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O clima de indignação é compreensível, mas desde junho de 2013 o Brasil deveria entender que boas intenções não adiantam contra corrupção.

O Brasil, que não tem mais literatura ou alguma preocupação intelectual superior à política rés-do-chão há meio século, agora só acompanha notícias dia a dia para cobrir o vácuo da existência. Todos já ouviram que propuseram “10 medidas contra a corrupção”, e a idéia já é antiga.

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O povo, que não gosta de corrupção (noves fora sindicalista e leitor da Carta Capital, que não são povo), apoiou imediatamente as tais 10 medidas contra corrupção. Tão imediatamente que nem fez uma breve pausa para ler o que são as tais 10 medidas.

Uma delas é descrita como “Aumento da eficiência e da justiça dos recursos no processo penal”. Deu pra entender alguma coisa do que vai mudar? Seria uma lei dizendo: “Está aumentada a eficiência, revoga-se todas as disposições em contrário”? Ao pensamento que desconfia de políticos, preferindo o isolamento do realismo às glórias do otimismo heróico de manada, a matéria merece suspicácia. Quem sabe que são mais de CEM artigos nas tais “10 medidas contra corrupção”?

É fácil admirar um povo cansado de ser feito de trouxa, mas o papel de parcela pensante da população exige um trabalho menos glorioso e que rende xingamentos: a análise que nos deixa pessimistas.

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Entre as medidas, encontram-se bizarrices que matariam de nojo quem está tão desesperado por sua aprovação como única panacéia existente contra a corrupção. Por exemplo, julgamentos do STF não seriam mais televisionados, para os ministros não se sentirem “pressionados”. Haveria julgamento do mensalão sem a pressão social que as transmissões causaram?

Uma das medidas ganhou uma emenda: a anistia (podem dizer que, tecnicamente, não é, mas funciona à perfeição como uma) de caixa 2, de falsidade ideológica eleitoral e de lavagem de dinheiro. A matéria mereceu um vídeo de nossa colunista, Janaína Paschoal, autora do pedido de impeachment de Dilma Rousseff.

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Isto apenas em alguns exemplos simples. Basta assistir a palestra de Janaína Paschoal no 2.º Congresso Nacional do MBL para se assustar fortemente com cada uma das medidas “anti-corrupção” que estão sendo aventadas. Ao invés de avançar o trabalho de colocar corruptos na cadeia, o que está sendo feito com as leis atuais, as mudanças chamadas de “Aumento de eficiência” envolvem transformar em corruptos juízes como Sérgio Moro e o Procurador da República Deltan Dallagnol, por abusos de autoridade, por escutas telefônicas (retirado do projeto) ou mesmo por posts no Facebook, considerados “atuação política”.

Note-se: apesar de a população estar agora questionando “o que fizeram” com o tal projeto anti-corrupção, isto que vai acima nem está na discussão corrente no Congresso e nas redes.

Reflexão rápida: é isto o que a população quer? A população sabe o que está defendendo quando grita por 10 medidas dos quais só conhece o nome fantasia, sem saber a razão social que vem por detrás de boas intenções? Alguém, mesmo nos jornais, soube do que está elencado nos parágrafos superiores?

Foi na calada dessa última madrugada que um texto ruim (péssimo, se bem analisado) foi transformado em um Frankenstein ainda pior. Conforme resumiu O Antagonista, haverá até mesmo prisão por por desrespeito às prerrogativas de advogados, algo que lembra a justiça soviética descrita por Aleksandr Solzhenitsyn em Arquipélago Gulag. Mas o dano é ainda agravado:

– Os criminosos não terão de devolver a fortuna acumulada com propinas.

– O tempo de prescrição continuará com réu foragido.

– Os partidos não poderão ser punidos pelo roubo.

