A pichação no monumento em homenagem aos Bandeirantes revela duas mentalidades: a que aprende com o passado e a que quer destruí-lo.

O Monumento às Bandeiras, próximo ao Parque do Ibirapuera, em São Paulo, foi pichado na madrugada entre a última quinta e sexta-feira (29-30), assim como a estátua do bandeirante Borba Gato, em Santo Amaro, e a sede da Secretaria Estadual da Educação, na República.

As pichações ocorreram logo após o debate entre candidatos à prefeitura na Rede Globo, em que o tema das pichações foi mencionado, com a candidata Marta Suplicy esforçando-se para separar “pichação” de “grafite”, que seria uma “arte”. Litros e litros de tinta rosa, verde, azul e amarela despejados foram despejados sobre o monumento.

Apesar de não ser comentado nas notícias que foram vistas na imprensa, para o brasileiro médio acostumado com o modelo de atuação da esquerda não é difícil imaginar quem estaria por trás de tais atentados criminosos, está uma ideologia política. Tampouco demanda-se que alguém entenda de herméticos e arcanos símbolos de seitas para traduzir o significado de tintas coloridas e a qual corrente ideológica e partidária atendem.

Sede da Secretaria de Educação de São Paulo é pichada com os dizeres "Fora Temer"

De fato, não é possível imaginar que pichações, vandalismo, crimes e alguma forma de emporcalhar uma cidade, custando trabalho e dinheiro de trabalhadores honestos, possa ser feita contra o PT, a esquerda ou o modernoso ideário progressista. Nem era preciso ver as imagens: bastava saber que tal fato ocorreu para saber que o mote vazio “Fora Temer” apareceria em algum momento.

De acordo com a Veja São Paulo, a “pintura” (sic) no monumento “divide opiniões”. Não uma “divisão” como imaginamos ao ler a frase, de 50/50, ou pelo menos, talvez, 70 contra 30%. Quem apóia são pessoas como o ator Caio Blat, que postou em seu Instagram: “Gostei da intervenção. Podiam deixar por uns dias…”.

Gostei da intervenção. Podiam deixar por uns dias… #borroco

Uma foto publicada por Caio Blat (@caio_blat) em

Já as respostas são escritas com menos eufemismos:

vc achou legal “a intervenção”???? Então disponibiliza verbas para comprar produtos de limpeza e vai limpar você essa sujeira.

Pinte a sua casa, a sua cara a sua vida desse jeito que irá combinar com você 👍🏽

Já que gostou, por que não deixa seu endereço para que pichadores como esses façam uma intervenção na sua casa, ou na de sua família ?

guerrilheiro de iPhone, esquerdinha condomínio fechado, babaca maior

Avá!! @tamarag.bringel além de puxa saca falta-lhe cidadania. Então se sou católico posso destruir uma igreja evangélica!? Larga de ser irresponsável e apoiar vandalismo sua escrota! Independente da sua ideologia, patrimônio público não pode ser vandalizado. Vc é baixa é ridícula, aceita que dói menos. #temerfica#esquerdinhanutella

É obrigação para os atores brasileiros serem ridículos???

O modelo progressista é a faina da destruição do trabalho alheio, da glorificação de qualquer coisa de baixo valor, desde que destrua tudo o que seja considerado velho, ultrapassado ou mesmo “obscurantista”, como monumentos celebrando fatos históricos, e não um futuro sem passado.

Bandeirantes, Tamoios, Anhangüera

O progressismo é hoje pesadamente financiado por instituições globalistas como a Open Society de George Soros, que financia estudos provando, entre outras coisas, que o modelo de gestão da Crackolândia por Fernando Haddad é uma excelente política pública de saúde (sic).

Outra agência financiada por George Soros é a Agência Pública, “agência de jornalismo independente” e “sem fins lucrativos” (sic), que recebeu mais de R$ 1 milhão da Open Society em cinco anos. A Agência Pública tem entre seus curadores a blogueira do El País e da Época, Eliane Brum, e o blogueiro do UOL Leonardo Sakamoto.

Leonardo Sakamoto seguiu o rito do progressismo globalista (adjetivo quase desconhecido da intelectualidade brasileira) e, se criticou a pichação, ou melhor, o “custo alto” da “intervenção”, pelo trabalho gasto (alguém terá de limpar o monumento), por outro lado, subiu no cavalo do seu monotematismo e, pela oitava vez desde quinta-feira, atacou “os bandeirantes”. Para o blogueiro progressista a soldo de George Soros e contra a classe média, algo celebrando os bandeirantes nem deveria existir.

