Os nazistas eram inimigos do "imperialismo e colonialismo burguês" da Inglaterra e do sionismo. Fora o totalitarismo soviético, são exatamente os mesmos inimigos da esquerda.

Devido a fatos recentes, voltou-se a discutir sobre a afiliação ideológica do nazismo (nacional-socialismo), que a historiografia marxista, sobretudo a Escola Marxista Britânica (de E. P. Thompson e Eric Hobsbawm), passou a classificar, a posteriori, como de “extrema-direita”, pela única razão de ter se oposto à União Soviética (o que trai a premissa de que todo o mundo livre seria, naturalmente, de direita).

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A despeito desta única desculpa, nenhum nazista nunca afirmou que é direitista ou conservador, capitalista. O termo foi dado artificialmente por marxistas e simplesmente foi “aceito” academicamente, numa época em que ninguém tinha coragem de discutir abertamente os crimes nazistas.

História é uma disciplina que não pode ser feita por analogias. É como se buscar entender um evento desconhecido – digamos, a Batalha da Antioquia, entre o Egito Ptolemaico e a Síria Selêucida, em 145 a. C. – e tentar fazer uma metáfora com o que já é conhecido. Quem era a direita e a esquerda da batalha? Quem era o petista e quem era o tucano? Qual lado era o capitalista e qual o comunista? A analogia, magnífica para a poesia e a sabedoria profética, apenas confunde e falsifica a descrição objetiva histórica. Pouca coisa no mundo foi mais falsificador do que o reducionismo marxista na historiografia.

Para o pesquisador que observa fatos, ao invés de teorias acadêmicas, tentando forçar a realidade a caber no funil de sua ideologia, é preciso antes observar um fenômeno tão complexo e gritante como o nazismo por si, sem tentar compará-lo com o que o nazismo não é, mas pode parecer – seria o mesmo que estudar as Grandes Navegações comparando-as ao Campeonato Brasileiro. A tática do reducionismo é atrelar o nazismo a quem é tão não-nazista que repudia o nazismo, e acaba se calando e preferindo a historiografia reducionista para não ser associado ao nazismo – daí o macete de tentar chamar o nazismo de “direitista”, o que nazista nenhum no mundo nunca afirmou sobre si.

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Observando os fatos, é rigorosamente impossível discutir o tema sem responder à questão fundamental: por que nazistas odiavam judeus? Por que não japoneses? Ou libaneses? Ou latinos? Ou búlgaros? Ou muçulmanos? A Alemanha tem uma população turca absolutamente gigante, o Império Otomano lutou com o Império Alemão na Primeira Guerra, e a retórica belicosa de Hitler nunca se voltou contra muçulmanos.

Adolf Hitler e o "Grande Mufti de Jerusalém", Amin al-HusseinMuito pelo contrário: o discurso do “nacionalismo palestino”, um “país” inventado com o desacompanhado motivo de fragmentar o território de Israel, entrou na discussão ocidental justamente pelas mãos de Adolf Hitler, que recebeu o auto-intitulado “Grande mufti de Jerusalém”, Mohammed Amin al-Husseini, para trazer a “causa palestina” para o Ocidente.

Após o encontro de Benito Mussolini com al-Husseini em Roma, em 27 de outubro de 1941, inicia-se a cooperação germano-árabe, conhecidíssima por qualquer historiador que não os reducionistas marxistas e sua “luta de classes”.

Nazistas e o “nacionalismo palestino” iniciam uma luta contra o “colonialismo britânico” e defendem a soberania islâmica de países como Iraque, Síria, “Palestina” e a Transjordânia, tendo como inimigos, além da Grã-Bretanha, “liberal e imperialista”, o sionismo, o Estado judeu. Além de Joachim von Ribbentrop, al-Husseini discute a “causa palestina” com altos oficiais nazistas como Ernst von Weizsäcker e, claro, Adolf Hitler, com quem se encontra em 28 de novembro de 1941.

Hamas faz o gesto nazistaNão deixa de ser curioso notar que a visão histórica nazista, de judeus controlando o mundo, pregando uma retomada dos povos étnicos locais nos seus governos, é rigorosamente idêntica à historiografia anti-colonialista – praticamente a única conhecida no Brasil, por exemplo, confundida por alunos de História com os próprios fatos, em pura análise científica desinteressada.

