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O Natal está sob ataque de uma retórica cientificista, secular e progressista. O que, afinal, nos traz amor: a ciência ou o Advento cristão?

Perguntada por um jornalista sobre o que deveria mudar no mundo, Madre Teresa de Calcutá respondeu: “você e eu”.

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Passamos tanto tempo pensando em política, em mudanças grandiosas, salvação do mundo, messias verdes que salvarão o planeta extraindo água do ar ou mesmo de fezes, programas governamentais que darão tudo a todos apenas com o seu voto, que esquecemos o óbvio. Tudo isso indica duas coisas:

A primeira, que nós pensamos sempre no mundo, na sociedade, no ‘povo’. Tudo isso é muito bom, mas são grupos anônimos, amorfos e, por fim, distantes.

A segunda é que depositamos nossa fé na politização. Política não é uma coisa ruim por si só. É tão essencial quanto pode ser ruim, como as leis. Mas a politização, na sua forma cada vez mais agressiva, significa depositar tudo em um projeto salvador. No final, inevitavelmente, você está alimentando o dragão que logo tomará o poder. Se você quer que ele faça por você e por todos, terá que lhe entregar tudo. Só que a promessa é apenas a da resolução política e física. Comida e ordem, mas do jeito que ele entende.

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Recomendam sacolas ecológicas, mas não usam. Achamos ótimo se todos aderirem à última descoberta científica sobre o iminente cataclisma, mesmo que tudo mude em 20 anos. Era resfriamento global, virou aquecimento global. Sem a menor cerimônia ou um bilhete para quem queria salvá-lo esquentando o planeta, e agora tem que lutar pra esfriá-lo. Hora de todos adequarem suas políticas e hábitos ao novo espetáculo do cataclisma.

A gordura, que era ruim, se tornou boa. Comida dietética; sem glúten, mesmo para você que não sofre de doença celíaca; sem calorias; sem ovo; sem sal e sem sabor, todas se tornaram (ou tornarão) vilãs depois de anos nos sendo empurradas goela abaixo! Hora de ditar a dieta de todos, proibir o que antes era recomendado, e deixar algum sábio eleito pelo que aparentemente é o nosso único esforço, o voto, decidir isso por você. Tudo baseado em outros sábios, ainda que estes pareçam indecisos quanto ao que realmente está acontecendo. Mas não importa! Faça tudo o que te mandam fazer agora! Afinal, é “pelo planeta”, e quem quer prejudicar o planeta?

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Ciência se adequa, evolui, se atualiza com novas informações, você me diz. Basta todos a seguirem e adequarem seus hábitos às novas informações, que está tudo bem. Pouco importa se você passou anos sem comer o que era gostoso. Ou que, é justo dizer, tem muita gente correndo com a bola da ciência sem os exatos parâmetros para uma ‘boa ciência’. Não perca sua fé nos sábios. Vote e relaxe. Se eles dizem, deve ser boa ciência. Ou não?

Ninguém propõe destruir o mundo, acabar com todas as áreas verdes, assim como ninguém propõe matar animais. Apenas bebês, pelo que eu saiba. E apenas quando são, segundo os defensores de tal prática, “um amontoado de células”. A menos, é claro, que alguém pense que desse “amontoado de células” pode não sair um bebê, mas um gambá, ou uma tangerina. Talvez apenas não seja bebê o suficiente para ser preservado, na opinião de alguns. Mas eu digressionei. O fato é que matar tigres albinos é um problema, sim, e ninguém os quer mortos. Só me perdoe se eu considero a urgência ou a ênfase dada ao animalzinho sofrido, mesmo que de fato, um exagero.

O que me preocupa de verdade é a receita para a felicidade do homem. Salvar o planeta, ao contrário do que alguns pensam, não é o mesmo que salvar o homem. Salvar o homem é salvar o indivíduo. No final das contas, é salvar sua alma imortal. Mesmo para salvar o planeta temos que salvar o indivíduo.

Cristo jamais nos disse “salvem o planeta”, ou “ajude o povo”. Ele nos ensinou a nos preocuparmos com o próximo. Ele sempre fala do próximo, do familiar, do vizinho, de quem está ao nosso lado. Mesmo que eles não sejam fofos como o urso panda, legais como um cachorrinho, ou simpáticos como quem a gente vê apenas ocasionalmente, mas pode se distanciar logo em seguida. Não! É a gente chata que mora conosco; os vizinhos malas; aquelas pessoas que pedem comida nas ruas; os doentes; idosos; abandonados, começando sempre pela nossa família e os que te procuram. Não é certo dar dinheiro para ONGs que tentam salvar os pandas se você ignora o senhor faminto e doente na sua calçada. Ou a sua avó doente e agora dependente. Idosos parecem ter se tornado uma coisa descartável. Já não despertam compaixão, ao contrário do urso panda.

Você certamente tem o direito de escolher o que quer fazer com você e com o que é seu. Mas também é sua obrigação escolher o caminho certo. E o caminho certo é o caminho de Cristo e sua Igreja. Um caminho sem egoísmo, que respeita a sua individualidade ao ponto de não te tornar um escravo dos seus impulsos e de uma falsa liberdade baseada no mau uso de um individualismo que se torna um vício. É o caminho realmente libertador, já que é um caminho não só intelectualmente bem desenvolvido, mas também intensamente vivido em comunhão com Deus. É o caminho do ‘eu’ no lugar e proporção certos; da admissão de sua pequenez que engrandece sua individualidade. Isso é liberdade e serviço, que é o fruto da caridade e do amor. É o caminho da vida eterna sem esquecer desta vida.

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No fundo, nada disso é uma crítica à ciência, mas é uma crítica à politização da ciência e o seu mau uso. Acreditar que a ciência pode ser boa por si só é um caminho que pode parecer apenas leviano, mas é testado e comprovado como caminho de morte e sofrimento, como a eugenia, a “raça superior” etc. É uma crítica à politização de todos os aspectos da sua vida; a politização como sua meta e única maneira de se entender o mundo. Até mesmo a Igreja! Não passa um dia sem que um católico prove que ele só enxerga a Igreja pelas lentes da política, o que é uma contradição! É o catolicismo sem vivência, que acredita que todas as decisões da Igreja têm que ser tomadas em termos políticos, quando deveriam ser tomados apenas em termos cristãos! Se eles baterem com a minha visão política, ótimo! Se não baterem, talvez eu tenha que rever minha política, ou talvez eu tenha que entender o que está além da política.

