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A imagem do petista médio é ligada a Lula, que é justamente a exceção dentro do PT. O petista médio é Palocci: diplomado, rico, ideologizado.

A imagem do PT é ainda integralmente ligada à figura popular de seu líder supremo, o ex-presidente Lula. É um erro de cálculo, de análise e de percepção fundamental: o maior exemplo do que é o PT é o ex-ministro preso Antônio Palocci. Dos petistas, Palocci é o mais petista.

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O PT inteiro é palocciano. Sempre se vai encontrar uns 5% de sindicalistas barbudos que não acertam a regência nominal, falam cuspindo e têm passado de pobreza na periferia ou no Nordeste como Lula. O grosso do partido, os 95% que são PT tout court, têm sobrenome italiano e formaram o partido simplesmente para aumentar seu salário. São muito mais Palocci do que Lula.

Toda vez que um petista é preso, o coro da imprensa é imediatamente associá-lo à oposição. Foi assim com Delcídio do Amaral, “o mais tucano dos petistas” (sic) segundo O Globo, e agora com Antônio Palocci, o “liberal” (sic³) do PT. Pinóia: ninguém é mais petista do que Palocci.

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O PT, apesar da sua cara de Lula sindicalista, é um partido de classe média. Tenta parecer ser pobre, mas é um partido Marileno Chaui. Tenta ser acatingado, mas tem perfume Marta Suplicy. Tenta ser partido de operário periferia vanguarda revolucionária, mas é um partido Vila Madalena politicamente correto feminismo de faculdade.

O PT é a cara de imigrante italiano do Palocci. É aquele cara que era considerado estudante radical e subversivo nos estertores da ditadura, parecia ser um crítico do sistema nos anos 90 e virou uma prova de democracia em 2003. Raros petistas são líderes de turba enfurecida como Lula. O petista é muito mais Palocci: os pais eram de classe média baixa, ele foi o primeiro da família a fazer curso universitário e, sendo médico (Palocci ou Padilha) ou filosofeta (Márcia Tiburi ou Vladimir Safatle), acredita que basta entupir as relações trabalhistas de “direitos”, as universidades de “cota” e a economia de impostos e “bolsas” para que a “igualdade”, seja lá o que isso for, reine portentosa, com um belo aumento nos emolumentos do petista que coordenou todo o ajuste social, claro, porque alguém tem que mandar nessa bagaça.

Apesar do apelo pobrista e populista de outrora, o petista só tem força no seu velho ABC das lutas sindicais com políticos como Carlos Grana (sic). É um partido completamente Palocci: a classe média que apoiava sindicalistas se uniu a eles apenas na ânsia de virarem funcionários públicos, gerando a maior das “desigualdades sociais” do país, aquela entre salários estatais e da iniciativa privada.

O sindicato continua a ser 5% (e sem cargos relevantes no PT), a maioria do partido continua a ser de concursados, de professores a juízes, da boa e velha classe média que odeia a classe média, reclamando que poderiam ganhar mais com mais dinheiro extraído da terrível classe média e retornado a eles próprios por “direitos trabalhistas”, segundo o que leram na Folha e no Globo, para a seguir gritar que a mídia é golpista. E tome xingo nos coxinhas!

O PT, seja o furibundo da Apeoesp ou das altas comissões da OAB, do Sindipetro ou do Sinditamaraty, é o retrato palocciano daquilo que Paul Johnson demonstra sobre intelectuais: nada os satisfaz mais do que afirmar que representam “o povo”. Nada, via de regra, mais distante da realidade.

O PT ainda tenta ser aventureiro, ter um discurso beirando o neo-guerrilheiro urbano (“Vai ter luta! Não vai ter golpe! Fora Temer! Fascistas não passarão!”, tudo sem vírgula), mas sua realidade é a mais leitora da revista piauí no vão do MASP e depois pegar balada na Augusta que existe. É um partido terno-e-gravata (Armani), uma ideologia Duda Mendonça/João Santana, uma mentalidade buscando conforto e arrotando diplomas para dar autoridade ao que fala.

Palocci, o petista dos petistas, o petista-mor, mais do que Lula, Dirceu ou Dilma (estes seres únicos, parecendo cada um vir de uma realidade paralela completamente própria), é o petista anos 2000.

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Não mais aquele PT Teologia da Libertação de Frei Betto e Leonardo Boff, que servia de pelego para os sindicalistas na ditadura. Esse era o PT de Genoino, Gushiken, Delúbio, Lancellotti, Benedita, Vicentinho e uma turma hoje no PSOL ou no SDD.

Palocci é a consubstanciação do PT gourmet, o PT Gleisi Hoffmann, o PT Eduardo Suplicy, o PT Bohn Gass, o PT Rubens Otoni, o PT Arlindo Chinaglia, o PT Patrus Ananias, o PT Fernando Haddad. Ficam alguns no meio do caminho, como Maria do Rosário, Lindbergh Farias e Tião Viana.

Palocci é aquele PT enaltecido por publicações internacionais deslumbradas com o que lêem no editorial da Folha. É o PT que seguiria a lei, que não pregaria mais o “socialismo petista” (aquele que o PT retirou do Youtube correndo, mas a internet não esquece). É o PT mercado, o PT que, depois de pelegar entre bancários e banqueiros, aprendeu a ganhar votos dos primeiros vivendo e dando dinheiro para os segundos.

Claro, tem sempre de restar uns fanicos de pobrismo, fora aqueles 5% de vereadores petistas com cara de gente sofrida que pedem voto e, dentro do partido, dão a patinha para a elite partidária de sobrenome impronunciável. E é aí em que Palocci se mostra la crème de la crème do PT, o petista mais petista, um petista ao cubo.

Basta lembrar como a população que foi se convencendo do petismo com professores, jornalistas, apresentadores da MTV e livros de parágrafos ilegíveis da faculdade vê pobre. Ou seja, da mesma forma que Palocci vê um caseiro: aquele pobre que vai à igreja, que é contra a ideologia de gênero, que prefere abrir uma bodega a entrar para um sindicato e vota em Bolsonaro para não ter medo de chegar tarde do trabalho na periferia.

São os pobres inimigos do projeto de poder do partido, portanto se tornam não-pobres. O Brasil com o PT tem 99% de elite e 1% de partido. Marta Teresa Smith de Vasconcellos Suplicy e Guido Mantega são os pobres que conseguiram chegar na faculdade com o Prouni para o PT, enquanto Francenildo Costa é a elite golpista que odeia pobre viajando no mesmo avião que ele.

Um livro curiosamente escrito por Leonardo Attuch, A CPI que abalou o Brasil, conta como Delúbio diante da nata petista no primeiro mandato de Lula acendia um charuto cubano caríssimo numa sala, para acender outro na seguinte enquanto transitava pelo corredor. Posteriormente, o próprio Leonardo Attuch seguiria os passos do PT que descrevia e preferiu também acender seus charutos, a ponto de ter de prestar esclarecimentos para a polícia federal.

Antônio Palocci é o PT triliardário que tenta calar seus adversários que viram suas malversações (por meios que variam de sigilo quebrado a celsodanielização, passando pela compra de consciências e financiamento ao Brasil 171) e os considera a elite malvada. Enquanto isso, Palocci tem R$ 128 milhões em bens bloqueados pela Justiça.

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Saiba mais:

  • David Xavier

    128 milhões dá, a preço médio de 74 reais por pessoa, 1.729.729. Ou manter 144.444 por um ano.

  • Alim Gonçalves

    No segundo parágrafo, tem que trocar “Delúbio Soares” por “Delcídio Amaral”.

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