O que a história e a tão demonizada Idade Média podem nos ensinar sobre o choque civilizacional e sobre os esforços de Donald Trump para banir terroristas?

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OtrantoConheça Otranto, uma linda cidade litorânea do salto da bota da Itália. Sua história é de invasões e resistência. Mas a pequena cidade de Otranto não sabia o que a aguardava quando, Maomé II, o Conquistadorno final do século XV, as forças do sultão Maomé II (Maomé, o Conquistador, era o apelido do simpático) invadiram a Itália. Otranto estava em seu caminho, e a cidade foi conquistada em míseras duas semanas. Maomé II reuniu quase mil pessoas (alguns autores, como William Barry, falam em mais de 10.000, citando metade da população local sendo dizimada ou tomada como escrava), entre homens, mulheres e crianças, e cortou suas cabeças quando essas negaram a aceitar a única condição para que permanecessem vivas: converter-se ao Islã. Soa familiar? Pois deveria! Em 2013, o Papa Francisco canonizou os “800 de Otranto”, os 800 mártires do triste episódio de Otranto que ainda puderam ter suas identidades descobertas. É provável que tenham sido muitos mais.

Essa, na verdade, é a parte simples da história. O que você só vai encontrar em livros de história sérios é que a invasão muçulmana na Europa, ou melhor, as várias invasões, deixaram um rastro de destruição que muitas guerras juntas não conseguiram. Durante a retirada de Otranto, os exércitos muçulmanos assassinaram ou capturaram milhares de pessoas. Esse era o padrão das invasões.

Na época da tragédia da cidade italiana de Otranto, a Espanha estava em guerra com os muçulmanos (mouros) há aproximadamente 700 anos, entre períodos de guerra e pausa para respirar. Quando Isabela e Ferdinando ocupavam o trono espanhol, a cena descrita do massacre de Otranto reacende todos os alertas na cansada corte. Naquele momento, o que vinha acontecendo por lá não era uma invasão (embora o medo e o risco fossem grandes), mas atos terroristas internos (soa familiar também?). Além disso, as possibilidades de uma traição que abrisse os portões para uma invasão eram muito grandes.

Lembremos que na Europa medieval, a religião cristã (a Igreja Católica antes da Reforma Protestante, e depois tanto o catolicismo como o protestantismo em alguns países da Europa) era parte essencial da própria identidade dos países. Uma ameaça islâmica não era apenas uma ameaça das armas, mas à própria cultura e identidade local. Existiam milhares de convertidos na Europa. Alguns, porém, eram falsos convertidos. Uma situação também muito parecida com o que acontece hoje.

Como distinguir os convertidos? E os imigrantes que não paravam de chegar? Colônias de mouros convertidos ou “seculares” já eram parte de vários países europeus há muito tempo. Com as crescentes invasões, e a nova retórica de infiltração como parte da pregação dos mouros que viviam na Europa, atos de terror se multiplicavam. Some a isso traições que permitiam pequenas invasões, e esse era o dia a dia de medo e temor em boa parte da Europa.

Em 1478, os reis da Espanha deram um basta! Os massacres na Itália teriam apressado a reação dois anos mais tarde. A entrada de mouros seria restrita. Os que fossem liberados, passariam por um escrutínio. Deportações, prisões, ou penas mais duras do que as normais seriam impostas para criminosos confessos ou pegos em tramas contra o país que os acolhera. Lembrando que, na época, as principais penas seculares para crimes mais duros eram a tortura e a pena de morte.

A pergunta continuava. Como discernir? O Estado não entendia nada de teologia! Não bastava perguntar para um mouro: “você é terrorista?”, se o problema era exatamente o número de infiltrados. Para lidar com as questões teológicas, inquisições foram requisitadas pelos países Europeus. Cada país teria a sua, adaptada aos padrões locais. Inquisições católicas, e mais tarde também protestantes.

E o que eram esses tais “tribunais inquisitoriais”? Inquisições não foram inventadas naquela ocasião. Naquele momento, a Inquisição seria uma comissão formada por especialistas para atuar como um tribunal eclesiástico para, como sugere o nome, inquirir, fazer perguntas que tribunais seculares não entenderiam. Caso o Estado tivesse dúvidas, a Inquisição faria um exame detalhado do caso, testaria a teologia do suspeito (ver autores como Warren Carrol e Henry Kamen), e daria a sua decisão. O governo local levaria a cabo a sentença. Na enorme maioria das vezes, uma sentença secular, e não eclesiástica.

