Alexandre Borges, o maior especialista em política americana do país, comenta a eleição entre Trump e Clinton como nunca se vê na mídia.

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Guten Morgen, Brasilien!

Neste episódio, conseguimos mais uma entrevista reveladora: o maior especialista em política americana do país, nosso grande colunista Alexandre Borges, comenta o que a imprensa brasileira nunca comenta a respeito do que está em jogo nas eleições americanas – e por que o eleitorado americano, muito mais preparado, na média geral, do que o nosso, parece ir de encontro ao que pensam nossos grandes intelectuais e analistas políticos brasileiros, todos em uma torcida em uníssono por um dos lados.

Afinal, o que se diz sobre as eleições americanas está correto? Faz mesmo sentido? Alexandre Borges é o homem para separar o joio do trigo e nos ajudar a olhar para a realidade tão distante dos valores e padrões brasileiros que é a política americana com outros olhos, que não a repetição de nossas crenças e predisposições.

E quanto aos boatos das eleições entre Hillary Clinton e Donald Trump? A narrativa corrente do jornalismo mostra o embate entre uma candidata moderada, prudente e estudada e um maluco, fanático, racista, ultra-conservador, triliardário, racista, machista, homofóbico e fascista que pode destruir a América.

Quanto desse discurso é verdadeiro e quanto parece pouco conhecimento sobre o que acontece na América?

Os escândalos que são comentados nos debates também merecem atenção especial de Alexandre Borges. Para começar por Benghazi, palavra inexistente nas análises dos comentadores brasileiros sobre o pleito, que pode definir o futuro dessas eleições. Trata-se da cidade na Líbia onde ocorreu um dos mais significativos atentados terroristas contra americanos no dia 11 de setembro de 2012, onze anos depois do primeiro 11 de setembro. Hillary Clinton ela própria era responsável por manter a segurança de americanos em território líbio, e preferiu se omitir para não prejudicar a reeleição de Barack Obama. Quantos no Brasil sabem do que aconteceu em Benghazi e continuam apoiando Hillary Clinton?

Alexandre Borges também comenta o escândalo do vazamento de e-mails que colocou mais vidas americanas e não-americanas em risco, além de seu discutível financiamento de campanha por algumas das ditaduras mais brutais do mundo, com métodos praticamente idênticos aos do Estado Islâmico.

Do terrorismo ao protecionismo, da Suprema Corte às mega-instituições americanas que mandam no mundo, da história de Herbert Hoover aos efeitos da imigração nos empregos americanos, Alexandre Borges ainda nos brinda com uma de suas especialidades: uma analise cuidadosa da imprensa americana e brasileira na cobertura das eleições, demonstrando com precisão o quanto se esconde e o quanto se manipula emoções, percepções e predisposições do público mundial a respeito daquela que será a eleição americana mais importante do próximo meio século.

A produção é de Filipe Trielli no estúdio Panela Produtora.

Guten Morgen, Brasilien!

  • Pingback: A vitória de Trump e a derrota do establishment e da grande mídia – VerdadeSA()

  • Alexandre Fagundes Souto

    Dando uma passada rápida para dar risada dos comentários.

  • Pedro Santos

    Ouvi muito Born in USA nos tempos em que assistia os documentários do Michael Moore, lia Eric Hobsbawm e votava no PT (se bem que eu votei só uma vez). Ah, e o Bill Maher é um boçal que se acha um ser magnanimamente culto por ser ateu e socialista. Se dependesse dele, Sander seria presidente dos EUA!!!

  • Jorge O.

    Trump vai perder a eleição por causa da mídia golpista? Os trocentos erros que ele cometeu devem ser ignorados e toda a culpa pela sua derrota deverá ser despejada em figuras apócrifas? Recemente um grupo político perdeu o poder abaixo da linha do equador usando a mesma desculpa.

