Qualquer pessoa com QI acima de 12 está pouco se lixando para MC Biel. Mas ele revela um fenômeno importante: a esquerda envergonhada.

Eu não sei quem é MC Biel. Espero que você também não saiba. O elemento se chama “Biel”, o que já é motivo o sobejante para o pai ter ido comprar cigarro e nunca ter voltado. O nome faz o sujeito, não o contrário. Já lembrava Nelson Rodrigues que Napoleão haveria de ter um destino napoleônico.

E Biel é MC. Eu também não sei direito o que é um MC, mas me lembra algo envolvendo entorpecentes, incapacidade de regência, maloqueiro se achando o fodão por ser um quase bandido ou ex-bandido e ganhar a vida na chincha enquanto seus vizinhos de quebrada ralam e suam carregando esse país nas costas e ele continua à pampa, vivendo de bancar o ladrão rico que bota medo no pedaço.

Há uma corrente política dominante no Brasil chamada esquerda. Ela protege o bandido MC, nunca o pobre trabalhador honesto que gosta de churrasco, igreja evangélica e acha que casamento gay é coisa do capiroto.

MC Biel parece ter tido problemas recentemente. O que levanta a mais urgente das questões dos nossos tempos: “E o Kiko?” OK, a resposta correta para essa e qualquer outra questão já aventada por um ser humano pode ser sempre “Foda-se o Biel”, dá pra gabaritar a Fuvest facinho com essa e fazer coluna do Porchat no Estadão, mas resistamos à tentação por um momento para analisar o caso no microscópio das ideologias.

Escreveu nosso amigo Ícaro de Carvalho no Facebook:

Biel achou que seria o Justin Bieber brasileiro, batendo carros caros e cheirando cocaína nas baladas finas da zona sul. O seu maior erro foi ignorar o fato de que a esquerda monopoliza todos os meios de comunicação, a indústria áudio-visual, fonográfica e os seus meios de distribuição.

Se ele tivesse sido pego puxando farinha ou fumando um fino, estaria tudo bem. Talvez ele até saísse na revista Piauí, em uma entrevista ao lado do Wagner Moura. Aquele negócio da droga para uso, manifestação artística e contra a opressão. Mas, não. Ele foi assediar uma menina.

Menos de quarenta e oito horas depois, algumas prefeituras cancelaram os shows que ele faria em suas cidades. A rede Globo jogou para frente a sua aparição no Faustão; isso fez com que ele emitisse um pedido de desculpas. Por trinta dias parecia que tudo havia sido resolvido.

Eis que, um mito da militância de esquerda, decide voltar ao início do seu Twitter e dar uma olhada o que tem por lá. E o que tem? Dezenas de mensagens xingando velhos, mulheres, artistas da Globo e todo tipo de coisa. Atitude de moleque. Ai foi a gota d’água.

Essa semana, a gravadora rescinde o contrato com ele. Provavelmente pediu para que ele sumisse por dois anos ou três, que voltasse mais maduro, evangélico ou com um discurso de esquerda em favor da causa social. Toda a equipe deve ter sido afastada – lindo trabalho eim, Social Media? Nem do Twitter do menino você tomou conta! – e a mãe deve ter mandado ele voltar aos estudos enquanto passa por essa geladeira.

O menino é um babaca, mas a sua equipe falhou miseravelmente. Comunicadores, marqueteiros e, principalmente, o socialmente. Biel era uma marca de alguns milhões por mês. Vai perder 90% desse caixa, tranquilamente. Ninguém vive de direitos autorais, aqui. Talvez lance um livro ou vire Youtuber.

Persiste a dúvida? Quem é Biel? Persiste a resposta: foda-se o Biel. Mas Biel involuntariamente expôs in true colours a nova fase da esquerda brasileira: a esquerda envergonhada do seu passado. Ou, melhor dizendo, do que ela própria é.

Quedadas as questões econômicas com o falhanço da esquerda proletários-sindicatos-intervenção, culminando invariavelmente com crise escabrosa que joga a culpa no “mercado”, restou para a esquerda o que nosso maestro Tom Martins chamou de FRMH: chamar as pessoas de Fascista-Racista-Machista-Homofóbico.

