A senadora Gleisi Hoffmann perdeu as estribeiras e mandou Janaína Paschoal "se calar". O PT é o novo "Você sabe com quem está falando?"

Gleisi Hoffmann, que deveria estar mais calma no dia em que Dias Toffoli mandou tirar seu marido da cadeia, perdeu o controle e mandou a advogada Janaína Paschoal, nossa colunista e autora do pedido de impeachment de Dilam Rousseff, “se calar”.

Veja vídeo do surto, seguido de repetidas lições de moral:

Gleisi Hoffmann, como se vê, não parece tão tranqüila com a soltura do seu marido, Paulo Bernardo, preso por roubar mais de 70% do dinheiro de vários aposentados honestos e trabalhadores da nação. A falta de calma possui explicação: a soltura não se deu pela letra da lei, mas a mando da decisão de Dias Toffoli, ex-advogado do PT que, todos sabem, só foi alçado ao STF graças à sua filiação ideológica e pela leniência do Congresso em fazer sabatinas verdadeiras a indicados pela presidência. Como Gleisi também é investigada pelo mesmo roubo, talvez seja cedo para comemorar.

Todavia, o siricutico da senadora exige mais do que hormônios fora de ordem ou marido vendo o sol nascer quadrado – dado o nível das preocupações de petistas nestes dias. Tem muito mais a ver com a ideologia do PT.

Gleisi Hoffmann tenta fazer seu cala-boca através de uma carteirada: arroga-se o fato de ser senadora (cujo grande trabalho é receber dinheiro do trabalhador brasileiro para tentar fazer com que Dilma Rousseff retorne ao poder), enquanto a advogada, proponente do impeachment, não é.

É uma situação delicada: Gleisi Hoffmann é a senadora com pior avaliação da história do Paraná. O impeachment é apoiado por 66% dos brasileiros (e isto segundo o Datafolha). Gleisi, ao arrotar suas credenciais, ancoradas supostamente em apoio popular, deveria lembrar que até seus vizinhos aplaudiram a prisão de seu marido. Que não consegue mais andar por um aeroporto natal sem ser xingada. Janaína Paschoal, na outra mão, não consegue andar normalmente por tantas mensagens de apoio.

Very poor choice of words.

Para piorar, o Senado, Câmara Alta do Parlamento bicameral brasileiro, deveria ser o lugar de mais elevadas conversações do país. Parlamentar é, justamente, falar, conversar. Se Gleisi Hoffmann não é levada a sério em questões técnicas, definitivamente é por uma deficiência em suas qualificações factuais, que já fizeram até o procurador Julio Marcelo perder a paciência com suas “perguntas” sem nexo causal, sem ter para onde ir, sem substância e significado.

Se Gleisi Hoffmann escolhe mal a carteirada pela forma, portanto, escolhe ainda pior pela substância: está no lugar errado, invocando o apoio errado, pedindo algo errado pela razão errada. Nem mesmo os petistas, que defendem até as grosserias de Lula envolvendo a facilidade de ativação do clítoris de petistas, defenderam Gleisi. A famosa “Narizinho” acabou entrando para o rol dos raros tabus para petistas, como Dias Toffoli e Celso Daniel.

Além da bela lição dos próprios colegas senadores de Gleisi Hoffmann, também a própria Janaína Paschoal, se portando como a lady que é, demonstrou completo auto-controle, esperou a poeira baixar apenas para lembrar: este comportamento brasileiro de “Você sabe com quem está falando?” é que colocou o país nessa situação. Se Dilma – e Gleisi – só possuem apoio entre pessoas pouco estudadas ou pelo rol de apatetados pela ideologia ou pelo dinheiro de sinecuras, é justamente por se distanciarem do povo e da realidade do dia a dia, do certo e errado, da labuta e suor aqui no rés-do-chão, da faina diária para se fazer o certo e evitar o errado.

Para Dilma Rousseff, Gleisi Hoffmann e a petistada de sobrenome europeu complicado, tudo virou práxis do partido, confundido com o próprio Estado. O berço do totalitarismo, como o sabem de Hannah Arendt a Bertrand de Jouvenel.

E essa turma “Eu sou senador e tenho direito a falar, você fique calado” que assevera ter “lutado contra a ditadura”…

Gleisi poderia ter passado sem essa. Como quando comentou sobre os ministros caídos de Michel Temer, o que a tornou motivo de chacota sem resposta no Senado:

Por acaso nas antigas aristocracias européias, ou nos países que possuem tradição de política conservadora, algum líder precisou dizer “Cale-se, eu sou político” para conseguir ter respeito? Ou, pior, para conseguir defender algum colega de perder o mandato ou ir preso?

Margaret Thatcher, Václav Havel, Ronald Reagan, Theodore Roosevelt, Konrad Adenauer, Lech Wałęsa, Viktor Orbán, David Cameron, Martin Luther King III, mesmo lideranças discutíveis de conservadorismo ainda mais discutível, como George W. Bush ou Angela Merkel, alguém já precisou fazer isso?

Gleisi Hoffmann deveria aprender a lição de Margaret Thatcher (apelidada tanto de Maggie quanto de Dama de Ferro, apelidos que a Narizinho só poderá invejar): Ser poderoso é como ser uma dama. Se você precisa explicar que é, é porque você não é.

Perdida num caleidoscópio de ideologia petista-trabalhista-socialista-populista, Gleisi Hoffmann, que nunca precisou trabalhar senão para ganhar cargos e poder dentro da militância do PT, se perde num jogo de espelhos, crendo ser alguém que pode gritar “Cale a boca!” e ser respeitada, quando a única pessoa que é obrigada a se calar sobre o fato é ela própria, assim que a vergonha é desnudada e ela já não pode mais contar com a obediência cega e instantânea dos partidários ideológicos.

Urge notar que em presídios tal comportamento não costuma render um futuro muito glorioso.

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  • Rafael

    Janaina que tem se comportado como senadora, mas enfim…

  • Francisco Javier Solanich Rold

    Ui! A última frase doeu!!!

  • Lucília Simões

    Meu comentário anterior desapareceu…

  • Le Zuero

    Sai mais um ministro que se demite

    No governo anterior eles entravam justamente por que estavam sendo investigados.

    Porra Morga, com os disqus habilitado não saio mais daqui.

  • Jérôme Thibault

    Uma correção: o cala-boca de Hoffmann antecedeu a revogação da prisão de Paulo Bernardo, portanto a explicação para a “falta de calma” da senadora não pode estar relacionada à soltura de seu marido.
    Continue o bom trabalho!

  • Lucília Simões

    Antes de tudo, o site está muito bonito! Parabéns! Vocês merecem sempre mais! (apud McDonald’s).
    .
    Crazy Hoffmann só leva fora, é de uma incompetência tipicamente petista.
    Cabe perguntar-lhe por que não se auto-afirmou como senadora quando vaiada no aeroporto?
    .
    A política nacional é uma novela: vai e volta, prende e solta, diz que a casa caiu e nunca cai… injustiças do judiciário e cosi via. Dá um desânimo… Todas as manifestações gigantescas e pacíficas parecem ter sido pouco, acho que precisamos de algo com mais substância.

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