    Hillary perderia fácil para qualquer outro dos top 5 das primárias republicanas: perderia para o conservadorismo contundente, mas expressado com clareza de Ben Carson; algo diferente das obscenidades de trump. Ela perderia para o constitucionalista Ted Cruz, defensor do federalismo e refratário a aumentar os poderes da união sobre os estados. Ela perderia para o defensor do livre mercado Marco Rubio, que provou na prática que livre comércio traz empregos, basta olhar a sinergia que a Flórida empregou no tratado de livre comércio com a Colômbia. E definitivamente, ela perderia de lavada do centrista Kasich, um construtor de pontes e negociador que poderia desatar nós na relação com o legislativo.

    Intelectuais de direita fizeram o seu papel ao defenestrar Trump nas primárias como na famosa edição da National Review[1], mas os comunicadores de massa da direita (limbaugh, hannity…) não. Ficaram batendo bumbo para um corneteiro, só porque ele xingava os democratas muito no Twitter. Trump formou um eleitorado inquebrantável nas primárias e os candidatos com substância mirraram.

    Para cada crítica ao passado obscuro da Hillary, há um paralelo pior relacionado ao Trump. Emails? Há tweets direcionados a líderes mundiais que parecem ter sido escritos por um garoto birrento de 10 anos. Clinton Foundation? Dê uma olhada na Trump Foundation, o que menos há ali é caridade. Seria irônico, se não fosse patético que a Trump foundation doou dinheiro para a Clinton foundation em 2009 [2]. E o fato de que o dinheiro de campanha, feito de doações de gente como os irmãos Koch (os George Soros do sinal invertido) mas também do cara que comprou o boné do Trump para o filho de 5 anos, vai para bancar coisas como um aluguel superfaturado na Trump tower? [3][4] E as suspeitas de fraude da Trump University? [5] Todos esses fatos são invenção da imprensa malvada? Será que a culpa é do FHC? A campanha de Trump foi mais longe, ela resolveu culpar seus oponentes por um fato que ocorreu 4 anos ANTES de eles assumirem o governo. [6]

    Ele cria factóides em uma enorme velocidade, e nunca, nunca é cobrado pelo seu séquito de seguidores por isso. Para seguidor do Trump, fact checking é coisa de quem só quer se gabar. E nem vou entrar no demérito das obscenidades.
    * Trump não sabia nada sobre o fato da Criméia ter sido invadida pela Rússia. [7]
    * Ele passou 5 minutos xingando o vice dos democratas em uma entrevista coletiva quando o nome foi apresentado, dizendo que o cara fez um péssimo trabalho como governador de New Jersey. O problema é que o vice não foi governador de New Jersey, mas de Virginia. [8]
    * Ele convocou hackers russos a liberar mais documentos roubados da partido democrata. Não importa que Nixon tenha sofrido processo de impeachment por espionar o comitê democratano passado, para Trump isso é válido. Depois dessa declaração, advogados país afora falaram que incentivar essa prática é caracterizado como crime de traição nacional. Trump se desculpou pela declaração? Claro que não, sugeriu que estava brincando. [9]
    * Ao contrário do que diz, ele apoiou a guerra do iraque. [10] Mike Pence também apoiou, mas nunca foi ou será cobrado por isso. [11]

    Ai, mas Trump é só um bufão incompreendido na mente de quem acha que o diabo só veste Padra e nunca Armani. Por que será que ele apoiou a candidata Hillary Clinton à presidência em 2008 então? [12]

    Trump não é um conservador é um populista que muda de opinião de acordo com a ocasião. [13] Ele não está convencendo ninguém a votar nele, ele está reforçando estereótipos que as pessoas já tem a respeito de questões verdadeiras que lhes preocupam. O problema é que para todas Trump fornece uma saída que parece solução, se ignorarmos todas as externalidades. Um raciocínio burro, unidimensional e nada conservador. “Trump e Sanders são a mesma pessoa.” [14] (Bill O’Reilly, durante as primárias)

    Trump não apenas perderá. Mas perderá feio. Vai perder em estados que os republicanos venceram em 2012, como Arizona e Carolina do Norte. Não me surpreenderei se ele também perder em Utah e Georgia. Além disso, vai fazer os republicanos perderem a liderança no senado, perigando perder também na câmara. Vai sepultur a carreira de John MCain e manchar a de Paul Ryan, respectivamente os maiores nomes do passado e do futuro do partido em atuação.