Há um problema. Quer dizer, fora que fascistas quase não existem, racistas não têm nada a ver com gente que rejeita cota, o chamado gender gap não ser devido ao machismo e chamar de homofobia desde a rejeição estética ao sexo gay até o assassinato de homossexuais nas ruas tão somente por seu homossexualismo não fazer lá muito sentido. Bom, há outro problema.

Esse povo que a esquerda julga defender, os “MC’s”, não são lá muito dados às teses progressistas do FRMH. Periferia é bem diferente de Vila Madalena e suas ecobags, comida glúten-free e bicicleta.

Nas quebradas o povo xinga o neguinho de neguinho, até mesmo quando o xingante também é neguinho, chama mulher de nome feio e pros gays… bom, tem estudante de Ciências Sociais que pediria para jogar uma bomba atômica no Capão Redondo, transformar Guainazes num campo de concentração e passar metralhando tudo o que se move em Itapecerica da Serra se soubesse como se fala com os gays por lá.

É o que dá defender tanto os pobres do lado de cá do vidro blindado do carrão que o papai deu assim que voltou de seu intercâmbio em Londres ou Nova York. É assim que pobre é (muito prazer, satisfaralho pra cação). Ao menos para quem vê pobre de carne e osso todo dia, em 3D, e não só no programa da Regina Casé.

A esquerda não defende pobre: defende uma caricatura de pobre, o cara que usa as origens para se permitir ser imoral e ladrão (de arma em punho ou no Planalto), enquanto o pobre de verdade adora ver polícia prendendo bandido e acha Dilma uma traidora lesa-pátria.

Querendo remodelar toda a nossa linguagem para inventar que os problemas do país são coisas como “machismo” ou “gaslighting” (você acha mesmo que é isso que se diz que está atrapalhando a vida lá na Brasilândia?), umas frescuras de gente rica sem preocupação na vida, a esquerda toma um susto quando vê como é a vida dos “MC’s” de perto.

Porque a esquerda defende MC, inclusive MC Biel. E defende bandido. Defende gente hedonista (rica e pobre, vagabunda ou presidente). Mas não defende trabalhador honesto e gente que faz piada com cabelo feio, com viadagem e que acha que feminismo se resolve com uma vida sexual normal.

Pior: o que MC Biel fez, involuntariamente, foi mostrar que a esquerda é simplesmente modinha. Que todo o discurso de “opressão”, “exploração”, “minoria” e aquela papagaiada de quem acha que está sendo super crítico ao repetir o que está todo mundo dizendo é só a última tendência outono-inverno que mandaram você pensar, e você acha que pensou sozinho porque é “crítico”. E, para ainda maior desespero, tem sempre alguém lucrando com isso.

É por isso que um MC Biel, para conquistar um público desmiolado, falou nos últimos tempos contra Bolsonaro, contra o impeachment, repetiu aquela aleivosia mais chata do que dançar com a irmã. Só pra lucrar fácil na última tendência dos que obedecem qualquer modinha monga.

Essa esquerda que teve de agüentar um MC Biel como um dos seus e agora percebe que ele é um do povão que ela acha que defende acha que é puro Word. Na verdade, tem sempre alguém com Excel nas mãos controlando o que eles vão pensar e quanto vão lucrar com isso.

A nova fase vergonha alheia e “veja só os tipinhos que temos de aturar” da esquerda brasileira só mostra qual sua fraqueza: o passado sujo e, óbvio, a defesa de abstrações que são um desastre se consubstanciadas. O problema é que MC Biel não será o último pego com a boca na botija: é apenas o arquétipo do que acontecerá com todo esquerdista doravante.

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  • Rodrigo Schmidt

    Um texto repleto de falácias com termos vulgares em um esforço pífio para aliar a figura desse “artista” às ideologias políticas de esquerda que o autor afirma ser uma “modinha”.

  • chuckmazaa

    O tal MC falava o que pensava pois estava fora da festinha. Depois que ficou famoso começou a adequar o discurso – assim como o Felipe Neto, Rafinha Bastos e tantos outros.

  • Le Zuero

    Porra Flávio, conheci o Mc Biel hoje.

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