A única diferença é que o nazismo se voltou contra a União Soviética após desfeito o Pacto Ribbentrop-Molotov, e como a esquerda apóia o totalitarismo soviético, preferiu jogar o nazismo para o outro lado. O Pacto Ribbentrop-Molotov, diga-se, só existiu porque tanto nazistas quanto comunistas tinham como inimigo maior não um ao outro, mas o “imperialismo inglês”.

Entretanto, quando são os mulás iranianos (país indo-europeu, cujo nome também é dito ariano, como o Aryan Bank) negando o Holocausto ou os palestinos e jihadistas pregando a destruição do Estado de Israel, aí a esquerda “esquece” quanto é feio matar judeus, e que supostamente anti-semitismo não seria uma característica sua, e defende os anti-semitas através da ótica do “orientalismo” de Edward Said, do “multiculturalismo” corrente ou, claro, do “anti-colonialismo”. Apenas se usa outros termos, para a mesma teoria.

Hoje, a esquerda no mundo prega uma política rigorosamente anti-colonialista, e tem como grandes inimigos, sobretudo, a América e Israel.

Deputado Babá, do PSOL, queima bandeira de IsraelVocê não verá esquerdistas criticando o paredón e a falta de liberdade em Cuba ou na Venezuela, marchando para que se derrote a Coréia do Norte ou colocando mensagens no Facebook gritando “Lembrem-se de Holodomor” ou “Não se esqueçam do genocídio do Khmer Vermelho“. Muito menos comemorando a queda do Muro de Berlim. Em compensação, é a primeira a gritar contra os “crimes” de Israel ou da América ao se defenderem de regimes totalitários, alguns deles piores do que o nazismo.

O nazismo definitivamente se afasta da esquerda em algumas questões, como o materialismo (o nazismo surge de uma sociedade mística existente até hoje, a Thule-Gesellschaft) ou a forma de socialismo – o “socialismo alemão” das tribos alemãs primitivas, almejado pelo Terceiro Reich, era étnico, ao contrário do socialismo internacionalista do Comintern.

Uma das mais interessantes diferenças é a propriedade privada: enquanto a esquerda só foi aceitá-la com a moderna teoria da “social democracia” (não confundir com a antiga teoria homônima, como a do Partido Operário Social-Democrata Russo, que geraria os Partidos Bolchevique e Menchevique), os nazistas já haviam feito um sistema misto.

John T. Flynn, ao definir o nazismo, já havia notado que a economia nazista é controlada via sindicatos. Ludwig von Mises, economista conservador e judeu, explica, no seu curto, porém magistral As Seis Lições, que, apesar de haver “empresas privadas” na Alemanha nazista, o empresário era chamado de “diretor” de negócios (Betriebsführer). Uma série de “Führers” controlavam a economia, submetida a um plano coletivista: até o conjunto de empregados era denominado por uma palavra que denominava o séquito de um senhor feudal na Idade Média: Gefolgschaft.

Propaganda social nazista com família alemãOs salários eram decretados pelo governo (no que o trabalhismo moderno da esquerda copiou pari passu) e a produção era determinada por Goering, ministro da Economia. Sem os lucros, a “usura” judaica da especulação financeira burguesa, tão odiada e “inimiga da nação alemã”, toda mudança econômica tinha de ser informada para o diretor de distrito (Gauführer) num controle total. O nazismo não seria um totalitarismo, afinal, sem controle da propriedade privada.

O curioso é que, mesmo nestes pequenos detalhes, a esquerda moderna conseguiu paulatinamente ir imitando os nazistas. O próprio “gênio” econômico da social-democracia moderna, John Maynard Keynes, elogiou o modelo econômico de Adolf Hitler, enquanto o direitista Friedrich von Hayek afirmava que tal “dirigismo social” levaria necessariamente ao “caminho da servidão”.

O misticismo new age retomou força total nos anos 90, com a esquerda percebendo que não poderia contar apenas com materialistas e, após o giro da Escola de Frankfurt, perceber que seu maior inimigo é a religião, e não a propriedade (esta existe para proteger aquela, e não o contrário, como pensava Marx). No mais, a própria questão moderna sobre Israel e os países muçulmanos responde quem tem parentesco com o nazismo – se a esquerda ou a direita.