    A imprensa não é a culpada pela queda de Trump. Ela é culpada pela sua ascensão, pois a mídia conservadora não fez o seu papel ao questioná-lo por sua ignorância, inconsistência e instabilidade emocional. Houve exceções, claro, como Megyn Kelly. A âncora da Fox News pressionou Trump durante as primárias, somente para ser ofendida pelo próprio sem jamais ter sido defendida por seus colegas.

    Trump é um fracasso. E a culpa é sim da imprensa, da imprensa republicana que se comportou como uma horda de fanboys geeks que não preveem um flop do filme do seu super herói favorito. Adoram fan service em um filme auto indulgente cheio de efeitos especiais. Acham que só alienados fora do seu microcosmo de sabedoria se preocupam com “detalhes” como lógica, clareza, causalidade, consequência, coesão e consistência.
    Quando o seu filme perder no box office de novembro para uma comédia romântica clichê e insossa, mas com as pontas do roteiro meramente amarradas vão dizer que a culpa é da crítica.

    Ps: isso deixa uma lição profunda para as eleições de 2018: a imprensa brasileira de direita vai apoiar um candidato liberal-conservador capaz de cativar eleitores de todas as matizes como o Caiado? Ou essa imprensa vai preferir bancar fanboy de político com incontinência verbal só porque ele tem muitos likes no facebook? Vale apena trocar coerência e pragmatismo por audiência? Depois de perder, não adianta apelar ao coitadismo como o Trump e culpar o moderador do debate por repetir coisas que ele próprio falou no passado ou até mesmo culpar o microfone.

    [1] https://www.nationalreview.com/nrd/articles/430412/conservatives-against-trump
    [2] http://www.bbc.com/news/election-us-2016-37369515
    [3] http://www.vanityfair.com/news/2016/08/donald-trump-campaign-expenditures
    [4] http://politi.co/2cJ44C5
    [5] http://www.newyorker.com/news/john-cassidy/trump-university-its-worse-than-you-think
    [6] http://www.nydailynews.com/news/politics/trump-spokeswoman-blames-humayun-khan-death-obama-clinton-article-1.2736333
    [7] http://edition.cnn.com/2016/07/31/politics/donald-trump-russia-ukraine-crimea-putin/
    [8] http://www.politico.com/story/2016/07/trump-confuses-tim-kaine-226283
    [9] http://www.independent.co.uk/news/world/americas/us-elections/donald-trump-accused-of-treason-after-urging-russias-vladimir-putin-to-hack-hillary-clintons-email-a7158976.html
    [10] http://www.politico.com/story/2016/02/donald-trump-iraq-war-219471
    [11] http://www.vox.com/2016/7/18/12211482/donald-trump-iraq-war-pence
    [12] http://www.cbsnews.com/news/trump-in-2008-hillary-clinton-would-make-a-great-president/
    [13] http://www.nbcnews.com/politics/2016-election/full-list-donald-trump-s-rapidly-changing-policy-positions-n547801
    [14] https://youtu.be/68C7r1Fzn9g

