Janaína Paschoal, autora do pedido de impeachment, manda recado aos admiradores antes das últimas batalhas no Senado e nas redes sociais.

Facebooktwittermail

O processo de impeachment continua em curso, em procedimento muito mais minucioso e garantista que aquele previsto pela lei e aplicado ao ex-presidente Fernando Collor.

De fato, muito embora a defesa insista na infundada tese do golpe, não há como deixar de reconhecer que nenhum outro mortal teve assegurada a benesse de ouvir quarenta testemunhas de defesa e enviar carta para ser lida no momento do interrogatório.

Regalias a parte, o importante é que a produção probatória deixou evidente que os crimes de responsabilidade atribuídos à Presidente afastada foram mesmo praticados, valendo destacar que até as testemunhas de defesa confirmaram os delitos. Isso sem contar a perícia, pela qual a defesa tanto brigou.

Conforme aduzimos em audiência, fosse verdade que a perícia exculpara a denunciada, não haveria razões para a defesa questionar e confrontar tanto os peritos, seja oralmente, seja por escrito.

A esse respeito, importante lembrar que enquanto a acusação não apresentou nenhuma objeção ao laudo pericial, a defesa deduziu mais de setenta impugnações; e ao passo que a assistente técnica da acusação corroborou as conclusões do laudo, o assistente técnico da defesa (que é advogado de Dilma Rousseff junto ao TCU), redigiu 90 páginas, criticando o laudo pericial.

Não obstante, o PT continua alardeando que o processo teria demonstrado a inocência da denúncia. Nota-se que tal grupo continua acreditando que uma mentira repetida muitas vezes se transforma em verdade. Infelizmente, por muitos anos, essa terrível estratégia deu certo; porém, não mais!

Impossível antecipar como será o julgamento político; entretanto, sob o ponto de vista jurídico, a única decisão possível será mesmo a condenação.

Mas o que me estimula a escrever este pequeno texto, hoje, aproveitando o precioso espaço no Senso Incomum, é uma preocupação, que desejo dividir com os leitores.

Como todos sabem, eu não tenho Facebook e também não tenho Twitter, situação que, muitas vezes, me deixa um pouco alienada relativamente ao que ocorre no mundo virtual. Sempre que aparece um Twitter fake em meu nome, eu digo para mim mesma que vou criar um oficial, mas as obrigações se sucedem e eu nunca tomo uma providência a respeito.

No entanto, os muitos amigos que fiz, desde que apresentei a denúncia em face da Presidente, têm escrito, denunciando que os apoiadores do PT estão recrudescendo o discurso, fazendo crer que ações pouco ortodoxas poderão ser adotadas.

Eu preferi não assistir os tais vídeos, mas os relatos coincidem com correspondências que tenho recebido e mesmo com o ataque que sofri no aeroporto de Brasília, curiosamente compartilhado e elogiado, na página oficial do PT.

Pois bem, àqueles que comungam das minhas convicções, eu peço: calma!

Estamos em um gigantesco processo de depuração, estamos armados com a Constituição Federal e a lei. Há um ano, ninguém acreditava que conseguiríamos o que estamos conseguindo.

Como eu já disse e reitero, estamos operando uma revolução sem armas e sem sangue. Mais do que a própria perda do poder, esse fato incomoda. Daí o acirramento dos discursos. É desesperador perder o poder para pessoas que não querem nada além de fazer valer o que é certo.

Sujeitos que estavam acostumados a negociar, a lidar com a ambição, a vaidade e o medo; repentinamente, são convidados a enfrentar a palavra e o ordenamento jurídico. Eles estão sendo obrigados a lidar com a verdade.

Caros leitores, quando forem provocados, instigados, ofendidos e até ameaçados, respirem. Lembrem que nós somos 90 (noventa) por cento da população. A imensa maioria que trabalha, gera emprego, paga impostos e não quer nada além de um país mais justo, inclusive, para os filhos dos 10 (dez) por cento que nos atacam.

Essa revolução só surtirá efeitos se for operada pelos métodos corretos. Em oposição aos discursos de ódio, nós fazemos um discurso de amor, primeiro, às pessoas, em segundo lugar, à Pátria.

Em resposta à doutrina da cisão, nós pregamos a união. Para mostrar que não é verdade que as mudanças só ocorrem pela violência; precisamos, aos poucos, convencer os mais jovens que são os livros que fazem toda a diferença.

Já perdi a conta do número de e-mails, cartas e mensagens que recebi, desde que o processo de impeachment se iniciou. Grande parte dessas correspondências vem de jovens. Até uma criança de 8 (oito) anos me escreveu.

Esses jovens têm dividido comigo suas aspirações e, invariavelmente, escrito que voltaram a confiar no Brasil. Muitos decidiram estudar Direito, outros tantos se sentem estimulados a entrar na política, pois passaram a acreditar que pessoas honestas também (e principalmente) devem trilhar esse caminho.

Fazer nascer esse sentimento já me torna uma vitoriosa. Por anos, a fio, vi nossa juventude beber e se drogar, sem perspectiva e sem rumo. Os partidários do materialismo, que tem imperado nas últimas décadas, construíram teses jurídicas para referendar essa alienação, tão interessante para grupos oportunistas e ditatoriais, que querem se manter no poder a todo custo.