Lula e Mahmoud Ahmadinejad, ditador do IrãEmbora até mesmo a União Soviética, que tanto praticou anti-semitismo, tenha iniciado uma campanha contra o anti-semitismo na aurora da Segunda Guerra, basta-se pensar no que a esquerda pretende fazer com judeus – um dos poucos povos que ficariam sem um país próprio sem Israel – para se perceber como o anti-semitismo, na maior parte das vezes, apenas troca de nome para variações suaves, de maior aceitação social. Hoje, os negadores do Holocausto são os parceiros da esquerda no mundo, como o ditador do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, com negócios na América Latina com a Venezuela e o Brasil do PT. O Irã promove concursos de cartunistas negadores do Holocausto, em que o cartunista esquerdista brasileiro Carlos Latuff participa. Nenhum direitista aparece para “negar o Holocausto” nazista (a não ser quando a esquerda resolve chamar um neonazista de “direitista” quando ele não tem tanto apelo quanto Carlos Latuff).

Afinal, não é a esquerda que, via ONU, critica os assentamentos israelenses nas Colinas de Golan, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, como “questão humanitária”? E o que são assentamentos, senão lugares onde judeus moram? Adolf Hitler ele próprio também criticaria “assentamentos judeus” como questão alemã. Basta trocar para “humanitária” e voilà. Ou alguém imagina que é a direita brasileira, por exemplo, que critica bairros judeus como Higienópolis?

Afinal, Adolf Hitler se parece mais com Stalin ou com Churchill? Não é preciso muito além para saber que, se o nazismo é uma “terceira via” (como eles próprios se declaram), ela é um desvio da rota da esquerda, não da direita. Ou até melhor: Adolf Hitler hoje se pareceria mais com Mahmoud Ahmadinejad e Nicolás Maduro ou com Benjamin Netanyahu?

Marcha no Irã pede o fim de IsraelMesmo a linguagem nazista sobrevive hoje não no pensamento do retorno à tradição judaico-cristã da direita, mas na própria esquerda. As analogias, a retórica inflamada, a urgência artificial, o gosto pelo modernismo e por um progresso prometendo um futuro glorioso descrito por Victor Klemperer (um autor de esquerda) em LTI: A linguagem do Terceiro Reich, encontra pasto e circunstância hoje em Hugo Chávez ou Noam Chomsky, para não falar de pós-modernos como Slavoj Žižek (que afirma que o defeito de Hitler foi ser “pouco violento” contra o capitalismo) ou Judith Butler. Nem mesmo o histrionismo de Donald Trump encontra qualquer relação.

É ainda preciso lembrar que praticamente todos os conservadores tiveram de fugir do Terceiro Reich (incluindo Ludwig von Mises e Eric Voegelin, os maiores nomes da direita mundial), e que os judeus tradicionais, como Viktor Frankl e Franz Rosenzweig, são todos a própria apoteose do conservadorismo, e não da esquerda?

Será que é preciso ser gênio para perceber disso, ou apenas olhar para a realidade, e não para livros ideológicos tentando nos convencer de que eles próprios são a verdade revelada, tão somente por terem ganhado hegemonia de pensamento marxista nas faculdades de Humanas?

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  • Nelson Tadeu
  • Pedro Henrique Cipoli

    Já escutou o episódio “301 – Nazismo é de esquerda?” do AntiCast (17/08)? Aparentemente (APARENTEMENTE) é uma resposta deles ao episódio “38: O nazismo era “de direita?” seu. Convido todos a escutarem exatamente para ver o que “o outro lado” pensa.
    Achei muito curioso: o episódio é claramente pautado tanto pelo episódio do Guten Morgen quanto por diversos textos do Senso Incomum. A Ideia dos caras era explicar que o Nazismo não era de esquerda, algo que eles falharam miseravelmente.
    50% do episódio (de 2 horas) é preenchido por risadinhas, deboches e palavrões. Aquela típica risadinha de quem se acha superior e não quer discutir com ninguém. Comento aqui pois este artigo “Se o nazismo é “de direita”, por que é a esquerda que odeia Israel?” é a cereja do bolo mencionado por eles no final (novamente: não argumentam nem explicam nada, somente risadinhas, deboches e palavrões).
    Independentemente da preferência ideológica de cada um, basta ter pelo menos dois dígitos de QI para ver que o “38: O nazismo era “de direita?” está bastante embasado, enquanto “301 – Nazismo é de esquerda?” não faz o menor sentido.
    Convido Flávio Morgenstern a escutar para ver como está incomodando esse pessoal. Eles não mencionam o nome em nenhum momento, mas é só escutar para ver qual é o “alvo”. Eu escutei por uma tentativa de “vamos escutar o que eles estão dizendo por honestidade intelectual”. Mas dói. Se essa é a nata do pessoal “progressista”, é realmente difícil não ficar inclinado à direita.

