Mais do que errar e torcer: a mídia brasileira apostou em sua própria ideologia, sabendo que não será responsabilizada por seu teatrinho.

Para quem acompanhou as eleições americanas pela Globo News, Donald Trump seria assemelhado ao fascismo, porque sua “retórica” é “intolerante” e calcada no “discurso de ódio”. Qualquer coisa que Donald Trump pense, fale ou faça possuiria como substrato e premissa oculta um “discurso oculto de racismo”, que odeia latinos e muçulmanos. Seus eleitores são apenas e necessariamente homens brancos, sem educação e do interior.

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Demétrio Magnolli determinou que o slogan do Republicano, “Make America great again” apela a um “passado mítico, imaginário” (sic) e, portanto, inexistente do passado americano.

As palavras do jornalismo para descrever Donald Trump são aquelas que sempre desencadeiam sentimentos fortíssimos de repulsa imediata, antes mesmo de se ouvir o que está sendo descrito. Demétrio Magnolli falou em “insurreição”. Para explicar por que todas as análises de todos os jornalistas estavam erradas, falou em “vingança branca”.

Também disse que o racista escravagista Andrew Jackson, fundador do Partido Democrata de Hillary Clinton, queria uma “democracia jacksoniana” que nada tem a ver com o “passado mítico” de Donald Trump (Andrew Jackson queria manter o país com economia controlada, subsídios governamentais e plantations escravocratas).

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Caio Blinder fez uma das torcidas mais abertas por Hillary Clinton, declarando, por exemplo, que o que Donald Trump sabe fazer é “ofender deficientes” (um deficiente em um comício seu gritou por Hillary, Trump ironizou e, no telefone sem fio da mídia e seu vício atual em falar racista-machista-homofóbico, a boataria é a de que Donald Trump “ofende deficientes). Usando como fontes os veículos de propaganda do Partido Democrata, como o New York Times e a CNN, apelidada na América de Clinton News Network, apostou em um massacre de Hillary Clinton:

Como o prêmio de sua aposta era pintar a barba de vermelho, com espírito esportivo cumpriu a promessa:

Monalisa Perrone, que já foi atacada ao vivo por um grupo que defendia o fim da família tradicional e lutava por um mundo melhor (contra o racismo e outros -ismos e -fobias), afirmou na Globo que quem quer restabelecer valores, incluindo família, como dar um beijinho na vovó e respeitar a hierarquia, “beira o extremismo”, e que os americanos, se fossem “equilibrados”, deveriam votar na candidata que apóia o aborto até na véspera do parto:

Logo após, um momento ainda mais vergonhoso. Ao comentar os “mantras” de Donald Trump, Monalisa Perrone dispara absurdidades que só existem em sua cabeça, como de que Trump e seus apoiadores gritam “Odiamos muçulmanos”, “Odiamos negros”, “nojentos”, ainda perguntando se isso estava sendo proferido na festa Republicana da vitória – uma loucura tão gigante que acabou cometendo a façanha de tomar um pito ao vivo.


Lúcia Guimarães, outra torcedora do complexo Globo-Estadão, no afã desesperado para dizer que Trump é racista, conseguiu tentar uma associação tão gratuita que escancarou apenas a vontade de caluniar. Donald Trump, que foi mais 8 vezes mais interrompido do que Hillary Clinton no primeiro debate, tentou dizer que Trump interrompeu o moderador Lester Holt de volta porque Lester é… negro.

Lúcia Guimarães afirma no Twitter que Donald Trump interrompe Leslie Holt porque ele é negro.

A tentativa desesperada de afirmar algo que não é real foi tão vergonhosa que Lúcia Guimarães provisionalmente apagou o tweet para evitar a vergonha.

A desinformação não correu solta apenas no Brasil. Na América da Clinton News Network, tratada como fonte única do jornalismo brasileiro em uníssono, quando nunca chega aos pés em audiência da Fox News, a CNN conseguiu também uma façanha: entrevistou “transeuntes” em um protesto contra Donald Trump após a sua vitória eleitoral, que, como o sensacional Milo Yannopoulos descobriu, era um ex-funcionário da própria CNN. Esta é a grande e única fonte “moderada” do jornalismo brasileiro.

E Guga Chacra?

Guga Chacra continua dizendo que Hillary é vencedora absoluta em Nova York.

