não leu nenhum livro nesses 20 anos?

  • Amon

    Fala de muita coisa ao mesmo tempo. Fabio Zanon, Arnaldo Cohen, Alexandre de faria, Marlos Nobre, Sergio Abreu… Eu poderia passar a vida toda falando de músicos brasileiros. Você ainda não tem esse conhecimento todo pra falar de cultura sem dar pinta que tá querendo dar uma de espertinho. Mas no geral, eu concordo com o texto. Só de modo geral.

  • Vander Lei

    Ótimo artigo. Já tinha conhecimento da farsa (e da farra!) que é o tal ‘ministério da cultura’ e suas leis toscas (como a Rouanet). Chega a ser escancarada a “coincidência” da criação de tal ministério: um dos primeiros atos da “nova república”.

    O que nenhum petista vai ter coragem de aceitar é que não foi um ministério da “Cultura” que foi extinto; foi um ministério da Propaganda.

    Vou parafrasear o Dr. Milton Simões Pires (sim, ele é medico):

    “Toda Cultura, toda Arte que precisa de um “Ministério” e de uma “Lei” para ser defendida deveria simplesmente DESAPARECER. As Leis e os Ministérios nasceram POR CAUSA da Cultura; não o contrário.”

  • Thiago

    Respeito sua opinião, mas com certeza você só conhece as ações divulgadas na mídia. Seguramente nunca se preocupou em saber de todas as ações que o MinC tem. Tenho críticas também, mas não é coletando algumas notícias e, pegando exemplos de projetos bizarros (concordo), que você conseguirá resumir a função do Ministério da Cultura. Penso que você passa uma opinião muito simplista disso tudo. Não adianta eu listar as ações do Ministério, as opiniões já estão formadas e investir em cultura, no Brasil, não é importante, não é mesmo?

    • Flavio Morgenstern

      Com o MEU dinheiro? Pode deixar que eu mesmo invisto no que quiser, obrigado.

      • Rafael

        Vai reduzir algum imposto pra sobrar algum dinheiro pra VOCÊ?

  • Zé Siqueira

    As fotos são daquela peça com a exploração do ânus foi paga pelo sistema S (Sesc, Senai, etc.) não com dinheiro público. O próprio autor confunde espetáculos aprovados pela Lei Rouanet como sendo “obras” do Minc: “Cacá Diegues, cineasta cuja maior obra é Tieta do Agreste, dá uma viajada mais light no reino da rouanetosfera”; “Basta ver os projetos mais bizarros aprovados pela Lei Rouanet”. Então cabe o esclarecimento, a aprovação da lei Rouanet é técnica e não artística, qualquer um que obtenha a empresa pode ter o apoio, então é a iniciativa privada que, ao invés de investir tem, digamos assim, propaganda grátis. Em quem ela vai investir: em mim, em você? Não, ela vai investir em figurões conhecidos. Dái se quer o fim do Minc? A lei está atendendo aos grandes artistas e à iniciativa privada! Agora as políticas públicas do Minc são outra coisa: a criação descentralizada de pontos de cultura, editais de ocupação da FUNARTE e apoio às bandas musicais no interior, a criação da agência nacional da música. O que acho é que as leis de incentivo deveriam favorecer manifestações artísticas que, a partir de um corpo de especialistas, são importantes mas não se sustentam economicamente e manifestações que podem obter lucro e não depender de verba pública que consigam patrocíneo, me diz aí, qual empresa vai por a mão no bolso?

    • Flavio Morgenstern

      Obrigado pela tentativa de “correção”, mas isso já estava explicado no próprio texto. Talvez seja o caso de usar mais o tal Ministério da Educação com seus maravilhosos resultados, quod erat demonstrandum.

  • Abiathar Nonato de Oliveira

    PENSO QUE O ESTADO TEM COISAS MAIS URGENTES PARA SE PREOCUPAR, TAIS COMO SAÚDE QUE ESTA UM CAOS TOTAL, EDUCAÇÃO, SEGURANÇA PUBLICA, O BRASIL TEM MILHARES DE ARTISTAS POPULAR QUE REALMENTE SÃO ARTISTAS E TRABALHÃO PARA MANTER SUA ARTE, ENQUANTO ALGUNS IDIOTAS QUE CONFUNDE ARTE COM IDIOTICE FICAM RICOS AS CUSTAS DO PODER PUBLICO,PARABÉNS PELA MATÉRIA E QUE DEUS NOS PROTEJA DESSA TRUPE.

