Educação

Weintrouble entrega educação à esquerda ao extinguir TV Escola

Decisões reiteradas do ministro da Educação jogam todo um projeto educacional para o país nas mãos de quem mais obstruiu o nosso amadurecimento intelectual

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Um dos players mais importantes na política nacional ainda é pouco conhecido: a Fundação Lemann. Fundada pelo filho de imigrantes suíços Jorge Paulo Lemann, que em 2014 foi o brasileiro mais rico e o segundo suíço mais rico (!), a entidade “sem fins lucrativos” é a maior responsável pela educação brasileira. O que, por si, já explica muito.

A Fundação Lemann funciona pari passu como outras grandes entidades que financiam uma unificação e centralização de modelos de governança e gestão: como uma família completamente tradicional que, por isso, possui horizonte de ação muito mais amplo do que permite o tempo de duração de uma vida humana.

Fazendo uma gestão “privada” da educação no Brasil, é uma das instituições que mais fez lobby pela padronização do currículo nacional, e uma das “entidades sem fins lucrativos” que, afinal, mais ficam felizes com os contratos do MEC, graças à TMC, a Teoria da Mera Coincidência.

Além da Fundação Lemann, temos poucos players com alguma importância na educação brasileira, como o Instituto Ayrton Senna e o grupo Kroton. Quase toda a agenda educacional do país está nas mãos de tais entidades, cujas decisões não são referendadas pela população. Essa burocracia que atua definindo os rumos da nação por serem “especialistas”, sem o escrutínio da apresentação de seus projetos para serem chancelados pelo voto, são o que chamamos de “globalismo”.

A Fundação Lemann é o grande player da educação globalista no país. Desde 1980, quando os países tiveram sua livre decisão sobre educação diminuída, e em seu lugar entrou o poderio econômico do Banco Mundial, a educação sofreu um turning point: se antes era determinada por diversas entidades em concorrência, geralmente tendo como elite educacional instituições como a Igreja ou o Exército, as bases locais foram trocadas pela burocracia da UNESCO.

Países que negociam com o Banco Mundial geralmente ficam com sua política educacional de brinde (ou, na prática, ônus). Seu modelo é definido por uma entidade ainda mais burocrática e com menos conhecimento do público: a UNESCO.

A UNESCO não atua tão diretamente, e seu projeto precisa da formação de diversos professores, de toda uma agenda de formação, de pelo menos uma geração para uma educação “cidadã”, ou com os valores que a UNESCO quer. Como tais valores não surgem sozinhos na sociedade (alguém aí acorda um dia e pensa em uma pedagogia sobre “transfobia”, kit gay e educação sexual infantil?), cabe a entidades como a Fundação Lemann criar toda essa formação de agenda e professores – e não faltam nomes bonitinhos, “humanitários” e cidadãos para tais práticas, com diretrizes da ONU e estudos de Harvard, MIT e afins. Tudo contra o preconceito.

O modelo no Brasil foi substituir a educação promovida sobretudo por colégios católicos e militares, vários deles públicos ou gratuitos, para trocá-los de cima para baixo pelas normas determinadas pelo MEC, criado pelo ditador fascista Getúlio Vargas para padronizar e doutrinar as massas. Hoje, um colégio presbiteriano e uma escola progressista precisam seguir exatamente o que o MEC decide, com pouco espaço para atuação própria.

Apesar de algum respiro que a educação pôde ter apesar do MEC até 1980, projetos posteriores, como a recente Base Nacional Comum Curricular, de 2017, padroniza aspectos tão detalhados da educação que pouco ou nenhum espaço há para escapar de uma educação doutrinária que, ao fim e ao cabo, é mais um restolho que temos do fascismo (real, não aquele pintado, justamente, por essa educação).

Assim, é fácil lembrar das aulas sobre análise sintática e vê-las substituídas por intermináveis interpretações sobre homofobia na sociedade. Os mais velhos podem se lembrar do “clássico”, no qual aprendiam rudimentos de latim, e testemunhar sua troca por trabalhos sobre “preconceito lingüístico” ou a instalação de “banheiros trans” para alunos de 10 anos.

A educação brasileira está em um estado tão calamitoso que mesmo a esquerda, que a jogou neste buraco, não pode senão reconhecer nosso barbarismo (apenas inventa desculpas). Mesmo assim, a solução proposta pela esquerda é sempre criar mais políticas baseadas em “superar preconceitos”, cheias de -ismos e -fobias.

Infelizmente, liberais, que costumam entender unica e exclusivamente de economia, são ávidos para afirmar que a solução para o desastre educacional do Brasil seria simples de resolver: basta privatizar.

O livre mercado é excelente e infinitamente melhor do que o monopólio estatal, mas vencer no mercado não significa ter mais qualidade. O livre mercado é ótimo para se escolher um livro em uma livraria, não para definir qual o melhor livro pela seção de “Mais Vendidos” (ou Paulo Coelho teria ultrapassado Shakespeare há muito). Quando falamos de algo compulsório, como a educação, tampouco as regras são as mesmas de uma transação comercial pessoal: trata-se de uma imposição, sobrepujando os direitos dos pais.

https://twitter.com/markian_/status/1205677578801037313

Em resumo: a educação não é uma área em que a mera “privatização” resolva problemas – ou universidades modelo “uni-esquina”, esta outra jabuticaba, seriam as melhores do país, e não as grandes consolidadas, como USP, UFRJ, FGV, Mackenzie etc.

