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Gleisi, Lindbergh e a vontade de salvar Lula com o sacrifício de ingênuos

Quando Gleisi fala em morte, não fala em morte de Gleisi, mas na de militantes descartáveis

Foi filmado e publicado pelo próprio senador. No vídeo, Lindbergh Farias tenta incendiar a esquerda nacional concordando com Gleisi Hoffmann, que na véspera havia causado polêmica alegando que, “para prender o Lula, vai ter que matar gente“. Horas depois, a petista recuou dizendo que tudo não passava de uma força de expressão, com direito a piada por parte da Veja sobre o caso.

Mas talvez Augusto Nunes não tenha entendido bem o que está em jogo. Ao dizer que “tem que ter uma outra esquerda, mais preparada para o enfrentamento“, insistindo que não vão “aceitar a condenação do presidente Lula“, que “não é só pela via institucional recorrendo a essa Justiça“, e que precisam de uma esquerda com “a coragem de enfrentar“, Lindbergh concorda quase que literalmente com a morte pregada por Gleisi. Contudo, em nenhum momento é dito que essa morte seria de membros do parlamento – que certamente estarão protegidos por seguranças armados e carros blindados.

Fica subentendido que há interesse num defunto para estampar nas manchetes e jogar a opinião pública contra a Lava Jato. Só um idiota útil se prestaria a isso. E a canastrice da argumentação petista serve bem ao propósito.

Porque é lógico que há provas contra Lula, e às centenas. Assim como havia provas para derrubar Dilma Rousseff outras tantas vezes. Algumas dessas, inclusive, foram rasgadas no TSE para proteger o mandato de Michel Temer.

Assim como é óbvio que, ao se ocultar patrimônio adquirido em uma triangulação decorrente da roubalheira na Petrobras, o triplex não estaria no nome de Lula, mas no de um laranja.

Tudo isso, entretanto, é ignorado com uma frieza quase psicopata.

A tática se assemelha à do “golpe do príncipe nigeriano”, que é descaradamente tosco justamente para que as pessoas mais espertas logo se afastem dele, sobrando apenas as mais ingênuas. Cormac Herley, pesquisador da Microsoft Research, explicou a mecânica em matéria publicada na Folha de S.Paulo ainda em 2014:

“Histórias rebuscadas de riquezas africanas são vistas pela maioria das pessoas como cômicas”, escreve ele. “A nossa análise sugere que essa é uma vantagem para o golpista, não uma desvantagem. Ao enviar um e-mail que afasta todos, a não ser os mais ingênuos, ele leva as vítimas mais promissoras a se autosselecionarem.”

O estratagema filtra os menos crédulos já nesse primeiro contato, para evitar que sejam muitos os candidatos da segunda fase, de convencimento individual.

“O golpe envolve uma campanha inicial de e-mails que tem custo quase zero”, diz Herley. “Só quando as vítimas potenciais respondem é que começa o esforço maior de equipe, com os passos seguintes por e-mail e, às vezes, por telefone.”

O custo para Lindbergh publicar o vídeo também se aproximou do zero. Só os mais ingênuos cairão na conversa fiada. É a vida deles que corre perigo – além da popularidade da Lava Jato.

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