Articulação

Paulo Guedes e a única articulação política possível

O ministro Paulo Guedes precisou comparecer à Câmara para entender de perto qual a única articulação política viável com os nossos deputados

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Um amigo meu costuma dizer que “A verdade dói, mas constrói”, ao que eu acrescento: “…ou destrói todas as suas ilusões”. Nas últimas semanas, a mídia e uma parte da chamada “direita liberal” criticou duramente Bolsonaro por não fazer a tal da articulação política com os parlamentares brasileiros. O discurso entre os liberais mudou, de ontem para hoje, após a tumultuada audiência do ministro Paulo Guedes na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Federal.

A audiência durou quase 10 horas e foi o perfeito exemplo dos grupos que compõem o nosso legislativo atualmente. De um lado, uma oposição cínica, criminosa e interessada em gerar o caos, de outro uma turma fisiológica, com interesses pessoais e difusos, que concordam entre si apenas quando querem exigir mais poder, dinheiro e cargos; e, felizmente, ainda temos um outro grupo cada vez maior – embora minoritário – de bons parlamentares, atentos aos anseios das ruas e preocupados com o país.

Se o ministro Paulo Guedes ainda tinha alguma dúvida sobre como lidar com o Congresso, acredito que ontem ele teve a lição perfeita. Para aprovar a tão falada Reforma da Previdência, o Governo vai precisar de 3/5 dos votos da Casa, ou seja, terá que confrontar a bagunça da Oposição e lidar com a maioria de oportunistas que compõem o chamado Centrão.

Para a equipe econômica a conta é simples: o número de canalhas oportunistas somado ao de esquerdistas irresponsáveis é maior do que 3/5 da Câmara. Os votos dos esquerdistas são virtualmente impossíveis de se conseguir, restando ao Governo buscar os votos dos políticos fisiológicos. Esse problema “matemático” tem duas soluções: cumprir as exigências do Centrão ou forçá-los a seguir o que Paulo Guedes e cia desejam.

Um oportunista só age para se beneficiar ou para se safar de alguma coisa – não existe terceira opção. Escolher pela via de cumprir com as exigências do Centrão além de tornar o Governo refém da banda podre do Congresso ainda não garante apoio verdadeiro; a história recente nos mostra que esse pessoal é insaciável e sempre acaba exigindo mais e modificando os projetos de toda forma – fraqueza atrai força.

A outra via possível é a de forçar os parlamentares a votar a proposta do Governo por receio da desaprovação popular. Consiste em manter uma firme posição contra a troca de cargos e benefícios, e em deixar bem claro ao povo o que está acontecendo – e, se necessário, em convocar o povo a pressionar os seus representantes a fazer o que é correto. Certamente é a via mais difícil e conturbada, mas é também a via inevitável para quem quer agir de forma moralmente correta e, no fim das contas, quando a aliança Povo-Governo se torna sólida, os achacadores têm que ceder para salvar a própria pele.

O que a audiência de ontem na CCJ provou é que sem apoio popular e sem coragem para manter uma posição firme baseada nas bandeiras e práticas que elegeram Bolsonaro, não existe a menor chance de aprovar uma Reforma consistente. E que se Paulo Guedes não quiser virar Tchuchuca dos deputados vai ter que agir como Tigrão – esta é a única articulação política que a maioria dos políticos brasileiros respeita.


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