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Seria Adélio um exímio gênio do crime ou apenas uma marionete de algo muito maior?

Todo esse emaranhado de informações desconexas, por trás de Adélio Bispo, deixa uma série de pontas soltas nessa história e gera revolta na população

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Nesta segunda-feira (27), a 3ª vara da Justiça Federal divulgou que Adélio Bispo de Oliveira, autor da facada em Jair Bolsonaro, apresenta “Transtorno Delirante Persistente”.

Segundo o Código Internacional de Doenças (CID 10), o Transtorno Delirante Persistente (F22) caracteriza-se pela:

“ocorrência de uma ideia delirante, em geral persistente e que por vezes permanece durante o resto da vida. O conteúdo da ideia é muito variável.  A presença de alucinações auditivas (vozes) manifestas e persistentes, de sintomas esquizofrênicos, e a evidência clara de uma afecção cerebral, são incompatíveis com o diagnóstico. Entretanto, a presença de alucinações auditivas ocorrendo de modo irregular ou transitório, não elimina este diagnóstico, sob condição de que não se trate de alucinações tipicamente esquizofrênicas e de que elas não dominem o quadro clínico”.

Esta conclusão torna Adélio inimputável. Isto significa que, em função de sua patologia psiquiátrica, ele não teria condições de responder por si judicialmente.

O Juiz Federal Bruno Savino tomou sua decisão na sexta-feira (24) a partir de argumentos e do laudo apresentado pela defesa do réu. A médica psiquiatra indicada por Bolsonaro, assistente técnica do assistente da acusação, também concluiu pelo mesmo transtorno.

Savino pautou também como motivação de sua decisão uma alegação que Adélio fez para ele:

“demonstra pouco de importar com o fato de estar encarcerado e de eventuais consequências penais ou processuais de seus atos, afirmando inclusive aos peritos que quando sair cumprirá sua missão de matar o atual Presidente da República”.

A inimputabilidade aplicada a este crime proporciona à Adélio a possibilidade de cumprir sua pena em Manicômio Judiciário e não mais em um presídio tradicional. Isso não significa que Adélio Bispo ficará internado por longos períodos de tempo, pois pode ser submetido a avaliações periódicas para determinar uma “cessação de periculosidade”, ou seja, verificar se ele seguiria representando perigo para a sociedade.

É sabido que diversas incongruências apareceram desde a facada em si, assim como posteriormente ao ato. Todo esse emaranhado de informações desconexas deixa uma série de pontas soltas nessa história e gera revolta na população. Um punhado de questões não explicadas ainda podem ser levantadas neste caso:

1 – Se Adélio Bispo de fato tiver um transtorno psiquiátrico que “justifique” seu comportamento diante do crime contra a vida de Bolsonaro, como e porque existia um registro na Câmara no dia 6 de setembro, mesma data do atentado? Foi forjado um álibi para ele? Por quem e porquê?

2 – Existiria algum envolvimento da recepcionista (sem nome divulgado) que supostamente teria registrado “por engano” a entrada e saída de Adélio Bispo na Câmara?

3 – Quem contratou e qual a origem do dinheiro dos defensores de Adélio?

4 – O currículo dos advogados famosos da defesa de Adélio (entre eles caso do goleiro Bruno e da missionária Dorothy Stang) fez com que fossem selecionados a dedo, porque investir tanto em um mero “lobo solitário”?

5 – Porque Adélio foi indiciado pelo crime previsto no artigo 20 da Lei 7.170/1983, também conhecido como Lei de Segurança Nacional e não pelo crime de homicídio – já que teria sido um “crime isolado” e não uma questão de ameaça à segurança nacional”?

6 – Como Adélio escapou de um linchamento no momento do crime? Como Adélio possuía recursos para não só bolar toda uma estratégia, mas aplicá-la? Celulares, hospedagens, álibi, plano de fuga e por aí vai. Seria Adélio um “exímio gênio do crime” ou apenas uma marionete de algo muito maior e com supostas ligações políticas mais sombrias?

7 – Adélio hoje possui diagnóstico prévio de Transtorno Delirante Persistente, futuramente, passando por avaliações psiquiátrica e psicológica, ele poderia vir a ter uma regressão sintomática de modo que fosse solto?

8 – As conhecidas lutas antimanicomiais teriam um apoio mais vigoroso da esquerda?

9 – A descriminalização de uma diversidade de “patologias” poderia se tornar pauta? Ou melhor, a patologização de crimes, como a pedofilia, seria o novo motivo para a militância da esquerda se apegar?

10 – E se esse atentado tivesse sido fatal? Em que pé o Brasil estaria hoje?

Está mais do que claro que existe uma narrativa criada por trás do fantoche de Adélio, além disso, tudo o que envolve este caso está no mínimo, muito estranho. Incontáveis motivações prévias e posteriores nublam o crime e acabam sendo dissipadas com “panos quentes” neste processo.

Outros casos que chocaram a sociedade, como de Richthofen ou da família Nardoni são constantemente fiscalizados através de uma espécie de espírito de justiça, assim como por meio de valores morais do povo brasileiro. Porém, para o caso de Adélio, destila uma ideologia política que não só afaga o criminoso, mas que deseja o pior para a vítima, o presidente Bolsonaro.

Por vezes, a sensação passada é da predileção em ignorar o fato de ser um caso de crime contra a vida. Os discursos da esquerda que ontem abrandava pequenos ladrões de correntes no Rio de Janeiro, amanhã conjecturam a soltura de potenciais assassinos de “supostas filiações”.


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