Em um texto extremamente apelativo para o público infanto-juvenil, com jargões galerosos de internet como “Na minha opinião, um povo não precisa de heróis” ou “#prontofalei”, Leonardo Sakamoto diz que a arte “pode ser usada que a história seja passada adiante de forma acrítica, contribuindo com a doutrinação” (!), ou que “[o]  fato da (sic) elite de São Paulo tê-los [os bandeirantes] (…) escolhido como heróis diz muito sobre o espírito do Estado” (de novo?), decorrendo-se então que “parte da população encare a tortura como método válido de investigação policial”, considerando então que monumentos a bandeiras são “símbolos construídos para fortalecer uma narrativa histórica por um grupo social que ainda hoje está no poder”.

Leonardo Sakamoto, como se sabe, nunca esteve no poder, nem faz parte da elite. Elite é a dona Jusecreide da faxina, que teve de limpar tudo aquilo, vai à igreja evangélica e é contra o casamento gay. Ela, sim, contribui com a doutrinação.

Para Sakamoto,

Nossos heróis são Domingos Jorge Velho, Antônio Raposo Tavares, Fernão Dias Paes Leme, Manuel Preto, Bartolomeu Bueno, Borba Gato que roubaram, mataram, escravizaram e ampliaram nossas fronteiras como consequência não de algum princípio mais alto, mas da ganância.

É difícil crer que algum paulista considere Raposo Tavares algo além de uma rodovia e pense em Paes Leme sem ser numa atriz global, mas a análise de Sakamoto jura que são estes nossos “heróis”. Todo um estudo, digamos, sério, pode ser demolido simplesmente verificando-se se sua primeira premissa tem algum nano-respaldo na realidade.

CracolândiaDe toda forma, para Sakamoto e sua cruzada anti-Bandeirantes, preferindo sempre viajar pela Anhangüera, os bandeirantes “roubaram, mataram, escravizaram e ampliaram nossas fronteiras como consequência não de algum princípio mais alto, mas da ganância”. Sua premissa menor também é falha: os bandeirantes tinham sim princípios mais elevados do que a ganância. Ainda que não sejam aqueles que Sakamoto glorifica, como “ocupações” (sic) e “crackolândia” (sic).

Se não queremos que “a história seja passada adiante de forma acrítica, contribuindo com a doutrinação”, é bom se entender que os bandeirantes, tão odiados por Sakamoto 39 vezes por semana, são odiados por ele justamente pela “ampliação de fronteiras” e por ajudarem e, literalmente, abrirem caminho aos jesuítas na conversão dos índios.

Como Sakamoto e o progressismo têm o cristianismo como inimigo público número 1, e como o modelo de pensamento progressista não busca encadear pensamentos em silogismos, mas sim em causar uma reação imediata com palavras chocantes (“elite! no poder! tortura! escravizaram! acrítica!”), mesmo que sem coerência nenhuma, passa despercebido a Sakamoto e seus leitores que, por exemplo, quem mais matava e escravizava índios eram, justamente, os próprios índios.

As tribos, afinal, eram guerreiras, e a palavra tem mesmo tal significado, o que é difícil ao pensamento de esquerda e sua cisão absoluta entre significante e significado entender. Os que “roubaram, mataram, escravizaram” os índios, sem precisar de bandeirante nenhum, foram outras tribos indígenas, com o curioso adendo de serem canibais, comendo a carne dos guerreiros inimigos (sem o canibalismo, a angüera, espécie de alma do índio, poderia morrer, sem atingir a terra-sem-mal).

A guerra antes da civilização - guerras indígenasOs bandeirantes, muito mais desprotegidos do que os índios e em número incrivelmente menor, apesar da superioridade de armas, apenas praticaram o modelo de guerra já em voga entre os índios. Não surpreenderia que, caso inventassem o modelo de intervenção militar para instaurar uma “democracia” nas aldeias de pajés, Sakamoto igualmente os criticasse como versões anteriores de George W. Bush. Aliás, não foi muito diferente do que eles fizeram, com os jesuítas logo atrás.

Os jesuítas, com seu odiado cristianismo, aquele que crianças doutrinadas e acríticas aprendem a odiar desde tenra infância nas escolas lobotomizadas por pensamentos como o de Leonardo Sakamoto, converteram os índios justamente sobre um Deus único comum, e não deuses rivais, que faziam com que índios odiassem qualquer pessoa de uma tribo inimiga (e deus inimigo) tão somente por pertencerem a outra tribo. Se Sakamoto quer falar de racismo, poderia analisar, de forma “crítica” e sem ser “doutrinada”, o que é o pensamento tribal, base antropológica do racismo.

