Política Internacional

The State of the Union: o que esperar do discurso de Donald Trump para o Congresso Americano?

Em seu primeiro discurso sobre o estado da união, Donald Trump elencará suas vitórias e apresentará ao mundo sua perspectiva sobre como tornar a América grande outra vez

Mantendo viva uma tradição de 228 anos, Donald Trump fará hoje seu primeiro discurso sobre o estado da união, o célebre state of the union, no qual o presidente dos Estados Unidos da América irá ao Congresso dos Estados Unidos, à nação americana e, em última instância, à população do mundo todo, o estado e as condições de seu país e de seu povo.

Com início às 21h (meia-noite no horário de Brasília), o discurso servirá ainda para apresentar as prioridades do governo, suas propostas legislativas e sua visão para o futuro próximo num amplo leque de temas, que deverá abarcar questões de segurança pública e de imigração, passando por questões econômicas e administrativas, sem deixar de fora as questões espinhosas relacionadas à política externa e à atuação internacional dos EUA.

É certo que o discurso será cercado de pompa e circunstância. Do anúncio da chegada do Chefe de Estado da nação mais próspera e poderosa do mundo, passando pelos efusivos apertos de mãos, até o pedido de silêncio feito pelo presidente da Câmara dos Deputados; do posicionamento dos assentos do vice-presidente e do presidente da Câmara às anedotas sobre os convidados especiais do presidente; das reações de apoio dos parlamentares da situação às reações de protesto dos parlamentares da oposição; o evento será marcado pelo melhor do espetáculo político, mas, deixando a dimensão simbólica e pré-racional da disputa político-partidária temporariamente de lado, o Senso Incomum apresenta a vocês um breve resumo do que podemos esperar do discurso e dos seus desdobramentos ao longo dos próximos meses.

Grandes Feitos: um ano memorável

O estado da união é saudável, sólido e robusto. O Presidente Donald Trump tem motivos de sobra para fazer um discurso otimista e repleto de boas notícias sobre seu primeiro ano de governo. Apesar de todo o ruído produzido e propagado pelo establishment midiático, a verdade é que poucos presidentes na história dos Estados Unidos da América tiveram um primeiro ano tão produtivo e vitorioso quanto Donald Trump.

Além de todas as vitórias políticas e ideológicas em sua disputa diária com o Partido Democrata e com a totalidade do establishment americano (o que inclui figuras ilustradas do show business, as principais corporações midiáticas, a burocracia permanente que povoa a máquina estatal americana e até mesmo membros do seu partido), Donald Trump tem apresentado resultados tangíveis e que podem ser sentidos no dia a dia do americano médio, sobretudo na esfera econômica.

Por meio de uma combinação de políticas econômicas inteligentes e estratégicas, o presidente cortou regulações governamentais, congelou a contratação de funcionários públicos e de outros gastos do governo, além de ter aprovado a mais ampla reforma tributária desde a década de oitenta, conseguindo com isso reduzir substancialmente o desemprego e outros indicadores negativos, ao mesmo tempo que abria caminho para que empresas e trabalhadores americanos promovessem o crescimento real da economia, o início da reindustrialização de do território americano e da repatriação do capital que estava investido no exterior.

Com isso, Donald Trump conseguiu devolver o dinamismo à maior economia do mundo, fazendo o que Obama e outros políticos haviam dito ser impossível: reduzir o número de dependentes de programas de assistência governamental; ampliar a força de trabalho; aumentar a renda real e o poder de compra das famílias; reduzir a taxa de desemprego da população negra e da população latina ao menor patamar da história; além de contaminar os investidores e os consumidores com um otimismo singular, abrindo caminho para que o Dow Jones Industrial Average, o NASDAQ e o S&P 500 quebrassem incontáveis recordes histórico; invertendo, assim, o processo de queda relativa da relevância econômica dos EUA.

Na ausência de êxito maior em sua tentativa de repelir o programa de saúde implementado por Obama, o fim do individual mandate, política introduzida para obrigar as famílias americanas a adquirir planos de saúde que elas não podem ou não querem adquirir, receberá grande destaque, dividindo com a reforma tributária o topo da lista  de vitórias que serão apresentadas no discurso e darão o tom da mensagem do presidente.

Também no âmbito da segurança pública e do território nacional o presidente americano conseguiu resultados relevantes. Além de reduzir em mais de 70% a travessia ilegal das fronteiras americanas e de ampliar em 40% a prisão de imigrantes ilegais envolvidos em crimes violentos, ele tomou uma série de providências que facilitaram o trabalho dos agentes alfandegários e de segurança, abrindo caminho para que agentes da ICE, a agência que exerce função de controle alfandegário e de imigração nos EUA, realizassem mais de 42 mil prisões já nos primeiros 100 dias do governo e enfraquecessem significativamente gangues e grupos criminosos como o M-13. O banimento temporário do ingresso de pessoas originárias de Estados falidos ou que financiam o terrorismo, assim como o programa de veto do ingresso de terroristas, ampliaram a percepção de segurança da população americana e contribuíram para diminuir os efeitos psicológicos da propaganda jihadista de grupos como o Estado Islâmico e a Al-Qaeda, além de contribuir para ampliar o apoio as medidas mais rígidas adotadas pelo governo na defesa das fronteiras nacionais.

