Foro Privilegiado

Enquanto viu o caso de Jucá prescrever, o STF decidiu até o título de 1987

O Supremo teve 14 anos para priorizar o inquérito sobre o senador, mas priorizou até mesmo roubo de chocolate.

O ano era 2001. Já na condição de senador por Roraima, Romero Jucá teria desviado verbas para o município de Cantá. A Justiça Federal começou a investigar o caso já no ano seguinte. Por causa do foro privilegiado, e só em 2004, toda a papelada findaria transferida para o STF. Catorze anos depois e sem conclusão, a PGR pediu o arquivamento em decorrência da prescrição dos crimes investigados. Como de hábito, Marco Aurélio Mello acatou o pedido e assim mandou a arquivo.

Como bem destacou O Antagonista, um terço da espera se deve à participação de Gilmar Mendes na tramitação. Demorou três anos para devolver um pedido de vista, e outros dois para levar Jucá ao plenário da Suprema Corte.

Enquanto viam o senador se safar, os membros do STF absolveram uma mulher que furtara um desodorante e gomas de mascar, trancaram uma ação penal contra um homem que era acusado de furtar 12 barras de chocolate que somavam R$ 54,28, decidiram que o Sport foi o verdadeiro campeão de Copa União em 1987, bateram muita boca dentro e fora do plenário e se alongaram nos votos para surgirem por mais tempo da TV.

Em 2016, numa marca que coraria de vergonha as cortes supremas das democracias mais sérias, a casa recebeu a milésima ação penal. Era a milésima oportunidade para enrolar a opinião pública fingindo que há Justiça eficiente contra quem possui foro privilegiado.

Acusado de peculato, Jucá poderia ser condenado a até 14 anos de prisão. Poderia.


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