Fosse a Veja ou a Mídia Ninja, fosse o Manhattan Connection ou o Catraca Livre, o erro da mídia foi em uníssono. Nós aqui do Senso Incomum fomos um dos raríssimos gatos pingados na mídia que não foram “pegos de supresa”: todos os nossos colunistas já haviam avisado que Donald Trump já estava eleito há tempos.

Como disse nosso também colunista Alexandre Borges, no episódio 17 do Guten Morgen, o nosso podcast, a imprensa precisa parar de se surpreender. Sem surpresas, Alexandre Borges também afirmou, naquele tempo, que Donald Trump era o preferido. Já nosso colunista Filipe Martins resolveu exagerar e acertar não apenas a vitória acachapante de Trump, mas o resultado em simplesmente 46 estados, em sua previsão mais otimista, e 49 em sua previsão mais conservadora (!).

A imprensa tem como função investigar eventos que seriam desconhecidos do grande público, traduzir eventos complexos que a população não capta o sentido, apresentar fatos de interesse geral. Quando ela se furta a tudo isso para confundir sua própria torcida com os únicos fenômenos existentes, relegando todo o restante à pecha de “preconceito” ou de gente tão inferior que não merece ser contada, ela tenta omitir a verdade, direcionando toda a atenção para um lado, como um prestidigitador. Quando a verdade, sempre maior do que a mídia, se mostra incapaz de ser inteiramente descoberta, jornalistas são vistos trajando apenas as roupas do rei.

Nassim Nicholas Taleb, que passou a vida como analista de risco no complexo sistema bancário suíço, sempre exige algo dos forecasters que fazem previsões na TV: que previsão anterior você acertou? Sem surpresa, contrariando todos os jornalistas mundiais que “se surpreenderam” com Donald Trump, Taleb foi um dos poucos pensadores, junto com Scott Adams (criador das tirinhas do Dilbert) e Ann Coulter (a “radical” recusada até pela Fox News) que acertaram com precisão cirúrgica a vitória de Donald Trump.

O público brasileiro não vai reagir a isso? É simplesmente impossível que os próprios jornalistas, que erraram praticamente todos, tomem uma atitude contra si próprios, cobrando responsabilidades e conseqüências pelo que dizem.

Um site pequeno e mixuruco como o nosso Senso Incomum, sem milhões no orçamento, sem correspondentes em Nova York, sem dinheiro do BNDES ou da Unicef, não se surpreendeu em nada. O jornalismo inteiro, sim. O barco já fez muita água para o público não perceber que precisa se mobilizar.

Uma campanha de boicote aos canais de TV que torram uma fortuna do orçamento familiar com TV a cabo nem foi ainda aventada. Uma campanha organizada, entupindo as caixas de e-mail dos jornais pedindo por analistas competentes, parece ainda mais difícil do que fazer o impeachment de uma presidente de um partido que aparelhou até o último fio de cabelo do país. Mesmo o financiamento às mídias alternativas, para que estas cresçam e possam tomar o espaço deixado pelo vácuo de verdade da grande e velha mídia, preocupada apenas em não pegar mal e em fazer associações de Donald Trump com coisas mais desagradáveis do que ele, ainda é insanamente pequeno no Brasil, mesmo que sejam muito mais eficientes e baratas do que a assinatura de 10 caríssimas revistas semanais.

Os pacotes de TV por assinatura, nas duas ou três companhias que oferecem o serviço no Brasil inteiro, sempre exigem que se pague pelos canais usados como fonte para o fracasso retumbante que foi o jornalismo nas eleições americanas (e no Brexit, que nós aqui acertamos e avisamos o que a mídia não dizia, e no acordo de paz com as FARC, que nós aqui acertamos e avisamos o que a mídia não dizia…). Não há pacote que permita uma Fox News no lugar de uma CNN, que permita os canais de filme sem pagar pelos riquinhos da Globo News com seu nojinho de “brancos do interior”, por exemplo. Por que não iniciar uma campanha exigindo exatamente isso?

Por que devemos pagar pela GNT, com seus infinitos programas de pessoas incalculavelmente ricas visitando outras pessoas georgesoroseanamente triliardárias, para vestir uma sandália de couro e cozinhar uma abobrinha com inhame para se sentirem “pessoas simples”? Por que não se exige acabar imediatamente com a lei da cota para programa nacional em TV a cabo?

