Debate!

Corrida Maluca: Democratas debatem quem enfrenta Trump em 2020

20 candidatos competiram em dois dias para descobrir quem será o rival de Trump nas eleições de 2020

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Nas últimas quarta e quinta-feiras (26 e 27), ocorreram na emissora NBC, em Miami-Flórida, a primeira rodada de debates entre candidatos democratas para as eleições de 2020.

Cada dia teve cerca de 1h30 de debate, que pode ser conferida pelos interessados e mais masoquistas aqui:

Vale destacar, para os que desconhecem os movimentos naturais das primárias americanas, que é normal que durante as primárias democratas tendam mais ao radicalismo de esquerda e republicanos à direita, sendo que, posteriormente, o escolhido volta ao centro para apelar aos eleitores moderados e independentes.

Contudo, estamos presenciando um efeito provavelmente inédito causado pela mão pesada de Donald Trump: o espaço para a moderação está cada vez mais escasso, beirando a inexistência. Se em 2016 essa tendência já estava no ar, mas Bernie Sanders ainda era só um velho socialista esquisito, vítima de trapaças do próprio partido para perder para Hillary Clinton, em 2020 todos os candidatos parecem querer se postar à esquerda de Sanders.

 Já no primeiro dia houve um festival de pérolas, que não deixou de ser ironizado até por humoristas de esquerda.

Beto O’Rourke, desviando-se de uma pergunta sobre aumento de taxação, falou em espanhol macarrônico sobre a inclusão de todos nos processos democráticos. Também se arriscaram no espanhol, ainda pior, os candidatos Cory Booker e Julian Castro (único hispânico de fato).

Cory Booker e Elizabeth Warren olham espantados o colega texano se arriscar em espanhol

Elizabeth Warren, uma das pleiteantes mais radicais – provavelmente quem vai angariar os votos de Bernie Sanders caso a candidatura do senador de Vermont não decole – não se arriscou. Nem mesmo em cherokee (para quem não sabe ou não lembra, Warren tentou alegar ser descendentes de indígenas por ter 1/52 avos do DNA Cherokee, mas acabou pedindo desculpas pelo vexame).

Julian Castro teve a coragem de falar em “direitos reprodutivos” (isto é, aborto) para mulheres trans. Isso mesmo! Esse é o partido democrata de 2019!

Bill de Blasio, o prefeito de Nova York, notório comunista, esteve meio perdido no debate. Clamou, junto com Warren, pela abolição do sistema privado de saúde nos EUA em detrimento de um público, a ser criado. Os outros 8 do dia 1 não tiveram essa coragem.

Ainda em Miami, de Blasio também teve de pedir desculpas por citar a famosa frase do assassino Che Guevara “hasta la victoria siempre“. Justamente na Miami que abriga tantos desertores da ditadura castrista. O prefeito de Nova York alegou não saber que a frase era de autoria do revolucionário comunista.

Todos os candidatos concordaram em dar assistência médica para imigrantes ilegais, criar alguma forma de sistema de saúde socializado e abolir ou relativizar a criminalização da entrada ilegal no país.

No dia 1 pouco se falou em Donald Trump, citado cerca de 20 vezes apenas, e em Barack Obama. A primeira pergunta foi uma tentativa de convencer as pessoas que vivenciam um dos ciclos econômicos mais positivos do último século e uma situação de pleno emprego que na verdade “as coisas não vão tão bem assim”.

A grande expectativa estava para o dia 2 de debates, pois contava com a presença do vice-presidente de Barack Obama, Joe Biden, e da “sensação” socialista Bernie Sanders. Destaque-se que, de fato, Biden é o candidato mais moderado à disposição do eleitor democrata também moderado e que poderá apelar com essa carta a futuros independentes. Contudo, contam contra Biden: ser moderado, ser velho (76 anos), ser homem, ser branco. Caso seja ele a disputar com Donald Trump, praticamente qualquer cartada identitária estaria suspensa ou suprimida. Nesse aspecto, quase tudo isso também se aplica a Sanders, que tem seu radicalismo socialista como apelo.

Contudo, Sanders não foi a estrela do debate e Biden provavelmente saiu menor do que entrou. A ultra-esquerdista Kamala Harris conseguiu capitalizar toda a atenção e créditos da noite no seu embate com Biden, sugerindo que ele seria conivente com o racismo. E ninguém melhor do que ela, mulher e negra, para falar do assunto:

Esse foi o grande momentum dos dois dias de debate. A questão é aguardar se isso se consolida na direção de pontos para Harris ou se Biden seguirá confirmando o favoritismo.

Nos estúdios nesse dia, apenas Biden e Andrew Yang usavam pins com a bandeira americana nas lapelas de seus paletós. Yang, aliás, faz campanha sob a plataforma de dar 1 mil dólares para todo cidadão acima de 18 anos… proposta que faz sucesso entre sua base eleitoral, chamada de “Yang Gang”.

 

Fato é que podemos estar, graças a Donald J. Trump, diante da destruição do partido democrata. Para se contrapor a Trump, virtualmente todo candidato democrata promete saúde gratuita para imigrantes ilegais, fronteiras abertas, alguma forma menor ou maior de socialismo e aborto até o último dia de gestação, posições que não fazem do repertório ideológico do eleitor padrão do partido democrata. A isentosfera americana nunca esteve tão errada quando disse que Trump representaria a destruição do partido republicano. O presidente magnata conseguiu operar o exato oposto.


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