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Ao fazer uma, ehr, "homenagem" a Jerry Lewis, a Folha pergunta a opinião de humoristas brasileiros e reclama de piadas com gays e feministas.

Jerry Lewis, um dos maiores comediantes do mundo, se foi neste domingo, aos 91 anos. Vivendo em um século em que humoristas, comediantes, satiristas e qualquer um que soubesse rir e fazer rir foram cada vez mais perseguidos e censurados, cada um “irritado” com Jerry Lewis pode ser apontado como tendo corrido enorme risco de estar do lado errado da verdade e da liberdade.

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A Folha de S. Paulo, ex-jornal cada vez mais preocupado em “lacrar” do que em defender a liberdade, assim fez uma manchete sobre a morte do comediante: “Rabugento, Jerry Lewis encantou brasileiros e irritou comunidade gay”.

Jerry Lewis participou de um filme brasileiro em 2013, “Até que a Sorte nos Separe 2”. A Folha chamou o diretor da criação, Roberto Santucci, para proferir a seguinte pérola:

“Ele chegou com mil restrições: não podia ficar muito tempo de pé, tinha um problema na coluna, não queria vestir o smoking…”

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A própria Folha explica algo que qualquer diretor de cinema tinha obrigação de saber ao importar um humorista então com 87 anos:

As dores nas costas eram reflexo de um acidente que o comediante sofreu em 1965, durante um show num hotel, americano, e que o levariam a ficar viciado num analgésico pelos próximos 13 anos.

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“Rabugento”, a primeira palavra que a Folha dedica a Jerry Lewis, em um artigo que gasta mais tempo contando as impressões dos produtores de um filme que, somados, não significam ao mundo 0,001% do que foi Jerry Lewis. Simplesmente o criador do Teleton, que ajuda tantas crianças pelo mundo, enquanto jornalistas buscam espaço para “lacrar”.

Mas o melhor fica para a frescurite, o ataque de pelancas, os faniquitos afetados e a histeria ridícula da Folha ao falar das piadas de Jerry Lewis. Aparentemente, feministas e “a comunidade gay” (que nada tem a ver com os gays de carne e osso que não estão interessados em usar sua sexualidade para fazer propaganda política esquerdista) já reclamaram das piadas de Jerry Lewis. Não é exatamente uma notícia: tais militâncias histéricas existem pelo único fato de sair por aí “se ofendendo” com o que querem censurar.

Escreve Guilherme Genestreti na Folha:

Durante uma maratona beneficente realizada em 2007, o ator fez piada com um parente imaginário seu, que ele chamou de “Jesse, The Illiterate Faggot” (algo como “Jesse, o viado analfabeto”). Lewis teve que se desculpar publicamente pelo comentário.

No ano seguinte, falando à televisão australiana, o ator disse que achava o críquete, paixão nacional naquele país, um “esporte de maricas”. O comentário foi acompanhado de Lewis gesticulando de maneira bastante afeminada.

As mulheres foram outras vítimas: em 2000, num evento de humor, disse não gostar de comediantes do sexo feminino. “Penso nelas como máquinas de produzir bebês”.

Ironicamente, o ator propalava a história de ter sido expulso do colégio onde cursava o ensino médio após ter dado um soco no diretor da escola, que o insultou com um comentário antissemita.

O ator também dizia ser confidente do amigo Sammy Davis Jr., que lhe telefonava chorando para falar das ofensas racistas de que era vítima.

Em 2015, Lewis criticou o então presidente Barack Obama (“nunca foi um líder”), disse que refugiados deveriam ficar “na puta que o pariu onde estão” e elogiou a candidatura de Donald Trump: “Ele é ótimo porque é um ‘showman’. E nunca tivemos um na cadeira presidencial.”

Embora fosse afiliado ao Partido Republicano, dizia ter sido amigo do ex-presidente democrata John F. Kennedy.

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A notícia aqui no caso não é que Jerry Lewis “irritou” a chamada “comunidade gay”: a notícia é que a “comunidade gay”, falando em nome de gays que não fazem parte de comunidade nenhuma, tentou censurar Jerry Lewis. Tal como feministas, falando em nome das mulheres. E assim por diante.

Nada mais óbvio para um comediante de tal quilate repudir Barack Obama, de quem ninguém lembra do legado menos de um ano após sair do cargo, e preferir alguém que prefere falar livremente, como humoristas fazem, como Donald Trump.

Não existe “comunidade gay”. É uma das confusões que gerou os piores regimes políticos que a humanidade já viu no século XX, tão bem denunciada por José Ortega y Gasset no seu clássico A Rebelião das Massas: confundir a convivência com alguma forma de acordo contratual de vontades:

Um dos mais graves erros do pensamento “moderno”, cujas salpicaduras ainda padecemos, tem sido confundir a sociedade com a associação, que é, aproximadamente, o contrário daquela. Uma sociedade não se constitui do acordo das vontades. Ao contrário, todo acordo de vontades pressupõe a existência de uma sociedade, de pessoas que convivem, e o acordo não pode consistir senão em precisar uma ou outra forma dessa convivência, dessa sociedade preexistente. A idéia da sociedade como reunião contratual, portanto jurídica, é o mais insensato ensaio que se fez de pôr o carro adiante dos bois.

Alguém aí pode irritar a “comunidade gay”? Todos os gays do mundo têm um acordo de estarem irritados com Jerry Lewis? Ou o que há é uma meia dúzia de gente muito chata e mal amada, que nunca poderia usar a palavra gay (“alegre”) para se auto-definir?

Falar em nome de toda a sociedade, confundindo uma aproximação territorial (ou ideológica, ou de hábitos sexuais etc) com uma associação contratual, foi o que gerou os piores regimes já inventados pela humanidade. Existem gays. “Comunidade gay” é invenção de jornalista lacrante. E de grupo de pressão por censura que não sabe que piada é ficção. Pra depois ficarem reclamando de mau humor em entrevista e de Jerry Lewis preferir Donald Trump a um líder de lacrantes inúteis que entregou o mundo ao terrorismo como Barack Obama.

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