  • Flávio, temos exemplos de produção artística que não depende do Estado. Estou falando dos trabalhos de História em Quadrinhos mantidos por patrocínio privado de empresas como Catarse. Tem tanta coisa legal lá (e muita porcaria também).

    Produção bonita de artistas gráficos que não ganham dinheiro com Rouanet e vivem a margem do mercado. Gente que faz do Romero Brito um pintor de garatujas. Lógico, este é só um exemplo de vida rica e abundante fora da bolha estatal.

    “Artes plásticas” e performances como Macaquinhos são o esgoto da realidade artística. É estelionato puro e simples.
    http://www.universohq.com/catarse/

  • Na segunda-feira sairá o resultado do prêmio Arte monumento Brasil2016 para as Olimpíadas. Foi tudo uma encenação da FUNARTE usando o evento das Olimpíadas para obter verba. O sistema está falido e desde 2014 não são pagos os prêmios e projetos selecionados em editais pela FUNARTE, em todas as áreas das artes. Mesmo sabendo que não haveria verba a FUNARTE lançou novo edital para as Olimpíadas anunciando mais de 2 milhões para premiação, no final, durante esta semana, forjou uma comissão de seleção sem anunciar nomes e fora dos padrões estabelecidos no edital e julgou mais de 200 projetos em dois dias úteis, selecionou apenas 20 projetos onde o edital previa 70, tentando correr antes do “impeachment” para conseguir verba para tentar desviar parte para arcar com pendências em outras áreas, até mesmo para pagamento de pessoal da limpeza…não deu, o impedimento aconteceu rápido e então o presidente da FUNARTE pediu demissão e escancarou a situação, afirmando que há muito não existe pagamento algum…a máquina cultural emperrou.
    As imagens acima expressam muito bem o perfil da “Arte Conceitual” apoiada por essa estrutura governamental FUNARTE, vinculada ao Ministério da Cultura, sistema apodrecido.
    Sem falar de lei Rouanet…Produtora amiga da Globo, que monta projeto de filme de comédia ou Bruna Surfistinha, projeto é analisado e aprovado pela FUNARTE, então a Globo filmes patrocina o projeto via lei de isenção e ainda cobra pelo ingresso no filme de comédia, pois só ele confere retorno de público.
    Ou um Rock In Rio também enquadrado na lei, na qual a empresa patrocinadora vende seus brindes com verba pública e ainda cobra pelo ingresso…
    Centro Culturais??!! Todos lei Rouanet…Bienais de Arte??!! Feiras de Arte…SP-Arte??!! Galeristas são beneficiados, tudo com dinheiro público…mas é preciso fazer parte da “roda” daquele que está no topo da empresa e distribui milhões com isenção de impostos!!! Só de fazer o contato com o “distribuidor”, dentro da lei está previsto 10% para a captação, ou seja, projeto de um milhão, que é muito pouco, qualquer um coloca no bolso R$100.000,00, só por fazer o contato com o tal “Diretor” da empresa…
    Poderia falar horas sobre essa grande farsa, comédia, bizarrice…
    Parabéns pelo site

  • Simplesmente sensacional.
    Resumo do texto: O autor aponta o dedo na cara dos pseudo-artistas que dizem “Buhuhuhu, papai cortou a mesada!” e estavam destruindo qualquer manifestação cultural bacana via Gramscismo.
    Minha HQ Rastreadores da Taça Perdida tem aprovação da Rouanet. Agora pergunta se algum empresário se sensibilizou pra investir nela. Não, pois não tenho amiguinhos rubros nem sou puxa-saco lambe-botas de poderosos.

  • GUSTAVO GONÇALVES

    Nossa muito raso, desconhece os parametros de cultura, independente de favores politicos a construção cultural é muito mais do que isso ai…

  • Alex

    Excelente texto. Divulgarei ad infinitum.

