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O filme Aquarius foi lançado no festival em Cannes e causou polêmica imediata. Não pelo conteúdo do filme, de todo irrelevante para a questão: todo filme nacional, sobre a ditadura ou sobre os morros cariocas (com costumeiras referências à ditadura neste caso) é rigorosamente idêntico.

Tratou-se antes da atuação dos envolvidos na produção cinematográfica durante o lançamento em Cannes, aquele festival no qual um dia do ano fingimos que faz diferença nos outros dias do ano.

Maeve Jinkings, Sonia Braga, Carla Ribas, Kleber Mendonça Filho e Humberto Carrão (como todos os comuns mortais, só sabemos quem é Sonia Braga) fizeram cartazes em várias línguas afirmando que o Brasil “não é mais uma democracia”, que está sofrendo um “golpe” e alguns outros vastos argumentos complexos e originais para criticar o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

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Para o leitor pouco versado em línguas estrangeiras, traduzimos os cartazes:

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O filme de Kleber Mendonça Filho (à direita) recebeu dinheiro do BNDES e da Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco. Kleber Mendonça Filho ele próprio, além de ser beneficiário da Lei de Audiovisual em Aquarius, possui cargo que depende de nomeação federal: é Coordenador do Cinema da Casa do Museu, vinculada à Fundação Joaquim Nabuco, em Recife.

Kleber Mendonça Filho, o diretor do filme Aquarius, defende o PT e usa Cannes como um palanque político não para falar do seu filme, e sim afirmar que os 66% de brasileiros favoráveis ao impeachment da presidente mais impopular da história com uma carrada de crimes de responsabilidade e comuns em suas costas são “golpistas”.

Para Wagner Moura, isto é mera coincidência. Quem crê que o Ministério da Cultura só serve para entupir comunistas de dinheiro em troca de propaganda do PT, diz Wagner Moura, são uns malucos de extrema-direita. Como se vê olhando para a realidade, nada disso é verdade. Não é?

Mais uma vez, os recebedores de dinheiro público confundem “cultura” com eles próprios.

Crêem que a cultura nacional significa um filme como Aquarius receber dinheiro via Lei do Audiovisual para pagar até os lucros esperados dos seus “empreendimentos” – o que o público poderia fazer muito bem sozinho, mas como filmes como Aquarius costumam ser umas desgraças, aboletam-se em leis que obrigam o trabalhador a compras compulsórias, pagando pelos dividendos de filmes inúteis mesmo que não queiram vê-los, enquanto não tem dinheiro nem para saneamento básico.

Os “artistas” e jornalistas que os repetem chamam a isso de “investimento na Cultura”. Quando a mamata aos endinheirados é cortada, manchetes sobre “corte de investimentos” pululam por todo canto.

Eles continuam muito bem em Cannes comendo canapés e dizendo que o Brasil sofre um “golpe”, enquanto recebem dinheiro dos próprios supostos “golpistas” para lançar Aquarius (filme do qual ninguém fala por motivos de: who cares?) em sessão de gala. Os tais “golpistas” continuam morrendo na fila do SUS, amargando o pior desemprego e a maior crise em duas décadas, regredindo a padrões de vida pré-Collor.

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Não é que os “cineastas” e “atores” tão endinheirados estejam alheios a isso. O povo está nesta calamidade justamente porque tem de pagar o salário de tais atores. E jornalistas. E músicos. E sindicalistas. E toda a sorte de quem defende o PT e a esquerda como sacrossanto e vítima da “elite”. É a rouanetosfera. A blogosfera progressista. Os aboletados em cargos comissionados.

Não existe petista grátis.

O problema foi a campanha de boicote que foi feita ao filme. O brasileiro finalmente compreendeu que boicote funciona e é uma das bases morais que torna o capitalismo tão superior a sistemas de compras compulsórias e coletivas como a social-democracia e o socialismo: se sua consciência individual não concordar com um agente econômico, pode simplesmente se recusar a dar dinheiro para ele.

Um filme como Aquarius, entretanto, já foge à regra, por já receber o nosso dinheiro. O boicote, claro, faz sentido: não precisamos dar mais dinheiro a pessoas envolvidas no cinema que nos chamam de “golpistas” e fazem o Brasil passar vergonha perante o mundo com propaganda partidária obrigatória. Ademais, ninguém sabe do filme, mas já se pode ter quase certeza de que não é lá essas coisas.

Mas o maior problema com a campanha de boicote a Aquarius, que fez a hashtag #BoicoteAquarius ficar entre os assuntos mais comentados no Twitter é justamente sua base: ninguém veria esse filme de toda forma. As únicas propagandas que o filme possui são as estatais, que ninguém liga, e as polêmicas.

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Se antes os 9% de apoiadores de Dilma Rousseff e do PT teriam simplesmente se esquecido do filme, agora já o estarão a elogiar e lotando romisetas indo dos Centros Acadêmicos até os cinemas para fazer com que ele tenha talvez umas 5 dezenas de milhares de telespectadores.

Transformaram o filme num sucesso absoluto da rouanetosfera antes do lançamento.

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