    • Pedro, eu ouvi indo pra faculdade nos últimos 2 dias. Talvez o maior show de horrores que já vi no Brasil, estava no nível Jacobin ou Hora do Povo. Aguarde pelo próximo episódio do Guten Morgen, que “nós cus alemão vamo se diverti”. Eles citam duas coisas do Senso (inclusive esse artigo) e “refutam” reclamando do… TÍTULO. Citar uma única informação e apontar o erro é impossível para eles. Sem contar nas frases soltas, sem formar um todo coerente. Afirma que eu digo que o nazismo é de direita, que o Olavo diz que comunismo significa enriquecer, de repente mistura anarco-capitalismo com conservadorismo e ainda diz que a Atlas Foundation, que descobriu no blog daquele retardado de QI de ostra do Greenwald, tá fomentando a discussão do nazismo para… promover o Bolsonaro (A ATLAS!!!!!).

      Enfim, são uns mongolóides. Mas tem um trecho que você não comentou que, quando ouvi, desisti de tentar refutar e me foquei só naquilo. Acho que você vai gostar do resultado! 😀

  • João Marcos
  • Rose Amanthéa

    bom dia. só algumas considerações. Acredito ser esta uma discussão interminável, uma vez q v mesmo reconheceu q o nazismo está para além da esquerda ou da direita. Porém, também para além do marxismo e esquerdismo cultural, acho difícil conseguir relacionar o nazismo unicamente com a esquerda, apesar de todos os seus argumentos conjunturais verdadeiros e evidentes. Digo isso porq os conceitos de eugenia e supremacia branca estão muito mais relacionados com a extrema direita. Além disso, no Brasil, a esquerda, q é muito matizada, traduz como um de seus sinônimos (por equivoco, ingenuidade ou ignorância histórica) a justiça social, igualdade, direitos das minorias, enfim,valores não considerados pelo nazismo. Acredito q ele tenha traços de ambos. Estou enganada?

    • Rose, continue lendo o site e logo descobrirá umas boas sobre “supremacia branca”. Muito ao contrário do que a própria esquerda tenta redesenhar a história, é sim algo puramente de esquerda: a KKK é do Partido Democrata, a segregação ocorreu em estados Democratas, nunca nenhum conservador pregou supremacia branca (socialistas, de Hitler a Slobodan Milošević, fizeram limpeza étnica). Só é “extrema-direita” na boca de esquerdistas. Justiça social e igualdade são sim valores do nazismo. A esquerda só foi se preocupar com “minorias” praticamente na virada do século.

      • Rose Amanthéa

        Justiça social e igualdade podem ser valores do nazismo dentro de um etnocentrismo. Justiça pra raça ariana. A utopia socialista (não necessariamente marxista), sobretudo a vendida aos brasileiros previa a igualdade para todos. Nessa perspectiva, a elite nazista representaria a classe dominante. Daí se opor a ela seria ser de esquerda. Será sempre, portanto, uma forma de olhar. Quanto aos supremacistas americanos, embora o partido democrata tenha sido fundado por escravagistas, a situação mudou após Martin Luther King, com o democrata Jesse Jackson. Outros presidentes democratas, como Trumann e Clinton, também confirmaram a incorporação da defesa aos direitos dos negros. A situação se reverteu totalmente a ponto do partido eleger o primeiro presidente negro da história americana. Só este marco já seria suficiente pra demonstrar a mudança. Além disso, essa é uma especificidade americana. Historicamente o mito do branco indo-europeu remete à elite. Embora tenha sido defendida por social democratas em algum momento da história. Mas no Brasil, mais ainda, os movimentos negros sempre tiveram defesa e inspiração na esquerda. O q torna válida e legitima a identificação do nazismo com valores de extrema- direita (não da direita clássica, o próprio Olavo de carvalho faz essa distinção, sobretudo atualmente onde tanto direita e esquerda são muito matizadas). Os sinais estão bem embaralhados, né? Mais um dado. Hoje Israel tem um dos mais bem sucedidos estudos sobre eugenia. Investem pesado em pesquisas sobre o tema desde o século passado. Irônico, não? Abração.

  • Rose Amanthéa

    de direita.