    • Che Fc

      Só faltou combinar com os eleitores.
      O “conservadorismo de princípios” republicano é o mesmo que perdeu com folga para Obama por duas vezes e perderia para Clinton de forma muito mais fácil nessa eleição. Há um motivo pelo qual Trump ganhou as primárias: as pessoas estão saturadas de republicanos sem nada entre as pernas, que ficam falando de princípios enquanto são massacrados pelos democratas que ganham cada vez mais poder. Os próprios eleitores republicanos estão cansados dos políticos cheio de pudores dentro do partido, já perceberam que guerra política não se faz com cavalheirismo.
      Some-se a isso o fato de que, fora do partido, Trump é o único candidato republicano após anos que conseguiu um número maior de eleitores independentes e até mesmo uma proporção maior entre o público negro e latino, históricos currais eleitorais dos democratas.
      Quanto aos seus escândalos, todos já foram amplamente desmentidos (sugiro ver os vídeos do Stefan Molyneux a respeito – The truth about Donald Trump -, com amplas referências sobre cada uma das acusações). Temerária ainda é a ausência de senso de proporções em grande parte das suas críticas (como comparar Tweets de um cidadão fora do governo com e-mails confidenciais de uma secretaria de Estado).
      Interessante também o fato de todas as suas fontes serem da grande imprensa ou de veículos assumidamente de esquerda, exceto uma ou outra como a National Review (que é ligada ao establishment republicano, os mesmos que adoram perder eleições em nome de princípios). Texto na íntegra: nenhum. Audio na íntegra: nenhum. Contextualização: nenhuma. Análise original baseada nos documentos na íntegra: nenhuma. Basta ler um título ou um texto escrito por um jornalista qualquer ou ver um vídeo cortado de 20 segundos e você já sabe tudo sobre o assunto, a ponto de usar essa fonte como referência para confirmar o seu ponto de vista. Você fala do que ouve de terceiros e compra uma imagem pré-fabricada que vai ao encontro de seu conceito já previamente estabelecido, usando o que lhe é conveniente para reforçar o seu bias de “conservador de verdade”. Triste.

      • Jorge O.

        O próprio partido percebeu que Trump é um encosto e tem que desmentí-lo todo dia. O trabalho de Mike Pence é ter que negar no dia seguinte o Trump disse no dia anterior. A partir de 9 de novembro o partido vai abandoná-lo falando sozinho para contabilizar as perdas na câmara e senado.

    • Vander Lei

      Comparar Trump com Sanders foi a gota dágua. Se a eleição de Hillary Clinton fosse favas contadas o establishment não estaria enlouquecido como de fato está. O resultado disso tudo transforma o noticiário sobre a campanha eleitoral americana num troço surrealista, num absurdo inominável sem paralelo na história.

      Não há um único veículo de comunicação ao redor do mundo pertencente ao que se convencionou tipificar como ‘grande imprensa’ que não se dedique a fazer de Donald Trump o Judas desta eleição presidencial. Já Hillary… é santa. Me admira que o Papa não a tenha canonizado já em vida.

      E sobre as mulheres vítimas do excesso de testosterona do maridão Bill Clinton? Até agora em número aproximado de 20 mulheres? Ninguém comenta nada sobre o charuto usado nas partes íntimas da estagiária no salão oval? E a ameaça de morte da esposa cornuda a essas mesmas vítimas, para que ficassem com a matraca fechada?

      E depois disso Trump é que é o fracasso? Pelo amor de Deus, esquerdista quando não tem mais como defender seus campeões, sempre apela ao óbvio: rebaixa o pódio para que tudo fique igual.

      • Jorge O.

        Quem falou isso foi Bill O’Reilly, âncora da Fox News, o mais republicano dos meios de comunicação. E ele falou isso nas primárias, antes de Trump ser selecionado. Vá reclamar com ele e chame-o de esquerdista.

  • Sidney Pires

    Como não sabe? Hillary tem 40 anos de serviços acompanhou o marido no sucesso da America. Eu creio na Hillary para escolher os Juízes que vai manter a cultura da America. Trump, queria fazer o que Hitler fez na Alemanha. O projeto de Trump e o mesmo de Gold Water, Segregacionista. Hillary e uma Liberal . O juiz Roberts usou o bom senso. Nos não temos direita e esquerda como no Brasil ninguém tem ideologia são só bandidos dos 2 lados. aqui temos Ideologia e são tem Rednecks mesmo, conheça a historia leia. 1871, 1920, a morte de Luther King, Robert Kennedy, President Kennedy. O Povão e Hillary.

    • Che Fc

      Você é … cara, que loucura.
      Sabe o que significa liberal nos EUA?