Bandeirantes e índiosSe hoje andamos nas ruas de São Paulo e não tomamos uma flechada na orelha tão somente por trocar para o bairro de uma tribo rival, tal se deve aos bandeirantes e jesuítas, a despeito de pessoas com preguiça de pesquisar, mas facilmente impressionáveis e rápidas nas conclusões ao ver uma iconografia de bandeirantes malvados diante dos índios. Nossa paz em São Paulo não se deve ao esquema social dos índios, que foram convertidos por jesuítas como Padre Anchieta e aprenderam que o ser humano é dotado de corpo, alma e espírito, da trindade divina, que não precisavam assassinar seus inimigos por um deus diferente e nem comer sua carne para sua angüera ir para a terra sem mal, que era a bondade e as ações individuais, e não a vitória na guerra contra uma tribo rival que levaria sua alma para uma terra-sem-mal. Digamos, “algum princípio mais alto” do que a ganância de tomar as posses alheias pela guerra.

(ler mais sobre as guerras indígenas no maravilhoso romance de Alberto Mussa, A Primeira História do Mundo, sobre o primeiro homicídio investigado no Rio de Janeiro, como analisamos no nono episódio do Guten Morgen, o nosso podcast.)

Leonardo Sakamoto culpa os bandeirantes por guerrearem como os índios guerreavam, e tem credulidade de que os índios eram simpáticos, tolerantes, amáveis uns com os outros como alguém os amou. Como bons cristãos, dir-se-ia.

Mas, para o pensamento progressista-globalista, tudo é apenas uma doutrinação de frases de efeito acríticas e doutrinadas (exatamente o que Leonardo Sakamoto tenta acusar “o povo paulista”, beirando o discurso de ódio contra um povo, de fazer). Basta gritar “racismo” para que pessoas de esquerda pensem em bandeirantes e jesuítas escravizando índios por não terem alma, enquanto índios estariam se amando entre si. Entre outras bazófias histórias que só se sustentam sem saber o que raios é um bandeirante.

Pichação: ars poetica sakamotiana

Justamente sem ter nenhum ideal mais elevado do que a ganância, seja a visão histórica de Sakamoto ou sua visão sobre arte, tudo é um imanentismo absoluto, o tipo de materialismo mais reducionista, que só vê na matéria algum valor e só vê valor material no que está além de suas impressões imediatas.

Para um modelo de arte materialista-histórico-dialética-sakamotiana, aquela da luta de classes entre bandeirantes e índios, pauparicada na risível idéia de que os bandeirantes sempre estiveram no poder, e não os índios que enterravam e enterram vivas suas crianças gêmeas e deficientes, não há um universalismo de almas inocentes (como de bebês na barriga da mãe) que possam ir para uma terra-sem-mal: todo o universal deve ser realizado por um governo universal que controle e imponha valores que destruam o passado das memórias coletivas. Para que as pessoas pensem “acriticamente”, numa Doutrinação absoluta com D maiúsculo. É o D que substitui Deus.

Para essa mentalidade que vai da estética à ética, a destruição de um monumento, ainda que modernista, é apenas purificar o presente da terrível presença dos mortos e da história. Tudo deve ser substituído pela crença moderna no progressismo global.

Esta arte, que só tem matéria bruta e corporificação absoluta, medindo de fetos a monumentos tão somente por sua capacidade de uniformizar as mentes para o controle corporal total e totalitário, qualquer manifestação que destrua o “obscurantismo” da família, de religiões contrárias ao Estado total, da universalidade da alma e não do corpo, só pode ser criticada também pelas suas conseqüências materiais, como alguém ter de limpá-la depois.

Fernando Haddad grafita Pato Donald em muroA arte que resta é a pichação, a “intervenção”, a destruição. É o credo do futurismo, que pretendia destruir as pontes, edifícios, praças, a arte clássica italiana e, claro, as igrejas para construir algo novo do zero. Os futuristas defendiam um modelo totalitário, o fascismo, além de querer expulsar as mulheres da vida pública. O fascismo não vingou, mas o neo-futurismo se reinventou, defendendo totalitarismos sem precisar citar seus nomes.

Para essa mentalidade, que obedece não mais a “princípios mais elevados”, só conseguindo olhar para a matéria imanente, toda a obediência é à destruição do que mantém a ordem social funcionando, sem crenças no Leviatã moderno globalista, com aborto, drogas e afins.

