Pesos e medidas

O caso de Toffoli é um milhão de vezes mais grave do que o faniquito do Intercept

A reportagem da Crusoé mostra atuação de Toffoli no Coaf para proteger sua esposa. É caso para tomar as ruas, mas a mídia vai ignorar

Crusoé publicou reportagem estarrecedora, ou melhor, que só surpreende por não surpreender mais. O ministro do STF Dias Toffoli, como se sabe, é ex-advogado do PT e nunca passou em um concurso para a magistratura. Mesmo assim, se auto-declarou capaz de julgar Lula (sem surpresa, voltou pela não-condenação), Nesta semana, suspendeu provisoriamente apurações feitas com base em dados compartilhados pelo Coaf sem autorização judicial.

Se a decisão pareceu estranha, já que teoricamente prejudica os chiliques de Glenn Greenwald e de seus comparsas do Intercept contra Sérgio Moro, a Crosoé mostrou algo que é verdadeiramente estarrecedor, ao contrário da narrativa do Intercept que só é chocante para quem nada entende de uma operação de Direito: três semana antes, a Receita começou a investigar empresas que contrataram o serviço do escritório da mulher do próprio Dias Toffoli.

Ou seja: o ministro da Suprema Corte agiu pro domo sua, este sim com interesses: protegeu empresas investigadas, impediu investigações, suspendeu explicações que precisavam ser dadas ao Coaf e esclarecimentos para possíveis operações. Nada nem de longe parecido com os comentários de Moro sobre o MP.

Operações, afinal, são uma série de julgamentos, no qual o juiz tem, sim, interesse em resolver o próximo caso; no caso de Toffoli, o interesse era não esclarecer, e acabar com investigações.

Algo do gênero foi feito por Sérgio Moro? Alguma espécie de manobra jurídica, de decisão que prejudicasse de fato a própria investigação, ou que fizesse com que uma das partes ganhasse no tapetão? Pelo contrário, até as mensagens roubadas e divulgadas no Intercept mostram que pensava em desacordo freqüente com Deltan Dallagnol.

É caso de um ministro da Suprema Corte, e não de um juiz de primeira instância, decidindo (e até sacrificando um pouco da esquerda) para proteger seus próprios interesses. Que nada têm a ver com o interesse elevadíssimo, elogiadíssimo e completamente justo de colocar um líder de quadrilha na cadeia e explicar tal fato ao público: o único beneficiário é o próprio Dias Toffoli.

Isto, é claro, além do fato de ter julgado Lula, sendo quem é. O povo não fez protesto na época porque era muito motivo para protesto em pouco tempo. Tanta notícia e tanta coisa errada para criticar e corrigir que até um absurdo destes passou batido na história brasileira.

Os chiliques de Vervevaldo e sua gangue não são nada perto disso: se eles só querem dar uma impressão ruim por Moro claramente não gostar de corruptos (oh, my God! precisamos de um juiz imparcial!), o caso de Toffoli é ação para favorecer um lado. E não parece o lado dos inocentes e da justiça: é impedir investigações que cheguem muito perto de si próprio.

É caso para impeachment.

Que a população saiba disso. Que as tias do Zap recebam a mensagem. Não adianta esperar que a grande mídia faça o trabalho, pois tratarão o que é sério como buchicho, enquanto tratam uma nulidade como assunto para jornal televisivo. Você, caro leitor, precisa fazer o barulho agora. Ou seremos vítimas do PT do STF, que não sofreu um mísero abalo com a eleição de Bolsonaro, enquanto palpiteiros da grande mídia falam que Toffoli é alguém “isento” e “sensato” para julgar.

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