Por fim, há que se perguntar o que realmente deve mudar no mundo. Assim, voltamos à resposta de Madre Teresa, reproduzida no começo deste artigo. Nós esperamos demais de política; de momentos ‘decisivos’ da sociedade política, que terminam não sendo o que se esperava; de datas comemorativas para só então fazer algo como a caridade; de nós mesmos e de coisas distantes como a ciência ou mesmo o ‘intelectual’; quando deveríamos prestar atenção naquilo que está ainda mais próximo de nós, que é Deus! Mudar a nós mesmos, entendendo e vivendo o que Cristo nos ensinou, é o único caminho possível para a felicidade.

É através desse caminho, com nossa mudança em constante aprimoramente com Cristo como nosso modelo, inevitavelmente ajudaremos essa entidade distante chamada “o mundo”, ou “o povo”. A caridade será espontânea e sempre presente. A compaixão por bebês, idosos, e até mesmo o urso panda, também. Mudar a si mesmo, de qualquer maneira, é mudar o mundo. Se Cristo é um modelo inalcançável, lembremos que Ele não espera de nós a perfeição, mas o amor e a vivência do amor, a caridade.

Fui lembrado de um pequeno soneto de Machado de Assis. Arte só pode (ou deve) ser interpretada até um limite, eu sei. Mas eu acho que há mais de um motivo para se refletir com esse soneto. Ao chegar numa data importante como, por exemplo, o Natal, não se deve apenas esperar algo do futuro, ou mesmo de Deus. A imagem de um novo dia, de uma nova esperança, é obviamente boa e válida. Afinal, o nascimento de Deus feito homem sempre nos vai levar a pensar nisso. Por outro lado, talvez sejam datas como essa que nos levem a pensar além disso. E pensar além é pensar em si mesmo como filho de Deus. Mudar você mudará tudo, até o tal mundo. Não esperar o Natal, mas viver o Natal eterno é o que de melhor se pode fazer. Só então é possível se confrontar com a questão principal do soneto.

Um homem, — era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço no Nazareno, —
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga,

Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.

Escolheu o soneto… A folha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode ao gesto seu.

E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
“Mudaria o Natal ou mudei eu?”

Espero que no Natal possamos nos perceber já mudados, homens e mulheres diferentes de verdade, olhando para trás para olhar para frente, para um horizonte mais cristão e uma vida mais completa. O mundo agradece.

em Cristo, entregue à proteção da Virgem Maria,

um Papista.

“Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo tereis aflições. Mas tende coragem! Eu venci o mundo!” (Jo 16, 33)

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  • Um visitante

    Antes de tudo, não se preocupe, eu não vou perder meu tempo tentando mudar sua religião (ou ausência de uma).

    1) Eu acho hilário que um conservador acredite que a igreja ainda defende valores conservadores.

    Eu trabalhei em uma arquidiocese e muitos padres eram abertamente comunistas. O esquerdismo rolava solto.

    Claro, eles defendiam “ajudar a todos”.

    Inclusive alguns deles se vangloriavam de ajudar drogados. Para mim, parece que quanto menos conservador for a pessoa ajudada, melhor. Em nenhum momento, eles falavam em tirar eles do mundo das drogas ou realmente mudar a vida deles. Mas, a minha vida de conservador (sou conservador, mas prefiro não expor minha crença) eles tentavam mudar nos mínimos detalhes. Ah, como tentavam!

    Gente que tratava mulher como objeto dizia que a sociedade é muito machista (e hipócrita também, pelo visto)

    Um disse que eu deveria ser justo, mas quando tive um desentendimento com um funcionário conhecido pelos padres como alguém capaz de puxar o tapete para subir na carreira, ele mesmo não teve a menor cerimônia em ficar abertamente do lado dele (de quem era amigo há vários anos).

    O pior de tudo, um funcionário era metido a “pegador”. Isso mesmo, dentro da igreja havia um funcionário se vangloriando de pegar várias mulheres. Mas, claro, o machista é sempre o conservador, que prefere qualidade a quantidade.

    São esses os valores que o autor do texto tanto quer defender? Creio que não.

    O verdadeiro cristão está muito melhor longe da igreja infelizmente.

    2) Não tenho nada contra misturar ciência com objetivos individuais ou proposito maior de vida (não necessariamente religioso), pois sou humano afinal e a ciência não existe no vácuo.

    Porém, antes mesmo de ler o texto, eu achei bem interessante que nenhum dos autores se apresentou como engenheiro, matemático, biologo, químico, físico, arquiteto, técnico ou alguém de exatas, apenas um da area de informática.

    Mesmo assim, vocês querem questionar a prática da ciência.

    Eugenia foi a mais completa ignorância, pare de chamar isso de ciência. Um negro é mais adaptado ao clima africano, o europeu ao clima mais frio. Os negros do norte da África são mais geneticamente parecidos com os brancos do sul da Europa do que com os outros abaixo do Saara. Nenhuma raça é superior (sim, raça existe, mas cor de pele não é o diferencial).

    Não se iludam, sou contra a doutrinação esquerdista em sala de aula tanto quanto vocês ou até mais, uma vez que sinto e sei que fui enganado por eles durante muitos anos. Porém, não vou sair de uma mentira e cair numa ilusão.

    Fique com Deus!

  • Em caso de risco de vida da mãe? Ela precisa simplesmente optar em deixar de viver em nome da gravidez?

    Inexigibilidade de Conduta Diversa. Nem mesmo cristãos são contrários a isso – no máximo, no máximo, exigem que o médico tenha toda a certeza quanto a esse diagnóstico. Até mesmo porque, com os avanços da Medicina, tais casos são muito raros.

