Se engana aquele que acha que os nazistas matavam única e exclusivamente para a purificação da raça ou melhoria genética.

Uma crítica que se repetiu ao artigo publicado recentemente aqui no Senso Incomum, sobre um paralelo possível de se traçar entre o caso do bebê Alfie e a matança nazista, foi que o extermínio de bebês deficientes, que hoje presenciamos, “não tem nada a ver” com a matança de deficientes pelos nazistas, pois hoje não se fala em melhoria genética ou purificação da raça, que eram as intenções nazistas ao eliminar aqueles seres humanos.

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Não entrarei no mérito de discutir se isso ainda vigora ou não, seria necessário entrar em temáticas como as relacionadas à manipulação genética e afins, e essa não é a intenção deste texto. Mas o que a crítica ignora, ou desconhece, é que os nazistas não matavam somente por ideais de pureza genética e racial. Eles matavam pelo bem do “Volkskörper” (corpo do povo alemão), e isso envolve outras justificativas além da purificação da raça.

De início, nazistas matavam utilizando o mesmo argumento econômico que hoje se repete por aí. O custo dos deficientes, o fardo econômico que eles seriam para a família e para a sociedade alemã como um todo, logo, um fardo para o Volkskörper. Tanto era presente esse argumento na sociedade nazista que, em 1935, antes mesmo do início do Programa de Eutanásia Alemão, um matemático fez um estudo para demonstrar o quanto poderia ser investido em empréstimos para recém-casados caso não se gastasse para manter vivos os deficientes.

Sobre o assunto, tratou Dr. Leo Alexander em seu “Medical Science Under Dictatorship”:

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“Há uma prevalência de pensamento mais no sentido de destruir do que melhorar a forma de encarar-se os problemas sociais. A facilidade com que se advoga a destruição da vida, ao invés de se tomarem medidas para educar e melhorar a situação dos socialmente incapazes e problemáticos, pode ser o primeiro sinal de perda da liberdade de pensamento criativo, marca distintiva de uma sociedade democrática.”

Nazistas também matavam visando livrar a sociedade do fardo, não só econômico, como se mostrou, mas do próprio cuidado que aqueles deficientes exigiam. Para eles, como se vê no livro Allowing The Destruction of Life Unworthy of Life, de Karl Binding e Alfred Hoche, a sociedade alemã não poderia permanecer arcando com a obrigação de manter aquelas vidas que “não mereciam ser mantidas”, até mesmo pelo sofrimento e prejuízo da família – ou seja, a mesma justificativa que vemos repetir aos montes hoje.

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Nesse sentido, segue trecho do livro:

“Descobri que o custo médio anual para manter idiotas até agora tem sido de 1.300 marcos. Se assumirmos uma expectativa média de vida de 50 anos para cada caso, fica fácil estimar o incrível capital que é retirado da riqueza, comida, vestimenta e aquecimento da Nação — por um propósito improdutivo.”

E ainda, veja só, os nazistas, assim como as decisões recentes da justiça inglesa e assim como inúmeras outras decisões em abortos eugênicos, também matavam pelo “bem”; daqueles seres humanos, que já não teriam uma “vida com qualidade”, e portanto, mereciam a tão defendida morte digna.

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Deixo abaixo trecho da carta escrita pelo próprio Hitler, endereçada aos seus subordinados diretos responsáveis pelo Programa de Eutanásia, Karl Brandt e Philipp Bouhler.

“Reich Leader Bouhler e Dr. Brandt estão encarregados da responsabilidade de expandir a autoridade dos médicos, com a finalidade de garantir a pacientes considerados como incuráveis, de acordo com a melhor avaliação humana de sua saúde, uma morte misericordiosa.

[Assinado]

“Adolf Hitler”

A determinação foi escrita por Hitler, mas poderia ter sido escrita por qualquer benevolente juiz da atualidade ou qualquer benevolente defensor do extermínio de bebês contemporâneo. Afinal, quais seriam os “best interests” daqueles seres humanos senão serem assassinados dentro de um hospital que o deveria tratar?

Desta forma, a intenção deste texto foi apenas demonstrar o erro de se pensar que argumentos como os que vemos pulular aos montes nos dias de hoje são atuais, bem como tentar esclarecer que a menção ao período nazista excede o mero ato de polemizar ou de apelar para falso alarde, mas trata-se de clara tentativa de mostrar os perigos de se aceitar a seleção discricionária de quem merece ou não ter seu direito inerente à vida resguardado.

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