O Porta dos Fundos se intitula um portal de "humor", mas é apenas um grande modelo de negócios. Quem afinal já RIU com Porchat e Duvivier?

O filme “Contrato Vitalício”, do portal Porta dos Fundos, que reúne gente famosa por ser famosa que nunca fez nada na vida além de filminho de Youtube, foi um fracasso vergonhoso. Teve liberação de R$ 7,5 milhões via Lei Rouanet, mas só conseguiu vender 375 mil ingressos em 3 semanas em cartaz.

Como relata a Folha Política, um outro filme brasileiro, “Um suburbano sortudo”, estreou com o dobro da audiência, chegando perto de 800 mil espectadores. Na última semana, o filme do Porta dos Fundos teve 14 mil espectadores com todo o aporte de R$ 7,5 milhões. Nosso humilde site, sem um centavo de dinheiro público, teve cerca de 20 vezes isso.

O Porta dos Fundos sofre do que os gregos chamam de hybris, uma arrogância fatal, um comportamento além do humano, como se tivesse poder sobre o destino, a natureza ou as leis universais.

Como um canal de Youtube com videozinhos de 2 minutos, alguém pode até assistir Porta dos Fundos na falta de algo melhor. É assim que funciona 99% da audiência do negócio: gente querendo enrolar no trabalho, já tendo vivido uma situação parecida com a que eles retratam, mostrando o vídeo para os colegas para não ter de falar de algo relevante para a própria vida o tempo integral de seu horário comercial.

É a famosa “Nothing Box” que o humorista (este sim) Mark Gungor relata que existe no cérebro masculino: o lugar preferido dos homens, um lugar de nada. Se homens pudessem, iriam para a Nothing Box o tempo todo. O que mais querem é se esvaziar da realidade.

Adicione-se ao fato do Porta dos Fundos ser apenas uma Nothing Box a política: seus videozinhos não são engraçados. São apenas passatempo, mas se tornam cada vez mais propaganda partidária, num país contaminado de A a Z pela onda esquerdista.

Seus videos não são exatamente feitos para alguém rir: são feitos como tática de ataque. Foi a estratégia de marketing para seu modelo Nothing Box não cansar. Ao invés de esvaziar a cabeça no escritório, seus vídeos agora servem para que alguém de esquerda, ou mesmo petista, tenha algo o que dizer, mesmo pós-impeachment e com todo o falhanço do projeto progressista.

Se a esquerda na vida real significa centenas de milhares de venezuelanos correndo pela fronteira com a Colômbia para buscar comida, ou os bilhões e bilhões roubados do trabalhador brasileiro pelo PT para gerar uma crise brutal, basta sacar o gasto tripé machismo-homofobia-racismo para fazer um videozinho reducionista e o Porta dos Fundos ganhar uns compartilhamentos.

As pessoas comentando “KKKKKKKKK” nos vídeos do Porta dos Fundos não estão, de fato, rindo: estão apenas concordando com a visão idílica, pueril e reducionista do grupo, e compartilhando para tentarem se justificar, confirmar que ainda possuem motivo para acreditar cegamente em suas superstições, mesmo que toda a vida real ao redor mostre que aquilo são apenas explicações fáceis com conceitos reduzidos, e não a doce e difícil desilusão das fantasias adolescentes, que, superada, cria novos conceitos, visões mais abrangentes e a dor de admitir que seu aparente adversário estava correto – este processo que caracteriza a maturidade.

O Porta dos Fundos é um excelente modelo de negócios. Sua propaganda anti-capitalista vende que é uma beleza. É Excel puro: a demanda do Brasil é por gente rica e descolada pagando de minoria e criticando a compra e venda como forma de enriquecer, então estão eles enriquecendo tendo como oferta um monte de gente rica e descolada pagando de minoria e criticando a compra e venda como forma de enriquecer.

É a maravilha do capitalismo: neste sistema, você pode ficar rico falando mal do capitalismo. Na social-democracia, o dinheiro dos trabalhadores é transferido para os companheiros do governo, mesmo improdutivos, através de mecanismos como a Lei Rouanet. E no socialismo, eles te matam.

