O maior responsável pela derrota fragorosa de Fernando Haddad não foi o desconhecido João Dória: foi a esquerda de junho de 2013.

Qualquer um que tenha prestado um pouco de atenção nos acontecimentos dos últimos 3 anos – especialmente desde as manifestações de junho de 2013 – sabe que houve uma espécie de “quebra” na época. Praticamente todos os políticos levaram um tombo em sua avaliação. Alguns se recuperaram já a tempo para fazer um bom papel nas eleições do ano seguinte (Dilma e Alckmin, por exemplo). Outros patinaram e não saíram do lugar em 3 anos. Um desses é Fernando Haddad.

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A última pesquisa de avaliação do prefeito conduzida pelo Datafolha antes da bagunça toda começar, em 2013, foi divulgada em 10 de junho – logo antes da zona. Ele tinha uma avaliação normal para um político com ideias esquisitas, na casa dos 34% para gestão boa e ótima e 37% para regular. Desaprovavam (“ruim ou péssima”) apenas 21%. Nada mal.

Já na pesquisa divulgada no mês seguinte, o tombo: 18% aprovavam e, pasmem!, 40% reprovavam o cara já na avaliação divulgada em 1º de julho. 35% eram os que consideravam “regular”.

Em 21 dias, a avaliação do prefeito tomou uma cacetada de quase 20% na aprovação e uma subida de também quase 20% na reprovação. Desnecessário dizer que houve uma migração de um lado para outro.

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O que é curioso é que, sem perceber, quem destruiu a imagem de Fernando Haddad perante a população foram os agitadores de 2013, em especial o MPL e o Fora do Eixo. Justamente os que mais tentaram apoiar o prefeito agora. Eles foram responsáveis por São Paulo retirar Haddad no primeiro turno com muito mais facilidade que qualquer um esperaria, mesmo o mais fanático anti-petista. No fim, os “movimentos populares apartidários, mas sempre de esquerda” são quem merece os parabéns pela inestimável contribuição para a eleição do João Dória, candidato mais radical do que qualquer tucano clássico (vai ver é por isso que não gostam dele).

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 É curioso, portanto, ver logo o Mídia NINJA fazer beicinho pela derrota de Haddad. A principal culpa em cartório é justamente o coletivo do Fora do Eixo, capitaneado por Pablo Capilé e Bruno Torturra, que julgava que sairia do eixo Rio-São Paulo e exatamente neste eixo estancou.

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Se vocês quiserem saber mais sobre o que aconteceu, de onde veio e para onde vai o Brasil pós-jornadas de junho de 2013, leiam o fantástico (e assustador) livro do Flavio Morgenstern, Por Trás da Máscara. Do Passe Livre aos Black Blocs, as Manifestações que Tomaram as Ruas do Brasil. Especialmente depois do que aconteceu nesse primeiro turno aqui em São Paulo, é urgente compreender aquele processo.

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