Censura Social

Na mesma semana, George Soros e Folha de S.Paulo defenderam regulação de redes sociais

Enquanto o filantropo húngaro-americano assinou artigo no Guardian, o jornal brasileiro dedicou um editorial ao tema

Em 15 de fevereiro de 2018, George Soros em pessoa assinou um artigo no Guardian. Nele, pregou explicitamente que a Europa intervenha e passe a regular o trabalho desenvolvido por Google e Facebook, e até mesmo serviços como Uber e similares. O objetivo – vejam que ironia – seria preservar as soberanias nacionais.

Três dias depois, a Folha de S.Paulo fez um editorial menos explícito. Mas lá também defendia que o Vale do Silício passasse a prestar contas como se coisa pública fosse.

Os argumentos dão voltas distintas. Além de xingá-lo de “Fakebook”, a Folha se foca em pregar boicote de anunciantes à rede. Soros é mais catastrófico, desenha uma distopia digital que precisaria ser contida por governos de todo o mundo.

Mas as voltas distintas chegam ao mesmo ponto:

Folha:
“O Facebook insiste na tese de que não é uma empresa de mídia e, assim, não tem controle sobre o que veicula…”

Soros:
“As empresas afirmam que estão apenas compartilhando informações …”

Folha:
“Esta Folha já escreveu que gigantes da tecnologia se tornaram também gigantes de mídia. Devem, pois, assumir responsabilidades referentes à segunda condição, prestando contas do que transmitem.”

Soros:
“O fato de serem distribuidores quase monopolizados os torna serviços públicos e deve sujeitá-los a uma regulamentação mais rigorosa, com o objetivo de preservar a concorrência, a inovação e o livre acesso e justo.”

Vale destaque à citação da Folha ao boicote da Unilever. Paul Polman, CEO da companhia, vem sendo chamado pela direita internacional de “o novo George Soros“.

Já há um tempo, e talvez porque de fato a garotada andava histérica, passaram a tomar por abilolado qualquer um que temesse a influência de Soros. O que não deixa de ser uma tática política. Num passado recente, ridicularizaram qualquer um que demonstrasse preocupação com Lula, Venezuela, Dilma Rousseff, Petrobras, Foro de São Paulo, crise migratória, etc – mas o tempo provaria que os “virulentos” tinham razão.

Acreditar que o bilionário seja um demônio puxando cordinhas de fantoches apenas faz com que seus críticos caiam no descrédito. Mas é razoável percebê-lo como uma manifestação de uma força que, por intermédio de bilhões de dólares de origem pouco clara, empurra a própria pauta a todo um mundo. E é difícil crer que esta força atue com foco no que é melhor para aqueles que estão tão distantes de sua origem.


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