Na arena internacional, apesar da complexidade crescente dos riscos e dos desafios herdados do leniente Governo Obama, Trump poderá se gabar de ter reduzido o Estado Islâmico a um grupo reduzido à dimensão simbólica; de ter conduzido com maestria e força situações difíceis como o uso de armas químicas na Síria; assim como de contribuir para que os norte-coreanos e os sul-coreanos, apesar de todo o ruído retórico, retomassem o contato e a negociação.

Sua base de apoio também ouvirá com satisfação que ele reverteu as mudanças promovidas pelo Governo Obama que favoreciam a ditadura cubana, encerrou o programa da CIA que armava os rebeldes sírios (dentre os quais, muitos ligados à Al Qaeda e ao Estado Islâmico), contribuiu para o anúncio do cessar-fogo na Síria e anunciou a transferência da embaixada americana para a cidade de Jerusalém. A mudança da estratégia americana em relação ao Oriente Médio, visando a contenção do Irã, embora ainda não tenha produzido seus melhores frutos, também pode ser apresentada como uma demonstração clara de que o novo governo não demonstrará fraqueza perante nações que representam riscos para a segurança nacional dos EUA e de seus aliados.

Sua estratégia de busca da paz pelo meio da força coroará o discurso, que deverá dar ênfase ao reaparelhamento das forças armadas, à ampliação do orçamento militar, à expansão do programa de defesa contra mísseis balísticos e à modernização do arsenal nuclear americano. Irã e Coréia do Norte certamente serão os alvos das palavras mais duras, mas governos autoritários como o de Cuba e o da Venezuela também deverão receber alguma atenção.

O que virá pela frente?

Dentre outros anúncios de grande relevância, acreditamos que Donald Trump dará ênfase a dois pontos específicos: sua política de imigração e seu programa de reconstrução e modernização da infraestrutura americana.

Uma das promessas mais polêmicas do presidente durante a disputa presidencial, seu projeto de reerguer a infraestrutura americana hoje goza de apoio bipartidário e deverá render um dos raros momentos em que parlamentares da situação e da oposição reagirão de modo similar às palavras do presidente. A modernização da rede de estradas, pontes, hidrovias, portos e aeroportos dos EUA é essencial para a estratégia de retomada do dinamismo da economia americana e, embora não haja consenso sobre como alcançar esse objetivo, democratas e republicanos concordam que esse projeto não pode mais ser adiado e merece ser tratado como prioridade. O presidente deverá apostar numa combinação de estímulos e auxílios que possam dar o incentivo necessário para que os investidores e os agentes econômicos privados possam tomar a liderança do processo sem deixar de lado áreas menos atrativas para o setor privado, primando ainda por um programa que não apenas busque as melhoras e as correções necessárias como também se comprometa com a introdução de um conjunto de inovações tecnológicas inéditas como hyperloop e a internet 5G.

O presidente também se valerá da ocasião para avançar na negociação sobre a política migratória, cedendo em alguns pontos, como uma flexibilização em relação aos jovens da DACA, em troca dos 25 bilhões de dólares necessários para implementar seu sistema de segurança fronteiriça, que permitirá a construção de uma grande muralha na fronteira com o México, além do estabelecimento de um sofisticado programa de controle de ingresso e saída de estrangeiros em todo o território americano, blindando portos, aeroportos e fronteiras territoriais contra o ingresso descontrolado de pessoas e de produtos ilícitos. O presidente deve anunciar ainda seu firme propósito de reduzir inúmeras modalidades de imigração legal e de incentivar programas que possam frear o corrosão cultural e demográfica da população americana, implementando uma política migratória baseada no mérito e no estímulo à assimilação cultural.

O Presidente Pró-Vida

O presidente deverá tratar ainda de temas morais e adotar uma posição clara na defesa da vida desde a concepção, unindo-se mais uma vez à maioria da população americana, que, segundo incontáveis pesquisas, deseja ver a cultura da morte e as políticas abortistas substancialmente freadas e reduzidas. Há pouco mais de uma semana, Trump fez história ao se tornar o primeiro presidente a discursar para a Marcha pela Vida e dizer de modo claro e objetivo que está comprometido a promover uma sociedade onde a vida é celebrada, protegida e cuidadosamente preservada. Durante o discurso do estado da união, o presidente poderá anunciar seu compromisso em proibir as formas mais abusivas e desumanas do aborto e sua disposição de cortar, em definitivo, o orçamento da Planned Parenthood, a maior promotora do aborto no território americano.

Referências à lealde do povo americano a Deus e à família, em contraste com a lealdade ao Estado e ao Governo desejada pelos democratas, também não deve faltar, de modo que o discurso provavelmente será permeado de referências à importância de Deus e do cristianismo para a formação da cultura dos Estados Unidos e para o tecido da sociedade americano.

Possíveis Consequências

 

 

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