Fazer cocô em público no MASP contra Bolsonaro não é digno de críticas: apenas o povo paulista é criticável. Ficar nua e depilar a perereca em público defronte a outro museu de arte moderna, com velhinhas e crianças na “platéia”, tampouco é criticável: o problema é honrar bandeirantes. Fazer centopéia humana com seres humanos enfiando seus dedos no roscofe alheio não é ausência de “princípios mais elevados”: “ampliar as fronteiras” e ensinar universalidade divina o é. E enfiar gelo e garrafas de vinho no culito ainda não é, digamos, “ganância”: é apenas o valor materialista sem o “obscurantismo” do atrasado povo paulista.

Se quer uma mentalidde com “princípios mais elevados”, talvez Sakamoto devesse rejeitar ser financiado por George Soros “sem fins lucrativos” e observar algo realmente de valores elevados. Talvez a Notre Dame ou a Capela Sistina. Não são “intervenções”: são arte. Não precisam do eufemismo dos progressistas, que nunca descrevem a realidade com termos precisos.

São estes os dois tipos de mentalidade que estão “dividindo” São Paulo, segundo a Veja São Paulo. Para que os jovens saibam distinguir qual a melhor, talvez seja necessário terminar com #prontofalei.

Veja também: Não é você que pensa o que pensa: George Soros pensa por você: http://sensoincomum.org/2016/08/22/guten-morgen-george-soros-pensa-voce/

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  • Vander Lei

    O objetivo é apagar o passado. E uma forma eficiente de se fazer isso é torna-lo sujo, emporcalhado. As pessoas passam a sentir nojo, ao invés de curiosidade.

  • leonardolnm

    A parte sobre bandeirantes, jesuítas, indíos, deus ficou bastante aquém do resto do texto.

    Mas esse trecho aqui foi bacana:

    “O modelo progressista é a
    faina da destruição do trabalho alheio, da glorificação de qualquer
    coisa de baixo valor, desde que destrua tudo o que seja considerado
    velho, ultrapassado ou mesmo “obscurantista”, como monumentos celebrando
    fatos históricos, e não um futuro sem passado.”

    Não vejo como igualar esse vandalismo à arte. Um artista reconhece e respeita o trabalho de outro, mesmo não gostando. O que aconteceu ali foi pura e simplesmente um ato acéfalo que danificou uma obra do imaginário do paulistano.

    Em termos de arte, penso que se você quer destruir uma coisa, deve construir algo mais elevado em substituição. Como num processo dialético.

    Certamente, isso não está no horizonte de habilidades desses pichadores. Criar, por si mesmos, algo grandioso e inspirador, nunca esses parasitas.

  • Luiza1903

    A verdadeira arte sempre teve como fim à contemplação e provocar emoções. Porém o que vem sendo produzido em protestos é o que se chama de arte vazia! Esse tipo de arte somente é vivenciado pelos criadores ou participantes de cenas escatológicas públicas e qualquer outra pessoa de fora é mera testemunha por isso é um ato vazio. Já sobre o derramamento de tinta no monumento aos bandeirantes é primeiramente desrespeitoso em vários níveis e para qualquer pessoa de fora somente vê a tinta e nada mais novamente um ato vazio. Precisa de vários blogs de pseudo intelectuais para dizer o que significa, mas na verdade somente quem cometeu o crime sabe as razões que devem ser tão rasas quanto às tentativas de explicar. Aos pixadores peço que estudem (haha) um pouco sobre restauro só para compreender a bagunça que deixam para os outros.

  • David Xavier

    E é agora que o PSOL e a esquerda em geral toma no rabo (o sentido não é “bom” como eles podem pensar): quem move o Brasil é São Paulo e atacar a história de São Paulo não é apenas um desrespeito é um ato de burrice, o brasileiro como um todo pouco se importa com a história de seu país, mas os paulistas, ah esses se importam. Quase declaramos independência em 1932 e por muito pouco perdemos a Revolução Constitucionalista.

    Portanto atacar um Estado que se importa com sua história, além de ser o Estado que mais gera riqueza e literalmente carrega Estados nanicos (em especial do Nordeste, PS1), é literalmente um ato de burrice. O paulista sente orgulho de ser paulista, mesmo o paulista de descendência não paulista, como é o meu caso.

    PS1: eu nasci em São Paulo, portanto sou paulista e tenho orgulho de ser paulista, meus país nasceram na Bahia, e embora eu ache a Bahia um Estado maravilhoso, eu sou paulista de corpo e alma.