É com isto que este pensamento se alastra e o jornalismo não se renova: com folhas de pagamento garantidas por programas e canais vizinhos. E qualquer bar de esquina hoje precisa pagar seus trocados para passar uma Globo News para seus freqüentadores, pagando todo um quadro de incompetentes com o dinheiro do trabalhador brasileiro.

Por que o público não exige uma renovação dos quadros jornalísticos após um fracasso retumbante de falta de jornalismo? Por que sempre os entrevistados como classe falante “especialista” são os mesmos que gastam madrugadas explicando por que estavam completamente errados, e como que estão certos em terem acordado meio-dia, traduzido o editorial do New York Times e citar o jornal do almoço da CNN para terem errado e por isso devemos ouvi-los de novo: por terem ótimas desculpas para estarem errados, já que são os “especialistas”.

A especialidade suprema do jornalismo brasileiro é errar e se furtar a colher qualquer conseqüência do que plantou.

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  • Stef

    Por conta disso que precisamos sempre de sites como este, sputnik news e etc. E com relação ao empurra-empurra de conteúdo nacional através das TVs a cabo… Bem, acredito que isso está com os dias contados, considerando o enorme número de brasileiros utilizando a Netflix e outros serviços de streaming de mídia, além de outras alternativas como o IPTV. E de uma coisa eu tenho total certeza (pelo menos dentro do meu círculo de conhecidos e amigos), foi-se o tempo que brasileiro era calado com tais incoerências, muitos já estão “sentando o pau” na mainstream via formulário de fale conosco, mesmo que em vão sendo só mais um na caixa de e-mail deles, porém nunca calado.

  • João Marcos

    O principal fato de 2016 foi o fim da Idade Mídia. Eles erraram em todas, deixaram clara sua torcida e agora estão p******* com a indicação do chefão do Breitbart para Estrategista-Chefe do Trump.

    Quanto tempo até o Senso Incomum virar o Breitbart daqui?

  • Ad Utrumque Paratus

    O chamado à responsabilidade é um sonho, mas duvido que a mídia nacional, ou mesmo a internacional, faça isso. É como apresentou Flávio Gordon, no seu muito bem escrito artigo “Deturparam Marx: milésima edição.”, o mea culpa sincero parece ser impossível à esquerda. E assim vai ser em relação ao jornalismo tupiniquim, pois como estavam todos cheios das “melhores intenções”, já estão justificados de saída. Não precisam arcar com consequências de nada.

  • Camilo Soares

    “traduzir eventos complexos que a população não capta o sentido”
    O pronome relativo “cujo” existe por uma razão.

  • Camilo Soares

    “um deficiente em um comício seu gritou por Hillary, Trump ironizou e, no telefone sem fio da mídia e seu vício atual em falar racista-machista-homofóbico, a boataria é a de que Donald Trump “ofende deficientes”
    Não foi bem isso. Houve um jornalista que possui uma deformidade em um dos braços que escreveu anos atrás um artigo cujas informações confirmavam uma determinada afirmação feita por Trump cuja veracidade havia sido questionada. O tal jornalista, que certamente é esquerdista, não gostou muito disso e escreveu uma “retratação” no qual praticamente renega o que ele mesmo escreveu, dizendo que “não se lembrava” muito bem do que tinha acontecido na época. Trump, que aparentemente nunca havia visto o jornalista pessoalmente, ridicularizou a atitude covarde do jornalista valendo-se de um gestual ridicularizador que ele usou outras vezes contra outros oponentes sem qualquer tipo de deficiência física, e até para ridicularizar a si mesmo. O resto é distorção da mídia.

  • Eliane Moura

    A vitória de acachapante de Trump foi um furo NA imprensa mundial.
    Nem foi surpresa, pq num Zoológico da China, mandaram um macaco escolher entre o retrato do Trump e da Hillary. O macaco escolheu o Trump.
    Entre as pesquisas e o macaco chinês, fico com o macaco.

  • Leonardo J. F. Neiva

    Flávio, como sempre, seu texto está excelente. Parabéns pela inestimável contribuição que presta a esse país, trazendo o informações de qualidade.

