"Humor"

Gregório Duvivier concorda com Levy Fidelix: órgão excretor não reproduz. Por que só um é processado?

Gregório Duvivier defende gays com o mesmo argumento de Levy Fidelix: órgão excretor não reproduz. Por que só um é digno de processo?

Gregório Duvivier é o arquétipo do que é o Guerreiro da Justiça Social (Social Justice Warrior – SJW) no Brasil.

Não é preciso saber nada sobre Gregório Duvivier, muito menos sua opinião sobre qualquer tema, sejam danças orientais ou o Super Bowl: sua opinião é rigorosamente idêntica à de todo comunistinha brasileiro, embebido em agenda politicamente correta e Fora Temer (porque defender Dilma desabridamente é ridículo até para seus leitores). O que dizem os progressistas, assim dirá Gregório Duvivier.

É a reserva de mercado em formato de colunista da Folha. A mesma tática funciona para todos os seus investimentos seguros, incluindo o Porta dos Fundos: seu sobrenome garante a reserva de mercado necessária. Gregório Duvivier é o homem do capitalismo de compadrio de berço.

Claro que sua profissão de vida seria aquela sorte de ocupações desocupadas de gente achando problema onde não existe, que variam de serviçais sociológicos a psicanalistas de textão, todos consubstanciados alguma hora em uma coluna na Folha.

Mas Duvivier, para chegar lá, se auto-declarou (é possível nesta era de cotas) humorista. Logo a profissão mais anti tudo o que Gregório é de fato. A começar pela graça. Passando pelo riso de tudo o que é ridículo, pelo horror à censura que quer sempre nos proteger de passar ridículo por nossa conta e risco, e terminando novamente pela graça. Gregório Duvivier é uma contradição em raro formato circular.

A palavra desgraça nunca caiu tão bem entre Lúcifer e o filhinho de papai do Porta dos Fundos.

Na sua última coluna na Folha desgraçada de tudo e todo, Duvivier aciona a censura dos SJW e brinca de polícia do pensamento em forma de piada desgraçada sobre homossexualismo. Diz Greg que o mundo está lotado, e a única solução para tal seria haver mais gays, que, afinal, não se reproduzem.

É estatelante testemunhar como as sinapses de Gregório Duvivier chegaram a uma conclusão lógica irrefutável, o que estranha em alguém que não falha nas conclusões, mas até mesmo ao nomear premissas, individualmente, antes de concatená-las.

Mas também ironicamente engraçado lembrar como é a mesma conclusão lógica irrefutável a que chegou Levy Fidelix. Em um debate presidencial com Luciano Genro, o homem do aerotrem trocou a fama pela frase “aparelho excretor não reproduz” ao responder por que defensores da família não reconhecem dois homossexuais como família. Alguém aí discorda? Alguém aí acha que é “discurso de ódio” contra minorias?

Levy Fidelix foi processado por dizer o mesmo que Gregório Duvivier disse. Foi condenado a pagar R$ 25 mil por “declarações homofóbicas” e “ofensa aos gays”. Entretanto, é impossível diferenciar lógica e cientificamente o que há de ofensivo em Fidelix que não seja em Duvivier. As premissas e a conclusão são idênticas. Por que um é “homofóbico” e outro é “lacrador”?

Examinando-se ao microscópio, percebemos uma filigrana notável: Levy Fidelix, apesar de também keynesiano, é considerado um “reacionário” pela esquerda jovem e descolada (modelo Lulu Genro e Greg Duvivier) que só pensa em sexo, hedonismo e polícia de pensamento. Simplesmente porque, afinal, ainda “acredita” em coisas ultrapassadas, como sexo reprodutivo e família. Já a comunadinha modernosinha, que prefere só “criticar o capitalismo” sem admitir o que defende (pra não parecer mais antiquado do que Levy Fidelix), só quer mesmo é desculpa para hedonismo o mais inconseqüente possível.

Não importa mais o que você diga, e sim qual o partido em que vota. É a lição de Gregório Duvivier para as futuras gerações tentando entender o país e o mundo. Se disser que 2 e 2 são 4, mas for um reacionário, logo será pechado de fundamentalista ou extremista.

Curiosamente, o tema da hiperpopulação é frequente, desde a Guerra de Tróia (tratada na Ilíada como uma guerra para diminuir a população mundial) até, digamos, No mundo de 2020 (Soylent Green), filme de 1973.

Mas a coluninha de Gregório Duvivier lembra ainda mais o episódio Goobacks de South Park. No incrível episódio, uma aula da Poética aristotélica, homens do futuro voltam no tempo, pois no futuro não há mais empregos. Eles apenas falam uma mistura de espanhol, árabe e chinês, e começam a tomar empregos dos rednecks locais oferecendo-se pelos mesmos serviços por muito menos.

A única solução encontrada pelos varões da cidade, portanto, é se unirem numa gigantesca montanha humana de homens pelados, pois caso se tornem todos gays, não haverá mais futuro.

Este é o futuro que Gregório Duvivier prega como conclusão. Será que ele teria coragem de admitir aos seus leitores comunistinhas que estas também são suas premissas ocultas?

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