O portal da Globo, o G1, critica João Doria por não ter consertado a enorme Avenida 9 de Julho após seu primeiro dia de mandato.

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O G1, portal da Globo, está empenhado em seu papel de quarto poder para fiscalizar o novo prefeito de São Paulo, o tucano João Doria. Mas o portal resolveu pegar no pé de Doria em um dia o que esqueceu misteriosamente de cobrar do ex-prefeito, o petista Fernando Haddad, em quatro anos.

Após o famoso caso do rico João Doria aparecer vestido de gari em sua primeira manhã como prefeito empossado, O G1 soltou a incrível, indizível, inefável manchete afiançando que “Após 1º dia de operação Cidade Linda, Avenida 9 de Julho segue com problemas em São Paulo”. É ver para crer, e ainda assim ter dificuldades na crença:

É um furo de reportagem digno de um Pulitzer descobrir que após um prefeito fazer um gesto simbólico em um dia, a gigantesca Avenida 9 de Julho em São Paulo, onde o infame junho de 2013 começou, ainda tem problemas. Um absurdo mesmo Doria não resolver todos os problemas da avenida em um dia, onde já se viu? A campanha de impeachment do G1 já deve estar sendo preparada para amanhã.

O carinho da torcida também é digno de nota:

Novamente, João Doria tem defeitos que não merecem apenas a palavra “criticáveis”, como o infame caso da revista Caviar, que recebeu R$ 1,5 milhão do governo do estado. Mas será que a imprensa está mesmo interessada em criticar o que deve ser criticado, ou, pelo contrário, em fazer militância a mais mongolóide a favor dos seus queridinhos?

Nas Condições Normais de Temperatura e Pressão, partidos e políticos digladiariam entre si, e a má impressa apenas não seria lida pelo público. Casos como a datafolhização dos números e o fiasco da mídia em 2016 mostram que ela passou a ser vista como agente, ou mesmo o principal agente político hoje. Não mais informante, mas desinformante. Não mais ignorável, mas inimiga. Ao invés de criticar políticos, acaba merecendo mais críticas até mesmo do que políticos envolvidos em transações de gosto discutível. Porque o gosto da imprensa não é discutível: é certamente o pior de todos.

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