Não à toa, a manobra foi chamada de AI-5 do crime organizado. Para quem não conhece o Brasil, urge frisar: os corruptos não impediram as medidas contra corrupção. Isso foram as medidas “contra” corrupção. Um lingüista habilidoso saberia determinar que o uso de uma palavra não significa a consubstanciação da intenção de quem profere aquela palavra. O povo em geral, pouco versado nos meandros da linguagem, do Direito, da pragmática e do Congresso Nacional, para explicar o que viu, agarra-se à explicação de que “traíram” as 10 medidas originais. A versão noticiário do famoso “Deturparam Marx”.

A situação agora é que um dos homens mais envolvidos em denúncias de corrupção do país, Renan Calheiros, quer urgência para aprovar as 10 medidas contra a corrupção, uma frase que precisa ser relida e explicada por mais de uma hora para um estrangeiro entender. Enquanto isso, os brasileiros e quem é contra a corrupção precisa torcer para um adiamento da votação das 10 medidas contra corrupção, outra frase que seria reescrita por qualquer revisor que não soubesse do que está acontecendo no Congresso.

O recado, posto desta forma, não poderia ser mais claro: desconfie de boas intenções. Não é porque algo diz “contra a corrupção” que este algo será contra a corrupção. Muito menos se este algo for, por exemplo, um projeto de Lei, proposto de dentro do sistema político, sem ser um projeto que parta da população, como foi o impeachment. São situações que não poderiam ser mais distintas, nem se esforçando.

No momento, convoca-se protestos para o dia 4 de dezembro. Os movimentos Nas Ruas e MBL confirmaram presença, embora o último, com a influência de Janaína Paschoal, não apóie integralmente o teor das 10 medidas.

Na chamada do movimento “Vem Pra Rua”, declaram-se pautas. Estão lá o fim da anistia, e também a aprovação das 10 medidas, juntas. O fim do foro “e outros privilégios”, além do veto à lei do abuso de autoridade. O item 4 é emblemático: “STF, chega de moleza!”. Não se é possível traduzir em termos práticos o que isso significa. Tempo? Rigor? Endurecimento de “julgamentos”? Pautas genéricas, 2013 já deveria ter ensinado ao Brasil, são prenúncio do que Ortega y Gasset chamou de homem-massa: a política pela pressão social e revolta popular nas ruas, não mais por argumentos, parlamentos ou a mais ínfima ciência e consciência do que se está fazendo.

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Há um componente maior a azedar o que já está invertido: a esquerda, inclusive o próprio PT, aproveitam-se de um inimigo comum (Renan Calheiros, nosso bode expiatório) para também convocar sua pauta e participar e convocar sua militância para as manifestações, inclusive com ônibus fretados e prováveis black blockers. Como seu discurso há meses é o “Fora Temer”, sem vírgula, e como Michel Temer foi eleito pela esquerda, e não por aqueles que lutam contra todos os corruptos, muitas pessoas já estão batendo panelas e encarando o “Fora Temer”, animados para fazer um novo protesto no dia 4 de dezembro para acabar com a corrupção.

Apenas uma leitura e reflexão simples sobre o intróito já seriam suficientes para destacar que nem tudo o que diz que é anti-corrupção e tem nome de anti-corrupção seja anti-corrupção. De Collor a Lula, o discurso anti-corrupção colocou corruptos no poder a granel no país. Por que então acreditar que precisamos de novas leis, sendo que elas, manipuladas pelo Legislativo, saem sempre mais desmembradas do que um feto abortado? Por que acreditar que o “Fora Temer” agora será algo vantajoso para quem não votou em Temer, não gosta de Temer, não coaduna com Temer, não quer passar a mão na cabecinha de Michel Temer?

A esquerda, que tem a imprensa inteiramente a seu favor (enquanto mantém o discurso de ser uma força minoritária e sem poder algum diante do que chama de “capital”), pode muito bem, com suas UNEs, seus MSTs, seus PSOLs e seus black blocs, para não falar no próprio PT, que pode aparecer sem disfarçar, ganhar o discurso das manifestações do dia 4 de dezembro, que podem vir a ser noticiadas como “Manifestações pedem impeachment de Temer”.

