Gleisi Hoffmann diz que para prender Lula, "vão ter que matar gente˜. Típico, mas o PT prometendo sangue ainda deveria causar horror.

Gleisi Hoffmann, a presidente do PT, deu ontem em entrevista ao Poder 360 a icônica declaração de que “Para prender o Lula, vai ter que prender muita gente, mas, mais do que isso, vai ter que matar gente. Aí, vai ter que matar”.

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A frase é de uma violência praticamente inédita na história política brasileira – mas, vindo de quem veio, surpreende em absolutamente nada. Gleisi nem chegou a freqüentar os Trending Topics do Twitter ou virar um daqueles temas chocantes de quando celebridades e políticos falam besteira. Parece que já é o normal para o PT. Nada mais do que um dia comum, monótono, repetitivo e previsível como outro qualquer.

Inclusive a retumbante e sanguinária injustiça da sentença: Gleisi fala abertamente em mortes (trata-se da presidente do único partido no país com 8 mortes misteriosos no histórico desde Celso Daniel), provocadas por reação à violência petista, e até isso já se tornou carne de vaca. O de sempre do PT.

Imagine-se se a frase tivesse sido proferida por Jair Bolsonaro, considerado “desequilibrado” por perder a paciência com uma repórter da Folha e falar em “comer gente”. No caso de Gleisi, uma ameaça real – não uma ironia – é tratada como nota de rodapé.

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Por que Gleisi pode fazer ameaças, falar em mortes, sendo que qualquer outra pessoa do país que dissesse o mesmo, ainda mais em tal contexto (obstruir Justiça, um crime), seria presa imediatamente? Há uma lei para Gleisi – e para os petistas – e outra para nosotros? Isto, é claro, também é uma obviedade, mas deveria nos chocar todo dia, não nos cansarmos até mesmo com o horror, como falou o Zaratustra de Nietzsche.

Tanto é verdade que Gleisi se escora em outra nítida manifestação do fim do rule of Law no Brasil: Lula ele mesmo já estaria preso, como qualquer condenado em primeira instância. O próprio Sérgio Moro cuidou para evitar que fosse à cadeia tão somente por ser um ex-presidente. O TRF-4, que cuidará da segunda instância, já deixou claro que não mandará Lula para a cadeia em caso de condenação –  novamente, como é o Lula, o TRF-4 aguardará todos os embargos. Mesmo assim, Gleisi, só para o dia não passar em branco, tala em mortes.

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Suas palavras são pesadas e só escolhem metáforas infantis no intelecto e mortíferas no armamento: disse que uma eventual condenação significará que os juízes “desceram para o ‘play’ da política […] No ‘play’ da política nós vamos jogar […] E vamos jogar pesado”. Jogar pesado não é jogar sujo? Pesado, na política, não é partir para a violência?

Sem se importar com a lei eleitoral (por que se importaria com essa coisa para os comuns-mortais, as leis?), afirma que “a candidatura do Lula vai ser decidida na Justiça Eleitoral”, o que não faz sentido no Direito.

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E acha que os crimes envolvendo JBS, OAS, triplex e afins têm a ver com votos, como se o Código Penal agora fosse uma soltura de Barrabás se ele consegue enganar bem o público: “Como é que vai cassar o voto de 40, de 50 milhões de brasileiros?” – os números são como os que o PT inventa que tirou da miséria no Brasil. Como números não mentem tão bem, Gleisi logo a seguir descarta reeleição ao Senado e todos os “milhões de votos”: sua auto-confiança de pastiche só permite se candidatar a ser deputada.

Não custa lembrar que Gleisi, possivelmente tendo o codinome “Amante” na lista da Odebrecht, já teve o marido preso por crime de corrupção e também é ela própria ré na Lava Jato, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Difícil conquistar votos dos aposentados paranaenses com seu histórico.

O que Gleisi diz é o normal da vida para um petista. Mas deveríamos voltar a nos assustar e tratar o horror como uma coisa horrível. Vamos supor que fosse aquele candidato que a mídia tanto adora massacrar que tivesse dito o mesmo?

E tudo o que Gleisi diz é para dizer, afinal, que estão acima da lei. Mesmo que precisem matar para isso.

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