Quanto mais idiota...

Folha lista “censura” recente à arte citando Peladão do MAM e ignorando Brasil Paralelo e Jardim das Aflições

Uma breve análise sobre como a senhora Folha capta aquilo que lhe convém como censura e ignora todas as tentativas de proibir o óbvio, como dizer que homem é homem, menino é menino, macaco é macaco e...

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É sabido que indigência intelectual toma conta das redações dos grandes jornais, poluindo o universo da informação com as maiores asneiras já produzidas desde que o primeiro australopiteco utilizou uma ferramenta para pegar mangas.

O jornal Folha de SP, mais que os outros – talvez pela proximidade da cracolândia, ali ao lado da Barão de Limeira, não encontra limites na sua incansável luta contra os fatos. A última tolice foi elencar o que o jornal considerou censura contra a sublime arte nacional, especializada em dedo no cu e macumba.

A claque esquerdista amestrada correu para aplaudir a reportagem da Folha. A sequência elencada pelo jornal tem momentos bem pitorescos, como borrar as caras e o jaramangalho da cena “artística” onde um adulto pelado é tocado por uma criança. Bem, se é arte, não há porque tanto pudor.


Todas as “censuras” que Folha lista não tem nada de arte e muito menos de cultura.

Pensando bem, tem sim. Vejamos: é impossível não notar a influência da filosofia platônica e o diálogo direto com ícones clássicos, como Dante Alighieri e a Banda Reflexus, num desenho em que dois sujeitos white-fascist-rednecks enrabam um black-slave-so-cute. 

É curioso ver que a turma que quer proibir O Teu Cabelo Não Nega, Maria Sapatão e Olha a Cabeleira do Zezé, venha se portar como o bastião da liberdade de expressão. A galerinha cool que quer ressignificar (palavra pavorosa) os adjetivos que Monteiro Lobato dava à nêga Anastácia não vê problema algum num macho adulto desnudo sendo exposto para uma plateia infantil, podendo até ser tocado por ela. 

Chamar um doce de Teta de Nêga é ofensa racial inafiançável; mas fincar um crucifixo na peida caída é o suprassumo da arte de vanguarda. 

A percepção do objeto artístico depende muito do quanto uma pessoa se dedica a ampliar seu intelecto, a aprimorar sua sensibilidade, a organizar sua imaginação. Exige esforço.  Tudo o que os membros sentantes da redação da Folha não fazem. Daí, é fácil confundir arte com rabisco, música com barulho, tatibitati com poesia.

Mas pedir critérios mínimos de raciocínio lógico da senhora Folha de SP é pedir demais, não? No fim, para aterrorizar qualquer pessoa que saiba fazer contas complexas, como somas com um dígito, ela resolve dizer o que pensa. Hoje em dia chamam qualquer baba e gemido de pensamento. Tristes tempos!

pensa-o-que

Relíquia encontrada no Museu da Mentira, datada de 2020

A estupidez primitiva que a senhora Folha não comenta é a que de fato está em jogo: a censura ostensiva a qualquer obra feita por quem não se alinhe à esquerda das redações idiotizadas da mídia oficial, rotulando-os de “direita”, “extrema-direita”, “filhos de Hitley” e o cazzo a quatro. Censura que já acabou em agressões físicas mais de uma vez. 

Não há menção ao esquerdismo sub-alfabetizado de um Wagner Moura, por exemplo. Mas Josias Teófilo é um diretor bolsonarista. O documentário que exalta bandidos, de nível primário – pra não dizer primitivo – de Petra Costa é tratado como cinema nacional; já o documentário do Brasil Paralelo é tratado como revisionismo histórico.

“Tem o idiota; tem o imbecil; tem o muito imbecil; tem o retardado mental; tem o com o cérebro carcomido pelas drogas; tem o que teve morte cerebral; e tem o que leva a senhora Folha de SP a sério”, disse, certa vez, Goethe. 

Pra piorar o nível abaixo dos lençóis freáticos da senhora Folha, enigmaticamente, ela alega que é preciso punir quem parta para as vias de fato, pois “quem agride aquele cuja expressão lhes causa ojeriza é um resquício de uma sociedade primitiva vez ou outra irrompendo entre nós”. 

Seria um mea culpa?


Ou pode ser que na redação da Folha exista uma Fernandinha, como a que descrevi num estudo elaborado sobre a reprodução de lêmures vermelhos de Dudinka, há uns anos, no antigo Die Fackel:

Que absurdo! Censura! Esses fascistas querem decidir o que é bom ou ruim e censurar a liberdade de expressão, disse Fernanda Huesch Calazans, estudante de comunicação social na UFRJ. 

Fefê é vegana, budisto-agnóstica-daimística. Construindo um mundo melhor, Fezinha esteve presente em ato contra a publicidade infantil no Brasil, pois considera abusivo expor crianças aos desejos de uma sociedade de consumo. É a favor do projeto de lei que proíbe sal nas mesas dos restaurantes e luta pela liberação das drogas.

 Quer abolir o consumo de carne no planeta, por ser muito cruel contra os animais, e proibir cantadas nas ruas. Fefitinha é abortista, afinal, meu corpo, minhas regras! Fez de tudo para impedir que certo filme sobre um filósofo conservador fosse exibido na sua cidade. 

Nanda escreve nas horas vagas – que são muitas. Na peça que vem escrevendo, Fezoca ataca os poderosos: governo e empresários. Fê é estagiária na Globo e tem muitos amigos artistas. Espera que seu projeto seja financiado pelo governo de São Paulo.

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