Por mais que repudiemos Michel Temer com todas as forças, tal cenário só levará a eleições indiretas, para as quais FHC já articula sua candidatura. Ainda que tenha sido um presidente menos pior do que Lula e Dilma, a quem interessa a manutenção do statu quo tucano? Ademais, u mandato tampão agora, estrategicamente falando (e não taticamente, ou seja, pensando no longo prazo, e não na maior possibilidade de demonstração de poder imediato), serve a quem, senão à narrativa da esquerda, que será metralhada pelos próximos 2 anos nas manchetes de todos os jornais, de que Dilma sofreu um impeachment para as forças das trevas tucanas tomarem o poder sem aprovação popular (pois não possuem)?

Não se trata, como o pensamento binário pode tentar “analisar profundamente”, de cruzar os braços perante a corrupção. Pelo contrário: fazer uma manifestação “contra a corrupção” junto àqueles que instauraram a propinocracia no país não parece exatamente algo que vá funcionar “contra a corrupção”. Trata-se de pensar em outras medidas. Novos protestos. Projetos de lei a serem pedidos a deputados e senadores. Apoio à Lava Jato, à Polícia Federal e ao Ministério Público contra leis que tentem lhe cercear o poder (afinal, no Brasil, o risco é uma “ditadura da PF”, como crê a Carta Capital, ou bandidos legisladores soltos?). Justamente o contrário do que as tais 10 medidas e os protestos unindo uma esquerda blefadora e espertalhona e uma direita pouco consciente das conseqüências de suas ações vão gerar.

Por fim, resta destacar uma verdade que ninguém até o momento teve a ousadia de afirmar. Sem temer a impopularidade, vamos deixar claro: a Lava Jato e outras Operações puniram políticos a rodo nos últimos meses e anos sem precisar das tais 10 medidas contra corrupção. Os políticos têm medo das leis com as quais foram feitas Operações como a Java Jato, e não as novas leis, com as quais eles, como legisladores, podem brincar.

Será que ninguém percebe que, afinal, nenhuma algazarra no Congresso estaria acontecendo agora, e tudo teria seguido seu rumo de punição de bandidos e políticos com medo do Judiciário se as tais 10 medidas não existissem e se o povo não tivesse comprado o seu discurso irrefletidamente?

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  • INDIGNADO

    Artigo já datado. Em tão pouco tempo, logo após o julgamento de Renan pelo STF… Para nos induzir a abrir mão de nossos princípios em nome da “governabilidade” de uma casta de corruptos encastelados nos três poderes, não precisava de tanto argumentos. A grande imprensa e toda a esquerda tem feito a mesma coisa de uma forma bem mais direta.
    Mas o que acho mais perigoso na argumentação é usar as manifestações violentas da esquerda como “bicho-papão”. Tipo: não façamos nada, não nos manifestemos, pois isto pode ser o combustível para o discurso do caos.
    No dia em que nos tornarmos reféns desta escumalha, estará na hora de começarmos a procurar um outro país pra viver. Talvez este dia esteja mais perto do que desejo, mas certamente não será pela genialidade política deles, mas pela nossa covardia em assumirmos o protagonismo que o momento exige.

  • Rodrigo Ribeiro

    Minha cara, que pioraram não tenho dúvidas. Agora enquanto escrevo isso, o STF passa por cima da “constituição” e confirma Renan Calheiros no senado.

    Sinceramente? Acho que foi bom. Duvida? Pois o “substituto”, Jorge Viana, do PT, iria com toda a certeza emplacar alguma medida para eleições em 2017, caso Renan fosse afastado.

    Por isso digo: quando forem para as ruas protestarem, estejam bem cientes das consequências das quais esse protestos podem acarretar nas mãos de gente oportunistas.

  • Lucia Lopes

    Já estava publicado e desapareceu. Vocês não apreciam as críticas, apenas os elogios? C’est pas possible!!!