    Será que é razoável obrigar a mãe lembrar deste ato tenebroso que sofreu, o resto da vida?

    Tal ‘razoabilidade’ das obrigações está longe do âmbito dos sentimentos. O próprio imperativo kantiano, para citar a norma ética mais conhecida, afirma que fazer o que é correto não envolve fazer o que te faz sentir bem.

    Além disso, o “ato tenebroso” não é a gravidez, mas o estupro. Isso não será apagado de forma alguma, como aliás nenhum ato pode ser apagado. O terrorista que mata 60 numa boate, o político que rouba milhões, o ladrão de galinhas, nenhum desses atos pode ser desfeito (mesmo que, por alguma ventura, as galinhas sejam devolvidas, os milhões restituídos e os mortos ressuscitados). E muito menos, pode ser desfeito mediante a “terminação” da vida de um terceiro que sequer pode ser imputado como o criminoso da história.

    até porquê, quem culpar quando acontece um natural?

    “Miscarriage” como eles dizem no inglês, não é um crime. É mero acidente da natureza.
    Para citar a teoria do crime mais usada no HUE BR, um ato criminoso envolve uma conduta consciente – como dizem nos países de Lei Comum, mens rea.

    mas criarmos uma sociedade aonde o aborto é apenas uma opção remota.

    Considerações utilitaristas não cabem quando se trata de tais e tais bens jurídicos, mesmo em razão de diversas contingências e externalidades.

    Por exemplo, eu poderia afirmar (seja verdade isso ou não) que políticas que incentivam e protegem um ideal de livre mercado levaria a “uma sociedade onde o latrocínio é apenas uma opção remota”. Eu duvido que isso seria suficiente para convencer alguém de que, a partir daí, o estado não precisa mais se preocupar em proteger a vida e os bens de seus cidadãos, abolindo assim totalmente o sistema de segurança e o Código Penal…
    (Para constar, nem mesmo os anarco-capitalistas são tão ferrenhos nesse tipo de defesa!)

    em idade reprodutiva e hormônios à flor da pele.

    Uma idade perfeita para que tais jovens aprendam o que significa prudência, e também aprendam o que significa controlar as próprias paixões. Sua própria ideia de “educação sexual” inclui isso – ou sua ideia de educação sexual envolve “é issaê molecada, bom mesmo é rebolar em todas as pirocas da festa!”?

    se livram do ônus de dar educação sexual, pois afinal se não vão praticar, para quê saber as consequências do ato, né?

    Sinal de que você não consegue formar um raciocínio com mais de dois passos. Se uma pessoa adepta do “escolhi esperar” precisar, por ventura, explicar as vantagens de sua posição, ela vai ter que conhecer sobre o ato e sobre as consequências deste ato, e por que o evitá-lo até o momento ideal (seja lá que ideal for esse) é mais prudente e sábio do que “não esperar”.
    É mais que óbvio que quem espera, espera ponderando estes fatores.

    E eu nem estou entrando nos detalhes de como o “eu escolhi esperar” que temos por aí funciona, mas que sim, este movimento é um aliado pela educação sexual. Diga-se de passagem, em determinados países com surtos de doenças venéreas, os governos implementavam uma política bastante carola, de incentivo à castidade, fidelidade e camisinha. Isso foi bem mais efetivo do que apenas “distribuir camisinha e panfletinho no postinho”.

    Aborto é um caso de saúde pública

    Como eu disse, não é. É caso de bioética. E mesmo suas reflexões sobre o “eu resolvi esperar” apontam que não é um caso de saúde pública somente.

    Você pode achar moralmente condenável mas as pessoas só procurarão meios clandestinos de continuar praticando-o.

    O mesmo pode ser dito sobre o estupro, o roubo, o latrocínio, o peculato, ou sobre qualquer conduta, seja ela criminosa ou não. Esse argumento é muito ruim, e já parte do pressuposto que tais condutas não são objetivamente condenáveis.

    No final, vira até um problema social, com mulheres pobres fazendo aborto em condições sanitárias insipientes.

    Mais uma vez, você prova que o aborto não é caso de saúde pública!
    De qualquer forma, isso em pouco ou nada ajuda. De fato, clínicas ilegais davam muita merda nos EUA pré-Roe. Um ano antes de a Suprema Corte ter “baixado a lei”, houve um caso na Filadélfia que mulheres se submeteram a um abortamento cirúrgico experimental. Das doze que encararam, nove deram merda.
    Trinta e sete anos depois, temos o caso Gosnell.
    Conhece o caso Gosnell? Claro que não, afinal ele não deu mídia. Mas ele comandou uma clínica de abortos de baixíssima ‘qualidade’, cometendo os mais diversos tipos de horrores. Rotineiramente ele descumpria normas sanitárias, e matava fetos que sobrevivessem aos procedimentos (o que, acaso não saiba, viola a Born-Alive Infant Protection Act).

    … abstinência

    Até o presente momento, eu só conheço um caso de uma praticante de abstinência sexual que terminou grávida – a saber, Virgem Maria. Se você não acredita nesse dogma cristão, melhor ainda: por favor me mostre algum caso de algum praticante de abstinência sexual que tenha contraído gravidez enquanto na prática da mesma.

    • Epaminondas

      Até mesmo porque, com os avanços da Medicina, tais casos são muito raros

      Ora, a ciência médica e não a religiosidade que está resolvendo a questão? Palmas para ela. A gente até devia perguntar mais questões para a ciência então.

      E muito menos, pode ser desfeito mediante a “terminação” da vida de um terceiro que sequer pode ser imputado como o criminoso da história.

      Qual escola filosófica eu encontraria a defesa da moralidade que uma vítima arcasse com o ônus do crime que sofreu?

      Uma idade perfeita para que tais jovens aprendam o que significa prudência, e também aprendam o que significa controlar as próprias paixões. Sua própria ideia de “educação sexual” inclui isso – ou sua ideia de educação sexual envolve “é issaê molecada, bom mesmo é rebolar em todas as pirocas da festa!”?