Para libertar nosso país desses grupos, temos que manter a mente limpa, temos que incentivar a leitura dos clássicos, o estudo, para que nossos jovens, no futuro próximo, estejam preparados para ocupar os cargos importantes e reconstruir a nação.

Tudo o que nossos algozes querem é que nos percamos em brigas, em disputas, em confrontos estéreis.

Olhem para a Venezuela. Lá, para justificar a prisão de líderes pacíficos, desordeiros foram infiltrados, visando estabelecer a luta.

Seja por força do que é ético, seja por inteligência, peço àqueles que estão comigo que não entrem no jogo de quem quer nos desestabilizar. Se assim procedem é porque estão perdendo.

Se for difícil deixar de revidar, saiam da rede; desconectem. Deixem que falem sozinhos.

É hora de focar no positivo! E o positivo é um país de almas e mentes livres.

Que esbravejem no mundo virtual! Nós estamos mudando o mundo real!

Janaina Conceição Paschoal, com muito amor ao Brasil.

Contribua para manter o Senso Incomum no ar se tornando nosso patrão através de nosso Patreon – precisamos de você!

Não perca nossas análises culturais e políticas curtindo nossa página no Facebook 

E espalhe novos pensamentos seguindo nosso perfil no Twitter: @sensoinc






  • Charly Stimpson

    Pode ter certeza que enquanto a esquerda doutrina infelizmente jovens para serem idiotas, zumbis e frescos, Você inspira eles a serem o oposto. inspira Jovens a buscar verdade, o conhecimento e a confiar de novo no brasil, porque desculpe o termo mas está foda…

    Entretanto, cada dia surge um nome como: Janaína Paschoal, Gleisi Hoffmann, Sergio Moro… e renova um pouco essa esperança.
    Termino meu humilde comentário citando o grande mestre Olavo:

    “Não há covardia mais torpe que a covardia da inteligência, a burrice voluntária, a recusa de juntar os pontos e enxergar o sentido geral dos fatos”

    “„Tenho vergonha de pertencer a um povo que elege presidente um amigo das FARC.“

  • Pingback: Paschoal Advogados » Janaína Paschoal: A verdadeira conquista()

  • Jorge O.

    Janaína Paschoal é uma intelectual que consegue se expressar com clareza de forma técnica e também dosar a emoção quando necessário. Além disso, tem uma exímia agilidade de pensamento como debatedora. Ela já tem espaço na história no Brasil.

    Dra. Janaína, muito obrigado pelo seu esforço e dedicação para a manutenção da democracia brasileira. Você teve coragem de encarar esse desafio nadando contra diversas e perversas correntes de pensamento. Correntes que tentaram destruir a democracia brasileira de dentro para fora, e as que desejavam dilapidá-la de fora para dentro. Você é um exemplo para as novas gerações de brasileiros e a prova de que podemos salvar o Brasil respeitando a república.

  • Eleven

    Essa mulher é sensacional!

  • Márcia

    Janaína, você é uma pessoa admirável e está fazendo um bem imenso ao nosso país.

  • João Luiz Tavares

    Bom…, a questão não é maravilhosa em nosso país. No entanto sentimos e sabemos que DILMA foi e é ruim mesmo como estadista e articuladora. Se se compara, Temer é solarmente melhor (e nesse caso é bom com-parar mesmo!). Mas há mulheres fabulosas. Muitas delas são MULHERES heroínas. Algumas são apagadas. Outras esquecidas. Uma das esquecidas é Janaína Paschoal (pelo menos pela mídia em geral). Eis:
    Campeã mesmo (no bom sentido) é ver Janaína Paschoal enfrentando Gleisi Hoffmann. Como uma atleta. Veja:
    Puxa vida! Dra. Janaína Paschoal (de verdade, não é apenas professorzinho(a) doutor de USP não, com teses defasadas e autoritárias) Janaína Paschoal, com inteligência, bom senso, modernidade, cabeça AREJADÍSSIMA, fez o golaço de Marta Suplicy e de Senador Romário para cima de Gleisi Hoffmann. Sete a um (7×1) para Janaína Paschoal!

  • Ricardo Bordin

    Derrotar o PT é essencial, mas somente pela inclusão de conceitos Liberais e Conservadores em nossas escolas teremos uma vitória de de longo prazo. Deparei-me, esta semana, com um professor que representa um caso concreto de como seria a Escola Sem Partido:
    https://bordinburke.wordpress.com/2016/07/21/escola-sem-partido-um-caso-concreto/

  • ACES HIGH

    Texto esplêndido, Janaína.

    Que o Brasil vire essa página nebulosa de sua história onde mulheres como Dilma Roussef, Gleise Hoffman e Jandira Feghali são apresentadas como expoentes da participação e inclusão da mulher na vida política brasileira, e que daqui para frente mulheres como você, Beatriz Kicis e Joyce Hasselmann, verdadeiras heroínas e patriotas, passem a ser a referência para as novas gerações.

Sem mais artigos