Hegel de pantufas

Churrasco ou jantar inteligentinho? Pondé chama Bolsonaro de burro

Falou o cara que disse que votaria no Jean Willys

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Na política, todo aquele que um dia já foi de esquerda, ao mudar de direção, esbarrou com a figura excêntrica de Luiz Felipe Pondé: cachimbos e cachecóis, trejeitos bem encenados, aquele tom sonolento, ou seja, um típico acadêmico. Cumpre a função – assim como as revistinhas suecas cumpriam sua função no alvorecer do apetite sexual de qualquer adolescente que nunca vira, de fato, uma mulher nua.

Numa entrevista à revista Vexame, ops! Exame, Pondé diz que Bolsonaro é burro e governa como se estivesse fazendo churrasco. Para alguém cujo maior fetiche é ser um aristocrata, isso deve ser um acinte dos mais graves. Churrasco é uma coisa cafonérrima. O ideal seria que ele governasse preparando aspargos e cogumelos de Luxemburgo na sua varanda gourmet. Infelizmente para o doutor em filosofia, Bolsonaro não trabalha assim.

Como muitos intelectuais brasileiros, Pondé sofre da síndrome do prisma luminoso, ou SPL, um tipo de auto-ilusão de ótica. Ao olhar o mundo, não dá muita pelota para o que é a realidade, embora acuse os outros de não a entenderem, mas julga que seu olhar é que ilumina planaltos, planícies e os oceanos. Parte da direita que foi autorizada a falar na mídia convencional sofre do mesmo mal: ao negar o óbvio e ser confrontado com isso, ataca fazendo-se vítima de seitas, milícias, toda sorte de devaneios persecutórios.

 


Bolsonaro avança sua agenda por mais liberdade econômica, por mais rigor nas punições aos bandidos, pelo desinchaço da máquina pública, mas para Pondé, o Garboso, Bolsonaro é burro. Chesterton diz que consciência é livre para se autodestruir. A consciência de Pondé parece obstinada com a autodestruição.

Pondé parece estar tão descolado da realidade que ele julga iluminar, que prevê a possibilidade de Paulo Guedes se cansar e sair. Disse também que Bolsonaro o faz ter saudades de Temer, mas essa picardia é preferível não comentar. Guedes é um ferrenho defensor do presidente e recentemente teceu vastos elogios a Olavo de Carvalho, outro alvo do ressentimento floral do nosso Hegel de pantufas.

Pondé parece mesmo querer descolar-se da realidade, anseia pairar acima dela, sentenciando o mundo. Seu esforço por livrar-se dos jantares inteligentes é louvável, embora, no caso do nosso herói, os jantares inteligentes é que não saem dele.

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