Fora!

Todo o foco agora é no impeachment de Gilmar Mendes

Se queremos efetivamente mudar o país com uma pauta concreta e atingível, é no ministro do STF mais anti-Lava Jato que devemos nos focar

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Após o STF soltar Lula, em mais um passo para impedir que o Brasil possua lei, todo o foco dos protestos dos brasileiros deve se focar em uma pauta única: o impeachment do ministro Gilmar Mendes.

Toffoli, Lewandowski e, na verdade, todos os ministros do STF precisam sair do tribunal para, justamente, “as instituições funcionarem”, como é a cantilena padronizada, roboticamente repetida de todos aqueles legalistas que preferem o establishment à justiça, o isentismo à pragmática, o Estadodemocráticodedireito a alguma forma de representação do povo pelo Estado.

No entanto, pensar em algo além do impeachment de Gilmar Mendes agora, além de estar no reino da fantasia, e não da Realpolitik, é justamente ser “revolucionário” de sofá como tanto acusam. Ora, o Congresso não aceitará três, quatro, onze pedidos de impeachment do STF de uma vez – precisamos, portanto, mirar em quem tem mais poder.

Toffoli, o ex-advogado do PT, tem alto poder temporário. No ano que vem já deixará de ser presidente da Suprema Corte. Não é o mais intelectual do STF – exatamente o contrário – e não é o ponto de apoio do poder de mais ninguém além de si próprio. Apesar de todos os ministros indicados pelo PT tentarem melar a Lava Jato dia e noite, o voto de Minerva e quem tem realmente poder para desestabilizar todo o Estadodemocráticodedireito com folga e com apoio de juristas no Brasil inteiro, hoje, é Gilmar Mendes.

Mais do que isto, Gilmar Mendes é peça chave do plano de poder de um parlamentarismo branco que o centrão quer implantar no Brasil após a derrubada de Bolsonaro, sobretudo via impugnação da candidatura (e a PEC anti-Mourão, para se livrar do vice também em caso de impeachment, já está a caminho, inclusive com apoio da banda podre do PSL, mais interessada em Doria).

Gilmar é o professor do MBL (que não apoiará manifestações contra o ministro por óbvio). Gilmar é a defesa não só do PT, mas também de Maia, Doria, Temer e quejandos – do PT e do centrão. Gilmar, ainda por cima, tem rixa pessoal com Dallagnol e Moro (além de uma pesadíssima com Modesto Carvalhosa).

Coroando o bojo cerejosamente, Gilmar Mendes está prontíssimo para votar (sabemos como) a suspeição de Moro no caso Lula. Ou seja, tornar todo o processo contra Lula nulo, deixar o maior criminoso do país elegível e, ainda por cima, tentar colocar Moro na cadeia. É isto que a isentosfera vai fazer se continuar insistindo na tese de “ou falamos mal de Flávio Bolsonaro junto, ou não falamos de Gilmar”.

Se ao invés de querer uma “revolução” total – reclamar de uma vez de Toffoli, de Aras, de Flávio Bolsonaro – formos estrategistas inteligentes e nos focarmos no maior problema, teremos chance de um processo inédito no país, de impeachment de um ministro do STF, ser até mesmo levado a sério (sim, congressistas atuam observando este termômetro – também por isso Bolsonaro pegou a todos que se pautavam apenas pela grande e velha mídia de surpresa).

Ora, se formos querer nos livrar de cada um do PT, do establishment e do PSL que precisa ser defenestrado, começaremos com A de Aras e terminaremos em Z de Zé Guimarães e Zé Serra. Não dá para ser sonhático com algo tão sério.

Caso se inicie um processo de impeachment contra Gilmar no Congresso, todo o Legislativo do país vai travar. Esta será a prioridade absoluta de 90% da Câmara e do Senado. Na hierarquia de atividades, tudo o que acontecer de extra no Congresso circundará este astro-rei que é um pedido de impeachment de um ministro – CPMI das Fake News, possíveis pedidos de impeachment de Bolsonaro, censura da internet e tudo o que de ruim possa vir do Legislativo vai ficar emperrado (CPIs e Comissões têm prazo obrigatório de existência), pedinchando que cada parlamentar que luta por impunidade esteja ocupado tentando salvar seu ministro preferido.

Um protesto contra Gilmar Mendes, enfim, será considerado “autoritário” e talvez “fascista” por todos os palpiteiros da grande mídia que, misteriosamente, não dizem um A contra Gilmar Mendes, os apaniguados do MBL, contra Maia, sobretudo contra Doria – pelo contrário, estão lá os tratando como se fossem versões redivivas de Churchill, e dando aula de Estadodemocráticodedireito para nós, mostrando que apenas Doria, Bebianno e Nhonho podem nos salvar do Quarto Reich. Aliás, sempre falando de Flávio Bolsonaro (nós também falamos, e de Aras, antes mesmo de ser PGR), mas morrendo de amores por seu suplente.

Melhor ainda: irá requestar o MBL a explicitar toda a sua subserviência ao gilmarismo em público (ao contrário de suas contas).

Extinguir-se-á, então, toda a narrativa da isentolândia: eles não nos chamam de “revolucionários”, fazendo analogias pobres com os jacobinos que só eles próprios entendem? Pois então: nós estamos no reino da Realpolitik, da prática e do real. Já os “independentes” querem uma revolução completa, sobretudo aquela que tire tudo do caminho ao poder de Maia e Doria.

Gilmar Mendes é o foco. Até Lula solto é uma questão não tão urgente quanto a causa de sua soltura. De brinde, Gilmar ainda nos mostrará quem realmente trabalha para políticos no país. Dia 17 nas ruas!

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