      A sua ideia de educação sexual é ensinar prudência a jovens. Boa sorte.

      Se você não acredita nesse dogma cristão, melhor ainda: por favor me mostre algum caso de algum praticante de abstinência sexual que tenha contraído gravidez enquanto na prática da mesma.

      Só quando você me mostrar jovens que aprenderam a ser prudentes.

      • A gente até devia perguntar mais questões para a ciência então.

        Questões do tipo “que evidências científicas validam a ciência”, por exemplo?

        Qual escola filosófica eu encontraria a defesa da moralidade que uma vítima arcasse com o ônus do crime que sofreu?

        Diga-me você, que defende exatamente isso!

        A sua ideia de educação sexual é ensinar prudência a jovens. Boa sorte.

        Não é exatamente você que está defendendo educação sexual e disponibilidade de métodos contraceptivos (os quais trarão a reboque a educação sobre o uso de tais métodos)? Em último caso, o próprio uso de tais métodos implica alguma forma de prudência – “só faça sexo com proteção” é uma norma de prudência tanto quanto “use o cinto de segurança”.

        Se sua ideia de educação sexual é “vai, mete com força, se preocupa com as merdas não, foder com camisinha é chupar bala com papel”, bem, eh, boa sorte!

        Só quando você me mostrar jovens que aprenderam a ser prudentes.

        Em que uma coisa anula a outra? De toda forma, acho que qualquer jovem que não tenha trepado no pelo já responde a sua pergunta…

        Ademais:
        Não é você mesmo que está defendendo educação sexual e disponibilidade de métodos contraceptivos (os quais trarão a reboque a educação sobre o uso de tais métodos)? Em último caso, o próprio uso de tais métodos implica alguma forma de prudência – “só faça sexo com proteção” é uma norma de prudência tanto quanto “use o cinto de segurança”.

  • Matheus Jacinto

    A legislação brasileira permite o aborto em caso de estupro ou de risco a vida da mãe desde 1940.

    Seu progressismo está 66 anos atrasado… ops 67 agora.

    • Epaminondas

      Eu não estava peticionando pelo aborto — até porque, eu já sabia da lei — só estava respondendo ao post acima, aonde o sujeito diz, genericamente, que todo aborto é uma violação.

      Não acho que eu seja progressista na questão do aborto. Mas o caso é, o lobby cristão interfere num assunto de esfera de saúde pública. Ele não favorece a educação sexual ou acesso a anticoncepcionais e também ainda proíbe o aborto. Não está ajudando muito, como compete a laranjas querendo ser contadas como maçãs.

      (Noves fora que inclusive nos casos de aborto previsto pela lei, o lobby cristão querer intervir)

      Isto me faz progressista na medida que gostar vodca me transforma num soviético.

      • aonde o sujeito diz, genericamente, que todo aborto é uma violação.

        Qualquer pessoa minimamente sensata faz generalizações do mesmo tipo sobre outros crimes, mas ninguém fica exasperado. Mas quando se fala em aborto, pulam do nada os doutores da exceção.

        O próprio Código Penal brasileiro faz isso: dedica um livro para a teoria do crime, e outro para os tipos penais.
        Por exemplo, ao ler-se o artigo 121 – “Homicídio: matar alguém; reclusão de 6 a 20”, ninguém pula do nada falando “ain, mas e se for legítima defesa?”. Qualquer idiota, mesmo os que não leram a parte geral do CP, compreende que existem exceções.

        Então, sim, é mais do que correto afirmar que genericamente todo aborto é uma violação, assim como todo roubo, todo furto, todo assassinato. O tipo penal descreve uma violação. Apontar exceções, previstas explicitamente ou não, não é nenhum mérito.

        De resto:

        Mas o caso é, o lobby cristão interfere num assunto de esfera de saúde pública

        Aborto não é questão de saúde pública, mas de (bio)ética.
        Tanto é verdade, que nos EUA a Emenda Hyde – que, basicamente, impede o uso de dinheiro de impostos para financiamento de abortos – foi declarada constitucional.

        Ele não favorece a educação sexual ou acesso a anticoncepcionais

        Não há proposta de lei contrária ao uso de anticoncepcionais aventada por lobby cristão. OK, tem alguns querendo uma lei anti-punheta (e pasme (ou não), já estão tendo apoio de feministas!), mas isso já é extremo até entre eles.

        (Falando n mais, não tem grupo mais contrário à educação sexual hoje em dia que as feministas, com suas propostas histéricas de “criminalizar cantada”, “cultura do estupro”, definições cada vez mais absurdas de ‘consentimento’ e tudo mais. Mas divago.)

        Além do mais, estas condutas são de âmbito privado, afetando no máximo os indivíduos voluntariamente envolvidos. Pondo por exemplo a Católica, eles desencorajam o uso de anticoncepcionais artificiais entre os seus fiéis somente, e têm seus próprios meios e concepções sobre o assunto. Não existe nada que sugira uma política dessas plasmada em lei.

        • Epaminondas

          Então, sim, é mais do que correto afirmar que genericamente todo aborto é uma violação, assim como todo roubo, todo furto, todo assassinato. (…) Apontar exceções, previstas explicitamente ou não, não é nenhum mérito

          Ao generalizar a questão do aborto, torna muito mais difícil para os casos excepcionias sejam conduzidos.

          Aborto não é questão de saúde pública, mas de (bio)ética.

          E por que exatamente, a religiosidade deveria opiniar sobre bioética? A ciência realmente não pode alcançar a matéria?

          E se a religiosidade comete o erro de tomar a questão… generalistamente?

          Não há proposta de lei contrária ao uso de anticoncepcionais aventada por lobby cristão

          Nem disse que havia. Mas você nega que a Igreja demonstra simpatia nula por métodos eficazes de planejamento familiar?

          Aqui faço uma ressalva: Não acho aborto método de planejamento familiar. Isto seria insano. Mas se a Igreja é contra o aborto, por que ela não promove algo que justamente, reduziria a necessidade de abortos?

          • Ao generalizar a questão do aborto, torna muito mais difícil para os casos excepcionias sejam conduzidos.