Basta lembrar de Fabio Porchat reclamando de ninguém querer ver seu outro filme, exigindo lei para percentual de filmes nacionais e o público ser obrigado a assistir o que não quer assistir – e sua conta bancária, por mera coincidência, acabar sendo a maior beneficiária do “incentivo à cultura”. Pro domo sua.

Fabio Porchat, lançamento de "Contrato Vitalício", filme do Porta dos FundosMas, fora ser uma empresa rentável, o Porta dos Fundos não é nada além de propaganda e uma Nothing Box que já se tornou mais chata e repetitiva do que propaganda de cerveja. Ele não é engraçado: no máximo, útil para pessoas ricas e descoladas se sentirem pobres, revolucionárias e contrárias a injustiças sociais pré-fabricadas. Além, claro, de poder fazer filmes ruins e não precisar pagar o prejuízo: deixe que o dinheiro do pagador de impostos brasileiro faça isso, e que eles “lucrem” mesmo sem conseguir vender o seu produto.

Isto funcionaria com vídeos gratuitos de 2 minutos e os botões “Curtir” e “Compartilhar” de redes sociais. Agora, mesmo que não seja colocado em palavras, instintivamente o próprio público do Porta dos Fundos sabe que um filme dos assim chamados “humoristas” deve ter tanta graça quanto um velório, o Zorra Total, o programa do Marcos Mion, a Voz do Brasil ou o boletim do trânsito. Até um filme da Praça É Nossa parece mais promissor.

É a hybris de empresários trabalhando com jovens descolados achando que são artistas. São ótimos para lucrar, são ótimos para arrancar dinheiro do público antes mesmo de o público querer ver seu filme via Lei Rouanet. Mas para fazer o público dar uma risadinha em seu filme e recomendá-lo para os melhores amigos, inclusive os riquinhos esquerdistas de Vila Madalena? Aí faltará a coisa que o Porta dos Fundos menos tem: graça.

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  • Detetive Dogue

    Bem, sei que esse POST é antigo mas mesmo assim vou opinar, não gosto do Porta dos Fundos, principalmente por causa daquele vídeo que eles fizeram chamado “Dura” em que “criticam” os policiais, de forma desrespeitosa e humilhante e pior ainda é ver os comentários de gente ingrata que compactua com esse tipo de ideia, sério me deu desgosto de ver aquilo, os policiais deveriam ser vistos com mais gratidão pela sociedade e um vídeo merda daqueles serve apenas para denegrir a imagem desses profissionais

  • Hyuriel Constantino

    Flavio, conheci esse site hj e idem para os seus textos.

    Vc só bota “padudê”, hein?! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk…

    VTNC! kkkkkkkkkkk… Brilhante! xD

  • Márcia

    Os 375 mil espectadores pagaram o ingresso com dinheiro do próprio bolso ou foram subsidiados pela Lei Rouanet?

    • 375 mil pessoas é a população de uma cidade média do interior paulista, ou seja, o filme fracassou, deu prejuízo. O problema é que eles não amargaram os prejuízos, pois o projeto foi concretizado com dinheiro dos pagadores de impostos.

  • Majin-boo

    Então, no final eles devem ser proibidos de fazer filme?
    É um canal de humor, alguns gostam e outros não. Quiseram arriscar um pouco e fazer um filme, pois não é esse o ponto de quem tem uma empresa? Tentar, errando ou acertando, aumentar a empresa. Acho engraçado o ‘haterismo’ que gira em torno de coisas que são entretenimento. Se o Porta dos Fundos é ruim, problema deles, clique ali no botão fechar e pronto. Se eles fizeram um filme que você não gosta? Não compre o ingresso e pronto. Eles são boçais? Não dê bola para eles e pronto.
    É só um canal fazendo seu empreendedorismo. Deixa seu hate e o PdF de lado que assim você dá menos audiência para eles.

    • Eles podem arriscar o que quiserem desde que não contem com o dinheiro do erário pra isso.