    Eu já não vejo mais nada da mídia tradicional. Já iniciei o boicote. Até O ANTAGONISTA parei de ler por causa dessa torcida ridícula para a Hilary.

    Agora só falta eu criar vergonha e me juntar aos patrões do site. Vou fazer isso ainda hoje.

    Parabéns !

  • Allan Bulova

    Lembrava dessa entrevista que você deu ao Pânico. Foi um dos poucos que acertaram.

  • Xís Équis

    Você é dofa, Flavio.

  • Fabio MS

    Flávio, dá uma olhada no que escrevi dia 10. Achei parecido, guardadas as devidas proporções de qualidade (o seu é muito melhor), com parte do que você escreveu:

    Acordei e, logo cedo, ainda deitado, arranquei meu celular do criado-mudo. Procurava por resposta a uma dúvida que me recém tinha surgido: quem venceu as eleições americanas?

    Na noite anterior, acompanhei parte do Jornal Nacional, li uma matéria ou outra nos sites de notícias mais famosos (Veja, Globo.com, Folha), ouvi comentários de especialistas aqui e acolá, e, para todos, a mulher Clinton seria a vencedora, com o falastrão Trump sendo humilhado.

    Essa é a mídia nacional.

    Assim correram os últimos meses, em todas as noites anteriores ao dia de hoje. Meu cérebro foi bombardeado e meus testículos martelados por coisas do tipo “Trump tem posições radicais, é racista, xenófobo, machista, etc.” Só faltou ouvir que era inimigo da classe operária, a favor do impeachment, contra o ensino público, a favor da PEC 241, amigo do Bolsonaro, que queria prender o Lula, que era discípulo do Olavo de Carvalho e por aí vai.

    Sobre Hillary, propagandeavam-se os mais gostosos adjetivos, até mesmo quando os repórteres com cara de nádegas e os mais polutos analistas sabichões explicavam, em tom professoral, que ela “pudesse talvez estar” em maus lençóis por causa da história dos e-mails (se você não sabe que história é essa, você é muito burro para estar lendo o que eu escrevo. Pare de ler e volte ao jardim de infância. Um sorvete de casquinha na testa é seu chapéu favorito, suponho). Nenhuma palavra, contudo, foi dita sobre Benghazi, os métodos de arrecadação de fundos da fundação Clinton e tantas outras maracutaias ligadas à ex-primeira dama, mulher de um ex-presidente adúltero.

    E as pesquisas eleitorais? Todas sentenciavam Clinton como a medalhista de ouro. Donald Trump se tratava de carta fora do baralho, um medalhista de plástico. As eleições seriam apenas o rito necessário a confirmar a glória do Partido Democrata e de sua sorridente, cambaleante, mentirosa e super simpática representante – uma mistura indigesta de Dilma Rousseff, Gleisi Hoffmann e Maria do Rosário.

    Você que acompanhou a cobertura das eleições americanas somente pelo que nossa magnífica imprensa produziu, deve ter ficado boquiaberto com o resultado final (se ficou, você é muito burro para estar lendo o que eu escrevo. Pare de ler e volte ao jardim de infância…).

    Até entendo seu espanto. Os jornalistas-comentaristas-analistas das organizações Globo et caterva, incluídos os especialistas de facebook, pareciam torcedores de futebol de um mesmo time, discutindo em um bar, numa disputa de elogios à equipe objeto de sua paixão.

    Mas…

    Vitória republicana. Trump’s victory.

    No noticiário da manhã, as manchetes deram o tom do que seria transmitido por toda a imprensa e replicado pelos papagaios de redes sociais ao longo do dia. Clichês seguidos ou antecedidos pelas palavras “surpresa”, “surpreendente”, ou pela expressão “contrariando as expectativas”.

    Líderes europeus, ONU, professores universitários tão independentes quanto uma porta, mal disfarçavam o desconforto pela vitória de Trump, afinal de contas, terão de aguentá-lo, pelos próximos anos, fazendo picadinho daquele ar de superioridade que todos eles costumam exalar.

    Inconformados, então, nossos especialistas queriam entender como Trump venceu. E saíram a procurar culpados. Seria a onda conservadora que vem dominando a galáxia? Talvez a culpa seja dos americanos brancos burros, dos latinos burros, dos negros burros, dos asiáticos burros, dos pobres burros, dos ricos burros, dos judeus burros, dos católicos burros, dos evangélicos burros, enfim, de todos os iletrados-ignorantes-que-não-concordam comigo que votaram em Trump, lustrosamente apelidados de maioria silenciosa.