            Hum, bem…

            – Ao generalizar a questão do furto, torna muito mais difícil para os casos excepcionais sejam conduzidos. (Mesmo assim, temos a figura do furto famélico…)
            – Ao generalizar a questão do homicídio, torna muito mais difícil para os casos excepcionais sejam conduzidos. (Mesmo assim, temos a figura da legítima defesa…)
            – Ao generalizar a questão do roubo, torna muito mais difícil para os casos excepcionais sejam conduzidos. (Mesmo assim, temos a figura da coação irresistível – como por exemplo “foi obrigado pelos sequestradores a cooperar com o assalto, dirigindo o carro em fuga, ou a sua filha morreria”…)
            – Ao generalizar a questão dos maus tratos a animais, torna muito mais difícil para os casos excepcionais sejam conduzidos. (Mesmo assim, temos a figura da coação irresistível – como no primeiro episódio de Black Mirror, The National Anthem…)

            Acho que isso não é exatamente uma boa desculpa…

            Aliás, caralho, por que estou falando disso? Já deixei claro que o Código Penal incorre na mesma generalização!

            E por que exatamente, a religiosidade deveria opiniar sobre bioética?

            Se não se importa em ler a letra da lei, eis: Constituição brasileira, Artigo 5o. Inciso IV (sobre livre manifestação do pensamento) – e talvez acrescente aí o Inciso IX (livre expressão da atividade intelectual).
            Se preferir, tem aquela famosa frase atribuída a Vouté, algo como “discordo das suas ideias, mas defendo seu direito de defendê-las”.
            Assim sendo, o ônus de excluir a ‘religiosidade’ do debate público a priori é todinho seu…

            A ciência realmente não pode alcançar a matéria?

            Que ciência?

            E se a religiosidade comete o erro de tomar a questão… generalistamente?

            Novamente, os incisos acima, mais o inciso V (direito de resposta proporcional).

            Mas você nega que a Igreja demonstra simpatia nula por métodos eficazes de planejamento familiar?

            Assim como veganos demonstram simpatia nula por receitas de porco no rolete?

            Se bem que nem afirmo nem nego. Não sei bem, até o presente, qual a opinião da igreja sobre tais métodos, e mesmo que soubesse, não é meu ônus trazê-los a lume. Eu nem mesmo invoquei autoridade religiosa como suporte.

            Mas se a Igreja é contra o aborto, por que ela não promove algo que justamente, reduziria a necessidade de abortos?

            Em uma primeiro momento, isso não me interessa. É uma questão de crentes para crentes, além do que já disse acima.

      • Matheus Jacinto

        Depois da pirocada que o Tradutor Bastardo te deu, você ainda teve coragem de bostejar com os mesmos “argumentos”?

        Será que existe óleo de peróba suficiente pra você?

        • Epaminondas

          Na verdade, só agora vi as mensagens do “Tradutor”. Não emiti nenhuma opinião mais neste thread, depois que ele me respondeu. Agora que vou respondê-lo, mas quis priorizar uma resposta a você:

          O óleo, sua mãe gastou quando veio dar um lustre no pau daqui de casa.

  • Junior Vieira

    Confesso que não sou conhecedor da maneira como as abelhas interagem, mas com o ser humano não é assim, aliás, nunca foi e provavelmente nunca será, ou podemos dizer que temos algo parecido com uma interação/organização social justa e moralmente isenta de religiosidade onde nenhuma classe ou grupo leve vantagem sobre outro? Mesmo com toda a teoria e conhecimento que a civilização possui, por que o ser humano não se organiza moralmente isento de religião? Porque não consegue, o homem é falho (por mais que eu saiba que você não concorde eu sempre partirei desta premissa), sem uma base definida do que é certo e errado o ser humano entra inevitavelmente em um subjetivismo moral, que já é o que acontece hoje e é o que nos leva de mal a pior. Sem um padrão de moral transcendente, que venha de Deus, o ser humano se perde porque não podemos nos considerar como um todo mas sim como indivíduos, com pensamentos, sentimentos e desejos diferentes que serão conflitantes em algum momento e, se numa civilização em que não formos guiados por algo acima de nós o que fará com que a vontade de uns prevaleça sobre a vontade de outros? E se alguns tiverem que assim suprimir seus interesses em detrimento do interesse de outros, já não haverá aí uma moral coletiva fisiológica mas sim uma ditadura.

    • Epaminondas

      Concordo quando você diz que a natureza humana é falha. Não concordo que exista uma “moral transcendente” e que ela provém da confissão da crença sobrenatural.

      Por exemplo, você há de concordar que o clero seria a organização humana que mais vive esta moral transcendente, correto?

      Mas ainda assim, há crimes praticados dentro da Igreja Católica. Você pode alegar que quem os cometes são estes humanos imperfeitos. Concordo com você. Mas convido-o a considerar que estas pessoas, expostas a tal “moral transcendente”, não evitou que cometessem amoralidades.

      Ou a tal moral não tem este poder de corrigir o humano ou esta moral é imperfeita. Como seria algo nascida das mãos de um ser imperfeito, o ser humano.

      • Junior Vieira

        Acredito que a moral não pode corrigir o homem por completo, e até não acho que haja contradição nisso pois eu, como cristão, acredito que não é a moral que corrige o homem mas sim o Espírito Santo que o convence do pecado, da justiça e do juízo, sendo assim, a moral é uma consequência da fé. Além do mais ter uma fé ou religião não torna ninguém perfeito ou superior aos que não a possuem, a diferença está em ter um padrão moral definido para seguir, se pessoa for religiosa e não seguir este padrão ela saberá que está errada, o que não aconteceria se este padrão não existisse, isso permitiria que esta pessoa relativizasse seu erro.

        • Epaminondas

          Achei contraditório o que você propôs: A moral não corrige o homem (nem deveria, ela é um princípio, não um fim); já a fé poderia trazer como consequência a moral. Mas a simples adoção da fé não traz necessariamente a moral.

