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A agitadora profissional Márcia Tiburi diz que o título de seu livro é uma "ironia kierkegaardiana". Kierkegaard riria da pretensa "filósofa".

Após a, digamos, “polêmica” em que Márcia Tiburi se meteu ao fugir amedrontada de um debate com Kim Kataguiri (na verdade, nada além do óbvio esperado e previsível vindo da feminista radical), a, digamos, “filósofa” teve de reunir o DCE e verificar que desculpa daria, já que é autora de um livro chamado “Como conversar com um fascista” (e “fascista”, para a autora, é qualquer coisa que se mexa e não queira a volta imediata de Dilma Rousseff). A saída foi dizer que o título de seu livro é uma “ironia kierkegaardiana”.

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Søren Kierkegaard (1813-1855), filósofo dinamarquês, considerado por Wittgenstein como “de longe, o mais profundo pensador do século XIX”, fez uma incrível síntese entre a dialética de Sócrates conversando na ágora ateniense e da pregação de Jesus em Jerusalém.

Não são exatamente fenômenos no horizonte de referências de Márcia Tiburi, mais dada a atirar bolinhas de papel em mulheres no Palácio do Planalto ao lado de Dilma Rousseff (como fez com Kelly Cristina dos Santos), ou invocar “deusas” porque, afinal, Iduna, Artemis e Ishtar são mais “empoderadas” do que Jesus Cristo.

Para Márcia Tiburi, é uma ironia chamar o livro de “Como conversar com um fascista”, pois, na realidade, não crê ser possível dialogar com um fascista (novamente: no idioleto da coitada, “fascista” é tudo o que não atire bolinhas de papel como forma de “ativismo”; Márcia Tiburi possui 47 anos de idade). Ao menos a militante sabe o que é uma ironia: dizer uma coisa, querendo dizer o oposto.

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Mas a famosa ironia de Kierkegaard – que merece a marca “ironia kierkegaardiana” – não tem absolutamente nada a ver com o que faz Márcia Tiburi. O filósofo dinamarquês marca três fases claras da vida do homem, tanto como espécie como experimentadas e repetidas em momentos distintos de sua vida. Primeiramente, a vida estética. Depois, a vida ética. Por fim, a vida religiosa.

É natural que, sobretudo na adolescência, prisão domiciliar de onde Márcia Tiburi nunca conseguiu escapar, pensemos apenas por estética – dos prazeres do corpo à visão política, tudo é mera sensualidade e vontade de criar algo de meras aparências – o discurso de “igualdade” convence muito jovens justamente por achar um mundo de homogeneidade forçada mais bonito do que um mundo onde cada um vive por si.  Todo jovem tem algo de Kim Jong-un dentro de si.

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Mas com as mudanças da vida, o infante logo é colocado diante de situações complexas demais para a mera estética responder (seja a possibilidade de perder o amor de sua vida para uma sensualidade mais poderosa, todavia mais temporária do que a sua, seja notar como a uniformidade exige força, e não é justa com o que trabalha e se esforça menos). Seu pensamento, com o arcabouço anterior, chega a um outro estágio por ironia: vendo que suas palavras, referências e valores precisam de algo maior do que seu horizonte de pensamentos possui. É quando chega a uma fase ética, e depois religiosa.

A ironia kierkegaardiana, portanto, é uma forma de filosofia que exige o movimento de toda a alma, não existindo sem uma ação correspondente. Já o título do livrinho de Márcia Tiburi não tem nada a ver com isso: é apenas um golpe de marketing aproveitando-se de outros títulos semelhantes, como o excelente How to Talk to a Liberal (If You Must), de Ann Coulter, e só tem uma ironia, e não uma ironia kierkegaardiana.

O que é revelador em excesso de Márcia Tiburi: tal como faz com a palavra “fascista”, aplicando-a a todo mundo que odeie o fascismo (e que, portanto, a ativista tenta calar, ao associá-los com o que eles rejeitam), a agitadora usa palavras fortes e técnicas, como kierkegaardiano, esvaziando-as completamente de sentido, apenas para ganhar aplausos apostando na ignorância de seu público (aposta na qual está corretíssima).

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Soubesse o mais básico sobre Søren Kierkegaard, Tiburi no mínimo escolheria outra palavra para definir sua ironia: Kierkegaard era monarquista, odiava a democracia, temia o avanço de massas descerebradas e considerava que o estágio final da vida era uma entrega total a Jesus Cristo, pois apenas Deus resolveria o impasse de uma dialética sem síntese como é a vida humana.

Os fãs (fãs!) de Márcia Tiburi aboletaram-se nas redes sociais para dizer que ninguém havia lido o livro da panfletária ao cobrarem que ela estaria errada em fugir de um debate, escrevendo um livreto com tal título. Ora, os fãs (fãs!!) de Márcia Tiburi deveriam criticar também o juiz do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) Rubens Casara, que, no prefácio do livro, afirma que “instrumento” para “confrontar o fascista” é “aquilo que para ele é insuportável”: “o diálogo, na melhor tradição filosófica atribuída a Sócrates” (sic). E tome referências que talvez nem a própria Tiburi consiga entender:

“Isso significa vomitar a serpente (metáfora da fábula do psiquiatra Franco Basaglia) capaz de conduzir nossas vidas ao fascismo e, o que é ainda mais difícil, ajudar o outro, aquele que identificamos como fascista, a destruir e vomitar a sua serpente. Talvez esse seja o objetivo do diálogo proposto pela filósofa.”

Já o deputado federal e ex-BBB Jean Wyllys, no segundo prefácio, ainda coroa o bolo cerejosamente:

“Marcia Tiburi propõe o diálogo como forma de resistência à banalização do mal a que assistimos atônitos, indiferentes ou indignados. (…) É preciso insistir no diálogo com o fascista.” (grifos nossos)

É uma ironia de vida. Quase anti-kierkegaardiana, saindo da ética e voltando para a estética do absurdo.

Uma coisa, porém, é clara: você pode odiar o quanto quiser as posições defendidas pelo parlamentar e ex-BBB Jean Wyllys, mas em seu lugar, duvido que você faria diferente. Não é só porque foi chamado a escrever um prefácio para um livro de Márcia Tiburi que você se dará ao trabalho de ler a estrovenga. Só escrever qualquer lugar-comum sobre “fascismo” está de excelente tamanho.

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