  • Ilbirs

    Foi flagrado o casal que pichou o Empurra-Empurra e o mesmo o fez usando um compressor, explicando o porquê de tão grande área ter sido pichada em menos de dois minutos:

    Algo que ajudaria muito é saber quem pagou por esse compressor, uma vez que bem mais fácil de rastrear do que latas de spray. Pode ser que as mesmas duas pessoas que esguicharam tinta na obra de Brecheret também o tenham feito no Borba Gato, uma vez que são as mesmas cores:

    Talvez possam ser os mesmos autores se considerarmos o padrão de espalhamento da tinta no Caetano de Campos:

    http://imguol.com/c/noticias/7a/2016/09/30/30set2016—facha-do-predio-caetano-de-campos-sede-da-secretaria-a-educacao-do-estado-de-sao-paulo-que-foi-pichado-nesta-madrugada-1475243168008_615x300.jpg

    Se olharmos para a maneira como a tinta escorreu e considerarmos que foi preciso pular a grade, que é bem próxima da fachada vandalizada, pode ser que tenha sido feita também na base do compressor, pois a distância permitiria o ângulo para fazer as letras. Parece-me também compatível com o compressor se considerarmos que pichação com spray é feita mais de perto, enquanto aquela feita com rolinho é a que se costuma fazer mais longe. Em ambos os casos, não costuma escorrer:

    http://www.gazetadopovo.com.br/ra/mega/Pub/GP/p3/2013/03/27/VidaCidadania/Imagens/pichadores_270313.jpg

    http://www.subsoloart.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/Pichação-Goma-Mg-e-Cripta-djan-Sp-Em-São-Paulo.Foto-Leandro-Mantovani.jpg

    Outra coisa que gera estranhamento nessa história toda, além do tal compressor, é não termos um padrão de gangue de pichador, uma vez que os escritos, onde estão, são com letras bem compreensíveis. Quando passei anteontem pelo Monumento às Bandeiras, vi em uma das lixeiras do entorno um “Temer” escrito no mesmo tom de rosa que ficou no topo da obra. Fosse coisa de gangue de pichador, conforme as próprias fotos que deixei acima deste parágrafo, tenderia aos garranchos incompreensíveis para o grande público, mas reconhecíveis entre as gangues. Como também se pode ver no Caetano de Campos, quem fez isso queria que a coisa fosse lida pelo amplo público.
    Há também o detalhe de que a tinta usada no Monumento às Bandeiras ser de látex diluída em água, sendo bem mais fácil de ser removida que aquela em spray que normalmente seria usada na ação de pichar. Que se compare com o que já aconteceu à obra:

    http://imguol.com/2013/03/09/9mar2013—o-monumento-as-bandeiras-na-regiao-do-parque-do-ibirapuera-zona-sul-de-sao-paulo-amanheceu-pichado-na-sexta-8-com-as-palavras-chorao-paz-em-referencia-ao-cantor-da-banda-charlie-brown-1362835487457_956x500.jpg

    Se formos usar a lógica do atentado terrorista, para quem fez importa o impacto do ato e quantas pessoas o viram, ambas as intenções atendidas. Porém, cai fora de tal lógica não termos até agora um autor que assume a coisa claramente ou de uma forma que de algum jeito seja reconhecível, como no caso da “heráldica” desenvolvida pelas muitas gangues, aquilo que já disse ser reconhecível entre pichadores. Não foi o caso aqui.
    Quem acompanhou essa história também já nota tentativas de impor guerra de narrativas à história após o vídeo que João Doria acabou fazendo um vídeo à frente do Empurra-Empurra na tarde em que estava sendo limpo:

    https://www.facebook.com/jdoriajr/videos/1199396933450449/

    Quem olhar comentários a respeito notará que muita gente da mortadelosfera começou a acusar o apresentador do Show Business de ter pago quem fez isso para depois se promover em cima, bastando olhar os comentários a respeito, sendo que destacarei este e este como mais emblemáticos. Verão na mesma postagem um rosário de lacaios do Foro de São Paulo falando aquela história de que bandeirantes exterminaram índios sem saber que a maioria absoluta dos bandeirantes eram mestiços de primeira geração entre portugueses e índios e, pela óbvia distância para os parentes portugueses, estavam obviamente mais ligados culturalmente ao lado nativo de suas ancestralidades.

  • Pedro Rocha

    Pelo que sei, pichadores se consideram “artistas” e, normalmente, respeitam a arte alheia como monumentos, grafites e mesmo outras pichações.
    O que aconteceu com os monumentos paulistas deve ser chamado pelo nome correto: VANDALISMO!

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