  • Geraldo

    Não foi o ministério da cultura que acabou, foi o da educação, que vai ter que dividir orçamento com a CBF e a rouanet, que existe desde o Collor e serve é para grandes empresas diminuírem seus impostos investindo quantias milionárias em produções duvidosas. Não duvido que muitas declaram que receberam mais do que realmente receberam para que o patrocinador sonegue impostos.

  • Felipe Flexa

    Cacá Diegues reclama de barriga cheia. Os maiores sucessos dele foram feitos durante a ditadura.

    • Verdade: Bye Bye Brasil, Xica da Silva e Quilombo foram filmes dele produzidos durante a ditadura com auxílio da Embrafilme, criada pelos militares em 1969.

  • Luis Henrique Ferreira Vogelei

    parabéns por mais um excelente artigo.

  • Gabriel

    Não consigo ver esse choro de pseudo-artistas bajuladores estatais sem lembrar de Nietzsche.

    Tanto quando ele critica Platão, mencionando Epicuro chamando o primeiro de “Dionysiokolakes” – Lambe-botas de tiranos, e ao mesmo tempo de atores (Adoradores de Dionísio), falsos, afetados…

    E o outro momento quando ele expressamente diz que Cultura e Estado são antagônicos – um vive e morre do outro, e é só na decadência do Estado e do Político que florescem novas expressões culturais – que, no final das contas, são a manifestação dos hábitos de um povo, sua própria forma de se auto-aceitar e venerar, e que a mudança destes só ocorre, justamente, devido a uma profunda ruptura, sendo assim uma forma de tornar a encontrar uma identidade própria.

    Pensando nesses termos, fica absolutamente impossível admitir a própria existência de um “Ministério da Cultura”. É uma instituição que promove um certo modo de vida quando não há nada, nas angústias e ânimos das pessoas, que corresponda e concorda com o way-of-life promovido pelo governo. Artificial, afetado, incapaz de até mesmo se arrastar sobre as próprias pernas.

    Aborto intelectual travestido de cultura. E que o povão é obrigado a sustentar.

  • michel

    Penso que no Brasil o estado deve investir sim na cultura de um modo geral mas não sustentá-la como vem ocorrendo. Deveria propiciar estruturas de desenvolvimento, pois temos grande potencial turístico que pode se beneficiar desta estrutura.

  • Igor Teixeira

    Muito bom! Esse texto é a tampa do caixão para o discurso da esquerda.

  • Edu Porto

    Muito bem explicado!

  • Procurei hoje uma lista de filmes nacionais para postar nos grupos pró-direita que participo – consegui no site da ANCINE.

    http://oca.ancine.gov.br/media/SAM/DadosMercado/2102-22052015.pdf

    Impressionante ver a quantidade de filmes, financiados por dinheiro público através de incentivos fiscais, petrobras, cef, bndes – e que tiveram um público numericamente medíocre. Logo na primeira página, um filme que teve a atenção de 20 (VINTE) espectadores.

    Animações, documentários, ficções, obras totalmente desconexas, intragáveis, medíocres.

    Nem os esquerdistas foram ao cinema ver tanta porcaria – com certeza engrossaram as filas dos blockbusters americanos.

    E fica a pergunta, é claro: quem financiou, e por quanto?

    • Rafael

      Eu não sei da onde vocês tiram que todas as obras precisam ser sucessos de bilheterias? Cultura não se julga assim.