  • Lucia Lopes

    Cadê meu comentário? Foi apagado?

  • Lucia Lopes

    Não houve o que você temia, Flávio. Foram lindas e pujantes as manifestações. Os temas foram contra o estraçalhamento das Dez Medidas e contra a corrupção. Assim você atrapalha a gente e divide a direita… se se manifestar não ajuda, o que ajuda então? Poderia sugerir algo?

    • Rodrigo Ribeiro

      Não fique brava comigo, mas… a única coisa que vai ajudar as ‘direitas’ é elas primeiro nascerem.

      Bater panela na rua e se fantasiar de pintinho amarelinho certamente é uma opção. Mas te garanto: ela não derruba aquilo que hoje está instalado em Brasília. Nem em sonhos! Ela no máximo vai mudar a m*, mas as moscas continuarão as mesmas!

      Sinto em te dizer isso, mas a derrubada do leviatã ainda vai exigir décadas de esforço combinado e organizado. Protestos só fazem o monstro se esquivar em um canto. E feras esquivadas costumam contra-atacar com “violência” extrema em muitos casos. Quer um exemplo?

      Nesse exato momento que escrevo isso, o STF, a pedido de um partido filial do PT (a REDE, da petista Marina Silva), acaba de afastar Renan Calheiros da presidência do Senado. Quem assume interinamente? O petista Jorge Viana. Não era exatamente isso que o PT queria?

      Enfim, como disse: protestar é uma opção. Mas, em vista do cenário, é uma opção para mais esquerdismo ainda.

  • Jonny Hawkye

    Infelizmente algumas teorias da conspiração estão fazendo sentido… Porque ninguém dos grandes vai preso… E agora essas medidas parecem ter vindo diretamente do PT… Muito estranho…

  • Geraldo MAGELA Andrade

    A propósito, vale a pena ler este extenso artigo, onde as 10 medidas foram destrinchadas: http://www.jornalopcao.com.br/bastidores/entenda-como-as-10-medidas-contra-corrupcao-vao-aumentar-corrupcao-69633/

  • Rodrigo Ribeiro

    Lembro-me que nas manifestações de junho de 2013, Dilma Rousseff quase emplacou um plebiscito, como argumento de que estaria “ouvindo as vozes das ruas”. Óbvio que tal “plebiscito”, se aprovado, seria totalmente manipulado pelas militâncias das esquerdas para atingir o resultado desejado.

    Não sou contra o povo protestar contra um establishment como o nosso. É até um dever.

    Mas sou contra quando esse povo protesta sem propósitos, sem exigências claras e definidas, e pior: quando protesta dentro de uma arena que o próprio establishment criou para que tais protestos sejam “ouvidos” (ou seja, corrompidos) como desculpas para mais tirania.

    Repito: hoje, no Brasil, jamais serão as ruas que irão derrubar tal establishment presente. É burrice acharem que sons de panelas batendo e idiotas fantasiados de canários ostentando cartazinhos onde obviedades estão escritas vão comover criminosos que já no berço haviam perdido suas consciências. A oposição ao establishment atual não conta com personalidades e vozes poderosas dentro da arena criada pelo próprio establishment. Assim sendo, a luta não pode se dar nessa arena. Deve-se procurar uma estratégia que permita derrubar a arena, para que os criminosos sejam obrigados a lutar em campo neutro. Lutar na arena deles é derrota certa e garantida.

    Em 64, por exemplo, os militares interviram NÃO para livrar a nação das esquerdas. A verdade é muito mais dolorosa. Interviram para evitar que A DIREITA assumisse o poder. Duvidam? Então analisem qual foi a única vítima fatal da “dita-dura”? Eu digo: a direita política. Os militares fizeram vista-grossa à invasão das esquerdas na educação e mídia, mas calaram completamente as vozes da direita conservadora como Carlos Lacerda e Adhemar de Barros. Vejam a discrepância das mortes de militantes das esquerdas da “dita-dura” brasileira contra outras DITADURAS latinas (Argentina e Chile). E o pior é gente pedindo a volta dos militares! Coisa de gente insana mesmo! Este mesmo povo esquece que foi Geisel quem adotou uma postura totalmente esquerdista, anti-americana, chegando ao cúmulo de fornecer dinheiro e armas à Fidel Castro para invadir Angola.

