Bruxo do Cosme Velho escrevia literatura de apelo universal em vez de descrever a terra exótica imaginada pelos estrangeiros

Machado de Assis é um dos maiores escritores da língua portuguesa, e reconhecido por muitos críticos estrangeiros como um dos grandes nomes da literatura mundial. Por que então ele não é tão famoso mundialmente quanto outros autores, como Kafka ou García Marquez?

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A nonagenária revista americana The New Yorker oferece uma explicação. Segundo o crítico Benjamin Moser, Machado de Assis não atraiu leitores estrangeiros justamente porque oferecia uma literatura de apelo universal e concentrada na vida de elites do Rio de Janeiro, em vez das criaturas folclóricas ou paisagens exóticas associadas ao nosso país.

Não existia imprensa no Brasil até 1808, quando chegou a família real portuguesa. “Um país inteiro não podia pensar por si próprio”, escreve Moser. Como em vários outros países das Américas, muitos escritores nascidos logo após a Independência buscaram motivos indígenas para formar uma consciência nacional – como foi o caso de Gonçalves Dias e José de Alencar. Ainda nessa época, muitos estrangeiros pensavam no Brasil como um paraíso tropical intocado, cheio de nobres selvagens.

Esse não era o caso da obra de Machado de Assis, com sua crítica social implícita, sua comédia humana universal e suas alusões à literatura europeia, que consumia vorazmente.  Para Moser, Machado de Assis era “irônico demais, pernicioso demais”. O autor carioca conseguia dizer as coisas mais ultrajantes “com imperturbável elegância e compostura” em histórias sobre a elite do Rio de Janeiro. Seus livros ajudam a enxergar que “o Brasil sempre foi, para o bem e para o mal, plenamente parte do Ocidente”.

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O texto na revista The New Yorker comemora a recente publicação de The Collected Stories of Machado de Assis, primeira vez em que os contos de Machado são reunidos em inglês – um tijolinho de 960 páginas. Agora mais leitores poderão conhecer o legado universal de nossa miséria.

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