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Desigualdade de armas

Marcelo Freixo deveria andar sem policiais particulares para sua segurança, se é a favor do desarmamento

O desarmamentista Marcelo Freixo acredita que a segurança vai melhorar sem cadeias e com iluminação (no Rio de Janeiro). Mas se protege do que prega com seguranças armados.

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Marcelo Freixo e seus seguranças

Marcelo Freixo e todos os políticos do PSOL vivem sempre num dilema: descrevem um mundo perfeito, paradisíaco e hedonista, onde nenhum problema existe desde que se diminua a desigualdade social. Todos têm obrigação de fazer reformas na sociedade e serem cobaias até esta Sião terrena, exceto os próprios políticos do PSOL. Estes, os Intocados, devem se proteger de suas próprias políticas cada vez que elas encostam neles.

Desarmamento? Fim da polícia militar? Iluminação pra aumentar segurança? Não, isto é para os peões: os políticos do PSOL querem uma boa e velha polícia militar de uso privativo armada até os dentes para proteger o seu couro. Esse negócio de acreditar que iluminação pública traz segurança é pra testar com ratinhos de laboratório primeiro: o povão em geral, não os próprios políticos do PSOL.

Cada vez que uma política defendida pelo PSOL ameaça se materializar e encostar em um político do PSOL, ele imediatamente foge espavorido, chama a polícia, exige rigor policial e apuração imediata dos tiros, enquanto a população deve considerar que se perdeu um ente querido de maneira violenta e por um motivo estúpido, foi um acidente de percurso do sistema, e ao invés de punir o criminoso, deveríamos deixar que o Estado distribuísse logo a renda, nos roubando na fonte, para não haver violência nas ruas.

Se existe um partido que provoca desigualdade social, é o PSOL com seus seguranças armados, deixando a população, ainda mais do Rio de Janeiro, desarmada. Se há um partido que quer tudo para ele e que a população viva com migalhas, este partido é o PSOL. Se pode haver alguma capacidade de um político descrever um mundo perfeito em abstrato, mas na concretude da vida querer rigorosamente os ditames do capitalismo de moral conservadora, certamente este político se filiará ao PSOL.

No episódio 56 do nosso podcast, o Guten Morgen (episódio “Armas previnem atentados, livros não”), com participação do maior especialista do Brasil em segurança pública, Bene Barbosa, gravado um dia antes do atentado que vitimou Marielle Franco, abrimos o programa com uma piadinha: o PSOL teria abolido todos os seus seguranças privados e carros oficiais blindados como um ato simbólico contra a intervenção federal no Rio de Janeiro e em homenagem ao Estatuto do Desarmamento. Ah, brincadeirinha, eles continuariam armados até a medula.

Era uma piada, mas também era uma descrição fiel da realidade. Foi exatamente assim que o PSOL agiu logo depois do assassinato de Marielle (como comentamos no episódio 58 do Guten Morgen, “Tiros, armas e fake news”, também com Bene Barbosa). E logo mostrou mais uma vez que quer que a população viva num reino de “igualdade”, mas quer evitar o máximo possível viver nesse reino ao qual condena o povo (quem se lembra de Jean Wyllys dizendo que salário de político é igual ao de professor?).

Além de querer resolver o problema da segurança pública do Rio com iluminação (como se o Rio de Janeiro não fosse famoso pelo, ehrr, sol), Marcelo Freixo e seu PSOL querem o coitadismo penal absoluto (“de que adianta colocar alguém na cadeia?”, pergunta o deputado) e o desarmamento da população. Da população (bandidos flagrados com armas devem ganhar um tapinha nas costas e as Comissões de Direitos Humanos comandadas pelo partido dirão imediatamente que é culpa da desigualdade social).

Já eles querem policiais exclusivos, já que viver no Rio de Janeiro iluminado sem uma arma por perto é um perigo que um Marcelo Freixo não vai ser tonto de enfrentar.

Foi com estes termos que Marcelo Freixo declarou precisar de policiais armados: “Não é possível que haja polêmica sobre isso. Tenho certeza de que o bom senso irá prevalecer. Depois de dez anos, adoraria viver sem segurança, ter minha vida normal restabelecida, mas não é o caso nesse momento, me parece óbvio.”

Pois qualquer pessoa no Brasil (e que se dirá de qualquer pessoa no Rio de Janeiro) pode dizer ao eminente deputado Marcelo Freixo sobre a sua necessidade de possuir uma arma, de querer policiais militares armados, de querer que bandidos sejam punidos e não tratados como “vítimas da sociedade e da desigualdade” dizendo-se a Marcelo Freixo:

“Não é possível que haja polêmica sobre isso. Temos certeza de que o bom senso irá prevalecer. Depois de uma vida que por várias vezes foi ameaçada, adoraríamos viver sem segurança, termos nossa vida normal restabelecida, mas não é o caso nesse momento, nos parece óbvio”.

Marcelo Freixo conseguiu seus policiais particulares de volta. Além de policiais, usa outros seguranças conseguidos por seus vastos recursos.

E o restante da população, economizando moedas para pegar ônibus e tendo seu celular e carteira roubados por um nóia que preferiu o atalho da violência e que será coitadizado pelo PSOL e suas comissões de “direitos humanos”?

O PSOL de Marcelo Freixo sabe conquistar pós-púberes em faculdades de extrema-Humanas, em cursos como História e Sociologia, por saber descrever mundos perfeitos abstratos, onde tudo tem uma causa simples que será resolvida assim que tivermos Guilherme Boulos presidente. Já na realidade concreta, quer tudo o que os capitalistas mais conservadores querem. Ou até mais: os socialistas querem até privatizar os militares para protegê-los do mundo de “socialismo e liberdade” (sic) que querem impor a nosoutros, o povão rés-do-chão que eles juram defender.

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Assuntos:
Flavio Morgenstern

Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs". Tem passagens pela Jovem Pan, RedeTV!, Gazeta do Povo e Die Weltwoche, na Suiça.

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