ideologia para viver

O discurso da mídia é o maior estímulo ao atentado contra Bolsonaro

Adelio Bispo não é um louco dizendo sandices incoerentes. É alguém que repete exatamente o discurso da grande mídia e da esquerda sobre Jair Bolsonaro

A defesa de Adélio Bispo de Oliveira, o ex-filiado ao PSOL que tentou assassinar Jair Bolsonaro, tentou alegar insanidade mental para defender o perpetrador do atentado. Os advogados alegaram o uso de remédios controlados e “histórico de questões neurológicas e psiquiátricas” para tal. A Justiça recusou.

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O roteiro é conhecido: sempre que alguém comete um crime violento, advogados de defesa imediatamente afiançam que seu cliente ouve vozes, não deve ser responsabilizado criminalmente, que tem o comportamento de alguém completamente fora da realidade, que precisa de um hospital psiquiátrico e não de uma cadeia e aquela verborréia toda.

Não se pode atestar a saúde mental do ex-filiado ao PSOL Adélio Bispo sem os laudos necessários, mas uma certa lógica, aliada à óbvia desconfiança em relação às intenções da defesa do agressor, pode indicar um caminho bem diverso.

Se Adélio Bispo, digamos, “ouve vozes”, tais quimeras não parecem incitar loucuras desbaratadas como é o clichê em esquizofrênicos, que matam acreditando que depois irão para Marte em um cometa, ou que são a reencarnação de Napoleão, ou que irão conquistar a mulher dos sonhos se assassinarem alguém famoso que está possuído por demônios.

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O discurso de Adélio Bispo, bem pelo contrário, é repetição pari passu, praticamente sem nenhuma alteração, do que a grande e velha mídia não cansa de repetir sobre Jair Bolsonaro. As “vozes” que Adélio Bispo parece ouvir parecem até identificáveis: basta procurar as opiniões e descrições de Bolsonaro encontradas entre os jornalistas da Globo, Folha, Estadão, Istoé, Época e inclusive da ex-revista Veja. Pior ainda se o investigador descer ao submundo da blogosfera progressista, em sites como Carta Capital, Revista Fórum, Brasil 247, Diário do C. do Mundo, Socialista Morena, Conversa Afiada et caterva. Embora estes últimos e aqueles primeiros sejam cada vez mais indiscerníveis a olho nu.

Jair Bolsonaro nunca é retratado na grande e velha mídia como uma pessoa normal. Está sempre sob uma casca grossa de adjetivos, especialmente o manjado trinômio machista-racista-homofóbico.

Sempre que uma notícia genérica sobre o candidato aparece, o texto sempre inclui aquela espezinhada marota, como “O candidato é acusado de racismo por seus comentários sobre quilombolas”, repetidas vezes. Seria como se toda notícia sobre Alckmin terminasse com a lista de senhas da Odebrecht sobre propinas ao tucano, ou se cada notícia sobre Ciro comentasse seus processos por injúrias e difamações, ou cada notícia sobre Marina terminasse lembrando que seu marido já foi processado por ligações com madeireiros, ou que cada notícia sobre Lula e Haddad terminasse com… bem, pelo menos 10% da lista.

Suas falas, sempre citadas, sempre repetidas, são inevitavelmente tiradas do contexto, recortadas, evitando-se citar as frases inteiras, para causar uma impressão negativa. Como a famosa fala sobre Preta Gil, falsificada por Marcelo Tas, quando Bolsonaro falava sobre um filho querer um casamento gay, e a mídia reproduziu por anos sem escrúpulos uma edição dando a entender que Bolsonaro recusaria um filho que namorasse uma mulher negra.

Mesmo que Bolsonaro seja alguém abertamente politicamente incorreto, é curioso como nunca se cite as frases de Ciro Gomes ou Lula, a maior parte das quais sem o tom jocoso, de troça, desprezo ou mera piada de Bolsonaro: de receber Sérgio Moro na bala a usar mulheres de grelo duro para perseguir desafetos ou usar peão pra enfiar a porrada nos coxinha. Nenhuma exatamente uma piada ou um exagero que nem o próprio Bolsonaro nem ninguém levou a sério. Eram quase comandos paramilitares.

Nunca nem ao menos se questiona se as piadas de Bolsonaro merecem mesmo ser consideradas crime, ainda mais trazendo o peso ideológico de algo como “racismo” ou “homofobia”. Suas falas são sempre retratadas como algo comparável a ser suspeito de assassinato.