  • Ilbirs

    Outro vídeo, este do Terça Livre, que acho importante inclusive por falarem das estranhas coincidências entre os organizadores dos dois lados que se digladiaram em Charlottesville:

  • Muito honrado, xará!

  • Eliane Moura

    No quinto parágrafo:”e a retórica belicosa de Hitler nunca se voltaram contra muçulmanos.”
    Nunca se voltou é melhor. :0)

    • Muito obrigado, Eliane! Já mandamos o responsável para um campo de concentração corretivo!

  • Wili, muito obrigado! Infelizmente é essa a realidade. Ou seja: fecha-se ao grupo dos que pensam o mesmo e nega-se qualquer referência que fira a sua narrativa pré-fabricada. Este é nosso mundo!

  • Tudo o que esse cara fez foi dizer que Hitler era contra marxistas. 31 mil curtidas nisso. Não tem UMA frase provando que, graças a isso, o nazismo é de direita.

  • Silva1983

    Toda essa discussão me fez ver que os esquerdopatas continuam “feras” na chantagem emocional. Infelizmente, alguns da direita mordem a isca e já saem na defensiva: “ah, nós é que somos os verdadeiros apoiadores de [judeu/negro/gay/mulher…]”. Isso é uma tolice, mas pelo tanto que a direita vem aprendendo sobre estratégia, vou torcer para que cedo ou tarde ataquem esse ponto também.

    Agora mais munição contra um dos “argumentos” usados pelos canhotos recentemente: “ah, perseguiu, prendeu e matou comunistas – como o nazismo fez -, claro que é de direita”. Só que não. Aqui são trechos do fantástico documentário ‘Comunismo: História de uma Ilusão’:

    “Stalin, durante o longo período de desenvolvimento comunista em que governou, tinha pelos comunistas estrangeiros suspeita ou desdém.” (1:27:03)

    “Stalin destruiu três vezes mais comunistas do que Hitler.” (1:27:16)

  • Gustavo Pontes

    Olá Flavio. Seus podcasts são excelentes, mas 2hrs de duração é muita coisa. Abraço!

    • Caro Gustavo, obrigado! Reclamam sempre disso, mas quanto maior, maior a audiência. É quase matemático!

  • É só uma gente confusa, que viu mais salvação na ocupação nazista do que nos fracos “líderes” franceses. Tal como a esquerda não entende o que tá acontecendo no mundo, o mesmo precisa ser dito sobre esses neonazistas (apesar de eles, bizarramente, entenderem mais algumas questões do que a esquerda). É como a alt-right americana: geralmente são jovens nos 20 anos ainda confusos com o mundo. Com a diferença de que o Front Nacional tem décadas, muitos neonazistas notórios, é anti-sionista quase “oficialmente”, culpa judeus pelo caos na França (!) e uma boa parcela é mesmo supremacista.

  • Pingback: Abre o Jogo – A verdade sobre Charlottesville e o nazismo de “extrema-direita” | Capital Cultural()

  • Apenas uns complementos.

    O Fascismo foi um “quebra-galho” que Mussolini criou mais palatável ao frustrado povo italiano do pós-guerra, pois o bolchevismo não daria certo na Itália por diversas características, sendo a oposição direta da Igreja Católica uma delas, pois esta já condenava o comunismo desde o século XIX. No caso, o quebra-galho se tornou definitivo com o assassinato de Matteotti, que fez com que os bolcheviques russos rompessem com Mussolini. Ou seja, mesmo como chefe do Fascismo ele ainda respondia aos russos!

    Quanto aos tradicionalistas, é necessário diferenciar os regimes de Franco e Salazar em relação ao Fascismo italiano, esse sim de extrema-esquerda (mas não bolchevista). A Falange e o Integralismo hispano-lusitanos foram regimes corporativistas tradicionalistas, ou seja, defensores da pátria e de seus valores contra os revolucionários, enquanto o Fascismo era uma vertente revolucionária materialista e que não raro se lembrava de suas raízes bolcheviques.

    • Antonio Araújo

      Sim, o franquismo era tradicionalista (católico), mas mimetizou o fascismo e governou com os falangistas. Além dele, pode-se citar outros católicos que governaram como fantoches do nazismo alemão, a exemplo de Ferenc Szaslasi e sua Cruz Flexada na Hungria ocupada pelo 3º Reich (que matou milhares de judeus e outras minorias); os Legionários romenos, que estiveram no poder em coalisão com Antonescu com o apoio da Alemanha (também responsáveis por envio de judeus à morte); e, o pior de todos, o regime de Ante Pavelic e seus Ustase na Croácia, acusado de chocar os próprios nazistas ocupantes da Iugoslávia, nos assassinatos em massa perpetrados contra os sérvios (que não se convertiam ao catolicismo romano), ciganos e judeus.