  • Fernando de Tarso Castelain Junior

    Sobre a Lei Rouanet e o Ministério da Cultura: Não foi o PT que criou a Lei Rouanet. O Ministério da Cultura não discute o conteúdo do projeto. O dinheiro desta lei não sai dos cofres públicos de forma direta, mas sim indireta, por isenção fiscal. A lei permite o abatimento de 6% no caso de pessoa física (PF), e 4% no caso de pessoa jurídica (PJ) do Imposto de Renda para financiar projetos artísticos e culturais e, consequentemente, patrociná-los. Para que um projeto seja aprovado pelo MinC, é necessário que ele siga normas técnicas, que dizem respeito à atividade a ser realizada, viabilidade do orçamento, números e locais de apresentações, pagamento de pessoal, enfim, que indicam a viabilidade do projeto. Afinal o estado não pode autorizar isenção fiscal para algo inconsistente ou inviável. Portanto, o estado NÃO decide se o gênero é rock, MPB, funk, ou se será cinema clássico, teatro naturalista, ou se a atividade será realizada por um artista de esquerda ou direita, que apoia ou não o governo; mas SIM, se ele cumpre a norma técnica. Nem Dilma, nem o governo, nem o MinC deram dinheiro para Luan Santana ou qualquer outro artista/produção cultural. Foram empresários e pessoas comuns que se dispuseram patrocinar o artista, utilizaram-se de uma lei (que não foi aprovada pelo governo do PT) para abater do IR uma quantia (portanto o dinheiro não prejudicou o orçamento da saúde e educação), e pagar um projeto do cantor sertanejo que se enquadrava nas normas técnicas – sendo assim, o governo não decidiu o caráter do projeto. O MinC então aprovou (através de uma comissão) a viabilidade e consistência através de normas técnicas previstas em lei, que destinava a quantia citada para Santana. No Brasil, em que há cultura televisiva muito forte, fica praticamente impossível fazer produções artísticas somente com o retorno do valor de ingressos, a não ser que o artista tenha muito apelo popular. Para que a equação seja resolvida, o Estado precisa financiar a arte. Assim poderemos pensar a cultura no país como uma meta de longo prazo, com mais financiamento, mais acesso, até que atividades artísticas consigam “andar com as próprias pernas”. Sobre a reportagem citar que movimentos contrários ao PT não teriam chance, vale dizer que : O Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC) e a Fundação iFHC captaram um total de mais de R$ 14 milhões para realização de três projetos; A Fundação Roberto Marinho é um dos maiores captadores da história da Lei Rouanet. Ela teve quarenta projetos propostos pela instituição e realizou captação total de mais de R$ 178 milhões; O Jota Quest, outro grupo que adora atacar o governo e a presidenta da República, está envolvido em sete projetos apresentados à Rouanet. “No Estúdio com o Jota Quest” realizou captação de R$ 1,4 milhão; Lobão (ele, sempre ele) já teve o projeto “Acervo Cultural – Gravação do DVD Lobão Elétrico e Shows de Lançamento” aprovado em R$ 1,9 milhão, mas recuou e formalmente desistiu de seu direito de captação. Parece que não conseguiu quem o patrocinasse. Nada é tão simples e redutivo. O texto começa citando o Sarney, porém vale lembrar que o Sarney Filho é um dos novos ministros do governo Temer.

    • Flavio Morgenstern

      Nada disso refuta em nada o texto. É inocência demais crer no isentismo estatal. A crença da necessidade do Estado patrocinar a arte é a crença de que a arte depois de 1985 é melhor do que a anterior. Se não há ingressos o suficiente, não há interesse o suficiente. Doe o seu dinheiro, não me obrigue a pagar pelo que não consumo. Lobão já explicou que deixou sua assessoria cuidar dos recursos, quando viu que era Rouanet ficou em desespero. Sobre Sarney Filho, a culpa é de quem votou no Temer. Eu não votei, escolho sempre o menos desgraçado.

      • Fernando de Tarso Castelain Junior

        Não disse que refuta, mas equilibra em partes alguns pontos colocados. Não tenho uma opinião formada sobre a eficiência dessa Lei. Fiz minhas pesquisas a partir do teu artigo. Fico feliz em encontrar um espaço de diálogo limpo, onde ideias podem ser apresentadas e discutidas com coerência. Eu ri com “escolho sempre o menos desgraçado”. Que possamos exercitar mais isso em nosso voto. Um abraço!

        • Flavio Morgenstern

          Fernando, fui ferrenho defensor da Lei Rouanet assim que a conheci. Tenho livros de captação de recurso aqui (antes quis ser artista, sobrou escrever sobre política). O problema é que é uma ilusão acreditar que ela não é partidária (aliás, este é só o maior problema). Basta ver a disputa entre Gilberto Gil e Ana de Hollanda, na qual o Fora do Eixo ficou em desespero por perder dinheiro com a segunda. Hoje, é tudo questão de bajular o partido no governo. Fora todo o restante das iniciativas do MinC, claro. Grande abraço!