          Se a fé não implica em comportamento moral, qual a sua utilidade? Ok, “utilidade” pode soar inadequado. Que tal “Propósito”? Se a fé pode eventualmente não implicar numa pessoa moral, qual o propósito de se cultivar fé? Apenas a ideia mesquinha de se ganhar uma recompensa pós-morte?

          Poderíamos apelar para estatística, dizendo que pessoas que tem fé tendem a ser mais morais. Mas se vamos observar, a correlação não bate. Estatísticas levantando o perfil confessional de prisioneiros — gente que notoriamente falhou na prática moral da lei — a imensa maioria são de pessoas que confessam alguma fé.

          Não que eu ache também que o ateísmo seja conjugado com moral. Não acho uma correlação verdadeira. Mas pessoas instruídas tendem a compreender a moral como princípio. E pessoas instruídas podem em algum momento, questionar a sua fé. Observamos isto em países com alto IDH também são países com maiores índices de pessoas que não professam qualquer fé.

          Nisso eu acreditaria, se o artigo originalmente disse que a prática da instrução e do esclarecimento leva a cultivar o princípio da moral. A instrução religiosa é circular, uma coisa que só leva consideração se afirma a si própria. Por isto, muitos cometem imoralidades em nome das religiões, se considerarem que o ato confirmam a fé.

          • Junior Vieira

            Tens razão, não posso colocar a moral como consequência da fé sendo que muitos descrentes possuem uma moral, errei neste argumento. Entretanto quando você fala que pessoas instruídas tendem a compreender a moral como princípio e que o IDH de países desenvolvidos mostram altos índices de pessoas sem fé você está correlacionando coisas que não possuem relação de causa e efeito. Muitos destes países se desenvolveram tendo como base a tradição judaico-cristã seja ela católica ou protestante, e que tipo de instrução você se refere? Só se for a instrução educacional familiar, porque nenhuma outra (com exceção da religiosa e como doutrina e não consequência da fé) tem a capacidade de incutir a ideia de moral como princípio, nem a filosofia, pois se assim fosse não teríamos pessoas com baixa escolaridade, descrentes e que seguem uma moral, bem como não teríamos pessoas com alto nível de escolaridade, descrentes e amorais ou então imorais. Se for a instrução educacional familiar aí concordo com você e, justamente a família, aquela instituição tão valorizada pelo cristianismo. Questionar a fé não é atestado de instrução, mas de incerteza.
            Um ato imoral justificado por uma crença religiosa é tão errado quanto um ato imoral justificado por uma crença não religiosa, por isso a moral é absoluta e transcendente.
            Só quero deixar claro com tudo isto é que falo em nome da minha religião, a cristã, não falo em nome de nenhuma outra pois não sou adepto delas e nem conheço seus preceitos.

          • Epaminondas

            Não querendo diminuir sua opção, mas quando emprego fé é num sentido amplo. Vejo pouca diferença entre as diferenças religiões, já que seus mecanismos se assemelham. Não são em absoluto iguais — que deram, assim não teríamos sectarismo religioso.

            Correto que ateísmo não leva a IDHs altos. Mas como eu disse, há uma tendência observável em países com alto IDH. Mas o erro é dizer que há correlação.

            Por certo que pelo caminho pra atingir este alto IDH, estes países tiveram tradição judaico-cristã. Mas o Brasil também teve uma tradição judaico-cristã em sua construção histórica. A correlação aqui também não se confirma.

            Discordo que a tradição judaico-cristã ensine moral como princípio. Senão não precisavam ensinar o fim: Céu ou inferno, dependendo se você agiu moralmente ou não. A moral em função de um fim, não de um princípio.

            Não compro a ideia que a moral advém da fé cristã porque temos outros credos com gente moral; temos inclusive gente sem fé mas com moral; e por fim temos inclusive gente com fé e sem moral. E principalmente, havia moral antes do cristianismo.

            Claro que o culto cristão acompanhou o surgimento das metrópoles. Por isto é razoável pensar que ela esteve presente como farol moral da vida urbana ocidental. Mas convenhamos, eles só se apropriaram de uma moral inerente a condição humana. E pior, a confundiram com prática da doutrina. Se você fizesse uma coisa imoral, mas se reafirmasse a doutrina, sem nenhum problema.

            Por certo a Igreja defende a estrutura familiar. Mas é justamente este apoio de um formato rígido e conservador que estigmatiza núcleos familiares que não tiveram a sorte de ser composto por um homem provedor, mulher submissa e filhos. Núcleos familiares não surgem para afirmar a doutrina. Surgem da adversidade e são mantidos pelo amor. Eu fico realmente encafifado da Igreja se dizer promotora do amor, mas ignorar formas de amor que não se adeque à doutrina.

            Você menciona “moral é absoluta e transcendente”. Não é assim. Felizmente, a moral se modifica de acordo com os tempos. Por exemplo, há três ou quatro gerações, era tido como imoral se divorciar. Hoje até o Papa inclui divorciados em suas orações.

            E creio que a moral muda porque se refina. A moral do passado não era melhor. Ela estigmatizava melhor. Não era propriamente moral, era moralismo. Antes, era implausível ver um casal de homossexual caminhando de mãos dadas. Não que não houvesse homossexuais antigamente.

          • Junior Vieira

            Olá Epaminondas!

            Seu 2º e 3º parágrafo nós concordamos pois foi basicamente o que disse no meu comentário anterior mas colocado de uma maneira melhor explicada por você.

            No 4º parágrafo discordo e a prova está na própria Bíblia, questão céu e inferno incomoda muito mais quem não é cristão do quem o é de fato, não nos sentimos pressionados a sermos moralmente corretos pra irmos pro céu, até porque Jesus ensinou que por fora não adianta manter aparências quando o que está na mente não corresponde (moral x moralismo).

            Seu 5º parágrafo também estou de acordo. 6º parágrafo discordo por motivos já discutidos por nós. 7º parágrafo discordo também pois o conceito de família cristã é o modelo mais natural e bem-sucedido lembrando que a submissão da mulher não significa anulação da mulher e a mulher verdadeiramente cristã entende bem isso e o homem verdadeiramente cristão obviamente não será um opressor idiota que acha que a mulher deve servi-lo como uma escrava. Na própria Bíblia há passagens que falam sobre a conduta do marido onde ele deve proteger esposa e dar a vida por ela se for preciso.