Alguns erros imperdoáveis aconteceram quando a relação entre a Inquisição local e o Estado se tornou muito próxima. Especialmente a conhecida Inquisição Espanhola. Porém, nada próximo dos números até hoje espalhados, ou da gravidade e crueldade alardeada pelo show business e pela ficção. 90% das penas dos tribunais da Inquisição, mesmo na Espanha, eram ações corretivas simples como multas e a vida vigiada por um tempo (uma espécie prisão domiciliar).

Henry Kamen, possivelmente o maior especialista na Inquisição Espanhola do século XX, afirma que é possível dizer que, na maioria dos casos, a Inquisição serviu como um escudo. Tanto para a população local contra forças terroristas infiltradas, como para os próprios suspeitos. Sem o trabalho meticuloso da Inquisição, com investigação, exigência de testemunhas, e um processo justo, muito mais gente teria sido condenada por um processo arbitrário das cortes reais européias da época, que, esgotadas, desenvolveram um sistema de tortura ou morte sem um processo legal justo. O exemplo era a ordem do dia da corte e, sem entender como diferenciar cidadão de infiltrado, muito mais gente teria morrido. Afinal, investigação e o estabelecimento de critérios mais rígidos para imigração protege a todos, cidadãos e não cidadãos, com a exceção dos terroristas e outros criminosos.

Trump banimento muçulmanosQuando vemos o que está ocorrendo hoje na América, com a tentativa de Donald Trump de encontrar uma solução para o fluxo descontrolado de imigrantes, é fácil acompanhar a imprensa e pensar apenas em imigrantes e muçulmanos pacíficos sendo vítimas de um governo autoritário que age sem motivo. A realidade, porém, é muito diferente. A história se repete. Ou, como dizia Mark Twain, “a história não se repete, mas com certeza ela rima”. Se hoje os muçulmanos não têm condição de invadir países europeus ou os EUA pela força das armas, a velha tática da infiltração, aperfeiçoada desde os séculos da Inquisição, vai de vento em popa!

Se na Europa medieval a Inquisição era a ferramenta capaz de fazer a triagem, os serviços de informação modernos se ocupam dessa função em nossos dias.

A pergunta que não quer calar é: quando a teologia também será usada para fazer a verdade emergir? É necessário esclarecer, com urgência, que o Islã não é uma “religião da paz”. Ela forma teocracias que vivem sob a obrigação da conversão forçada ou a morte dos infiéis. Se não precisamos de uma Inquisição, certamente precisamos abrir os olhos para os fatos da relação entre o Islã e o Estado. No caso, nos nossos estados.

Para isso, temos que passar pela espinhosa tarefa de revelar que a teologia islâmica é baseada em dominação, e não em conversão espontânea. Se os excessos de outros tempos eram apenas isso, um ponto fora da curva, os crimes do Islã são parte de sua natureza. São, para os muçulmanos, mera ordem divina a ser cumprida. Muçulmanos aparentemente pacíficos podem ser “acionados” para agir em nome da causa, a única aceitável a eles: dominação ou submissão.

As ações do governo Trump não são uma “Inquisição moderna”, mas certamente nelas ecoa o desejo das populações da Europa medieval por segurança, paz, e justiça. Quem quiser entrar e respeitar o modo de vida local será bem-vindo. Quem vier com a única intenção de um dia subverter e destruir, possivelmente com uso de força letal, a cultura ocidental, será barrado ou submetido a um rígido escrutínio. Até mesmo os muçulmanos que não se interessam pelos objetivos mais amplos de sua religião e nada querem ter a ver com isso acabam sendo protegidos pela aplicação dessas políticas.

Portanto, que os serviços de inteligência façam o que tiverem que fazer, e o Estado cumpra a lei e a sua obrigação de proteger seus cidadãos. Assim foi na época da Inquisição, assim deve ser hoje. Pela obrigação de cuidar dos seus cidadãos, e em nome da cultura judaico-cristã, que é a base da nossa civilização ocidental.

Foi justificável antes, e é justificável hoje! Mesmo com os possíveis erros na aplicação.

Em Cristo, entregue à proteção da Virgem Maria,

um Papista.

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