'Papers, Please' é um curta-metragem inspirado em um dos jogos de maior impacto dos últimos anos

“Documentos, por favor”.

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A maior parte dos videogames coloca o jogador em papéis emocionantes: soldado, aventureiro, criminoso, explorador… Um humilde encanador bigodudo de meia-idade do Brooklyn, justamente o personagem mais famoso, é a exceção. Em regra os protagonistas de videogame são príncipes e astronautas.

Papers, Please, lançado em 2013, coloca o jogador no papel de um agente da imigração. Trabalhando em um posto na fronteira de Arstotzka, uma ditadura comunista fictícia muito parecida com as de verdade, deve decidir quem passa e quem é barrado – ou preso.

No começo, como em qualquer jogo, a intuição é aprender as regras e tentar vencer. O jogador recebe orientações simples: verifique se o que o viajante diz confere com seus documentos. Conforme o tempo passa, surgem mais regras e instruções do ministério: novos tipos de visto, certificado de vacinação, restrição à entrada de cidadãos de certas nacionalidades, etc.

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E ao mesmo tempo as coisas se complicam em outro aspecto. As pessoas que passam pelo posto de imigração são seres humanos, com histórias, desejos e vidas. Por exemplo: chega um marido, com a documentação toda certinha, e alerta que a próxima na fila é a esposa. Vem então a esposa, e existem discrepâncias entre os papéis dela. O jogador deve seguir as regras e carimbar um “DENIED” no passaporte? Ou deixa a mulher passar?

Um jogo de tanta qualidade merece ser descoberto pelo jogador, então não darei mais detalhes do enredo ou dos desafios. Mas há outra coisa extraordinária sobre Papers, Please: inspirou o melhor filme de videogame já feito.

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Adaptação oficial do jogo, o homônimo Papers, Please é um curta-metragem de 10 minutos, falado em russo (obviamente!) e disponível de graça no YouTube com legendas em português. Conta a história de um agente da imigração em Arstotzka que… bom, você já deve imaginar.

Como boas obras de arte, o jogo e o filme nos fazem pensar. E é interessante fazer perguntas do tipo:

* Como lidar com conflitos entre a legalidade e a legitimidade?

* Parece fácil pensar que o inspetor deve desobedecer a ordens em um regime comunista. E quando um funcionário público pode – ou deve – desobedecer numa democracia?

* Em quais aspectos da sua vida você está seguindo regras para marcar pontos, ou porque tem medo fazer diferente, e o que isso está impedindo você de fazer?

Glória à Arstotzka.

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