    A luta para se recuperar o Brasil não pode ser realizada dentro da própria arena do establishment atual. Só que a estratégia, e os homens (e mulheres) que irão iniciar tal revolução, ainda não nasceram. Mas para que estes homens e mulheres que vão nascer possam realizar tal tarefa, um plano de longo prazo NÓS devemos deixar de herança para eles, assim como as esquerdas atuais também herdaram planos de longo prazo de seus criadores.

    Meu conselho com protestos: cuidado! Cuidado com o que vocês pedem. Pois, hoje no Brasil, entre o desejo ser atendido e realizado, existe um abismo.

    • Fábio Peres

      Os militares eram tão positivistas quanto Getúlio e seus antecessores, imaginando um capitalismo bancado pelo Estado. Não eram Pinochet.

      • Pedro Rocha

        É o chamado “nacional-desenvolvimentismo”, um socialismo fabiano com tempero de nazismo.

    • Jonny Hawkye

      Rodrigo você falou o que sempre tento explicar aos meus amigos! Porém de uma forma simples e direta! Parabéns!

    • Pedro Rocha

      O “Regime Militar” não pode ser visto como um movimento unificado, pois a ARENA era um saco de gatos assim como o MDB. Isso de dizer que os militares falharam no combate à infiltração comunista não é justo, já que todo o Ocidente sucumbiu. Queriam uma repressão estatal maior da parte dos militares? Nem mesmo a monstruosamente excelente máquina repressiva nazista conseguiu deter o avanço do marxismo no III Reich depois que os outrora aliados Hitler e Stálin se desentenderam na questão do petróleo romeno em dez/41. O marxismo se espalha porque não se baseia em premissas populares, mas se propaga com base em um dos sentimentos mais podres que o ser humano pode nutrir: a inveja!

      Voltando à ARENA, era um grupo heterogêneo que chegava a ter uma esquerda, como Geisel. Não se assuste com esse fato, pois mesmo a famosa Margareth Thatcher era a esquerda do Partido Conservador inglês, tanto que era abortista e resolveu a questão das Malvinas ao melhor estilo soviético: guerra, inclusive com ameaça de bombardeio nuclear à Comodoro Rivadávia, conforme relato de François Mitterrand.

      • Rodrigo Ribeiro

        Pedro Rocha, bons argumentos.

        Mas confesso que tu só corroborou o que disse:

        1) O dueto ARENA x MDB não passava de esquerdas x esquerdas. Porquê disso? Simples: os militares esvaziaram a ARENA da ideologia conservadora, “retirando” (cassação e até mesmo exílio) as grandes vozes conservadoras do cenário político. O que sobrou da ARENA era quase idêntico ao MDB: um imenso saco de gatos comunistas;

        2) Não disse que os militares falharam no combate ao comunismo. Para mim, eles (militares) NÃO estavam ali para lidar com comunismo, como bem afirmei no meu 1º texto. Eles, na minha visão, interviram para combater o “direitismo/conservadorismo”. O escritor Otto Maria Carpeaux afirmou uma grande verdade daquela época: que o progresso econômico dos anos 70-80 espalhou universidades por toda parte, mas que infelizmente o governo sonegou toda formação política conservadora às mesmas, deixando-as à mercê de professores esquerdistas militantes, que naquela época já monopolizavam a área;

        3) Sobre Thatcher, não precisa de discussão. A mulher era uma ‘neo-liberal’ (tenho raiva dessa palavra, pois o brasileiro só a conhece pelos zurros e relinchos da militância esquerdista. Prefiro o termo “liberal”, somente). Talvez exista confusão com Reagan, pois o presidente americano, da mesma época, era um autêntico conservador.