  • Alan Leotério

    Não gostar do Porta tudo bem mas associá-los a esquerda é sem noção de mais. Está parecendo exatamente o que a “esquerda” brasileira faz: se não gosta, demoniza, desmerece. Acho que a discussão deve pautar o respeito e não inverdades. Peço encarecidamente que o autor traga algo válido ao debate, não afirmações vazias, o Porta não é esquerda, nem direita, nem católico ou evangélico, essa rotulação fútil faz muito mal e por conta do “nós e eles”, de um certo ex-sindicalista sem dedo, que o país se encontra divido, intolerante e hostil.

    • Eleven

      Fazer piadas contra a Polícia Federal e pró-PT é o quê agora? Direitismo?

    • Anônimo

      Dois dos principais responsáveis pelas pautas dos grupo (Duvivier e Porchat) são assumidamente pró-PT, o grupo já fez vídeos contra a Polícia Federal e Bolsonaro, já fizeram pelo menos cinco vídeos escarnecendo cristãos e Deus, nunca tiraram saro de gayzistas ou feministas. Mas “associá-los com a esquerda é sem noção demais!” Tem gente que gosta de ser feita de otário.

  • Fábio Lavratti

    Me recuso a comprar qualquer coisa que esses chatos se atrevam a fazer propaganda.

  • Le Zuero

    Alguns vídeos até são engraçados. Mas agora que a politicagem tomou conta até do humor, tá difícil achar graça em alguma coisa.

  • ACES HIGH

    O único vídeo desses caras que assisti e achei engraçado foi o “Reunião de emergência”, que creio que foi o produto que deu visibilidade para esse grupo. Depois disso revelaram-se como agentes de um “modelo de negócio” perfeitamente exposto pelo Flavio neste artigo.

    Atualmente já nem aguento mais olhar para as fuças de canalhas como Fabio Porchat e Gregório Duvivier, militantes decadentes e agentes da engenharia social progressista disfarçados de humoristas.

  • Azulnauta

    Gosto muito de ver o PdF, mas nunca tinha pensado que afinal o meu gosto…não passa de um pequeno escape na minha semana! Apenas vejo os vídeos quando não tenho mais nada para fazer e este artigo fez-me aprecia-los de outra forma!

  • Rafael Scofield

    Não concordo com o artigo, acho muitos videos engraçados e muitos videos uma bosta, mas rir de coisas da vida não é apoia-las ou se confornar com elas assim como indigna-se com tudo não é mudar o mundo. Se o PDF e capitalista parabéns para eles. O mundo é capitalista ekes só estão fazendo do jeito rentável.

    • fausto atilio

      O Flávio deu-nos a impressão na nada tem graça no PDF. Ou seja, uma grande mentira. Os caras são o maior canal do YB justamente pq tem muita coisa engraçada lá, apesar das bostas.

  • Rose

    Nós, brasileiros, rimos de qualquer porcaria; não somos nada, nada, exigentes, ao contrário

    • fausto atilio

      Ora ora. Quando a porcaria é engraçada, o que temos de fazer – chorar ?

  • Ricardo Bordin

    Desde Getúlio Vargas, a Esquerda adota esta tática de cooptar “artistas” e “intelectuais” a seu favor. Alguém apenas querem o Estado como guarda-chuva para sua falta de talento, mas outros acabam virando comunas mesmo.
    https://bordinburke.wordpress.com/2016/07/20/o-bloqueio-do-whatsapp-x-a-liberacao-de-crimes/

  • CeciBon

    Até que enfim achei alguém que não acha graça nesse grupo de babaquinhas esquerdistas! Aliás, o humor brasileiro é de uma chatice ímpar. Os programas ditos humorísticos do gnt, p.ex, são a coisa mais idiota que já vi! Nem um sorriso sequer conseguem arrancar de mim. O Silvio Santos com suas tiradas consegue ser muito mais engraçado!

    • fausto atilio

      Sei. A premissa pra ser engraçado é não ser babaca, nem esquerdista eeeeee, nem brasileiro. Exceto o Silvio, claro. Tenha dó.

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