          • Lu Mo

            Infelizmente, acho que a visão deste artigo muito tendenciosa. Os projetos são avaliados pela CNIC e são, como o Fernando disse, analisados do ponto de vista técnico e viabilidade. O mercado (empresas, diretores de marketing etc), no entanto é quem decide que projetos patrocinarão. Aí sim, ganha mais que já é conhecido ou quem tem boa entrada com empresas, ou com projetos bons e importantes para um ambiente cultural mais rico, diverso e arejado. Outros projetos são lixo (para mim), porém o mercado apoia e a lei permite. O então Ministro Juca Ferreira estava tentando diminuir as distorções com mudanças na Lei. Não foram votadas… Distorções que mantém projetos que já são viáveis do ponto de vista financeiros (poderiam vender bilheteria/entrada/disco), sem precisar de dinheiro público. Ou projetos quase que exclusivamente do eixo RIO-SP. Foram muitas conversas e há o texto pedindo que sejam corrigidas essas distorções, mas parece não haver interesse da classe política que a cultura seja pauta. De qualquer forma, vale reforçar, os projetos são patrocinados via isenção fiscal e não dinheiro DADO diretamente pelo governo.

            Sobre folclore, Bonde do tigrão não entra, não. É indústria tb… Há muitos exemplos de culturas tradicionais que tiveram sua manutenção fomentada com apoio do ministério. Comunidades que tradicionalmente fazem folia de reis, maracatu, ciranda etc. Sinto muito pela nossa sociedade – tão passiva culturalmente – que basicamente ouve o que toca no rádio, vê o que está na TV ou no Cinemark, lê o que está na moda, achar que isso basta. Que se não protegermos ou incentivarmos minimamente nossa diversidade cultural, elas não correm o risco de acabar. Aí podem dizer: “Ué, mas se acabou é porque não era bom”. Bom, então, é Luan Santana?! Ele certamente não será lembrado daqui a 50 anos, mas até lá, uma geração inteira ficou ouvindo unicamente caras como esse, que tem uma indústria por trás que paga jabá, que se utiliza de formas perversas para se manterem no mercado.. inclusive sensualizando e tratando as pessoas como idiotas com suas letras banais, suas melodias, harmonias pobres etc… É uma pena, acharem que se trata de artistas petistas vagabundos que perderam sua boquinha. É mentira isso. Conheço bem a classe cultural de SP e sei que a grande maioria não consegue captar, embora consiga aprovar seus projetos na Lei. Assim como a Globo Filmes deve captar.

            Acho importante ressaltar que países como EUA, Reino Unido (apenas para ficar em dois), têm seus ministérios de cultura e dão muito mais valor à sua cultura e às indústrias criativas… pois eles SABEM que isso gera não apenas um valor simbólico e cultural importante (empoderamento, autoestima, consciência, melhora a educação, melhora outras aptidões…), mas também gera ECONOMIA,EMPREGO, TURISMO etc etc etc… Copio aqui a descrição que o UK faz de seu ministério que é com mídia e esporte, sim, mas a cultura está em PRIMEIRO LUGAR. “The Department for Culture, Media & Sport (DCMS) is here to help make Britain the world’s most creative and exciting place to live, visit and do business. We protect and promote our cultural and artistic heritage and help businesses and communities to grow by investing in innovation and highlighting Britain as a fantastic place to visit. We help to give the UK a unique advantage in the global race for economic success”. E o dos EUA: The U.S. Department of Arts and Culture is not a government agency, but an act of collective imagination fueled by all who believe that art and culture are among our most powerful and under-tapped resources for creating a more just, equitable, and vibrant world.

            Enquanto vemos nossa sociedade colocando a cultura como bobagem, entretenimento e dinheirinho para esquerdistas, outros países fazem filmes, música que todos consomem… Eles protegem a cultura deles. Porque se um país não tem sua história, sua cultura, viveremos em breve numa sociedade padronizada, sem identidade alguma.

