cultura-de-estupro

“O mundo está surdo das cadências. Tenho a convicção de que os acontecimentos absolutamente não acontecem mais, mas de que os clichês continuam trabalhando automaticamente. Se, ainda assim, os acontecimentos devessem acontecer, sem serem intimidados pelos clichês, eles cessariam quando os clichês fossem destruídos. A coisa começa a apodrecer a língua. O tempo já cheira mal dos clichês”. (Karl Kraus)

O aforismo de Karl Kraus é um retrato fiel de nossos tempos. Atualmente os fatos disputam espaço com as narrativas, que se utilizam dos fatos para alcançar determinados fins. Quando as narrativas substituem integral e sistematicamente os fatos a fim de servir a interesses escusos, podemos dizer que se transformam, nos termos de Kraus, em clichês. As mentiras são tão seguidamente propagadas que chega um momento em que “o clichê e a coisa são uma coisa só” (Kraus).

Se atentarmos para o procedimento de revolucionários esquerdistas em geral (feministas inclusas), percebemos claramente que são os maiores propagadores de clichês da história da humanidade. No Brasil, por exemplo, há pelo menos 50 anos esses falsários conduzem a História por meio de clichês. Mas isso tem uma explicação. Os revolucionários, em seu fanatismo pela novidade (Andrei Pleșu), são amputados espirituais. São, de acordo com Eric Voegelin, “pneumaticamente doentes”, e vivem em conflito com a Realidade concreta, chamada por ele – com um termo emprestado do escritor Robert Musil – de Primeira Realidade. Por esse motivo, passam a construir suas narrativas a partir de uma Segunda Realidade: o reino das Ideologias que a tudo “soluciona” por meio de discursos inócuos, mas que, politicamente, têm aparente consistência.

Trata-se de um jogo de cena e, sobretudo, um jogo de linguagem – o primeiro alvo das ideologias[1]. Por isso as reações aos fatos que lhes servem não passam de histeria, de tentativa de impor seus clichês e direcionar a opinião pública. E imediatamente uma turba onipresente de ideólogos palpiteiros se coloca à disposição da imprensa para fornecer a interpretação mais ordinária que existe, e que servirá integralmente à sua agenda macabra de falseamento da realidade e produção de aberrações como essa:

bbc-cultura-estupro

Ou ainda piores como essa:

dcm-dilma-estupro

É a esse tipo de expediente que serve o clichê “Cultura do Estupro”: criar uma narrativa de vitimização buscando a empatia do leitor e, consequentemente, a imposição de pautas revolucionárias. A insistência em inocentar criminosos e culpar um ente abstrato – a Sociedade – tem como finalidade manter o ambiente revolucionário sempre ativo e atuante. Não é preciso que estupradores sejam, de fato, punidos pela hediondez de seus crimes, mas que toda a sociedade seja culpada e sinta-se devedora da moral elevada dos justiceiros sociais da esquerda. Portanto, produzir clichês é parte fundamental do pseudossistema revolucionário, pois, como nos diz Voegelin, “já que a realidade não tem o caráter de um sistema, um sistema é sempre falso; e se diz retratar a realidade, só pode ser mantido com o truque de uma trapaça intelectual”[2].

Ou seja, esquerdismo é trapaça, fruto da estupidez criminosa de ideólogos irresponsáveis e sedentos de poder. E tais estupradores da realidade devem ser condenados juntamente com os monstros que violam corpos.

[1] “As ideologias destroem a linguagem, uma vez que, tendo perdido o contato com a realidade, o pensador ideológico passa a construir símbolos não mais para expressá-la, mas para expressar sua alienação em relação a ela”. (VOEGELIN, Eric. Reflexões autobiográficas. É Realizações, p. 39. Trad.: Maria Inês de Carvalho).

[2]Eric VOEGELIN, Hitler e os alemães. Trad.Elpídio Fonseca. São Paulo: É Realizações, 2008, p. 146.

Contribua para manter o Senso Incomum no ar se tornando nosso patrão através de nosso Patreon – precisamos de você!

Não perca nossas análises culturais e políticas curtindo nossa página no Facebook 

E espalhe novos pensamentos seguindo nosso perfil no Twitter: @sensoinc

Saiba mais:









  • Fernando Farias

    acho que nunca li tanta besteira na minha vida escrita de maneira tão pedante. não adianta nada fazer um monte de citações se você ignora a realidade de que centenas de mulheres são estupradas todo dia. reconhecer que a sociedade não faz quase nada ou nada pra mudar essa situação e diminuir os casos de abuso/assédio não tem nada a ver com “esquerdismo”, seja lá o que isso signifique.
    seria melhor voltar todo esse esforço que você faz em negar a realidade pra tentar se aproximar mais dela e contribuir pra evitar que a cultura do estupro faça mais vítimas. com certeza seria mais útil.

  • Cesar

    Brilhante e preciso como um sniper.

Sem mais artigos