            Parágrafo 8º e 9º discordo também, pois acredito que a moral é sim absoluta e transcendente já que o Deus que cremos é o mesmo do início ao fim e Ele não se contradiz. Acho até que a moral não tem se refinado, muito pelo contrário, o que vemos hoje é uma insensibilidade quanto à moralidade. No que se refere ao divórcio e homossexualidade, a questão não é ser imoral ou não mas sim se é pecado ou não, não podemos confundir moral com pecado, por ex.: uma pessoa pode pecar sem necessariamente ter uma conduta imoral, a pessoa que comete o pecado da idolatria não precisa ser imoral para cometê-lo, entende?

            Sei que este meu comentário irá gerar uma resposta sua, no entanto, eu não irei lhe retornar pois acredito que o assunto já tenha se esgotado, sei que meus argumentos não lhe convenceram apesar de ter apreciado muito esta conversa, você é uma pessoa muito inteligente, foi extremamente difícil te contra-argumentar, se isso fosse um debate com platéia e mediador eu seria considerado derrotado (digo isto pela sua retórica e não por ter mudado minhas posições). Agradeço pela sua educação e o respeito que teve comigo, peço-lhe desculpas se em algum momento fui ofensivo ou desrespeitoso. Mais uma vez, foi um prazer ter conversado com você, um grande abraço!

          • Epaminondas

            A questão de ir para o Céu ou para o Inferno, de fato, incomoda muito mais críticos à religião do que os próprios religiosos. Eu diria que acontece assim porque esta questão é um moralismo apelativo, quase infantil, próprio para implicar até mentes menos sofisticadas.

            Como disse, é trocar o princípio por um fim. Há uma diferença crucial nisto. Muitos cometem atos indignos, mas acham justificados se no fim, afirma a doutrina religiosa. Alguém de princípios, não se meteria nisto.

            O modelo patriarcal não é cristão. Nem é “normal”. É só convencional. Antes do cristianismo já existia e já existiu outros formados de núcleos familiares. Como disse, não é todos que tem a sorte de contar com o modelo convencional. Mas ainda assim, por amor, se ajeitam em formatos não convencionais.

            Você diz que a moral é absoluta por vir de um Deus consistente. Há algumas implicações nisto. Por exemplo, uma Igreja, que supostamente estariam mais expostos a doutrina divina mais do que qualquer um. Você diria que a Igreja é a mesma ao longo dos séculos? Até eles modificaram alguns preceitos morais. Basicamente, tudo que o Papa Francisco faz, são quebras de paradigmas (todas, assumo, já quebradas na sociedade secular, mas é notícia quando provindas da Igreja).

            É meu ponto inicial: Se a fé induz moralidade, porque há imoralidades nas franjas da Igreja?

            Você diz que pecado e imoralidade são coisas distintas. Realmente eu nunca havia encarado assim, mesmo quando eu faria parte da doutrina. Me custa entender então o propósito da religião, que nos julga por pecados e por imoralidade.

  • Marcelo

    Descobri este site há pouco tempo e gostei muito dos comentários sobre política, economia, sociedade, comportamento, etc.
    Mas de repente parece que não há artigo que não fale sobre aborto, e de forma bastante agressiva, do tipo “quem defende aborto são assassinos psicopatas” (sim, um artigo usa exatamente este termo).
    Passei rapidamente do entusiasmo para a decepção.

    • Marcelo

      Pincei alguns trechinhos dos comentários para complementar meu post anterior.

      “…não é outra coisa senão um assassino psicopata.”

      “Sinal de que você não consegue formar um raciocínio com mais de dois passos. ”

      “Depois da pirocada que o Tradutor Bastardo te deu, você ainda teve coragem de bostejar…”

      “Das duas, uma: ou o senhor não leu o texto, ou leu e não entendeu.”

      Q.E.D.

  • Epaminondas

    Li, horas mais cedo, que a ONU comemora uma vacina contra o Ebola, com 100% de eficácia. Quem trouxe a vacina, a ciência ou o advento cristão?

    Claro que crentes dirão que os cientistas poderão ter sido guiados por sentimentos benevolentes que nunca poderiam ter vindo de outro lugar senão o amor cristão. É uma coisa bastante curiosa que percebo nessa coisa de religião: Homens são bons ou maus independente do seu credo ou etnia. Mas tudo que é bom na civilização ocidental, foi por causa da Igreja. Esta consideração encerra dois lapsos: Como se não houvessem pessoas boas em outros credos (ou na absência de credo); e que não há maldade nas franjas da Igreja.

    É um contrassenso contrapor Igreja e Ciência. São matérias distintas: A primeira é baseado na fé; a segundo, na dúvida. Cada qual se promove através destes meios e saem lesionadas quando trocam um pelo outro.

    Muita gente diz que a segunda precisa da primeira para agir como senso moral. Convenhamos, a Igreja já tem muito material para se preocupar em fazer juízo. A Ciência é muito bem capaz dela própria fazer seus juízos. Porque haverá homens bons e homens maus na ciência. Talvez numa proporção próxima que há na Igreja.

    Porque se há alguma coisa em comum nas duas, é que são feitas de homens.