            E não é porque antes do Ministério tivemos escritores e artistas maravilhosos, que não é importante nos estruturarmos. Também temos grandes escritores, músico, artistas visuais hoje! Milton Hatoum, Hamilton de Holanda, Léa Freire, Tom Zé, Egberto Gismonti, Mônica Salmaso, Ná Ozzetti, Hermeto Pascoal, Yamandu Costa, Fabio Zanon e muitos outros. Que nem sei se usam lei rouanet… mas existem e fazem trabalhos inspiradores e reconhecidos internacionalmente, mas que muitos no Brasil não conhecem pq a mídia não se interessa.

            Poderiam diminuir ainda mais a verba, mas tomar essa decisão em 5h, desrespeitando todo um trabalho é uma grande perda para TODOS.

          • Pablo Dias

            A cultura não depende do Estado para existir.
            Uma festa junina de cidade de interior pode ser organizada pelos moradores ou pela igreja local. Um museu pode ser mantido por fundações independentes. Um livro pode ser escrito e entrar no mercado para “preservar a história” e um artista novato que tenha qualidade em qualquer área pode se lançar no mercado ou captar dinheiro por meio de crowdfunding.
            Quer incentivar financeiramente determinada manifestação artística? Sinta-se livre para tal. Essa é a beleza da liberdade individual e da livre associação.
            Só não exija o fazer às custas de outros utilizando um aparato estatal para ajudar a selecionar vencedores e perdedores.
            Aliás, tome cuidado com as suas citações. O tal “U.S. Department of Arts and Culture” é uma ONG, não recebe nenhum centavo do governo americano.
            E cuidado também com os espantalhos: nem o texto nem ninguém aqui está menosprezando a cultura como um todo. Só estamos dizendo que o governo não deve necessariamente se meter com isso.

          • Diego
          • Diego

            E a apresentação da cagada:
            http://www.teatroficina.com.br/events/282

        • Bom ponto de vista! Não se pode ser radical neste assunto. A Lei possibilita o financiamento privado e pode ser muito bem aplicado. Os criterios de selecao é que devem ser mais rígidos, pois sabemos que muitos são aprovados por um pedido especial de pessoas que nada entendem da relevancia daquele projeto e aí começa a bagunça…

      • Zé Siqueira

        Bom, se vc votou no Aécio o DEM estava na base de apoio o o ministro da Educação é do DEM. Postura de Pôncio Pilatos “eu não votei no Temer” mas possivelmente apoiou o impeachment.

        • Flavio Morgenstern

          Não votei por convicção, e sim por falta de opção. Voto sempre no menos pior. Então, não adianta tentar me culpar. Por mim seria bem diferente.

    • Luiz Ribeiro

      Sdds parágrafo

    • Lucy

      Olhando para as fotos do post, dá pra ver que essas “normas técnicas” devem ser bem rigorosas…

    • DANIEL RODRIGUES

      Falou tudo, resumindo, estas pessoas repetem tanta vezes a mesma mentira que acaba se tornando uma verdade, é fazem as pessoas acreditar que o governo que banca a lei rouanet. Parabéns rebateu muito bem um texto de achismo.

    • Maria Antônia Costa

      Parabéns pelo comentário foi mais esclarecedor do que o próprio artigo.

  • Parabéns Flavio! Seus textos são ótimos, e sua visão crítica tem uma ótica afinada com o pensamento contemporâneo, livre dos vícios enraizados na maioria dos formadores de opinião do Brasil de hoje. Sobre o ministério da cultura aí vai minha obra de arte: ” Mamata ´Finita Est” Ponto final.

  • Camila

    Uau!!
    Era tudo que eu queria ler sobre aquelas declarações estúpidas!

    • André

      Quando uma pessoa diz que no Brasil não há cultura, querendo, na realidade, criticar a cultura que sem aqui, rapidamente é corrigido com o argumento de que na realidade há sim uma cultura, mas a nossa própria cultura. Uma pena. Seria muito bom – e preferível – se essa pessoa tivesse razão e não houvesse cultura nesse país, ao menos, a aqui estabelecida.

      • Breno seles

        Tudo que tem qualidade se auto sustenta e sustentar artistas ricos não pode é nem deve ser a prioridade do Brasil. “Saúde e educação é progresso” juntos por uma economia melhor.

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