Grande novidade

Por 7 votos a 4, STF decide mandar condenações da Lava Jato diretamente para o caralho

Para a surpresa de ninguém, a Suprema Corte decidiu anular condenações da Lava Jato por causa da ordem de fala de delatores, que não está na lei

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Anestesiamos. É tanta tramóia, mas tanta maracutaia nesse país, que lemos as notícias mais bizarras, aquelas que gerariam uma revolução fundadora de países em 1776, como se fossem notas de rodapé. Para sepultar de vez a manobra anti-Lava Jato da semana passada (ops, a semana passada foi só um capítulo tardio numa novela antiga), o STF decidiu, por maioria de 7 a 4, pela anulação de condenações na maior Operação de combate à corrupção do mundo, no país com o maior esquema de corrupção do Ocidente.

A decisão da Suprema Corte, guardiã da Constituição, é baseada na lei que não permite que a ordem da fala de delatores seja posterior à fala dos réus, para proteger ainda mais os réus. Essa lei é de número… bom, na verdade a lei não existe, mas é o suficiente para um placar de 7 a 4, baseando-se em… nas vontades de nossos maravilhosos ministros legisladores.

Votaram a favor da anulação os ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Cármen Lúcia, Celso de Mello e os de sempre: Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli.

Apenas Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Marco Aurélio Mello votaram pelo “prazo comum – ou seja, o que determina a lei. Mas quem precisa de leis?

Agora a discussão é a extensão da anulação de condenações. Talvez até devolvam para os delatores o dinheiro que entregaram, por que não? A Lava Jato, até o ano passado, já havia recuperado R$ 11,5 bilhões (sim, bilhões) em delações. Agora, para os réus falarem por último e causarem uma boa impressão, podemos devolver isso para políticos, empreiteiros e demais pessoas agradabilíssimas e bastiões do Estadodemocráticodedireito.

Assim, fica não engessada, mas emparedada em concreto a Lava Jato, que tanto dependeu de delações para o fio condutor que leva de corrupto a corruptor, de saco de dinheiro a político. Quem pode se sentir livre em um país em que o delator fale depois do réu, afinal? É o fim do Estadodemocráticodedireito.

O STF, em um novo golpe, anula o trabalho das policias e do Ministério Público, que podem muito bem trabalhar para nada. Estamos nadando em dinheiro, mesmo. E, por uma burocracia que nem está na lei, a Suprema Corte acaba de mandar as condenações da Lava Jato diretamente para o caralho.

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