      • Antonio Araújo

        coaliZão

  • Gabrieul ul

    Já assisti a todos e endosso suas indicações.

  • Sebastião José da Silva

    Olha o que escreveu o Guga Chacra,

    “No Brasil, tem circulado a informação equivocada de que o nazismo seria de esquerda. Para esclarecer que o nazismo é de exttrema direita, não sendo portanto de esquerda e tampouco de direita liberal, convidei para escrever no blog o acadêmico Michel Gherman, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém e coordenador do Centro de Estudos Judaicos da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Obviamente, críticas, com respeito e educadas, são bem vindas

    O NAZISMO É DE EXTREMA DIREITA

    Tenho acompanhado debates e discussões sobre a natureza política do nazismo. Com alguma preocupação tenho visto pessoas compartilharem informações segundo as quais o nazismo seria um movimento de esquerda, uma vertente do socialismo, uma forma de marxismo. Eu realmente não pensava que um artigo como esse seria necessário. No início achava que o debate não passava de uma discussão de gente ideologicamente comprometida, um debate sem importância nas redes sociais. Pois bem, não era isso. Em tempos de “fake News”, versões falseadas de história também devem ser combatidas, sob o risco de se tornarem versões oficiais.
    Pessoas que defendem a tese de que o nazismo era de esquerda o fazem baseado em dois argumentos principais, o primeiro deles seria de que o próprio nome do partido de Adolf Hitler continha o termo “socialismo”, o que segundo eles seria uma prova para apontar a identificação do movimento com o marxismo. O segundo argumento seria o de que um certo estatismo nazista aproximaria o nazismo da esquerda política.
    Iniciaremos com o primeiro argumento:
    A ideia de que o nome de um partido explicitaria, de forma direta e absoluta sua identidade é um exagero e um equivoco. Assim fosse, alguns partidos brasileiros seriam bastante diferentes do que são. O PDS seria um partido de esquerda. O atual PTB estaria, de fato, preocupado com o legado trabalhista e o PPS estaria na extrema esquerda do espectro político. Basear a natureza de uma agremiação política apenas em seus títulos remete a um nominalismo banal e irrelevante. Infantiliza o debate e transforma tudo em uma discussão rasa e baixa. Além de demonstrar profundo desconhecimento histórico mesmo.
    Me explico:
    O Partido Nacional-Socialista dos trabalhadores Alemães, havia sido criado a partir do Partido dos Trabalhadores Alemães, fundado por Anton Drexler. Esse partido desde sempre fora anti –comunista e antissemita e tentava combater o marxismo e os levantes comunistas na Alemanha. Em 1920, Adolf Hitler toma a liderança do partido e o transforma em Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães.
    Sua intenção era criar um partidos de massas, radicalmente antissemita e anti-comunista. Hitler e os nazistas eram nacionalistas extremistas. Acreditavam na construção de um Estado alemão baseado na raça ariana. Assim, quaisquer perspectivas de classes ou internacionalistas eram consideradas posições inimigas e deviam ser derrotadas. Dessa forma, Hitler percebe o socialismo, o marxismo e o judaísmo como inimigos. Os dois primeiros por falar em luta de classe e internacionalismo, o segundo por ser, segundo ele, cosmopolita.
    Não há dúvida, o nacional–socialismo se consolida como movimento de extrema direita, anti-marxista e antissemita.
    Agora sobre o segundo ponto, a pretensa aproximação com o socialismo pela perspectiva estatista do Nazismo.
    Para além de ser antissemita e anti-comunista, o nazismo sempre fora anti-liberal. Assim, ele não acreditava em políticas universalistas e descentralizadas. O Estado Nazista, contrário a luta de classes, se aproximava de grandes empresas, tinha um discurso anti especulativo e tinha como objetivo a expansão racial, militar e territorial.
    Mais uma vez, ao contrário de perspectivas social-democratas, socialistas ou marxistas, a centralização estatal não tinha intenções distributivas, não pretendia combater a desigualdade econômica ou diferenças sociais. Ao contrário, a razão de existência do Estado era manter as diferenças, diferenças raciais. Estabelecer um estado racialmente hegemônico, escravizar e eliminar raças inferiores. Combater e exterminar a oposição que falava em classes sociais.
    O nazismo, ao contrário do socialismo, não intencionava a abolição da propriedade privada e nem a coletivização dos meios de produção. O nazismo gostaria de garantir a arianização da economia, buscava ter alianças com grandes empresas verdadeiramente alemães e buscava construir um estado corporativo. O nazismo constituía-se assim, como modelo de capitalismo excludente e estatal. Nada mais distante do que qualquer posição à esquerda.
    Mas não se enganem, nada mais distante, também, de qualquer posição de direita liberal. O nazismo era um movimento de extrema–direita, o que em sua natureza é distinto da direita liberal e democrática.
    Por fim, gostaria de afirmar o vínculo do nazismo com teorias conspirativas da história. O complô judaico-marxista era constantemente denunciado por Adolf Hitler em discursos e textos. Não havia, nesse sentido, espaço para o livre pensar.
    Todos estavam vinculados a alguma conspiração e deviam ser delatados ao Estado. Assim, não havia espaço para uma esquerda liberal, para a social democracia, para o socialismo não marxista. Ser de esquerda era, segundo as teses nazistas, ser vinculado ao complô judaico-bolchevique. Ser marxista era ser parte da conspiração judaico-comunista.
    Devo dizer que o que mais me preocupa nessa onda que tenta vincular o nazismo a esquerda é que percebo esta mesma tentativa. A ideia de conspiração também está presente hoje, Em textos, posts ou vídeos, a narrativa de uma conspiração esquerdista me faz pensar que estamos diante de um novo surto de extrema direita. O que seria trágico para todos os democratas e liberais, sejam de direita ou de esquerda.”

