Os advogados de defesa de Lula sabem que o risco de condenação é real, mas por que só na véspera do julgamento admitiram que houve crime?

A defesa de Lula, como já cansamos de denunciar nesta página, não está muito interessada no Direito, e sim no que manteve Lula livre, leve e solto até hoje: a opinião pública, o medo que o Judiciário tem de aplicar a lei que aplica para qualquer outra pessoa no país. A defesa do ex-presidente aposta mais no que gerará convulsão entre sua militância (o PT é o único partido com militância estruturada no país) do que nos dados técnicos.

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É o que a defesa de Lula fazem ao repetirem tanto que não houve escrituras para o triplex no Guarujá: ora, o crime é de ocultação de patrimônio, ou seja, usufruir de um bem que não é seu oficialmente (ou seja, que não está em seu nome) e esconder seu uso, geralmente por sua origem ser ilícita (no caso, por ser uma propina da OAS para ganhar contratos com o governo).

Todavia a defesa de Lula aposta na repetição do mantra “não há provas contra Lula” focando-se em paradoxos como uma suposta escritura do apartamento pois aposta, corretamente, que a militância do PT não tem inteligência, e não entenderá que, justamente, isso prova o crime de ocultação (esta palavra quase nunca é usada em blogs de esquerda, para manter a mágica funcionando).

Mas eis que os advogados de defesa de Lula surgem às vésperas do julgamento da segunda instância (por que, literalmente, na véspera?) afirmando que o crime de ocultação do patrimônio do triplex prescreveu, pedindo ainda para recorrer em liberdade.

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Ora, qualquer pensador que estudou o fenômeno da psicologia das massas, de Freud a Ann Coulter, do aristocrata Erik von Kuehnelt-Leddihn ao estivador Eric Hoffer, do Prêmio Nobel Elias Canneti ao repórter Lee Stranahan, sabe que as massas lidam bem com informações completamente contraditórias, sem nunca diminuir a marcha de seu fanatismo por conta disso.

Contudo, e os magistrados que irão julgar Lula no TRF-4? Acaso eles também agirão como a massa apatetada que o PT usa como peões para proteger as peças mais importantes e menos descartáveis atrás?

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Afinal, como Marlos Apyus escreveu bem aqui, quando Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias falam em “sangue” e “matar gente”, na típica retórica hiperbólica dos líderes de turbas enfurecidas desmioladas, não querem dizer que eles próprios, Gleisi e Lindbergh, morreriam por Lula, e sim que a gente comum, da militância lobotomizada, morrerá por eles.

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É fácil fazer uso e abuso dessa retórica e de contradições antes do julgamento, para insuflar a farândola inconsciente, para amedrontar a Justiça, que terá de sair do prédio escoltada inclusive por atiradores de elite, tal o modus operandi típico e conhecido dos petistas (algum petista tem coragem de falar em público sobre Celso Daniel?). Mas juízes, magistrados, comportam-se de forma bem diferente.

Agora a patuléia maltrapilha está nas ruas. E quando for a hora de, como sempre repetem, contar a história em livros do MEC? Será que a contradição vai continuar sendo ignorada, como o está em silêncio estrepitoso absoluto da grande mídia? Ou não será lida, até pelo mais júnior estudante de História na oitava série, como confissão de culpa, feita às apalpadelas na última hora ao lembrar que a cadeia pode ser real?

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