Bolsonaro, assim, não é conhecido diretamente pelo público, que nunca viu uma notícia “normal” sobre ele. Em linguagem jornalística, tudo o que envolve seu nome é marcado (via de regra com um adjetivo: o polêmico deputado, o candidato acusado de machismo etc). Tudo o que o público tem, através da grande mídia, vem com o filtro e a opinião pronta dos jornalistas, como se fossem fatos. Aparentando ser apenas pura objetividade, o leitor, telespectador ou ouvinte não percebe o truque para que repita obedientemente a opinião do jornalista, como se tivesse pensado por si próprio.

Os rótulos formam uma casca, uma couraça impenetrável, impedindo que o público conheça Bolsonaro a não ser por uma saraivada de definições odiosas. “Defensor de tortura. Ditador. Fascista. Autoritário. Racista. Homofóbico. Machista.” Bastam algumas poucas semanas e logo que alguém pense em Bolsonaro graças a alguma referência, pensará no deputado como um grande vilão de desenho animado, alguém que merece todo o nosso desprezo, que é perigoso, que é o próprio Adolf Hitler, que é desprezível, que se pode odiar como um verme, que envenenou a maçã da Branca de Neve, que vai trazer o Apocalipse.

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É o que Olavo de Carvalho chamou de técnica da rotulagem inversa: odeia-se tanto um sujeito, que o simples fato de espumar de ódio em público contra ele serve como prova de que odiento ele é. Afinal, como alguém pode despertar tanto ódio (ou “rejeição”, em termos mais datafolhísticos) sem ser ele odiável? Se jornalistas odeiam tanto Bolsonaro, certamente o culpado é o deputado, e não a ideologia hegemonicamente planificada desta classe.

Se a vítima da manipulação jornalística for perguntada sobre o que é que Bolsonaro representa de perigoso de fato para a nação, para si próprio, para um terceiro, para a economia ou o que quer que seja, dificilmente responderá algo além de silêncio – ou, como é de praxe, afirmar que todos sabem que ele é odioso. Afinal, todos o odeiam. A causa do ódio só pode ser ele próprio.

A política nacional se torna repetição de adjetivos e nada sério sobre Bolsonaro é dito – como seu plano de transformar o Brasil num federalismo de fato, diminuindo seu próprio poder como presidente e aumentar o poder dos estados e municípios. Ou seu plano de castração química para estupradores. Ou sobre o falhanço do estatuto do desarmamento. Ou seu plano de privatizações. Nada disso, que pode mudar radicalmente o país nos anos vindouros, parece importar à grande mídia, ocupada demais em repetir frases informais retiradas de seu contexto.

Neste ambiente, não soa tão fora do script que alguém com muita adrenalina e um parafuso a menos, filiado ao PSOL por quase uma década, ao ouvir repetidas vezes de fontes “confiáveis” que Bolsonaro vai causar guerra, fome, peste e morte (e está em primeiro lugar nas pesquisas), acabe servindo como bucha de canhão e enfie uma faca no candidato do PSL, achando ainda que está ajudando o próprio cosmo.

O festival de desculpas da mídia não esconde nem mesmo sua teimosia na narrativa: o atentado contra a vida de Bolsonaro foi noticiado repetidas vezes afirmando-se o valor da “democracia” (como se ela tivesse algo a ver com isso) e que devemos discordar, mas através do diálogo. Imagine-se se alguém tivesse soltado tal frase, tão repetida, para noticiar o assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL.

Bolsonaro, assim, vira apenas um personagem, não sendo visto mais como um ser humano. De tanto ser pintado como um nazista, é enxergado pelo público como um judeu aos olhos de Hitler.

Quando a mídia cria a imagem de Bolsonaro como um monstro, qualquer um com pouco intelecto se acha um herói por querer livrar o mundo dessa terrível ameaça. Raros serão aqueles que questionarão a mídia, que duvidarão de “autoridades” no jornalismo, que ousarão se colocar em posição de igualdade com pessoas famosas respeitabilíssimas como Gerson Camarotti, Miriam Leitão, Merval Pereira, Lauro Jardim, Ricardo Noblat, Fábio Pannunzio et caterva e arrojar crer que estão mais bem informados do que tais sumidades.

É ridículo testemunhar o espetáculo da mídia tão empenhada repentinamente em “buscar respostas e motivações” de quem tentou assassinar Bolsonaro, com colunistas mais descarados falando que Bolsonaro colheu o que plantou (como se defendesse bandidos, ou penas leves para quem enfia a faca em inocentes nas ruas, ou o terrorismo como método político para se tomar o poder, ou o PSOL).

Basta ouvir o que Adélio Bispo tem a dizer e, fora a gramática, dificilmente se notará a diferença do que pensa qualquer grande jornalista a determinar a opinião pública no país. Adélio Bispo é justamente essa opinião formada. Não é um desvio, é sua conseqüência mais inescapável.

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