    Ora, se pensadores aquilatados como Lady Gaga, Bruce Springsteen, Jon Bon Jovi, Jay-Z, Beyoncé, Jennifer Lopez, Madonna e tutti quanti manifestaram, abertamente, seu desprezo por Hitler, digo Trump, por que um americano branco burro, um latino, um negro, um careca ou um japonês fariam diferente?

    Aliás, como é que os latinos da Flórida, que serão lançados em imensos vagões com destino a Guantánamo, onde sofrerão sessões de afogamento nos vasos sanitários mais sujos que alguém ouse imaginar (ao melhor estilo banheiro de rodoviária), puderam votar no próprio demônio?

    Ouça, amigo que trabalha na grande mídia. Ouça, intelectual de facebook. Ouça, estudante que mal tirou as fraldas e quer dar pitaco em tudo. Ouçam, senhor e senhora portadores de bundamolice crônica: Trump venceu. A vitória dele é para vocês. Este texto que escrevo é para vocês. Trump tem um topete feio e engraçado. Ele pinta o cabelo. Ele não dá a mínima para os seus “ais” e “uis”. Ele chuta a sua bundamolice. Ele fala palavrão. Ele conta piadas (bem sujas!). Ele gosta de mulher. Ele faz “comentários machistas sobre as mulheres” (Oin, que nojinho! Santo Deus!). Ele disse que vai construir um muro na fronteira com o México (como se lá já não tivesse um). Ele não gosta de terroristas, incluídos os muçulmanos, mesmo que esses terroristas digam que não são terroristas. Ele é CONTRA O ABORTO. Ele fala sem o compromisso de agradar quem o ouve. Ele agradou a milhões. Ele triunfou.

    Aceite, caro jornalista-analista-especialista-matraca-de-facebook, que você não sabe nada.

    Depois que você disse que a aprovação do Brexit afundaria o Reino Unido, a Europa, o planeta terra e os sistema solar num caos econômico, e isso não aconteceu, nem está perto de acontecer, nem acontecerá, você deveria ter aprendido a parar de fazer torcida e a começar a respeitar os fatos. Mas não. Você é teimoso.

    Escute aqui, seu especialistazinho em porra nenhuma (grave o que vou dizer):

    – por causa de Trump o mundo não vai acabar;

    – A economia dos EUA não vai degringolar;

    – As criancinhas não vão passar fome;

    – A América Latina não vai perde importância; nem ganhar, pois os americanos simplesmente não dão a mínima para nós;

    – as pessoas de bem não serão ameaçadas;

    – Os americanos não são burros;

    – todas as pesquisas, tudo que vocês disseram sobre Hillary, todas as suas opiniões sobre ela e as eleições americanas eram furadas;

    – Hillary Clinton é MILIONÁRIA, dissimulada, mentirosa, desonesta e corrupta;

    – ser milionário ou bilionário não é algo ruim;

    – Ter dinheiro não é ruim.

    – Ser casado com uma ex-modelo eslovena (!) não é defeito;

    – O aquecimento global é uma grande babaquice.

    Para concluir: não entendo porra nenhuma de política americana ou internacional e não faço ideia se Trump será bom ou ruim para os americanos e para o mundo. Do alto da minha sabedoria acho que a vitória dele trará mais benefícios do que malefícios.

    Pois bem, dito isso, como lição, o que vejo é o seguinte: as nossas posições políticas, no momento em nos fazem afastar da fria análise dos fatos, transformam tudo o que dizemos em mera torcida, por mais enfeite que coloquemos. No fim das contas, quando aparecem os Trumps para jogar na nossa cara que sempre estivemos errados, as seguintes opções se apresentam: a) por o rabinho entre as pernas, fechar o bico e reconhecer nossa burrice e nossa desonestidade ou b) ficar com cara de babaca triste, de mimimi, tentando encontrar culpados pela nossa falta de cérebro, que nos fez acreditar que as coisas é que deveriam se amoldar à nossa mente, e não que a nossa mente é que deve aceitar as coisas como elas realmente são.

    Um abraço e boa noite.

    Chupa Hillary!

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