Paste your Google Webmaster Tools verification code here

A "filósofa" Márcia Tiburi diz não ouvir mais música "depois de estudar". É uma declaração que confessa algo muito sério sobre nossa educação e nossa cultura. Por Tom Martins

Lendo sobre a polêmica defesa de Marcia Tiburi ao roubo, acabei me deparando com algo tão chocante quanto – segundo os meus princípios. É a frase destacada na imagem abaixo. Alguém que não se comove com música é sempre chocante.

PUBLICIDADE

Márcia Tiburi fala sobre não ouvir música

Amusia e distimbria são distúrbios musicais cognitivos. Em seu extremo, fazem com que uma pessoa perceba, por exemplo, uma sinfonia como um monte de pratos caindo no chão. Não parece ser o caso de Tiburi, visto que ela “abandonou o prazer musical” de tanto estudar. Que triste!

O ambiente acadêmico tem a capacidade intrínseca de tirar o brilho das coisas. Basta ler um artigo acadêmico sobre algum assunto maravilhoso para perceber que a coisa se torna chata, enfadonha e estéril até o limite do suportável. São ossos do ofício de cientista. Porém, a incapacidade de reconhecer o belo, de ser arrebatado pelo sublime, tem outras causas. A principal delas é que o relativismo cultural gera uma profunda confusão nos mecanismos que temos para julgar algo.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Se tudo é arte, nada é arte. Se um cocô tem o mesmo valor artístico que um Davi, a mente humana entra num estado de dissonância cognitiva e a saída menos dolorosa é se fechar numa fria redoma pseudo-científica e auto-protetora. Aí tudo perde o sentido, nada mais arrebata, restando apenas uma carapaça técnica que permite uma análise fria e distante da arte, bem do jeito que a academia gosta.

Mesmo conhecendo os recursos técnicos para, através da música, fazer chorar, rir, despertar o desejo de amar ou ir à guerra, ainda assim choro ouvindo a Paixão Segundo São Mateus ou uma Folia de Reis. Falar em “gosto musical”; é bobo e pueril. Melhor falar sobre “compreensão do discurso musical”, aí sim, um tema de gente grande.

PUBLICIDADE

O gosto pode depender de fatores sociais, mercado e mesmo tribos urbanas, fazendo com que o fã de pagode odeie heavy metal e vice-versa. Porém, a inteligibilidade do discurso musical é muito mais universal, permanecendo coerente em toda a História da Humanidade, em todas as culturas e regiões.

Uma música de caráter meditativo será reconhecida como meditativa tanto por um pigmeu africano quanto por um monge nepalês. Uma música festiva, idem. A compreensão do discurso musical é universal, mesmo entre “idiomas”; distintos, justamente por ser a música uma forma de comunicação não-verbal.

O mesmo fenômeno se dá com o reconhecimento da beleza. Somos perfeitamente capazes, despidos minimamente os preconceitos, de reconhecermos a beleza na simetria dos mosaicos islâmicos, nas xilogravuras japonesas Ukyio-e, nos cânticos tribais iorubás e em qualquer outra manifestação artística, por mais distante que seja.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Ora, como a pessoa poderia reconhecer a beleza contida numa sinfonia de Beethoven ao mesmo tempo em que acredita piamente que o funk carioca tem o mesmo valor? Como perceber a beleza na obra de Vivaldi, desprezando simultaneamente o cristianismo? Como gostar de algo achando que aquilo que você gosta lhe foi imposto?

Assim, a outra causa que nos torna incapazes de reconhecer o sublime numa obra de arte é justamente o preconceito por motivos político-sociológicos, um sintoma do relativismo cultural e também da hiper-ideologização da vida.

Vítimas dessa armadilha, tornamo-nos animais, só nos resta suprir as necessidades mais básicas e instintivas do corpo, protegidos por uma aura de sapiência e frieza científica que nos conduz ao fundo do poço do niilismo.

E ainda mais perigoso: tendo em vista a íntima relação que há entre ética e estética, não ser capaz de reconhecer a beleza faz com que a pessoa não seja capaz de reconhecer a bondade e a justiça. Por isso, não causa espanto perceber que as vítimas dessa doença estético-sensorial geralmente são mais propensas a defenderem regimes ditatoriais e ideologias totalitárias.

—————

Contribua em nosso Patreon ou Apoia.se e tenha acesso a conteúdos exclusivos!

Consiga uma vaga de emprego ou melhore seu cargo fazendo seu currículo no CVpraVC!

Conheça o curso Introdução à Filosofia Política de Olavo de Carvalho, ministrado por Filipe Martins na plataforma do Instituto Borborema. Conheça também o curso Infowar: Linguagem e Política de Flavio Morgenstern.

Faça sua inscrição para a série Brasil: A Última Cruzada, do Brasil Paralelo, e ganhe um curso de História sem doutrinação ideológica por este link. Ou você pode aproveitar a promoção com as duas temporadas por apenas 12 x R$ 59,90.

Sem mais artigos