    • Junior Vieira

      Tu não entendeste o texto, e não entendeste porque (aparentemente) não acreditas em Deus. A religião cristã é também uma cosmovisão, e sendo também uma cosmovisão é óbvio que temos parâmetros e padrões absolutos por acreditarmos em Deus e não por pensarmos que os princípios nos quais acreditamos tenham vindo de homens e nem que nossa religião tenha sido feita por homens. É este entendimento que te falta quando tu fazes um comentário deste tipo, opondo ciência e religião (neste caso a cristã) como duas construções humanas o que, diga-se de passagem, nem é disso que se trata o texto.
      A comparação que fizeste no início do teu comentário exemplifica o que de fato a ciência deve fazer, ou seja, ciência. Mas o que o texto fala a respeito do advento cristão é que, a mudança, a benevolência, a caridade e o amor só podem vir na mudança do indivíduo, não numa campanha de conscientização mundial onde todos como num estalo de dedos terão uma mudança em 180º de suas atitudes, não é assim, e sabemos que nunca será, então por que o ranço com a religião? Se é a única alternativa real de mudança do ser humano?
      A vacina contra o Ebola é ótima, sem dúvidas, mas isso não resolverá o problema se, ao comercializarem ou distribuírem a vacina, a ganância prevalecer, ou então outros interesses sombrios piores. Entendeste onde entra o advento cristão? Poderás argumentar que as qualidades que eu citei como características do cristão podem ser encontradas em outras religiões, de fato, até podem, no entanto o que é difícil pra ti (creio que sejas ateu) e para pessoas de outras religiões aceitarem é que nós cristãos sabemos e cremos que TODOS são maus em essência, sem distinção, e por mais que façamos algo de bom continuaremos sendo maus em nossa essência, somente o que pode nos salvar é a nossa fé em Jesus Cristo. Pode parecer arrogante para quem não é cristão, mas paciência, é assim que cremos. Por isto a ênfase em destacar as qualidades como cristãs, porque de nós mesmos não pode haver bondade e amor genuíno senão o que nos é agraciado pelo Espírito Santo.

      • Epaminondas

        Tudo que há de positivo nas religiões é mérito apenas do humanismo, um sentido inerente à nossa condição. Por isto existem hindus, muçulmanos e ateus boa praças por aí. Não vejo sentido em se dizer que cristãos tem a exclusividade em tornar as pessoas boas. A Igreja sequer conseguiu conter a maldade dentro da sua própria instituição.

        “Existem pessoas boas que fazem coisas boas e existem pessoas más que fazem coisas más. Mas para que pessoas boas façam coisas más, é necessário religião” —Steven Weinberg

        • Pécheur

          Tudo que há de positivo nas religiões é mérito apenas do humanismo, um sentido inerente à nossa condição.

          Aqui você se entregou. Está dando palpite sobre um assunto que não conhece. Você dificilmente conseguirá pensar em algum preceito moral* cuja origem não possa ser rastreada até alguma religião, mais especificamente o judaísmo ou o cristianismo. Quando já se nasce dentro de uma civilização permeada por esses valores é fácil cair no erro de imaginar que eles são o estado “normal” da humanidade, que basta ser “humano” para ser bom. Mas até o direito à vida, aparentemente tão óbvio para nós hoje, só se tornou patrimônio da humanidade porque a Igreja malvada subjugou as culturas que não o respeitavam. Antes disso, não havia nada de desumano em o forte matar o fraco, era um “direito” que celtas, vikings, maias, astecas, etc. sempre exerceram e estariam exercendo até hoje. Sua frase inverte brutalmente a ordem do real. No humanismo, o que há de positivo provém das religiões (ex: lei de ouro), o que não provém é asneira (ex: querer fundamentar uma ética só em empatia).

          * O politicamente correto é 100% desligado da religião, mas para considerá-lo uma “moral” temos que forçar a barra um pouco.

    • Pedro Rocha

      Discordo de tanta coisa em seu texto que vou me ater ao principal.

      “A Ciência é muito bem capaz dela própria fazer seus juízos. Porque haverá homens bons e homens maus na ciência.”

      Com base em quê você classifica os homens em “bons” ou “maus”?

      • Epaminondas

        Não tem corrente filosófica que não quis responder esta questão sobre o que é se bom e o que é ser mau.

        De minha parte, ser bom é quando suas atitudes não interferem no bem estar do outro. Daqui, você tem liberdade para fazer o que quiser. Filosofias mais estóicas dirão que isto não é o bastante, pois você precisa se privar de coisas que deterioram sua mente e corpo; outras filosofias mais humanistas dirão que além de não prejudicar os outros, faz parte de seu imperativo ajudá-las. Pessoalmente, me balanço sobre neste caso: Como eu posso julgar se estou fazendo bem a alguém? Há medidas que são claras se ajudam ou não. Mas quando você pensa em termos de risco moral, começa a questionar se está fazendo realmente bem ajudando aos outros. Resta apenas servir com meu exemplo.

        Felizmente a Ciência não conta comigo para julgar se é boa ou ruim. Mesmo com o risco moral, ela continua nos brindando com bem estar. Às vezes, é este o objetivo (p.ex.: Vacina para o Ebola) e às vezes, por meios tortos (p.ex.: Viagra). Até porque, a ciência pode ela própria determinar o que é bom e o que é mal. Por isto existem conselhos de ética. Acho que dá pra confiar em cientistas, já que eles são cientistas justamente por terem estudado um pouquinho.

        Não engulo como uma instituição como a Igreja, cheia de esqueletos em seu armário histórico, tem o discernimento necessário para julgar. Se querem invocar que os dogmas religiosos dão o discernimento necessário, porque ele não foi empregado durante o jesuitismo, Cruzadas, Inquisição, dentre outros.

    • jorge santos

      Das duas, uma: ou o senhor não leu o texto, ou leu e não entendeu. Volte lá e releia para, depois, tecer um juízo de valor, pois sua “comparação” é totalmente descabida.

    • Quem trouxe a vacina, a ciência ou o advento cristão?

      Pessoas. Ponto.

      Ademais, o texto não é para ser lido com esta luz cientificoide. É um texto sobre antropologia e sociologia, principalmente. Uma sociedade orquestrada em tais e tais valores se sobressai sobre outras sociedades, e isso é independente de pessoas individuais – no sentido de que, por exemplo, um ateu está muito melhor posicionado em uma sociedade cristã do que numa sociedade muçulmana.

      • Epaminondas

        Antropologia e sociologia, enquanto ciências… Não devem ser submetidas da luz do ceticismo científico?

        Foi mal aí.

        • Que ‘ceticismo’ científico? Desde quando a ciência é cética?

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