        4) Já sobre o nazismo x comunismo russo, nem precisa citar. É notório presenciarmos os atos de canibalismo das esquerdas. Para mim a melhor definição das esquerdas veio de um velho professor de filosofia que tive nos meus tempos da PUC: “As esquerdas são incríveis predadores. Todo o resto são presas, inclusive outras esquerdas”.

  • Claudio

    Caro Flavio, não há dúvida de que a esquerda na sua constante busca por narrativas (como você vem nos ensinando) poderá buscar se apropriar desse movimento com seu Fora Temer, já que o Fora Cunha caducou, a questão é, será que vale a pena correr esse risco? Acho que sim. Sem dúvida que a grande mídia, que reflete os interesses do “establishment”, também pode enfatizar esse aspecto mais do que o que nos interessa, que é barrar os inimigos da lava jato, e por quê? Porque o governo Temer já morreu para a Globo, Itaú, Bradesco, enfim, quem manda neste país, pois ficou claro que ele como presidente da república é um grande presidente do PMDB. O único objetivo dele sempre foi salvar a própria pele e dos seus comparsas, o “mercado” avalia mal a política (quase sempre) e fez uma aposta perdedora, pois tirar o PT nunca foi um objetivo do PMDB, afinal, eram cúmplices, eles foram obrigados a isso pelas circunstâncias e agora o “mercado” já precificou que o PMDB também se tornou insustentável até 2018. A saída FHC certamente está sendo avaliada, pois essa ideia já foi ventilada na imprensa, o problema? A repercussão junto à população, dada à rejeição do ex-presidente e do PSDB, e a apropriação da narrativa mais forte por parte da esquerda, de que Dilma sofreu um golpe para a tomada do poder pelas elites neoliberais, com certeza é tudo o que eles querem para ter tempo de se reagruparem visando 2018, eles sonham com esse cenário. Dito isso, o melhor então seria ir comer um churrasco e não se mobilizar pelo que nos interessa, salvar a lava jato? Acho que não, pois ai sim a pauta seria o Fora Temer porque eles vão com seus mortadelas e ficarão em maior número, quanto à mídia e os analistas da mesma, ora, eles não têm mais credibilidade alguma como você também vem demonstrando de forma cabal, afinal, quem se esquece de Cristina Lobo no início das passeatas do Impeachment tentando associar os manifestantes a defensores da ditadura? Passado todo esse tempo, quem acredita no que essa infeliz e seus colegas falam? Acho que formadores de opinião como você e tantos outros têm mesmo que definir o objetivo que essa manifestação deve ter, que é o de preservar a lava jato e os instrumentos que os juízes, procuradores e delegados devem ter para que não sejam impedidos de continuar com o trabalho revolucionário que está mudando o Brasil, sem dúvida as leis atuais vem demonstrando que isso é possível, mas não nos esqueçamos que o instituto da delação premiada foi uma das medidas adotada por Dilma (obviamente sem medir as consequências disso) no seu pacote pós manifestação de 2013, e isso foi fundamental para termos o resultado que temos hoje. Não fazer nada é dar aos políticos a impressão de que não têm o que temer e só o que eles temem é a voz das ruas. Na Itália não se conseguiu mobilizar a população que se acomodou e permitiu que as forças políticas se reagrupassem e destruíssem a operação “Mani Pulite”. Todo cuidado é pouco, concordo, mas se cuidado redundar em inércia, eles vão vencer, pode apostar, e com a lava jato avançando sobre outros partidos, tem-se a chance inédita de novas forças políticas se apresentarem, certamente à direita (verdadeira) terá chance de se efetivar finalmente como alternativa de poder.

  • Waldinei de Oliveira

    Correto. Eu argumentei mais ou menos nessa linha com um amigo ao explicar porque não vou à manifestação de domingo. Em todas as outras eu compareci, nessa, to fora, tá estranho.

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