Steve Bannon, o genial estrategista-chefe de Donald Trump está fora da Casa Branca. O que virá a seguir?

O genial Steve Bannon, que comandou a campanha do Presidente Donald Trump em sua etapa final e trabalhou como estrategista-chefe da presidência nos últimos sete meses, está fora da Casa Branca. Na manhã desta sexta-feira, o ativista e jornalista investigativo Mike Cernovich já havia anunciado no Twitter que este provavelmente seria o último dia de Bannon como estrategista-chefe. Poucas horas depois, Matt Drudge confirmou a notícia e anunciou em seu site a demissão do ex-CEO do Breitbart News.

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As circunstâncias da demissão ainda não estão claras e notícias contraditórias estão sendo publicadas pelos principais jornais americanos. Alguns jornalistas dizem que Bannon se demitiu sob protestos do presidente, outros que ele foi demitido. Seja como for, o que se sabe é que a decisão já estava tomada desde o dia 7 de agosto e que só não havia sido anunciada até agora devido à controvérsia em torno dos eventos que ocorreram em Charlottesville.

Também há muita especulação sobre quais foram as motivações por trás da decisão e, embora não haja ainda nenhuma informação sólida, parece seguro afirmar que a explicação mais plausível é a de que Bannon se demitiu após se dar conta de que havia perdido a queda-de-braços com a ala cosmopolita da Casa Branca, de tendências globalistas e pró-establishment.

Com a chegada do General John Kelly ao cargo de chefe de gabinete do presidente, Bannon foi colocado de lado e viu seus conselhos serem preteridos em benefício dos conselhos do Jared Kushner, do General H. R. McMaster e do próprio General John Kelly. Apesar disso, o fato de Bannon ser próximo da Família Mercer, responsáveis pelas maiores doações à campanha presidencial de Trump, somado ao fato de ele ter uma conexão muito forte com as principais lideranças da base do presidente, além, é claro, de ser extremamente influente na redação do Breitbart News e de outros veículos de mídia alternativa, tornavam a sua demissão uma escolha muito arriscada.

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Adicionalmente, nas últimas semanas, Bannon, que sempre optou pela discrição, concedeu uma série de entrevistas para periódicos americanos, incluindo o New York Times e o Washington Post, dois dos veículos de mídia mais engajados na guerra do establishment contra o presidente. Nessas entrevistas, além de defender o posicionamento adotado pelo Presidente Donald Trump em relação aos eventos de Charlottesville e de denunciar fortemente o viés esquerdista dos jornais, ele defendeu as conquistas do governo e lembrou uma série de pautas anti-establishment e anti-globalistas defendidas por Trump durante sua campanha. Por fim, ele entrou em contato com o editor da American Prospect, uma publicação de esquerda, com viés trabalhista, e fez duras críticas a membros do governo como o conselheiro econômico Gary Cohn e o Secretário da Fazenda Steve Mnuchin, bem como às políticas adotadas pelo Departamento de Estado em relação à China e à Coréia do Norte.

Diante de tudo isso, ganha a força a hipótese de que Bannon estava preparando o terreno para anunciar a sua saída e para assumir uma posição que o permita mobilizar e energizar os grupos que formam as bases do movimento conservador, de modo a pressionar a Casa Branca a se manter fiel à agenda que o Presidente defendeu em sua campanha e a rejeitar a agenda do establishment republicano, defendida pela maioria dos secretários e dos assessores presidenciais.

Ademais, se esta semana for uma demonstração de como o Bannon agirá após deixar seu cargo oficial, a luta anti-establishment será fortalecida e não enfraquecida. Afinal, em todas assuas entrevistas recentes ele apresentou uma defesa muito forte do presidente e de sua agenda e prometeu “fogo e fúria” para o establishment republicano, uma promessa que ele terá muito mais força para cumprir à frente do Breitbart e do movimento anti-establishment do que em um cargo oficial em Washington.

Donald Trump já era Donald Trump quando Bannon se tornou parte de sua equipe. Do mesmo modo, as estratégias e a mensagem que elegeram o presidente já estavam prontas e estabelecidas muito antes dos dois se aproximarem. Porém um governo é feito pela equipe e não apenas pelo presidente — “personnel is policy”, dizem os americanos. Por isso, embora seja consenso que o estrategista representará um risco muito maior para os seus inimigos fora da Casa Branca, é importante não se esquecer ele precisará de aliados lá dentro.

Portanto, aqueles que simpatizam com a agenda anti-establishment e anti-globalista do presidente americano e querem vê-la implementada, devem torcer não apenas para que Steve Bannon consiga mobilizar a base conservadora, mas também para que Steve Miller (um sujeito ainda mais genial do que Bannon) seja promovido ao cargo de estrategista-chefe ou, ao menos, que ele e os aliados remanescentes  de Bannon continuem na Casa Branca tempo suficiente para ajudar o presidente a converter a pressão das bases em vitórias políticas e estratégicas.

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