Aliás, são essas universidades promovendo péssimo ensino, tomando tempo e dinheiro de pessoas que depois estarão pessimamente colocadas no mercado de trabalho, que mais lucram com negócios com o MEC – e o FIES é apenas a ponta do iceberg. Exatamente por isso, trata-se de uma “privatização” com muitas aspas.

Caso emblemático dessa confusão é a TV Escola. O governo, por lei, é obrigado a ter uma TV educativa – não é uma escolha de Jair Bolsonaro ou de quem quer que seja. A gestão da TV Escola desde 2007 é feita de maneira terceirizada, pela empresa Acerp. Caso o contrato não seja feito dessa forma, irá quase certamente para a EBC.

Independentemente de preferirmos um modelo completamente privado, é melhor um modelo terceirizado, CLT, podendo economizar, demitir e cobrar, do que deixar a gestão da TV Escola pela estatal EBC, basicamente com funcionários públicos que não podem ser demitidos, dominada pelo PT e pela esquerda.

Um processo de renovação do contrato se iniciou ainda em 2018, na gestão Temer. Já com Vélez, em janeiro deste ano, houve eleição para uma nova direção da TV Escola, que foi bolsonarista – a nova direção, portanto, está alinhada com os valores conservadores, em uma área duplamente dominada pela esquerda: tanto a de educação quanto a de televisão.

A gestão também foi feita seguindo o modelo: com cortes, enxugando a máquina, cortando gastos. O MEC, por exemplo, iria repassar R$ 70 milhões, alegando despesas, repassou apenas R$ 42   milhões, e mesmo assim a diretoria da TV Escola aceitou o modelo e conseguiu fazer uma gestão adequada.

Isto só é possível com uma gestão privada, CLT, e não com funcionários públicos concursados sindicalizados, como é o caso da EBC, que custa R$ 1 bilhão.

Ou seja: o que pode aparentar ser um corte de gastos é, além de mais custoso, uma forma de jogar a educação nas mãos, de novo, da esquerda. Não por uma questão de gestão, mas por uma vontade pessoal do ministro Abraham Weintraub, que vai retirar uma diretoria conservadora – que, por exemplo, colocou o documentário do Brasil Paralelo em exibição, fazendo com que todos os jornalistas do país de repente soubessem da existência da TV Escola (mal sabem que já apareceram documentários pró-vida neste ano).

Mesmo o processo formal de renovação não foi anulado – o MEC simplesmente parou de emitir ofícios, sem formalizar o processo de desligamento. Estão apenas esperando virar o ano para oficializar. Em novembro, porém, veio um ofício: para tirar a TV Escola de dentro do MEC. Apesar de uma liminar para impedir essa expulsão, a liminar foi derrubada ontem, e foi cumprida hoje uma ordem de despejo (sic), de maneira bastante teatral.

A TV Escola tem renome, além de ser a única que chega em rincões onde não há conteúdo adequado para professores, como desenhos, filmes, documentários etc, em regiões sem tecnologia mais avançada. Ou seja, muitos professores usam a TV Escola como base. Logo, não é uma empresa a ser desprezada, como fez o ministro.

E, sem apresentar um plano alternativo, tendo demitido toda a cúpula conservadora (muitos alunos de Olavo de Carvalho), a única coisa que pode acontecer é toda a gestão da TV Escola voltar a EBC. Isto tudo sem nenhuma economia de fato, nenhuma melhoria na gestão: pelo contrário, além de se livrar da cúpula conservadora, ainda coloca a obrigação estatal a ser cumprida pelos concursados colocados por Lula.

É preciso entender que a educação é sempre a área mais difícil de ser gerida por um governo: seus efeitos só são colhidos após uma geração, sem render dividendos eleitorais. Tal como Ricardo Vélez Rodríguez destruiu sua gestão ao tentar abdicar de princípios conservadores (com medo do rótulo “ala ideológica”) e preferiu entupir o MEC de tucanos, simplesmente por serem contra o PT (a tal “articulação” tão pedida), o ministro Abraham Weintrouble continua a fazer uma gestão sem mudanças de pensamento, sem um grande projeto pragmático, mas com muitas tiradas no Twitter.

A educação continua sendo a grande decepção do governo Bolsonaro, e a gestão de Weintrouble não tem resolvido muito, além de dizer que é contra a doutrinação. Fala até contra as instituições globalistas, mas não costuma citar seus nomes (“Lemann” só apareceu em dezembro) – e olhe como são poucas as pessoas que mandam na educação no país, que é uma verdadeira indústria da ignorância. E bilionária.

Para conseguir fazer um professor no interior do Piauí conseguir dar uma aula de fato sem ser apenas pela cartilha das mesmices de uma educação planificada, nacionalizada e com a narrativa socialista, vitimista e progressista, é preciso ainda muito mais do que algumas mitadas no Twitter. Do contrário, logo a TV Escola estará mais uma vez falando em ideologia de gênero e se parecendo com o programa da Fátima Bernardes.

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