R. I. P. Juliane e R. I. P. Jornalismo

R. I. P. Jornalismo: Folha disseca vida sexual de PM Juliane para menosprezar seu assassinato

Rogério Pagnan, que já atuou como testemunha de defesa de Alexandre Nardoni, descreveu "bebidas e beijos" antes da morte da PM Juliane. E se fizesse o mesmo com Marielle Franco?

A Folha de S. Paulo ultrapassa quase todo dia o limite aceitável do que é transformar o seu jornalismo em propaganda ideológica em busca de revolucionar a sociedade e forçar com que todos aceitem as pautas do PSOL e do PSTU, mas a forma como lidou com a morte da PM Juliane, assassinada a favela de Paraisópolis, em São Paulo, ultrapassou todos os limites da decência.

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A matéria se intitula Policial Juliane teve seus últimos momentos com bebida, pegação e dança. Notando que havia dado um passo muito além em sua agenda ultra-militante até para seus próprios padrões, a Folha inclui “livres” depois de “últimos momentos” após um tempo, embora o título original ainda permaneça no endereço url e na chamada no Twitter.

Numa reportagem deprimente, assinada por Rogério Pagnan, lemos sobre os últimos momentos de felicidade da soldado da PM em seu primeiro dia de férias, buscando cerveja à noite num bar na madrugada, conhecendo uma ruiva e trocando beijos e indo “demoradamente” ao banheiro com sua ficante antes de ouvir sobre um roubo de celular no bar.

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Impossível não lembrar do tratamento dispensável a outra mulher negra, oriunda da favela, homossexual e assassinada recentemente: a vereadora do PSOL Marielle Franco, que causou o maior rebu na mídia, uma encheção insuportável sobre ser um “ataque à democracia”, declarações sem fim de organizações internacionais como a ONU (que não parece ter dado um pio sobre a PM Juliane), capas de revista e faniquitos de organizações de esquerda exigindo apuração imediata e punição exemplar, achando que conseguiriam amealhar algum lucrinho eleitoral com a manobra.

Alguém, por acaso, investigou a vida sexual de Marielle Franco e a expos em público para mostrar como foram Seuss últimos momentos? Ou o “machismo” contra negras, homossexuais e de origem humilde está liberado se a vítima for policial?

Rogério Pagnan, em seu mistifório travestido de jornalismo na Folha, diz que PM Juliane “cometeu um erro de procedimento” ao reagir ao assalto e exigir o celular roubado de volta. Ora, Juliane era uma policial e, como tal, tinha o dever de proteger alguém de um roubo: tente-se imaginar como Rogério Pagnan escreveria a cena se a PM Juliana nada fizesse.

Ou imagine-se ainda o que seria alguém dizer que Marielle Franco cometeu um “erro de procedimento” em qualquer coisa e entenderá o que está em jogo: uma manipulação da Janela de Overton, daquilo que é considerado “aceito” pela sociedade, apenas porque grandes figurões aceitam. Afinal, a polícia é sempre vilã. E comunistas são sempre heróis.

A PM Juliane provavelmente passou 2 dias em poder dos criminosos que chegaram posteriormente ao bar, sendo torturada antes de ser assassinada. Mas, para a Folha e para Rogério Pagnan, vale a pena soltar a manchete Policial Juliane teve seus últimos momentos com bebida, pegação e dança para menosprezar seu assassinato. Basta comparar com o escarcéu que fizeram com Marielle Franco para ver que mulheres, negros, homossexuais e favelados (e mesmo as quatro categorias) só valem para a mídia se forem de esquerda:

As manchetes foram “Marielle foi vítima do ódio à democracia” (sic), mesmo tendo sido muito provavelmente vítima de milicianos bandidos. Ou Bruno Boghossian: Morte de Marielle é crime político que supera divisão ideológica” (tradução: até a direita deve obedecer a narrativa de esquerda, porque ele está mandando).

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Ou ainda, o melhor de todos, Rejeição da família, pedido de casamento e luto: a história de amor interrompida de Marielle e Monica. Praticamente um Bildungsroman num título para torná-la uma heroína admirada. Vamos comparar novamente com o título da morte da PM Juliane? Policial Juliane teve seus últimos momentos com bebida, pegação e dança. Nunca se esqueça desse título.

Ah, Rogério Pagnan, além de cometer o artigo, também foi “o jornalista da Folha de S. Paulo” que foi testemunha de defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, condenados pelo assassinato de Isabella Nardoni. Uma versão jornalística daquilo que é conhecido no Direito como “advogado de porta-de-cadeia”.

Em seu depoimento, tentando convencer o júri de que um pedreiro havia dito que uma obra no prédio vizinho havia sido arrombada na noite anterior à do assassinato, Rogério Pagnan cometeu a façanha de quebrar a maquete que estava sendo usada para a reconstrução do crime. O próprio pedreiro, logo depois, negou o fato. Rogério Pagnan ainda escreveu um livro tentando encontrar “falhas” na promotoria e dando a típica aliviada dos advogados de porta-de-cadeia. O livro é O Pior dos Crimes: A História do Assassinato de Isabella Nardoni. Qualquer um que analisou como o corpo de uma criança supostamente “caída” chegou roxo de asfixia no IML sabe bem o que aconteceu.

https://twitter.com/TonhoDrinks/status/1027594956125466624

https://twitter.com/TonhoDrinks/status/1027609693265506309

Vê-se o grau de vontade de defender criminosos pela sua, digamos, coerência interna. Um jornalista como esse não pode ser apenas questionado num feudo virtual das redes sociais: precisa sofrer pressão no próprio canal da Folha de S. Paulo, como na seção de Comunicar Erros.

Seu arremedo de “texto” também foi compartilhado pelo UOL, sob o título não menos retardado, sensacionalista e desrespeitoso de PM Juliane teve últimos momentos livres com bebida, beijos e dança (sic).

A memória da PM Juliane merece muito mais do que Rogério Pagnan.

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