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Carina Vitral, a ex-presidente da UNE, faz análise de um ano sem Dilma dizendo que foi um ano de "perca" de direitos. Lula falaria melhor.

A ex-presidente da UNE, Carina Vitral, agiu como black blocker da língua portuguesa no Twitter. Aos gritos de “Fora Temer”, “Não passarão”, “Eu quero a minha Caloi” e outras complexas manifestações verbais dignas de leitores de Edmund Husserl, Carina Vitral comentou o aniversário de um ano sem Dilma dizendo que o “golpe” gerou uma onda de retrocessos e “perca” de direitos (sic).

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Carina Vitral foi presidente da UNE, o puxadinho do PCdoB como movimento “estudantil” para dizer que “representa” estudantes. A UNE não consegue representar nem a esquerda: o PSTU, por exemplo, criou a sua própria UNE, a ANEL (não é “o ANEL”), Assembléia Nacional dos Estudantes – Livre (pelas palavras que não se juntam bem, só poderia ser coisa do PSTU, Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, nome que só se justifica porque Partido Unificado dos Trabalhadores Socialistas formaria “PUTS”).

A UNE sobrevive até hoje com o monopólio da emissão das carteirinhas de desconto para estudantes. Ninguém leva a UNE a sério: Carina Vitral mesma, tendo sido presidente de algo que “representa” todos os estudantes do país, não tem muito mais do que 8 mil seguidores no Twitter. Qualquer esquerdista tem muito mais.

Carina Vitral, ex-presidente da UNE no Twitter: "Perca de direitos"

https://twitter.com/carinavitral/status/903316706977878018

Carina Vitral, obviamente, não é uma causa, é uma conseqüência. A ex-presidente da UNE sozinha nunca conseguiria a inteligência e a perícia para ser causa de qualquer coisa relevante. Seu uso ridículo da língua portuguesa é conseqüência de décadas de uso do método de alfabetização da Paulo Freire, o “pedagogo” (curiosamente, sem formação) que criou um sistema que julgava ser capaz de alfabetizar alguém em uma semana.

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O método Paulo Freire, falando em “consciência” e “politização” (Paulo Freire odiava qualquer coisa que parecesse “bancária”, detestando exercícios e horas de prática, necessárias para se aprender… bem, qualquer coisa), é baseado puramente em sons silábicos a serem apreendidos por assimilação automática pela vítima. O sofrente passa a acreditar que, pelo domínio de sons e assimilação solitária com outros, ganhou “autonomia” de “educação”, quando apenas passa a balbuciar sons sem auscultar-lhes as minudências de significado.

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Assim, “perda” e “perca”, duas palavras existentes na língua portuguesa, são assimiladas como tendo sons muito parecidos, e logo, significados muito parecidos (bobagem que qualquer lingüista, ou qualquer pessoa que saiba a diferença entre um Picasso e o-que-vocês-estão-pensando, sabe que é voodoo mambo jambo). Não passa pela cabecinha paulofreireanada da ex-presidente da UNE que uma é um substantivo derivado de um ato concretizado. Outra, a terceira pessoa do subjuntivo do verbo perder. Ambas palavras derivadas do mesmo verbo, mas até de categorias distintas.

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Aprender a língua é escalonar palavras, hierarquizá-las e atentar para as mudanças de significado, que não variam no mesmo compassado das mudanças de som, ou mesmo sem som (“para” e “pára” são duas coisas bem distintas, que o Novo Acordo Ortográfico, assinado por um analfabeto defendido pela UNE, tratou de tentar abolir na canetada).

Esta noção é completamente impossível de ser aprendida pelo método Paulo Freire e sua “autonomia”. Vide como pessoas sem instrução escrevem errado em inglês, francês, espanhol ou outras línguas: nem de longe se parece com o absurdo que são os erros ortográficos dos brasileiros que, hoje, não produzem grandes escritores e pensadores – e, justamente pela deficiência educacional, acreditam que a solução é mais Paulo Freire, que certamente nos deixará inteligente quando for “aplicado direito”.

Tweet - prima com "cendimendidau" (Síndrome de Down)

É claro, para saber colocar “perda” e “perca” numa relação lógica (Paulo Freire diria “dialética”, sem saber o que isso significa), muitas horas/bunda são necessárias estudando processos rigorosos de formação de palavras, conjugação verbal, respeito às regras de concordância e procedimentos e, claro, hierarquização. Tudo isso que Paulo Freire e a UNE mais odeiam em sua busca por “autonomia”.

Com todo esse conhecimento da “representante” de estudantes, seria de bom alvitre questionar Carina Vitral que raio de direito ela “perqueu” neste ano sem Dilma. Não o direito de pegar nosso dinheiro e se mancomunar com o governo para torrefazê-lo, claro: um direito, assim, com mais cara de direito, jusnaturalisticamente falando. O discurso de que “perquemos” direitos é roboticamente repetido pela malta da UNE, mas nunca conseguem apontar um único direito “perquido”.

É com esse conhecimento de realidade, confundindo verbo com substantivo, que Carina Vitral e a UNE querem analisar o Brasil e definir que Lula é honesto e inocente e Dilma foi uma boa presidenta. E, claro, que Paulo Freire é um bom pedagogo, e que ser de esquerda é o correto.

Afinal, adivinha só que presidente a UNE defende, e que pedagogo a UNE acha que vai salvar o Brasil dos “retrocessos”?

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