    • Parei ao final do segundo parágrafo, pois as premissas que ele levanta já são erradas. Ou seja: criou um espantalho para ele mesmo refutá-lo.
      Estudar o nacional-socialismo é um tabu porque implica em 3 grandes problemas: evidencia o parentesco deste com o seu “irmão” internacional-socialismo (marxismo/bolchevismo), traz à lume o racismo evolucionista de Charles Darwin e quejandos e por fim traz à tona “verdades inconvenientes” (como a opressão anglo-francesa cometida contra o povo alemão ao final da 1ª Guerra Mundial, as alianças entre megaempresários e banqueiros com os bolcheviques etc..) que os nazistas apregoavam, pois não se engana tanta gente apenas com mentiras, meias-verdades e distorções.

      • Sebastião José da Silva

        É verdade Pedro. Eu ainda me dei o trabalho de ler até o final, mas o GugaFakeNewsChacra já é nosso velho conhecido. Tal qual os demais entusiastas da grande mídia. O próprio Flavio Morgenstern o cita em seu podcast. Um abraço!

    • Ilbirs

      Sobre a gugachacrada mais recente, Paulo Eduardo Martins acaba de desgugachacrá-la:

      Ele tocou em um ponto importantíssimo: Michel Gherman é militante esquerdista e, portanto, a ele interessa a narrativa de que “nazismo é de extrema-direita”. Portanto, vimos a engrenagem normal gramscista naquilo que Guga Chacra escreveu: recorre a um militante que vai falar a visão militante, porém esse militante vai ser apresentado por suas credenciais de professor universitário e outras que são apresentadas para que o público leigo se esqueça de que está em tratativas com um militante.

  • Anti-semitismo sempre houve no mundo. Pincelei o tema no podcast, mas ainda há muito a ser dito. Os livros citados dão mais uma demão no caso.

    Sobre neonazistas, estou ensinando, sobretudo para a esquerda, que o mundo não é como eles foram ensinados. Seria estranho super que neonazistas estão mais bem informados do que a esquerda (embora, algumas vezes, estejam). Eles são tão confusos quanto ela, achando que temos algo a ver com eles.

    • Carlos

      flavio, acredito que seja mais uma perversidade de idéias de direita,,no aspecto que me refiro… Muitos da alt-right defendem a civilização ocidental, valores cristãos, reclamam do politicamente incorreto, etc, mas o problema é que atrelam também a isso somente o papel do homem branco, como se outras raças fossem inferiores ou não tivessem lugar na sociedade.

      Obviamente eles são confusos, eu acho. Afinal são neonazistas! hahaha

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